26.8.11

1511-1811-2011 Evocação do Nascimento e posterior Desaparecimento do famoso Cadeiral manuelino do Convento de Cristo em Tomar






 Mestre Olivier de Gand (Flandres), entalhador de arte flamenga, surge documentado em Tomar, em 1511, a trabalhar no coro do convento, com uma equipa de sete oficiais de marcenaria e associado ao galego Fernão Muñoz , que continuará a obra após a sua morte .
Nasce assim o espectacular Cadeiral gotico, feito em madeira da India rematado por um grande baldaquino em filigrana, obra de arte unica no seu genero, retratando os cavaleiros de Cristo…que ali se sentavam para assistir aos oficios divinos da charola, (quando à noite, à luz de uma grande vela disposta sobre cada cadeira)… Lateralmente 30 cadeiras espaldadas- 15 de cada lado simetricamente- cujo numero evoca as 30 novas comendas criadas por D Manuel ,administrador da Ordem em seu Capitulo de 1503, para recompensar os services prestados na dilatação do Imperio.
Decorativamente, acima o imaginário régio nas esferas armilares e cruzes de Cristo, depois o imaginário da conquista cristã pelos monges-guerreiros da Ordem, em exaltação do projecto imperial e cruzado de D. Manuel.
Como comentou circa 1700- Fr. Jacinto de S. Miguel, monge de S. Jeronymo (Códice 8842, fl. 197): "O Coro é fabrica admiravel, naõ tem igual neste Reyno, e por ventura, nem em toda a Espanha. He obra de talha (...) em que se vem os antigos freires com habito clerical com barretes na cabeça e cruzes de Christo no peito e muitas figuras em nichos, humas de relevo, e outras de meyo relevo. Vêem se tambem laçarias, folhagens, e brutescos (figuras animais)… tudo primores da arte”
Em pormenor, na imagem (publicada por Barbosa,in Monumentos,1886) que apresentamos, observa-se a comunhão da corte celeste e terrestre numa temática real e alegorica …onde podeis ver 4 series agrupadas de figuras (numa distribuiçãso numerica 4-3-3-4) em volta de uma personagem central : eventualmente D.Jaime de Bragança, sobrinho do rei e vencedor no Marrocos…






             












Na 1ª parte, a evocação da corte manuelina : olhando-se entre 2 criados(?) …D.Maria , princesa aragonesa, segunda esposa de D.Manuel, acompanhada de seu músico do cancioneiro Garcia Resende ou alegóricamente a Fama acompanhada da musica ,como no auto do mesmo nome de Gil Vicente –em glorificação das campanhas e vitórias portuguesas, acabado de representar pela 1ª vez em 1510…



No outro extremo, a corte celeste: entre um condestavel protector com menino e um evangelizador de indios(?), as figuras inconfundiveis de um S.Jorge e de S.Tiago c/bordão de cabaças.


Centralmente, a um lado da figura principal, a milicia de Cristo nos seus 3 componentes: o prior (D.Diogo Pinheiro :vigário geral), o sergento com o cavalo e o guerreiro-cavaleiro com manto; do outro lado a evocação épica do patrimonio do reino…terras decobertas e povos subjugados… empresas associadas à Ordem de Cristo, cujos elementos levam ao peito (e nas velas) a cruz de Cristo. …talvez um Nuno Ataíde –capitão de Safim-em 1508…o “guerreiro do rei” em Africa…e os feitos e governadores na India e Brasil ,de que são exemplo recente : Afonso Albuquerque conquistador de Malaca em 1511 e Pedro Alvares Cabral ..conforme às representações de época…



Se quereis imaginar o antigo cadeiral do Convento…



vêde o cadeiral coevo da Sé do Funchal …de grande qualidade artística e atribuído também a Olivier de Gand. (1512- é a data de um pagamento de lavor de talha na Sé)…e para onde D.Manuel nomeia em 1514 –o Prior de Tomar como 1º bispo do Funchal.
Na capela-mor, o esplendoroso cadeiral de talha dourada e policromada a azul, de duas ordens de cadeiras, distribuídas em duas fiadas confrontantes,As cadeiras baixas, mais pequenas (para os capelães) interrompidas por duas escadas de acesso às posteriors (como em Tomar ); as cadeiras acima, de espaldar alto, (reservada aos capitulares) seccionado em vinte e dois assentos por pilastras rematadas por coruchéus dourados, possuindo a meio, figuras relevadas, assentes em mísulas esculpidas, retratando apóstolos, profetas, santos e monges em trajos do sec XVI . Encima o conjunto baldaquinos, subdivididos por cadeiras, com decoração fitomórfica rendilhada, intercaladas por pilastras rematadas em pináculos …


Os acontecimentos durante as invasões francesas :

A quando das invasões , dá-se a ocupação do Convento de Tomar, primeiro como base das tropes luso-inglesas, depois como quartel de tropas francesas. Em Janeiro 1809 o general Miranda Henriques, fidalgo,senhor de comendas na Ordem de Cristo, encarregado da defesa da Beira Baixa, estabelece o seu quartel-general em Tomar,ficando assim collocado entre oTejo e o Mondego, e ao mesmo tempo vigiando a passagem do Zezere. Em Thomar e Torres Novas postaram-se os regimentos de infanteria n. 3 com 740 praças, n.° 13 com 825, n.º 15 com 672, e os restos do regimento do Porto com 360 sendo o total d'esta força 2.597 homens. (vide Luz Soriano,Guerra Peninsular,1874). A partir de abril chegaram a Tomar, os militares ingleses aliados, reorganizando as forças ,primeiro o marechal Beresfotd , depois Lord Wellington e por fim o general Leight com mais 2000 soldados ingleses. Escavam-se trincheiras e fortificam-se posições. O Convento tal como outros edificios é utilizado como aquartelamento albergando tropas e como hospital de campanha . Também o serviço de saúde estava deficitário em quantidade e qualidade, já que anteriormente na 1ª invasão Junot, enfraquecendo resistências, tinha enviado parte dos cirurgiões e ajudantes com as tropas portuguesas para França ,como legião estrangeira…
No caos reinante, Beresford conhece 3 fisicos-mores em 3 meses : o primeiro, inspector dos hospitais militares ,entretanto preso por ser maçon, depois o seu substituto interino,a seguir um nomeado régio…(Carlos Vieira Reis,2006)
Neste quadro, o marechal chama ao seu quartel-general Andrew Halliday como conselheiro de saude e é natural que por aqui tenham passado todos os « facultativos » disponiveis em observação de idoneidade para os lugares …(numa antecipação da junta que será legalizada no ano seguinte)…
Nesta classe , há referências entre outros a um Manuel Tavares de Macedo, medico empregado num hospital militar instalado na cordoaria da Junqueira…que surge (á posteriori) requisitado para as linhas de Torres …(in Luz Soriano, Historia da Guerra Civil , segunda epocha-guerra peninsular,tomo III, Lisboa,1874, pp. 271-472)
-Terá sido neste contexto de insegurança que é feito o conhecido desenho do antigo cadeiral de Tomar, como memoria futura, assinado por Macedo em 1809 (possivelmente o medico militar referido acima, episódicamente presente na “salus infirmorum” do convento de Tomar…acompanhando o movimento das tropas aliadas…
Com a retirada estrategica para as linhas de Torres Vedras e com a aproximação do exército de Massena, no mês de Outubro de 1810,varias dezenas de milhares de habitantes das vilas e freguesias rurais abandonou as suas casas, migrando para a margem esquerda do Tejo, outros para a capital ou para as serranias (Em Vale de Cavalos e Pinheiro Grande há refugiados de Tomar e Asseiceira ,segundo os registos de óbitos locais da época. Também os freis do convento encabeçados por seu Prior D.José de Castro abandonam Tomar, com vista a salvar livros e alfaias, dirigindo-se a Lisboa.
Incapaz de ultrapassar as linhas aliadas, Massena posiciona-se entre Santarém e Tomar, aguardando reforços … A 7 outubro 1810 o 6ºcorpo do exercito frances comandado pelo marechal Ney, dispõe o grosso das suas forças (3 divisoes de infantaria alguma e cavalaria-agora reduzida a um quarto dos seus efectivos iniciais …eram agora uns 6.000 homens ) ao longo da região de Tomar e termo , de Ourem a Punhete A 2ª divisão comandada pelo general Mermet, que inclui os regimentos n° 25 da brigada Bardet e o regimento nº 59 da brigada Labasset, o parque da artilharia e o quartel-general do corpo de exército, ocupam o convento de Tomar, uns 2500 homens (Fernando Silva Rita,in Os Exercitos de Massena e Wellington no concelho de Santarém, Mestrado 2010).
Os franceses fazem tentativas de lançar pontes em Santarem e Abrantes sobre o rio Tejo, para progredir pela sua margem esquerda, .Porém a ponte de barcas que chegou a ser construída, nunca foi lançada, porque as tropas de Wellington, colocadas na outra margem, vigiam todos os locais possiveis . Para construção das pontes , desmantelam-se as casas de onde se retira madeira e ferro(barrotes e pregos),deixando-as em grande ruína… destelhadas e sem portas nem janelas… Porém as casas populares “eram de uma construção tão ligeira que poucas pranchas delas retiradas poderiam servir”…(F.Silva Rita,op.cit,acima.)… daí que talvez a madeira das igrejas e conventos fosse melhor para o caso !
Quanto ao ferro- mais de um milhar de arados foram encontrados e aproveitados pelos franceses na região, dai´ também os estragos nas Ferrarias de Tomar…Salvaram-se as Moendas ,porque eram uteis a apoiar o reabastecimento das tropas em pão. !
Durou 5 meses a permanência do exército invasor : até 7 março de 1811…
Segundo os Relatórios do Intendente-Geral francês Lagarde : Emerge de todas as partes uma fúria de pilhagem, uma raiva de destruição e de cupidez que devasta os recursos” , La Mission de Lagarde, Paris, 1991, p. 275 …Esta cupidez devoradora desce das altas esferas do exército até às mai sbaixas. O général Béchet de Léocour ajudante de campo de Ney , confessa nas suas Memorias: ter entrado por este meio em posse de um belíssimo serviço de porcelana. (que haverá mais no seu castelo de Remilly nas Ardenas ? !)…
Cerca de metade do exército percorre as estradas de Alcobaça e Santarém, saqueando aldeias e quintas da região , num raio de 40 leguas…O autor da Relation de quelques événements…op.cit. relata violências cometidas pelos soldados franceses, nomeadamente o atortura de velhos e crianças que levam pancada até á morte , obrigando-os aindicar “ onde estava dinheiro e mulheres escondidas.” (F.Silva Rita,idem). Confirma-se nos registos paroquiais: freguesia de Freixianda, 31 assassinados, homens e mulheres, Igreja nova- mataram 8 homens e 2 mulheres. Apesar disso salvam-se objectos valiosos como a coroa de prata do Espirito Santo de Carregueiros, escondida debaixo da soleira pétrea da porta, pelo mordomo da altura!…
Segundo Guingret (Relação de campanha,1817) : o 6º corpo, chega mesmo a apoiar a subsistência de outros corpos…em cereais , leguminosas e vinho…nas suas fileiras tem um soldado que fareja garrafeiras escondidas a 50 passos de distancia! …Face a esta devastação- aliada á politica de terra queimada imposta pelos ingleses- não é de estranhar que a comarca de Tomar , a quando da saída dos franceses , ao abrigo de uma portaria régia de 11 deMarço de 1811, fomentando as sementeiras : dos 2 000 moios de trigo distribuidos pela província da Estremadura, fosse a que recebeu a maior quantidade, 428 moios.! (F. Rita,op.cit; 2010)
Tambem devido ao novo espírito francês anti-clerical pos-revolução 1789, a maior parte das igrejas e conventos são atacados e devastados sem hesitações, quebram-se imagens apenas por causa das coroas de ouro, levam-se os calices dos sacrarios…usam-se os templos como matadouro ou arsenal…passeiam-se cavalos com casulas e dalmáticas ! Segundo memoria(1817) da respective colegìada: a antiga igreja templaria da Alcáçova de santarém , foi despojada de tudo o que engrandecia o seu culto, tendo o seu arquivo sido vasculhado e arruinado.
Do balanço feito em Tomar, após a saída dos franceses, em agosto 1811, consta entre outros o prejuizo com o desaparecimento do cadeiral do convento, orçado em 80 contos de reis só por si (compare-se com 501 contos de prejuizo das 13 igrejas de Santarem,somadas!-sg. F.Rita) … e atulhando o rio Nabão, ficaram 500 carradas de balas e explosivos deixados pelos franceses na fuga…(vide Luz Soriano,Guerra Peninsular). As carroças da artilharia levam agora possivelmente produtos de saque , baixelas preciosas e peças de mobiliário, talvez a transacionar em Espanha ou a levar para França, pelo quartel general ! …Quanto aos soldados de infantaria,esses já tinham até comido os burros de transporte, esgotados os recursos locais…

E hoje que fazer… de forma a perpetuar a memória do cadeiral?

-Estudar os fragmentos do cadeiral( presença de sinais de fogo ou não) , assinalados nas reservas pela DGMEN ...
-Continuar a inquirir as memorias francesas e luso-inglesas sobre a guerra (a enumeração descrita serve como pista )…
-Colocar no coro do Convento imagem do antigo cadeiral ,com memoria descritiva..
-Porque não materializar uma ala do cadeiral ,num proximo festival de Estatuas da cidade , vestidas a rigor conforme o desenho e no local próprio





28.7.11

No tempo do rabi Josep de Tomar




A propósito das comemorações referenciadas para a Sinagoga de Tomar , nesta semana, trazemos aqui a evocação de como seria a vida dos judeus na Vila , através de um excerto de um livro a publicar, sobre a Thomar dos fins do século XIII, no outono dourado da Ordem templária...

Em seu texto introdutório afirma-se: “ Vamos poder ver aquilo que até agora não estava visivel, desvendar os elementos vivos na Pedra, ver as casas para além das ruínas, ver os cavaleiros ressurgindo para além das sepulturas quebradas onde dormem; vamos ao encontro da vida e dos vizinhos da vila, suas ruas e monumentos...”

Onde se fala da primitiva rua Direita :
Frente aos Açougues (a sul de S.João) pela Rua Direita e até ao Chão de Pombal estende-se algum casario baixo, onde as mais desvairadas gentes partilham o viver quotidiano. Nas ruas estreitas talentosos mercadores e artesãos com sua habitação e loja oficina com simbolo da arte gravado na porta ou alpendre.
Ali se encontram-se todos os que sao de nação judaica a tratar de negocios...
Conhecem-se pelo turbante e a bolsa. Barbas e narizes aduncos. Habitam as ruas mais concorridas comercialmente ou parte delas : Moinhos-Açougues-Rua. Direita e vivem misturados com os cristãos
Olhados com desconfiança por seu estranho trajar e seus costumes;e estranha é a sua fé praticando ao sabado, são os judeus safardis (desde o inicio da era medieva nas Hespanhas)
.Aqui concentrados serão uns 10% dos moradores-da vila sendo metade mercadores e um terço artesãos..(segundo a media estremenha iberica )...
Vendem especiarias,pedras preciosas,são carniçeiros e alfaiates, e almocreves inscritos na Confraria dos ditos. Sao fisicos , cirurgioes e tratadores de doenças dos olhos...
-São também arrendadores de impostos... recebedores de rendas, senhoriais e clericais ..gerando entre os cristãos descontentamento ....

Quando ao anoitecer de sexta-feira, o rabi anuncia ao som da trombeta( shofar) -a entrada no sabath/sabado, param tudo o que estejam a fazer....
Vestindo as melhores roupas –uma túnica lavada e branca – saiem a passear, e dando Shalom (paz) - cumprimentam-se uns aos outros .
Vão todos a beijar a mão do rabi a sua casa..É uma loja de panos a meio da rua(Nova).
Nesta casa caiada e limpa –adaptada a templo, com sua janela alta e estreita- há tapetes nas paredes decoradas e vasos de prata, uma arca de boa madeira.... Na ombreira da porta no canto direito a cavidade onde se guarda um estojo com pequeno pergaminho com algumas palavras do Shema-a oração fundamental
Ali vemos um de rosto comprido,cabelo ruivo ,com sua barbicha,manto çorame,vestido de garnacha azul bordada a amarelo paramentado... Com o passo balanceado -um xaile ritual cobre-lhe os ombros.e a cabeça (Taillit) -levando sua Tora ( rolo das Escrituras) processionalmente encostada ao peito...até um altar. pois que havendo mais de 10 homens na comunidade , há o Minyam para haver culto...
Em destaque um candelabro de 7 braços , a Menorah, imagem da arvore da Criação ou Sephirot e dos principios que regem os números, a descida e a subida das energias divinas ali simbolizadas ...

Junto a esta casa/sinagoga , o poço das abluções ou banho ritual antes da oração...depois entrando .os judeus ..reverentes entoam o salmo-“louvai a deus Adonai em seu santuario”...todos virados para Jerusalém...
A um lado, sobre o fogo coberto com telhas, estão já os bolos de pão ázimo, cozidos...pão santo que cada um levará para casa, envolto em toalha branca...

Esta casa , além de lugar de oração é também lugar de reunião de judeus a tratar de seus assuntos e ainda escola onde se estudam as sagradas Escrituras ou Pentateuco, atendendo ao espirito mais que á letra...
Tudo está no livro : a vida inteira para eles, com interpretação possivel...E lêem que os tempos se aproximam de novo... em que Josué redistribuirá pelas tribos, porções da Terra Prometida. E como diz o Genesis : “Thamar a cananaica,a só, a que se escondia sob o véu e estava na encruzilhada do caminho, foi tomada(desposada) por José da tribo de Judá. E " Joseph, filho de José, Deus o consagrou rabi e será guardador deste povo, ca eles aprenderão de ti e de tua boca como deve-se guardar a lei e como devem crer esta fé"...assim também a caminho de Thomar,a dos frutos paradisíacos,a imersa no vale, está um notável rabi de seu nome Josep, o qual na sua diáspora virá de Torres Vedras a comerciar terras e propriedades (excepcionalmente até com os Bernardos de Alcobaça-em 1297/1303 no Paul de Alvim- cf. Pedro Barbosa,92 ) e se finará no Algarbe (em janeiro de 1315,cf. lápide acima) sempre mercadejando em zonas de oportunidade …e cobrando impostos ou talhas como se fala numa tensão (despique poético) entre D.Josep e Estevam de Guarda ,seu contemporâneo (que o acusa de favoritismo na aplicação da talha para com certo fulano da mesma crença; e como o judeu se defende das acusações, citando outro sujeito que o malsinava de sonegação do imposto, Estevão acaba por defender o judeu e atacar o seu detractor, que era mal visto pelo rei D.Dinis)... cf. Cancioneiro da Biblioteca Nacional

Este judeu D.Josep era pois um homem importante e dos 7 oficios que por serem referenciados (o que não era mui vulgar para um de sua raça) ...todos na mesma época, devem corresponder á mesma pessoa : rabi, mercador, cobrador e ...trovador !

26.7.11

À porta da antiga Albergaria …todos receberam a benção do Espirito Santo !




No inicio da subida para o castelo templário… à porta da antiga Albergaria de S. Brás (que devia ser preservada, enquanto tal, constituindo mais uma atração turistica e pedagógica) … e em plena festa dos Tabuleiros : abriu-se o Imperio espiritosantista da Fraternidade.. !

E várias dezenas de pessoas ali se juntaram á esquina da rua ornamentada de festa a ouvir as palavras do jogral (Pero Mafaldo) que trovou acerca dos “mentireiros” e seus ganhos…(ainda hoje é assim…comentava-se!)…

E seguidamente se convidaram os presentes a receber a benção do Espirito Santo…e então : velhos e novos, homens e mulheres, muitos ali se ajoelharam frente ao Imperador. Ele todo de branco, sentado hieráticamente em seu trono vermelho, acompanhado dos vasos das cabeleiras, invocava o Consolador




E então a Divina Pomba desceu sobre as cabeças das pessoas, recolhidas, mãos postas…momento de Fogo espiritual , iluminação de vida pessoal…segredando-lhe a Palavra ao ouvido (Saúde ou Ração) …E a pessoa passava o segredo áo ouvido do Copeiro (á moda beirã espiritosantista de orelha a orelha )…e este procedia em conformidade, desejando-lhe muita saúde ou ofertando-lhe um copo do Elixir da longa vida (o vero pigmentum: vinho branco,mel e salva ) de medieva receita…E nas gargantas; jorrava o precioso liquido… quem beber tudo a preceito : verá Deus !



2.7.11

Albergaria de S.Brás! Vem e Verás : Barquilhos – Trovas de Pero Mafaldo- Coroação do Espirito Santo Imperador


Sábado 9 julho às 18 horas , junto á entrada da Mata, integrado no programa oficial da Festa dos Tabuleiros em Tomar.

Esta é uma animação especifica ligada ao local e ao tempo da festa.
Insere-se dentro da nossa ideia de chamar a atenção para este local-que já foi oficina de bicicletas e ultimamente loja de vestuario infantile ...mas podia e devia ser recuperado/preservado na sua função original de albergaria medieva- pousada de viajantes e peregrinos da vida- sendo o unico exemplar do género de que conservamos alguns traços de época...e podia servir de mais uma atração turistica e pedagogica (tal como no caso das moendas da Levada) no sentido de expôr uma vivência /conteúdo apropriado à sua época ...na parte térrea da casa : (um chão de palha, com enxergas, mesas e outros utensilios, e eventuamente venda de licores de epoca, artesanato local, etc)... ainda para mais situado junto a um posto de turismo e no inicio da subida para o castelo templario!


Sigamos exemplos europeus como o de Nottingham (terra de Robin Hood) onde está em funcionamento uma das mais antigas pousadas de Inglaterra de 1189 a Ye Olde Trip to Jerusalem, no sopé do castelo local, numa area que já pertenceu até à Ordem do Templo (como no nosso caso)…

Efectivamente, eis-nos à entrada da vila de baixo no vale da Ribafria,a sul das muralhas, Naquele tempo por aqui passava a estrada publica de Santarem para Coimbra.
Aqui à entrada da rua uma casa sobradada com escada de pedra exterior que dá para um pequeno alpendre ou galilé assente em 3 colunas. Por baixo um vão de arco abatido com sua porta que dá para uma casa grande . Eis a Casa de Recolha dos Pobres Transeuntes ,sobradada, onde o morador piedoso e de posses usa dar aposentação e abrigo a quem chega´,instituindo assim em parte de sua casa a assistencia aos pobres viajantes .Tem oratório a S.Brás santo de sua devoção.
Casa dianteira com chão macio de palha que torna o ar quente e humido ali dentro, dispondo de leitos com sua enxerga,alençois, mantas listadas,axadrezadas, ...cabeçais de lã ou almadraques e coberta de burel. ...Também distribui capas çorames a quem necessitar…

Pertenceu esta casa a D.Constança Anes, provávelmente da rica casa de Portel , que ofereceu um calice de prata dourada a santa Maria dos olivais. Também a sua cunhada D.Maria Anes deixou em testamento (1337) a S.Maria de Tomar d’além da ponte, 10 libras para ornamentos da dita igreja (tanto como rendiam ao ano, os lagares alem da ponte, na época!)...

Já que estamos a falar de pousadas , falemos agora de comes e bebes.

È a hora de repartir/ que a gente tanto gosta
Pão e vinho/ temos sempre a mesa posta!

Primeiramente os barquilhos – pães recheados com natas e mel (segundo memória escrita do mais antigo cozinheiro da corte portuguesa conhecido-Domingos Rodrigues) e a que demos o nome de “ Cus de Lobo do Almorol” evocando o nome de uns barcos medievos (de cabo baixo,parecendo o rabo do dito) que ali andavam na pesca de arrasto das savatelhas, segundo as crónicas coevas...

E porque aqui evocamos tambem o santo espirito Consolador beirão segue-se um gole de vinho doce. O pigmentum…autêntico medicamento (elixir de longa vida) para o corpo e espirito, segundo opinião do medico da nossa rainha Isabel de Aragão!..e conforme ao salmista : Vinum Cor Homnes Recreat” .

Assim , sendo hoje tempo de fraternidade: sede todos bem vindos e que sejam bem idos também …os bafejados pela Fortuna ou pelo tavolado…porque a oferta é limitada!…


Seguidamente apresenta-se o trovador Pero Mafaldo , hóspede ilustre desta casa - contemporâneo del rei D.Dinis- e por hipótese nosso vizinho : em cujo nome se referem umas terras para os lados de Carvalho de figueiredo, segundo rol de bens proprios e aprazados da antiga Ordem do Templo (feito em 1321). A par dele há umas vinhas em nome de Pero Pais , o nosso copeiro …e também da corte dionisina em Coimbra(?)….Ouvide pois a voz do jogral : “pois nom somente vossa boca sorva as viandas…mas vossas orelhas se farten de ouvir palavras do espirito”!

E para finalizar em espirito de festa dos Impérios ,vamos recuperar uma tradição presente na festa anual dos Tabuleiros na freguesia de Carregueiros: a entronização do juiz-Imperador após a procissão.
O juiz sentado e coroado ( com o ceptro da pomba na mão direita) , incarba o Espirito santo imperador e , vai impondo a coroa do Espirito Santo sobre a cabeça de quem o desejar...comunicando-lhe a esperança messiânica de que a sua terra dará bons frutos...
Colocando a coroa suspensa sobre a pessoa ajoelhada- - diz respeitosa e lentamente:
- Divino Espirito Santo consolador/ as nossas almas vinde visitar/ . …
…….cheio de graça celeste/ vosso preito criar/
em nome do Padre,do Filho e do Espirito Santo,Amen.

O culto do Espirito santo Imperador foi trazido para Portugal, em meados do sec XIII- pelos franciscanos espirituais ( apreciados pela familia de Isabel de Aragão) , celebrando a transição sob a forma de Imperios-para a aurora da nova idade iminente. , a instauração na Terra da era da fraternidade profetizada pela Visão joaquinita das 3 idades. Estado-em que o homem acede diretamente,através do Espirito Santo, à iluminação espiritual ou Consolação…

Como elemento curioso e único (em Carregueiros) verifica-se que a cadeira do juiz está rodeada de vasos de trigo ..., que semeados 3 semanas antes e germinando no fundo escuro de uma arca ,acabam por nascer por ausencia de sol , sob a forma de uns filamentos alourados a que chamam cabeleiras ...
Ora este ritual das cabeleiras é um vestígio arqueo-teológico fenicio... de cultos a favor da regeneração da vegetação : o ritual dos “ jardins de Adonis”-(de que nos fala o investigador em Religiões , Moises Espirito Santo) formados por vasos domésticos nos quais se semeavam no escuro, gramíneas como o trigo; germinando rapido sob a acção do calor da habitação, mas expostas á luz logo murcham, devido à fraqueza de suas raizes, simbolizando o definhamento da vegetação- a morte do trigo pelas ceifas-a existencia efemera da divindade....Também no sul de Espanha ,em um estudo (Franz Cumont) sobre a antiguidade dos cultos andaluzes, se constatou a presença desses vasos de sementes por ocasião de festas locais e concluindo da sua introdução nas Hespanhas pelos mareantes fenicios ...afinal os cananeus bíblicos!

À porta da antiga Albergaria  : está pois aberto o Imperio do Amor e da  Fraternidade...Universal e  Ecuménica !

23.6.11

Cruz da Rosa e Pedra dos Cavalos: património a sinalizar na Mata, junto às muralhas da Almedina



Agora (diz-se que no final do mês ) que a arcádica Mata dos 7 montes vai reabrir , nomeadamente o seu percurso arranjado direto ao castelo templário , seria bom que fossem assinalados através de placard informativo (tipo chapa metalica) como os existentes noutros locais da cidade, alguns pontos de interesse junto ao castelo, mais própriamente na muralha externa da Almedina .
Os acessos específicos foram arranjados, a nossa sugestão ao pelouro da Cultura e Turismo o ano passado, a quando da Evocação do Cerco de 1190. E embora tenha crescido alguma vegetação rasteira entretanto, continuam acessiveis.
Trata-se da famosa Cruz da Rosa sobre a porta da Almedina, local de oportunidade para belas fotos da imponência ali das muralhas, vistas de baixo.. e também da singular Pedra dos Cavalos , recém- descoberta...
Aqui se deixam algumas achegas para o respectivo enquadramento.

No 1º caso, por cima da porta, do lado de fora, avista-se em uma pedra ,a cruz pátea da Ordem do Templo , de braços sulcados formando pirâmides, com a data inscrita de 1160 e uma rosa sobre o centro da cruz., (tal como havia na porta do Bom Sucesso no castelo templario de Santarém) . Rosa iniciática também figurando no brasão de armas de Portugal, usado no selo de Afonso Henriques ( março 1135 ) ele próprio se afirmando confrade do Templo. .
Rosa, associada ao sangue de Cristo, fonte de vida, pois afirma o Eclesiastes “a rosa... ao pé da água viva”, simbolo de renascimento místico ou o sol vivo… rosa desabrochada sobre a morte / cruz …marca do Templo simbolizando uma nova vida, regeneração, para aqueles que penetravam intra-muros...
E lateralmente à cruz redonda, na parte superior, encontram-se 2 simbolos...que são uma mensagem espiritual. Potencialmente signos astrológicos ou divinos (o Alfa e o Ómega.)...tal como na porta sul da igreja da comenda templaria de Fonte Arcada há  uma cruz inscrita dentro de um circulo, ladeada pelo sol e pela lua, conjugando poderes apotropaicos e escatológicos.....
A propósito, também no nosso selo (ao antigo) da Templ’Anima, composto por um circulo exterior ,contendo uma cruz templaria ,onde se inscreve uma representação da Rotunda do Templo, se desenharam lateralmente ao Templo esses 2 simbolos crípticos, evocando a simbologia e o mistério da Ordem.... .



Quanto à outra pedra (cuja foto abre esta mensagem, porque menos conhecida) : situada na base dos muros do castelo entre a porta da Almedina e o cubelo que faz esquina com a muralha que vem da torre da Condessa...aqui se encontra singelo dintel, com semelhanças a outro existente na torre sudoeste do castelo templario de Soure.
Onde se afrontam, o cavalo branco /diurno (divino ou de S.Miguel) e o cavalo negro ou nocturno(representado por uma lua) de Satã ...como no Apocalipse de João.
Entre os dois cavalos e aproveitando a forma do espaço disponivel a figura ( uma braçada/ramada serpenteante) da arvore da Vida e/ou do Conhecimento com suas folhas cordiformes (em forma de coração) e 2 pomos no extremo (?) ... portanto, uma outra forma românica (?) de representar a eterna luta/oposição entre o Bem e o Mal... ou quiçá, a bela serpente disfarçada da tentação arrastando os corações humanos do Genesis ao Apocalipse)...
Eventualmente , esta pedra poderia ter estado originalmente sobre a porta de entrada da igreja de S.Maria do Castelo , depois derrubada quando os moradores sairam da Almedina.
Efectivamente no sitio onde está agora, trata-se de um aproveitamento da pedra colocada sobre uma abertura visivel na imagem –ao nivel da base exterior do monumento, mas que tem perfeita correspondência do lado de dentro (no terreno à dextra da Porta da Almedina) ali assinalado/entaipado por um amontoado de pedras ,tapando o buraco- mas aonde é visivel um tecto em abóbada da abertura, com 2m de comprido de um lado a outro da muralha . Que deve ser tardio em relação á epoca templaria (não faria sentido uma abertura junto a uma porta bem trancada segundo os sinais que se vêem dela na pedra )… talvez a abertura seja mais do tempo descrito na Lusitania Transformada , em que a Mata era local de recreio e encontros furtivos de freis ...

Aproveitem e vão até lá gozar o Património de que são todos co-herdeiros... a partir da base da torre redonda da Condessa , contornando o ângulo da muralha a oriente...

19.5.11

Rota europeia de burgos templários ...um novo itinerário temático internacional !






Aos Cidadãos e aos Poderes locais : voltamos a insistir e relembrar esta proposta, no rescaldo das comemorações dos 850 anos da nossa cidade .

A geminação de cidades é um elemento fundamental do processo de integração europeia. (CE,88)

Se a geminação com a cidade francesa de Vincennes, há uma dúzia de anos, privilegiou algumas características comuns- -além de conter uma comunidades de emigrantes ribatejanos – não se deve esquecer que essa cidade foi também significativamente por coincidência o local da morte na fogueira (1310) dos primeiros 54 mártires templarios–... Hoje , é imperioso celebrar a vida daquela Ordem já ilibada até pelo Vaticano, ..em suas sedes nascentes comuns : Tomar e Troyes.- .as quais têm bastantes afinidades histórico-culturais . Troyes/França é a–terra do fundador da Ordem, Hugh de Payns e lugar do concílio que lhe deu a Regra , a irmanar com Tomar- centro templário fundado pelo 1º grande mestre português D.Gualdim Pais ...Reforçando o sentido da Identidade europeia, baseado numa história comum.

Porque é tanbém mais pertinente do que nunca, promover os valores europeus da compreensão mútua e da solidariedade... É a Hora de suscitar uma cooperação activa entre as 2 cidades com atracções culturais comuns e estratégias municipais comuns, (como vai descrito à frente).

Nesse sentido julgamos oportuno desde já executar algumas tarefas ,imprescindíveis e adequadas ao timing presente..

1- A- Formação de uma Comissão local Pró Geminação com representantes dos orgãos municipais , instituições e associações locais –onde nos incluimos (cf. n/Objectivos estatutários – artg.nº3 e) - Cooperar com outras associações e grupos europeus afins, promovendo o intercâmbio entre centros templários, campanhas de geminação de lugares; organização de quaisquer outras iniciativas que sirvam á consolidação de um espaço cultural/patrimonial comum: a herança templária na Europa e á criação de um novo itinerario cultural europeu, ligado à Ordem do Templo.”..(2006).

Cabe naturalmente à Câmara , junto com os outros parceiros locais- agendar as acções a executar , sendo que segundo os criterios do “Europe for Citizens Programme”- os representantes ou funcionarios autarquicos não devem ser a maioria da comissão , nem dos elementos dos paises convidados (apelando assim á cidadania directa)

2- Establecer contactos com os orgãos municipais- da cidade de Troyes , convidando uma sua Delegação a visitar-nos.. eventualmente durante a nossa Festa dos Tabuleiros , visando a um compromisso de intenções para futura geminação.

3- Preparação de um Encontro entre as 2 cidades -segundo o Programa 2007/13 ”Europa para os cidadãos” visando fomentar acções e reflexões relacionados com os aspectos comuns da Herança europeia /Patrimonio imaterial e material...e o- reconhecimento mútuo, baseado na diversidade.
Discutir programas de intercâmbio e cooperação.e ,um calendário de eventos .a celebrar conjuntamente. Promover o desenvolvimento comum , gerando emprego e coesão social- que contribua à integração euro-cultural, e à participação cívica.
(Tanto a Câmara como o Turismo , são já conhecedores desta proposta) ...

É por um movimento de geminações entre lugares templários da Europa que se poderá iniciar a construção do 3º itinerário temático europeu, depois das rotas de Santiago e de Cluny. Se a Espanha e a França já tem os seus, porque não nós em Tomar , sermos o foco central de um novo... se temos a sede da Ordem mais completa da Europa, com suas muralhas envolvendo a Rotunda!...o que já não é o caso da sede londrina e a de Paris já desapareceu integralmente há muito...

Uma rota de burgos templários , com material promocional de simbolo homogéneo , conforme às normas da Unesco - neste caso a cruz pátea - promovendo o intercâmbio entre centros templários, castelos e comendas , baseada na identificação de afinidades relacionais.

Este é o Caminho que propomos para uma maior integração de Tomar no mapa europeu...com património pouco conhecido além fronteiras..

Esta é uma rota específica, importante e em que temos argumentos materiais que nos possibilitam a iniciativa e a condução do processo. Tal não impede ou contraria a aderência a outras rotas ,como a dos sitios de Ordens militares ( embora predominantemente ordens especificas espanholas e pouco templarias, além de predominantemente serem lugares rurais e/ou de projeção assaz inferior ao que temos para oferecer enquanto urbe de patrimonio mundial) !

O castelo templário de Tomar é considerado um verdadeiro centro da eterna Demanda. Existindo uma atenção permanente e continuada sobre as casas do Templo: na Europa- por parte de visitantes interessados na procura de algo mais do que olhar a materialidade dos monumentos: fruir o vero espirito dos múltiplos lugares templarios ,já que aquela ordem monástico-militar existiu principalmente em 5 paises europeus: Espanha França Inglaterra Alemanha Italia, além de Portugal- e coincidência significativa : esses têm sido tendencialmente também os 5 paises prioritários do turismo português ( Motivação geografica: segundo a memoria colectiva da comunidade,vinda de antigos lugares templarios “o lugar diz-lhe algo mais do que a outros; é subliminar a presença repetida,que os atinge” como afirma o psicólogo e marketeer Louis Cheskin )


                       TROYES  &   TOMAR   >   TEMPLÁRIAS  !

Tomar é o centro da escolha dos metais...e a Floresta do Oriente (Troyes) o celeiro principal... eis a origem de suas riquezas” ... Umberto Eco  (a propósito dos Templários, in: Pendulo de Focault,pag 393)


Troyes –burgo medieval, com suas ruas tortuosas e construções de madeira,foi uma das principais comendas da Ordem do Templo .. Sede da célebre feira da Champagne medieva , é a cidade do concilio de 1128, (o ano em que também nasceu Portugal) que instituíu a Regra da Ordem Templária. Tem igejas gótico-renascença e vestígios medievos: como a fachada sec XIII da basilica de S.Urbano –com frescos no seu interior- e belos vitrais do mesmo século na catedral de S.Pedro e S.Paulo (onde se guarda a cabeça de S.Bernardo ) . Também o museu de ville : onde se encontra entre outros, um belo timpano esculpido em pedra , glorificando a Virgem, que estava sobre o portal de uma capela templária...(à semelhança do nosso timpano de S.João , ostentando ao centro uma flor de lys, que também é simbolo da Virgem)...

Troyes- é hoje uma cidade média de arte e história, com 62. 000 habitantes a 160 km da capital francesa ,na região da Champagne-Ardennes em processo de requalificação urbana, apostando no desenvolvimento turistico. Sede da Lacoste e produtora de champanhe . Sofrendo a crise da industria textil, soube inovar, valorizando o passado e apostando no sector terciário, com património industrial reabilitado e parque desportivo em requalificação. Com mediateca, conservatório musical,ensino superior e museu de arte moderna .

Apresenta festividades culturais de verão-em parceria com associações locais-, Desde 2004- já vai na 7ª edição do festival “ Ville en Lumiéres” que celebra todos os anos em –julho e agosto –(às sextas, sábados e domingos) - os seus tesouros arquitectónicos , evocando páginas da história da cidade, numa viagem através dos séculos e das ruas do seu centro historico,que mistura efeitos de luz e teatro de rua, envolvendo num jogo poético e lúdico, o seu público...

No termo ,a 10 km a norte de Troyes fica Payns. –local exacto onde nasceu Hughes de Payns, (1070-1136-) Cavaleiro nobre da casa do conde da Champagne , fundador da Ordem Templária e seu primeiro mestre . Os bens doados pelo fundador da Ordem- - foram o núcleo inicial- da comenda agricola local do Templo que dispunha de casa de habitação, granja dedicada á criação de carneiros e produção de lã e uma igreja tipo basilical –reconstruída no sec XVI após incêndio. Possui um museu templário, que embora de dimensões modestas recebe milhares de visitantes de todos os países... e é dirigido pela fundação Hugues de Payns, que prepara uma grande exposição em 2012, em Troyes, sobre os templários ( o que devemos aproveitar em termos de intercâmbio cultural sobre a actividade internacional da Ordem na idade Media- aliás a nossa Associação já encetou contacto ).

Na envolvente, encontra-se o Parque natural regional da Floresta do Oriente , nome derivado da presença antiga dos monges soldados da Ordem do Templo-ou Cavaleiros do Oriente-nome porque eram conhecidos por se terem formado na Terra Santa . Território lendário abrigando imensos lagos no meio da floresta profunda... Onde durante o sec XIII os templários possuiram(por doação ou compra) numerosas propriedades, quintas,celeiros, ferrarias, pastagens, vinhas, terras araveis, prados, e  casas servindo de habitação ou arrendadas a outrém .

O parque em que se aliam em harmonia a floresta de pinho e a água , ocupa 69.000ha, englobando 49 comunas e 20.000 habitantes. . Os lagos ocupando 4.800 ha- são lugar de predileção para os amadores da calma e desportos náuticos e refúgio natural para aves diversas
Ali ao longo do ano há inúmeras actividades desportivas e culturais. Passeios tematicos pedestres e em carroça, espectáculos de som e luz, festival dos lagos, visitas ao Ecomuseu e ao moinho de vento, a igrejas e comendas antigas...

Também a nossa região chamada (até agora) Floresta Central e dos Templários corresponde á zona de influência , em comendas e castelos , da Ordem do Templo, os cavaleiros buscadores do Graal…, pelo que podemos chamar assim a esta Floresta , além de Central, do San’Graal... por homofonia ... um valor acrescentado no imaginário à região...com suas albufeiras, desportos náuticos e passeios de observação de aves...

À atenção dos poderes locais : Geminem-se pois as 2 regiões …pela semelhança e identidade simbólicas...e afinidades ambientais !

26.4.11

Hoje saudamos as Tamargueiras em flor nas nascentes do nosso rio... afinal foram elas que deram o nome à cidade de Tomar !




Conforme se lê no  recente livro sobre O Mestre  (Gualdim), acerca do antigo rio Thomar (ou Thamara segundo os arábicos) :  É significativa  a familiaridade deste nome com o do rio galego citado na carta  do monge Duodechino, acerca da vinda dos cruzados a Lisboa em 1147, quando refere a sua paragem em Compostela:  “in portum galiciae qui Thamara dicitur”... Um milénio antes o geógrafo romano Pompónio Mela referia o mesmo rio da Galiza  por Tamaris , in “ De situ orbis”. 
Por sua vez  Estrabón   y Plinio el Viejo relacionam  o nome desse  río  com a planta que abundava  em suas margens : a  Tamarix, um  arbusto de pequenas flores branco-rosadas,   reunidas em densos cachos,  de folhas semelhantes a escamas e de cujos ramos finos se podem fazer cordas, existente em várias regiões da Penuinsula  Ibérica....
Seguindo a evolução da nossa lingua, temos a sua  referência   no primitivo selo templário do concelho de Tomar, designado por “Concilíi Tomarij”...
 Já os  galegos por outro, acabarão por chamar ao seu rio: Tambre - uma evolução específica, por queda da vogal intermédia... Atrás deste rio “ Trans Tameris”  se  formou aliás o condado de Trastâmara , em terras dos Trava, que iam até ao mar in Finnisterra...
     Ora a  Tamarix  é uma planta por nós (hoje) chamada Tamargueira. O local onde se desenvolve, geralmente nas margens de certos cursos de água, chama-se Tamargal. Perto de Tomar escontramos uma localidade chamada Tramagal( medievalmente chamavam-lhe Tarmagal). Na região de Ourém  há referencias antigas a  Tamarel e   Tomarães.
Há outras referências nas Hespanhas: como na região de Huelva/Sevilha e também junto á fronteira medieva  entre os reinos de Leão e Castela ,o vale de Támara, a uns 70 Kms a ocidente de Burgos que foi cenário de lutas (1037) e de acordos de paz (1127).
 Por sua vez na Catalunha as designações variam... tamaró, tamarell, tamarill (em Valência). 
 Em França, em  La Seyne sur Mer, junto á cidade de Toulon (a sul) há um lugar denominado "Tamaris"..onde abundava  aquela  planta,
Também em Inglaterra há um río Tamar. Já Ptolomeo na  sua  Geografía  refere a cidade de  Tamara, (actual Launceston), junto ao dito  río Tamar que serve de entrada à região da Cornualha.  .
Designação presente sob varias formas ,também a  Oriente... referida como sombra biblica de Abraão e até abrigo na legenda de  Osiris ...
     Deixando porém os “ramos” para regressar ao tronco... arbustivo:    é possivel assim, concluir que este nome medievo do rio- Tomar- (que depois deu o nome á urbe)- deve ter  origem no facto de em algum ponto das suas margens (a nascente) ser acompanhado de flora da bela família das Tamaricáceas, tal como o  rio Tejo que nasce em Espanha aí se chama Tajo devido à  abundancia do  teixo (tajo)  em suas margens...
 De facto um pouco acima de Formigais, na zona de Pelma/Alvaiazere na sua margem esquerda, há mesmo um lugar  chamado de Tramagueira - transposição popular de Tamargueira ...Aqui sem dúvida, tem portanto , grande peso  a fito-toponímia !..
A  reforçá-lo  e comprová-lo  citamos  textualmente de um estudo  recente do Instituto Superior de Agronomia, sobre a vegetação em ribeiras da bacia do Tejo “ Em rios onde a estiagem é elevada (afluentes do rio Nabão)  a tamargueira é o principal elemento constituinte da galeria  ribeirinha  ...in Revista Recursos Hidricos,vol 24,pg 84.
  ..Afinal a Tamargueira não é só ficção de telenovela…


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Outros destaques do livro  O Mestre Templario na Fundação de Portugal(edição Ésquilo 2011) 

-Uma  biografia  completa  do fundador da urbe “tamarense” onde se fica  a conhecer  toda a  familia de D.Gualdim Pais : dois irmãos (D.Vasco e D.Gomes) e uma irmã (D.Sancha).
 
-Vero livro das Horas-momentos de sua vida ...em 24 capitulos , que se iniciam  veladamente por uma frase , cujo total  na primeira metade do livro    uma versão  da  conhecida lenda local das moedas de ouro e na segunda metade dos capitulos compôem  o Pater ou oração diaria dos cavaleiros...

Tudo começa  no  alvorecer da cavalaria divina –1118…

  • Onde se fala do  Recontro de 1137  junto ao Porto Velho do rio Thomar   contra  uma força berbere do principe Texufine, subindo  até  Santa Maria de Cárquere (Lamego) arrasada nesse ano .
  • Onde se discute -  em Intermezzo -o  Templo de Recesvinto na Ribeira de Scalabidis...à  imagem da  “Santa Iris” de Clovis , o rei cristão merovingio (luminar e modelo da igreja da época)...e se fala de uma    região central de Iria à semelhança da  região irenica  galega, aqui : de Sant’Iria…AL’Iria  ou seja de Santarem a Leiria…
  • Onde se relata a comissão de serviço de Gualdim Pais na   2ª Cruzada :   onde se encontra   com Isis a  rainha -deusa egípcia-  e   com a famosa Condessa de Tripoli  cantada pelos trovadores...
  • Onde se referem as influências orientais em Tomar e arredores : as procissões festivas das primícias do pão em Tabuleiros,  à imagem  das procissões nas margens do Nilo  à  deusa Isis ,  onde  atrás do “estolista”  seguiam os portadores do pão  (sic)…e o Ritual  dos vasos de  “Cabeleiras” , a quando da entronização do Imperador, na festa anual  em Carregueiros,  como resíduo arqueo-teológico fenicio...
  • Também  referindo  a igreja da Divina Sabedoria (S.Sofia)  a par da Igreja da Divina Paz  (S.Iria) – na  Constantinopla justiniana –  ambas  igrejas  de invocação simbólica e não a santas reais, prática aliás comum na igreja oriental .  Depois personalizadas (como mãe e e filha) no 1º teatro edificante cristão conhecido, obra da monja alemã Roswita de Gandsheim, servindo á difusão da conhecida carta de S.Jeronimo ás mães, exortando-as  a serem  “sogras de Deus” (sic)!.. entregando-lhe suas filhas...
  • A Charola como espaço-cúpula  pintado de ilusão apresentando um fundo primeiro de falso aparelho  de influência borguinhã cisterciense…como em  Romain Môtier-sec XI- no Jura- (hoje Suiça). Modo de decoração singela, consistindo na imitação das pedras de construção, traçando sobre fundo claro linhas de cores diferentes , sobrepostas, representando as juntas .
  • Onde se fala da Aritmética de Boecio  presente na Charola : os números “ Parmente Par “ ou seja as potências de 2, ao centro o  8  e no deambulatorio o 16...
  • E finalmente e a  propósito do desfazer do Cerco de  1190 , apresentam-se  traços do carácter de Gualdim , sugerindo  uma sua reencarnação moderna: o soldado Milhões !