1.3.16

Naquele dia, em que o vento frio de Março...


No princípio do ano da Encarnação de 1160 (ao tempo o ano iniciava-se por alturas da Páscoa / Março) e decorrendo o seu terceiro ano como Mestre, Gualdim Pais “ guardando o corpo em vida de graça e permanente nas boas obras” decide começar a construção do castelo de Thomar, escolhido o alto do monte com maior declive para sul, frente ao rio.


A planta da fortaleza inspira-se no modelo justiniano, que Gualdim observara na Terra Santa, composto por três cercas envolventes de muralhas (perimetro externo 320m,flanqueadas por cerca de uma vintena de torrões e cubelos ) com sua alcáçova na cerca mais interna a norte, de formato pentagonal irregular, onde se situa a Torre de Menagem quadrangular,adossada á muralha,em posição de canto- uma novidade gualdínica em relação a castelos roqueiros anteriores - com seus três pisos . Será o Paço do Mestre, com sua porta resguardada ao nivel do 1º andar. Outro elemento novo: o Alambor ou escarpamento de pedras, defendendo a base das muralhas e torres contra ataques de sapa e minagens a toda a volta do castelo.
O conjunto, organizado como réplica da ordem cósmica, construido a partir do modelo do firmamento : imagem especular da constelação de Bootes , o Pastor celeste guardando a alcáçova pentagona, sobre cuja torre de menagem, vigia a estrela Arcturo…o lugar real, morada do Mestre iniciado dos cavaleiros.
Aliter, simbólicamente ...a planta das muralhas , perfigura a quilha da barca salomónica ou da barca solar egípcia, sinal da viagem transformadora ,com inicio na Porta do Sol...tal como se vê no céu egípcio dos Templos, os deuses vogarem em barcas entre as estrelas do firmamento...vede o desenho dos arquitectos e tirai vossas conclusões...

Na 2ª cerca, encostado à cortina ocidental de muralhas, debruçada sobre ravina de 15 metros, fica o oratório circular dos cavaleiros: construção octogonal de altas colunas com seus capiteis figurativos, arcaria apontada e baldaquino, memória de Jerusalém, tal como outras sedes do Templo em Paris e Londres, iniciadas na mesma década (estas, sobre terrenos pantanosos e planos,no limite das cidades) .Têm em comum um diametro de cerca de 20 metros...
A 3ª cerca é reservada a habitação de colonos, desde sudoeste, em plano descendente segundo o desnivelamento do lugar.
Por sua vez, do outro lado do rio, junto às ruinas do velho mosteiro de Selio - aproveitando as “marcas sagradas” daquele chão – decide Gualdim reconstruir convento e igreja dedicada a S. Maria de Anunciação, que irá servir de sede-catedral à Ordem (contemporânea da “Notre Dame” de Paris).
Para o conjunto importante destas obras, ordena o Mestre Gualdim a vinda de obreiros da Galiza e de outras partes. Quiçá a colaboração de artífices como mestre Roberto, que andando próximo na construção da Sé de Coimbra, se deslocava amiúde a Lisboa - onde se construia a sua Sé, também - passando por aqui, trajecto habitual, com seus três mancebos e mulas de apoio. E aqui pousando da viagem, era natural que desse os seus conselhos para estas obras.
Sabe-se também, que trabalhavam na vizinha Coimbra, além de vários mestres francos(da região de Auvergne) , mouros de Toledo vindos das obras na Catedral de Tuy (artifices moçárabes, segundo o livro Preto). Porventura também disponível o nosso único arquitecto românico conhecido, que há cerca de uma década (em 52) terminara a 1ª sede dos francos bernardos em Tarouca, de seu nome João Froilaz.
Aqui trabalham mais de uma centena de homens, entre colonos povoadores e artífices contratados, cuja origem diversa se reconhece pelos sinais deixados nos monumentos. Assim, secções de muros em longa fileira “acertada” de pedra, pavimentos de tijolo disposto em espinha e a calçada de seixo rolado enquadrada por tijolos verticais,a qual vem do lado de Africa desde o acesso exterior à porta da Almedina até ao recinto dos Cavaleiros, são marcas de pedreiros mouriscos. Porém em seu percurso, o arco pleno de largas aduelas da entrada naquele recinto , tal como o 2º arco a meio caminho, de passagem sob a muralha meio soterrada e alinhado com a calçada , mostram ser puro românico nortenho .
Ora tal alinhamento construtivo, aliado ao facto de nunca se ter encontrado por aqui a marca moura característica- o capitel tipo Córdoba,presente em Santarém- faz-nos pensar que calçada e arcos são ambos coevos da época gualdínica (que foi aliás longa) embora feitos por artífices diferentes , em fases diferentes (como no caso dos 2 níveis da Charola). Para além de que o “saber construtivo” perdura para lá da condição dos homens ( de livres a subjugados) ...é afinal o tempo longo da história...a continuidade e interpenetração dos estilos. Efectivamente é um dado assente, que na construção da Reconquista, pedreiros mouros fabricaram, até sec XV, castelos e até capelas que ... nunca foram árabes!
Assim, a Ordem de Aviz teve um mestre a fazer castelo chamado Mouro Calvo e que aqui também teria familiares no termo: pois há memória de documentos de herança ou erdamentos na época, em nome de Calvo ,para lá das Algarvias...
Quanto à existência de cerâmica e de silos, estes também são de longa duração e utilização, atravessando épocas em continuidade, apresentando larga diacronia (seria bom uma análise de eventuais sementes encontradas, pelo método do carbono )...
Mas o arco apontado na Porta do Sol é típico dos bernardos de Cister , região de influência arquitetónica dos francos borguinhões (como na igreja de S. Lázaro em Autun, de 1132). Tal como a barbacã em rampa curva e estreita (acesso em cotovelo), representa a técnica franca do “caminho em fila”, obrigando o eventual inimigo a prolongada exposição do seu flanco direito à chuva de setas vindas das ameias...
Por outro, a alta e estreita arcaria da Rotunda octogonal é marca orientalizante, a que talvez não seja estranha a presença em Coimbra, segundo uma tradição, de um artífice grego de seu nome Ptolomeu
(Este Ptolomeu é citado , em anotação , na obra "Portas e Arcos de Coimbra" do Gen.Martins de Carvalho,Ed.Biblioteca Municipal,Coimbra,1942.Na Charola é visivel que toda a concepção espacial,das colunas às frestas por cima dos arcos,releva da inspiração oriental-bizantina. Em Atenas,vede o exemplo da igreja da Virgem,coeva da Charola,de planta centrada e cuja fachada ostenta por cima da porta,em relevo na pedra,as cruzes associadas às Ordens do Templo e de Cristo!)




Naquele dia, em que o vento frio de Março, açoutava muros e homens, há um afã de todos nós na fabricação do castelo.
Uma pequena multidão de jovens e velhos puxam por cordas ou com as mãos , carros de cal e areia, braças de pedra calcárea abundante,. Encosta acima, animando-se uns aos outros no esforço assim como às bestas (mulos) que os acompanham. Mancebos esforçados cantando a compasso, enquanto assentam alicerces em declive a sul; dúzias de troncos marcados, escolhidos por medida pelos carpinteiros que ordenámos os tomassem da mata densa de Ceras, para madeiramento das casas; e logo anotados pelo monge encarregue do registo de despesas.
No chão amontoa-se a areia trazida do rio para argamassa, enquanto os canteiros lavram pacientemente a pedra junto à alcáçova, sob a direcção do mestre de pedraria,com seu bastão...
Monges aos pares, segurando padiolas cheias de pedra arrancada às ruinas romanas e godas (que fornecem muitas carradas) fazem o seu transporte alegremente, entoando salmos e hinos à Virgem…E chegando ao cimo o mestre construtor escolhe as quadradas e brancas, regeitando as quebradas e escuras...Enquanto eu rezo os Padres nossos das Horas.


Ao fim de dois anos e meio, os panos das muralhas estão levantados em singelo sem adarves, com a urgência devida à ofensiva almôada, nova dinastia árabe de invasores que acaba de chegar. Assim à dextra de quem entra na Porta do Sol, fica o Reduto dos Cavaleiros e a Alcáçova senhorial com sua cisterna abobodada subterrânea em ângulo, com capacidade de cerca de 360,000m3 de água recebida das chuvas e vinda por calhas de pedra da Riba Fria.
E sobre a cisterna , levantarão , a cozinha e refeitório, edificadas em vasta sala rectangular, com sua coluna central, donde partem em cruz quatro arcos plenos em tijolo, a oriente.
E a poente da alcáçova, outras câmaras, onde habitarão oficiais do paço.
No extremo norte da Alcáçova ergue-se já altaneira a cerca de 20m, a Torre de Menagem, dominando o vale.; onde - buscando talvez a sombra protectora de Roma - se colocam à vista, em suas paredes, algumas pedras significativas, trazidas das ruínas além do rio.



Aquelas inscrições lapidares e dedicatórias que ali se podem ler (da família Sabínola na face sul e da família de Valério Máximo na face a nascente) são antes de tudo e , porque só naquela torre principal colocadas, o respeito e o culto dedicado à velha arte romana de construção, neste século XII, em que se procura construir à romana: um tempo de arte românica...
Admitindo que possa ter havido ali , mais antigamente , algum posto de observação, comum em pontos altos, por certo seria de importãncia reduzida (não nenhuma fortaleza equiparada!), devido a não merecer qualquer referência na pormenorizada carta real de doação do território de Ceras...e num caso destes, os castelos seriam sempre mencionados, porque propriedade real mais importante.
O certo é que, não se pode dizer que a torre de Menagem tenha por base algum assentamento romano (basta olhar em um dos cantos para aquela inscrição pétrea invertida,denunciando uma posição não original) e portanto, a presença de material de aproveitamento não significa (nem era forçoso) que provenha daquele lugar elevado!
- O mesmo se poderá dizer quanto ás placas visigóticas, visíveis nas paredes da mesma Torre , embora haja quem pense ter havido um deslocamento da vera paróquia de Sellium ,para o cimo deste monte (por causa das invasões bárbaras) mas então o que terão lá ficado a fazer, do outro lado do rio, os mortos (enterramentos) encontrados para esse mesmo período e até á Reconquista ?!... aliás, se o abade do Selho oficiasse cá em cima (assim como Castinaldo) a própria localização-memória do sítio e caminho ou direcção em que se move Eyrea e/ou suas “tias” (em direcção a S.Pedro Fins) deixaria de fazer sentido, internamente : na construção/invenção da própria lenda!
-Junto á muralha norte , houve sem dúvida o Paço antigo do casto Henrique, navegador, mas não o paço do Castinaldo governador!...se bem que por baixo soterrados, se encontrem, pavimento argamassado e muros de pedra aparelhada , não alinhados com as paredes conventuais ,mas ali deu-se sem dúvida um deslocamento tardio sim, da própria muralha gualdínica: nesse lugar e adossado á muralha original de Gualdim , ficava um dos torreões quadrangulares ou cubelos com largura de 2.5 varas, flanqueando a muralha ali onde fazia leve esquina , erguido sobre um monte de” boa piçarra “ (como era costume noutros castelos de época, fazer esse aproveitamento da elevação da Natura) ... aliás,se se conserva a memória escrita deste monte natural de boa piçarra, qualquer fabrica pré-ualdínica a existir ali, o teria destruído e portanto converteria aquela memória posterior em algo impossível…(restam os modos de fabrico diversos...para mãos diversas, nos 44 anos que o novo burgo cristão intra-muros demorou a construir, segundo as crónicas... aliás a existencia de uma mudança ao nivel da técnica utilizada náo implica necessariamente a presença de uma ruptura politico-cultural!).
-Quanto a artefactos ali encontrados, soterrados, eles “ocorrem a um nível arqueológico do sec XII” segundo comentário de M.J.Barroca in “Pera Guerreiar” …pelo que não podemos recuar meia dúzia de séculos na datação- dos achados …a menos que a estratigrafia seja de interpretação oracular…(sabendo contudo que até o carbono 14 pode sofrer dessa maleita, face à análise de materiais orgânicos, como na questão da “patine” acerca da datação do Sudario de Turim, mas essa é outra estória)…a questão central é a atribuição de estimativas relativas e não absolutas de datação…


(Ruinas da igreja da Almedina ,chamada de S.Maria do Castelo)



Eu, modesto porteiro abro-vos agora as portas desta Jerusalém terrestre para que vejam alguma cousa do bem e do belo que ali há… Irmãos esta casa é uma fortificação de Deus sitiada pelo inimigo, que tem para sua defesa as muralhas da continência e as torres da paciência. E tal como nos ensinou S.Bernardo, foi primeiramente construído em nossos corações ...(Relevando pois o seu papel de construtores enquanto cavalaria iniciática)...
E como se diz no seu sermão XXVI : aqui estamos tal como os guerreiros sob a tenda de campanha, tratando de conquistar o céu por meio da violência”!...
Para a esquerda de quem entra à Porta do Sol, fica o bairro ou almedina de artesãos e escudeiros e outros serventes de nossa Ordem, com sua porta de arcopleno entre duas fortes quadrelas de vigia, que permitem bem flanquear e dar um abraço de morte a atacantes. Sobre a porta e do lado de fora, inscrevemos na pedra a data do ínício da construção (1160) e uma cruz com uma rosa ao centro, marca do Templo ( tal como em Santarém), simbolizando uma nova vida, regeneração, ressureição em Cristo, para aqueles que penetram intra-muros... deixando a insegurança e o mal do mundo exterior.
E lateralmente ao nosso sinal – a cruz redonda- colocámos 2 simbolos...que são uma mensagem espiritual para descobrirdes...(Potencialmente signos astrológicos ou divinos-(o alfa e o ómega.)..Na porta sul da igreja da comenda de Fonte Arcada podeis ver ali a cruz inscrita dentro de um circulo, ladeada pelo sol e pela lua, conjugando poderes apotropaicos e escatológicos.)....
E ao centro do castelo, ao fundo resguardada, a Domus Dei , no cimo de um monte, o nooso oratório : oito paredes de arcaria em rotunda, significando a eternidade, o infinito Deus, sem começo nem fim, como o círculo. Construìdo à imagem da capela real de Carlos Magno em Aix-la –Chapelle, o chefe do Sacro-Império e vero propagador do canto gregoriano, da teoria musical dos 8 modos ou escalas diatonais, conhecida entre os bizantinos , como “ Octoechos”...
Domus divina...com 8 aberturas. Octógono de S.Ambrosio - lugar onde se recupera a salvação… número das bem aventuranças para os místicos, as 8 direcções da Beatitude ... octuplo caminho esclarecido de Brama ou número da justiça Pitagorica…
Octógono : pedra preciosa que irradia a suprema Luz…núcleo do Ser...onde habita o Soberano-Rei… mediador entre o quadrado da terra e o circulo celeste… simbolo de regeneração, de passagem do efémero ao eterno… Símbolo da Jerusalém celeste ou Empireo - a mansão dos bem aventurados - 10º circulo superior de Dante…
Edificio dos edifícios: centro da cristandade , à imagem de Jerusalém, centro do mundo desenhado e considerado nos portulanos…
Memória do Santo Sepulcro, na sua tradição de túmulo-relicário (martyrium) donde emanam forças sobrenaturais - como aquela mão direita (a guia), elevada, de S. Gregório, (o doutor capadócio) que aqui colocámos ao centro, tal como a Arca da Aliança ao centro do templo de Salomão, detendo os inimigos que hão-de vir, dando protecção contra os infieis...

Quanto aos capiteis figurativos em forma de cesto invertido, com imposta (à maneira bizantina) que encimam as colunas do oratório : aquela “disformidade formosa” nas palavras de S. Bernardo - cópia paciente a cinzel de bestiários, ou comentário apocalíptico - um quadrúpede com cauda de peixe ou os ferozes leões, atacando o profeta Daniel, servem acima de tudo para meditação dos fraters , no seu caminho de iniciação, na sua sacra--via. Adões regenerados sob as colunas do Templo, aos pés da cruz. Qual o vero significado ou essência deles , explicaremos mais tarde, quando estiverdes preparados...
Por agora ficai a saber que quanto à forma são modelos que, tais como os de Rates ou Rio Mau, nossos irmãos conversos trouxeram de Compostela: leões monocéfalos ou o par de aves imóveis nos ângulos de um capitel, assim como aqueles outros capiteis expondo o território vegetal, também pertencem à escola de arte galaico-coimbrã.

E feito assim o alta-mor ou “centro” térreo da igreja com seu deambulatório de paredes duplas e maciços contrafortes – deixámos a construção de sua cúpula para mais tarde (como os adarves nos muros...). Quanto a seu portal em platibanda com suas arcadas sobre colunas ornadas são cópia da fachada ocidental da Sé de Coimbra…


NOTA FINAL : Este texto é o capitulo XV do livro O Mestre... editado pela Ésquilo em Março 2011.
Abaixo,  tb o rosto da 1ª versão da Pró-biografia do mestre(Livro das horas...) publicada em março 1997 no Boletim cultural nº 20 da Camara Municipal de  Tomar .



24.2.16

A cruz templaria é vermelha ...sempre !



Ha pessoas que parecem que não são  da terra...umas por desconhecimento outras por convição , desprezam a sua historia e as suas raizes!

Assim há  quem desvalorize a gesta de 1190-o desfazer Gualdinico do Cerco-achando que o heroi foi o mosquito dos pantanos (seria o Zika?!) ... e que o Almansor esteve 6 dias a olhar para o castelo sem sequer uma tentativa de assalto!!! mas não e´o que dizem os cronistas muçulmanos...(vide A.Borges Coelho).
Mas adiante...tb ha os que nao conhecem ou não respeitam os simbolos da Ordem templaria...e pensava eu que a ideia tinha partido de algum jovem estudante do Politecnico a quem tinham definido mal ou de forma insuficiente o  briefing ...mas afinal parece que surgiu de outro sitio...eventualmente algum contratado externo da Comunicação municipal que não seja da terra nem conheça a bandeira templaria...

Explicitando o assunto : trata-se do futuro logo da Rota templaria ....
Havia uma proposta cuja ideia base era interessante ...a partir de um sinal indicador de lugar no google map , onde se inseria a cruz patesca que se definira como constante do logo. O sinal transformava-se em capa ...com uns pés ( exprimindo uma caminhada, um Caminho)  enriquecendo as possibilidades de leitura!

Mas o que era anormal é que havia uma inversao de cores  (e ate´uma alternancia !! ) que desvirtuava o conceito templario....a cruz aparecia como branca!
Ora , a Ordem e´a dos Mantos brancos e da Cruz vermelha ...Sempre! 
E isso deve funcionar e funciona em qualquer suporte, bastava contornar com uma linha preta a "capa" a branco , nos documentos oficiais!
De resto o logo nao  tem de viver ao sabor da cor de fundo dos suportes ...inadmissiveis  portanto as  solucoes em alternancia como as do saco e da camisola...em que a cruz passava a ter a cor do suporte ou seja castanha e preta respectivamente !!! ! A cruz não é oca nem transparente ...é vermelha a cheio , sempre ! ! Aliás a Marca deve expressar-se homogenea, integral e sempre igual , continuamente em toda a forma de Comunicacao. E ao definir-se oficialmente o design explicitam-se a forma e a cor invariaveis...
Neste caso que e´para uma aplicacao internacional , exige-se muito mais  seguir a norma Unesco , senao corre-se o risco de aparecerem em cada pais ou mesmo cidade ...cores diferentes ao sabor local...e a uniformização identificativa clara desaparece...
Este e´ um comentario de quem se formou no IADE em Publicidade e Marketing.

No seguimento desta opiniao sobre o logo produzimos um estudo (em esboço) comprovativo feito sobre os suportes  (mantendo sempre a cruz vermelha e as 3 cores da Ordem)...a linha de contorno preta no manto branco ...
(que tambem pode ser um escudo!) isso basta  nos documentos e nos sacos 
No caso das as t-shirts negras..., basta  um contorno de linha branca  nas pernas...
e no caso menos provavel de um suporte tipo bandeira ou outro de fundo vermelho
sera´  entao o lettering (se vermelho) a ser de um vermelho mais escuro 
ou a ter um contorno branco 
Conclusão :  Definindo a "regra " particular , por extenso: 
aplicar-se-a um contorno de cor oposta  quando ocasionalmente  a cor de fundo de um suporte assim o exija, mas nunca alteracao de cores base nos componentes do  Logo.

(sendo os quadrados :os suportes por abreviado (papel branco, saco castanho, camisola preta e bandeira). 

Excusado sera dizer que os nossos parceiros tb acharam que a cruz devia ser sempre vermelha , pq é isso que identifica a Ordem templaria!

E parece que surgiu na sequencia uma nova proposta ...com a cruz vermelha...mas nos suportes ela continua a variar...será que ainda não perceberam...que é sempre Vermelha ! Voltamos a dizer a cruz não é oca nem transparente ...é vermelha a cheio...em todo o lado !

Á atenção de quem de direito...Ou entao ficará  a cargo da Comissao multipaises a definição/autorização de suportes...

20.2.16

O CERCO EM JULHO...


                          


 Onde se fala dos que estâo confusos com a alteração de data e daqueles que estão preocupados do que acontece nos anos de festa dos tabuleiros ...e finalmente vamos falar do Cerco, evocando aqueles 6 longos dias de julho de 1190 que mudaram a nossa historia para sempre ! 

Uma conclusão que tirámos o ano passado da Festa templaria é que , para alem da procissao noturna dos cavaleiros com tochas, falta algo que motive as pessoas para o conjunto das outras actividades no Convento e no Centro historico...ajudava a isso que lhe déssemos oportunidade de festejar algo que seja seu ,de todos os vizinhos, e isso so pode ser : comemorarem todos a heroica jornada dos principios de julho em que no ano 1190 todos juntos os tomarenses venceram o cerco do Almansor...essa e' uma gesta a lembrar a todos os da terra..porque lhes diz respeito ... Nós tomarenses temos algo unico para comemorar nesta altura e os eventos comemoram-se na sua data propria , nem antes nem depois ... mude-se entao a festa (de uma data aleatoria e vazia de significado, ao contrario das festas similares ) para o inicio de julho ...porque Tabuleiros e' só de quatro em quatro anos...

O evento Festa Templária que até aqui se realizava em maio, sem qualquer facto histórico a ela associado passa a realizar-se a partir deste ano "sempre no segundo fim-de-semana de Julho, numa evocação do cerco de 1190, promovido pelas tropas do rei de Marrocos, Almansor", acabamos de ler esta semana na nota de imprensa da autarquia.
É este facto histórico o mote para a Festa Templária, que este ano se realizará entre 7 e 10 de Julho.
A recriação do assalto à porta de Almedina, a realizar no domingo da Festa Templária, apreende as evocações já realizadas em 2010 e 2015, com a promoção e participação do Município e do Convento de Cristo, da Associação Templ’Anima e da ADIRN.

MENTES CONFUSAS...
Há que corrigir o que for de corrigir. É o que foi feito neste caso. O mundo é composto de mudança...mas há uma coisa em que Tomar não muda: é a vontade de falar mal disto ou daquilo, ás vezes por puro desconhecimento...
Assim logo há quem surja a agitar apocalipticamente a desmobilizaçao e a desfidelização perante a mobilidade.da data...mas há que olhar para a pratica real para alem da teoria...quais os factores que pesam... os conteúdos ou seja : ser mais rigorosa em termos historicos...nada de anacronismo historico...um vero mergulho na epoca ...isso sim é decisivo!



Veja-se o exemplo da Viagem medieval de Santa Maria da Feira-, tão só o maior evento de recriação histórica medieval do país - tambem mudaram 2 meses . Em 2.000 quando la fui para aprender algo ao vivo (nomeadamente quanto às mesas da refeição medieva... os trinchos de madeira, a rodela de pão a servir de prato, ausencia de talheres para alem da faca...comparem isto com aqueles cavaleiros que comem em serviço de vidro e porcelana e tem horror a meter as mãos no prato!!)...estavam os feirenses no seu quarto ano (como a nossa agora) e realizou-se de 10 a 20 de junho.. Hoje , 16 anos depois, realiza-se nos primeiros dias de agosto... e nunca tiveram desses problemas. Sempre em crescimento a afluencia a festa...
Realiza-se, anualmente, durante onze dias consecutivos, no centro histórico da cidade de Santa Maria da Feira, atraindo diariamente 50 mil visitantes. Com características únicas no país, este projecto diferencia-se pelo rigor histórico, dimensão (espacial e temporal) e envolvimento da população e associativismo local, .

A questão da Festa dos Tabuleiros

Essa e´ só  de quatro em quatro anos e as duas festas podem coexistir porque tem algo em comum...alias o ano passado comemorou-se o Cerco no castelo no ultimo dia da festa dos Tabuleiros (13 julho )



Ambas se conjugam no reinado dionisino , o salvador do Templo e criador da festa dos Impérios , o rei nascido no primeiro ano  da Terceira Idade ou do Paracleto anunciada pelo abade Joaquim de Fiore ...

O  Espirito Santo assim como a cruz da Ordem encimam os tabuleiros...o vermelho da cruz ao peito dos templarios é o Fogo do santo Espirito que recebiam iniciaticamente na Charola ,  qual Athanor alquimico porque redondo e fechado...

Assim -sempre na segunda semana de julho - podem ocorrer em paralelo e inseridos na grande festa ..actividades ligadas ao Cerco...mas numa dimensao menor, como se fez o ano passado, coloquios sobre a espiritualidade da Ordem, justas simbolicas entre as duas forças , teatro , etc...ou como nos fizemos no passado.

Evocação do Desfazer do Cerco de 1190 - junto à  Porta da Almedina do castelo com acesso pela Mata dos 7 Montes.
Efectivamente, no decurso das comemorações dos 850 anos da fundação templária do burgo , a Associação Cultural Templ’Anima, propôs-se evocar no mês de julho umacontecimento exemplar ocorrido neste castelo : o cerco feito pelo exército do Almansor em julho de 1190 e desfeito pelo grande mestre Gualdim e seus homens “ a quem Deus salvou com seus freires” das mãos dos inimigos...segundo memorial escrito nas paredes deste castelo...

REVIVER o Cerco do mouro Almansor em 1190 na Porta da Almedina é também...REAVER....a ligação afectiva castelo-cidade..através da Mata dos 7 montes! Primeiro arrabalde de cultivo ,depois cerca de recreio dos freires cavaleiros... Também conhecida por “Porta do Sangue” por aí ter sido sustida a investida muçulmana no ataque de 1190, ocorrendo grande mortandade..
PALM
O Programa foi apoiado pela Câmara de Tomar :(Julho 2010)
10 H- Recepção junto ao posto de Turismo - Enquadramento histórico do Cerco (Dr. Ernesto Jana)
10.30 h- Subida pela Mata : com gaita de foles e tambor –sendo atracções/pontos de paragem :
- visita do último Carvalho Templario e da Charolinha (a 50m )-

CROSA

- A Cruz da Rosa com seus sinais apotropaicos laterais, inscrita pelos templários sobre a porta ,entre as torres imponentes da Almedina  e a Pedra dos Cavalos ( a 15m)- ...
PCAV

11 .30 H-- .Entrada.no castelo pela Torre da Condessa.
- Evocação da vila de cima (pela Templ’Anima-) -
Memórias do Cerco (por D.Gualdim)
-- Combate-demonstrativo entre 1 sitiante e 1 defensor

CMB1


- Memórias da Porta (por D.Mendo )
- Combate final entre defensor e sitiante . Justa simbólica entre o Bem e o Mal . Lutas a pé , com máscaras ... 666 vs 515...o Diabo e o Divino.(Cordeiro)..

COMB2



Adentrado o castelo, ali mereceu especial atenção o exercicio de recordação da vida do bairro ou Vila de cima, dos nossos vizinhos e familiares antigos...( recorrendo a Marcel Proust e à monja Hildegarda von Bingen) viajando em espirito até esses dias ... O casario de um lado e de outro do eixo viario principal , com suas medidas calculadas através da contagem dos furos de barrotes nas muralhas e da observação da famosa pintura do Anjo sobre as muralhas...umas 20 casas ,logo 80 moradores, serventes do Templo, cujo avistamento em seus mesteres, tentámos interiorizar /recordar, no fundo da nossa consciência ancestral e colectiva... ...E finalmente ouvimos e vimos sobre os combates do dia. Não em versão quantitativa do vero assalto de época ao castelo, sim numa dimensão qualitativa ,mercê de alguns contadores de estórias e outros justadores a pé, à lança e à espada...

Viver a epoca para os presentes foi tambem o Tiro aos Filipetos (em efigie Filipe o Capeto,algoz dos templarios e/ou outros) . Demonstração com Arco longbow, possivel de conjugar com os outros jogos populares da festa dos tabuleiros ...de facto historicamente no campo de Balistenis (de balestra... possivelmente a actual zona do Flecheiro, proxima dos antigos paços do concelho de homens bons ali junto aos Cubos) os vizinhos da epoca exercitavam arco e besta ...orientados por templarios segundo as cronicas!


Vejamos então as memorias do Cerco extraidas do livro O Mestre... (cap XXII ) enquanto possivel guião da Festa.    

                                                                                                                        Julho 90: é outra data mística, na guerra Santa entre cristãos e infieis. Partem uns - os cristãos - para a Palestina, enquanto os outros - os mouros - atacam a Peninsula... Assim a 4 de Julho, sendo presente o vice-mestre do Templo no Ocidente, Gilberto Erail, na despedida, partem da catedral de Vezelai o rei Filipe Augusto de França e Ricardo Coração de Leão (que completava nesta altura, com 32 anos, o primeiro ano de seu reinado em Inglaterra, morto seu pai, Henrique II, roído por bobões pestíferos). Vão a caminho da Terra Santa, em plena 3ª cruzada, ripostando assim contra a perda de Jerusalém.   ...                                                       Por outro, Abu Yacub Almansor, o filho do Miramolim, decide vingar Silves e a morte do pai. Partindo de Marrocos, associa-se aos reis de Córdoba e Sevilha - onde assolda muitas e desvairadas gentes - avançando em longas e demoradas filas, devido ao enorme material de apoio, com vários milhares de homens a pé e a cavalo.                  Enquanto o rei de Sevilha se dirige ao Algarve (Silves) e o rei de Córdoba ataca o Alentejo (Évora), Almansor atinge o Tejo, domingo 24 de Junho, dia de S. João, e vai sobre o castelo de Torres Novas que toma pela força, arrasando as suas defesas e colocando as cabeças dos defensores ostensivamente espetadas, no cimo dos muros que restam...                          Depois com cerca  de um milhar de homens (onde se incluiam 400 milites a cavalo) toma a direcção de Tomar, a sede do Templo; enquanto outros destacamentos africanos ousam fossados a norte.                                                                                                                                 Na madrugada de 7 de julho em Thomar, os de vela sobre a porta do castelo, recebem sinais de aviso,por fogos e por fumos, vindos das atalaias do termo.Logo acordam os porteiros que dormem junto ás portas e dão gritos de aproximação de inimigo.                       Os vizinhos, ouvindo as campanas a rebate, recolhem rápidamente seus belos frutos e animais, intra-muros, armando-se de paus e cutelos, para sua defesa, no páteo de armas, cuja chave é da responsabilidade do concelho de homens-bons. Cuidando que o castelo se abasteça de todo o necessário , transporta-se todo o trigo dos silos de S.Martinho para dentro de muros… e apanha-se a forragem para os cavalos semeada no arrabalde. Entretanto os clérigos de S. Maria cerram portas e guardam as santas alfaias em lugar seguro.  O alcaide, que tem a chave da Torre de Menagem, organiza a defesa, distribuindo os seus homens de armas, por todas as quadrelas e torres, reforçando também as portas. Na porta da Almedina é colocada uma nova tranca de reforço, a meia altura,que se ajusta á dextra, deslizando sobre a calha de pedra em angulo. Correm os da rolda vigiando os muros .                                                                                                                                                                 Vestem os cavaleiros brancas túnicas com sua cruz vermelha ao peito, a espada cingida sobre a cota de malha de ferro; os sargentos de lança na mão, cabeça coberta com bacinete de nasal, enquanto os arqueiros bem treinados, de carcazes às costas com seus virotões (flechas) prescrutam o horizonte nos torreões. Quando o Sol começara a banhar com seus divinos raios a crista dos montes, soam já nas cercanias os tambores serracenos e trombetas e surgem em grosso tropel, qual nuvem escura de homens e bestas, que cobre os montes, vindo dos lados da Ribeira da Maia, a sudoeste. À frente divisa-se a guarda do califa, em admirável formação com seus estandartes de várias cores desfraldados, onde se pode ler escrito, a letras de ouro, o princípio do capitulo 48 do Alcorão (o da vitória)...É o Almansor que chega, o chefe dos crentes de Alá, o maldito!                                                                    Imediatamente tocam os esculcas o chifre nas ameias, retesam os arcos de flechas envenenadas os arqueiros, enquanto os fundibulários aprestam suas pedras e alcancias (bolas de barro secas ao sol, do tamanho de uma laranja, cheias de alcatrão, que se incendeiam e lançam ao inimigo) trazidas do Armazém, nos baixos da Torre de Menagem.   Rápidamente, a várzea ficou juncada de turbantes, escudos de pele como conchas, decorados a fio de seda, dardos de lâmina, cimitarras e outras armas cintilantes.  ali se ouvem muitos brados e arruídos, de meter medo, a intimidar. Soltando espantosos pregões, irrompem no sopé da vila em roncos depravados (ululando). Devastam o arrabalde do Pé da Costa: saqueiam e incendeiam as casas e as vinhas , procurando alimento em vão, perante o olhar angustiado dos vizinhos, às muralhas debruçados.
Isolados a meio da Torre, no tempo e no espaço, o nosso grupo de Sábios , prepara-se agora para a última ronda de conclusões ,quando inesperadamente (por um qualquer corte ou fractura temporal –fenómeno raro) lhes surge á frente um templario em carne e osso, de elmo na cabeça, cota de malha e espada em punho, gritando para que o sigam de imediato, porque todos são necessarios para defender o burgo!                                                               ...E eis-nos num ápice nas ameias,olhando para a vila de baixo. Tão perto, como nunca os tinhamos visto, ali estavam eles, os diabos escuros, rondando a vila. Cavalgando à gineta, estribo curto, em velozes cavalos , com nós nas caudas, arcos com suas aljavas vermelhas e douradas, haik de seda, envolvendo a cabeça e o corpo, e sobre ele o albornoz . Rodeando o castelo, vão outros a S. Martinho devastando aquele agro fértil em árvores de fruto...E andam os adaìs mouros em volta, a observar as muralhas, bem defendidas sobre as ravinas, como reconhecem . Centenas de tendas redondas são já montadas pelos serracenos na Riba Fria e Rossio à vista da inexpugnável fortaleza, bem ordenadas.  
   


                                                                    Lá do cimo, Gualdim, o duro velho, experimentado nas Hespanhas e no Oriente, com suas barbas brancas de verdade ( ao contrário das do filho do miramolim que são pintadas de branco para a guerra, segundo seus costumes) lá está com sua espada brilhante de alto punho , loriga de ferro debaixo da veste talar, elmo na cabeça, o escudo na mão esquerda, olhando desafiador e imponente o Almansor. E sobre as ameias, ondula sereno e altaneiro o pendão do Templo, a balsa invicta, com sua cruz vermelha, onde está escrito o princípio do salmo 114 de David..  Logo zunem no ar, as bolas de barro despedidas pelas fundas, enquanto uma saraivada de flechas cai sobre a cabeça dos mouros mais ousados, que se aproximam e os vizinhos atiram pedras, que trazem no saio.                 Multidão de inimigos da cruz, a descoberto, temerosos, vestindo túnicas largas fazem arremessos contra os muros, que resistem a seus intentos. E deixando o dia sua clareza, se suspendem os combates.      Ao outro dia de manhã reina uma certa paz podre no cerco, período de expectativa e tensão.   Até ao meio dia, nada; depois quando o sol começa a declinar e feitas as orações, o chefe dos mouros dá ordem aos seus arautos para as proclamações necessárias ao combate; pois segundo o profeta: deve combater-se quando começar a sentir-se a brisa da tarde, pois é o momento em que as portas do céu se abrem e as orações são mais escutadas!!!                             Os nossos, tinham ocupado o seu tempo a aprontar máquinas de guerra e na alcáçova subia já o fumo grosso do alcatrão pronto para receber os mais afoitos dos infieis...   Encarniçam-se estes contra os muros , batendo com o ariete contra a porta, ao que os cristãos os poêm bem temperados em azeite e pez fervente... obrigando-os a recuar com uivos de dor...                                                                                                                                                       Uma chuva de flechas assobia continuamente sobre as cabeças de ambos os lados. Alta grita soa nas ameias: homens às portas, às carcávas!  Apressam-se os sargentos,ecoando nas lajes, os pesados sapatos de ferro...  Incita de fora o Almoada os seus, montado em ardente corcel que faz voltear, enquanto brande um chicote na mão, o gládio de Alá.    São já derribadas algumas casas de D. Justo junto aos muros (este tinha ali casas em 1172, citadas no final do século, como estando arruinadas ;cf. Anais Municipio de Tomar(vol. 8) . Trocam-se galhardetes sob a forma de grossos pedregulhos...uma catapulta escoiceia de fora -de hora a hora- grossos pelouros pétreos , conseguindo alguns atingir o meio do recinto dos Cavaleiros ...                                                                                                                        Contámos neste dia quatro deles zumbindo junto de nossas orelhas e animados de curiosidade científica, mais tarde os tomámos em nossas mãos e avaliámos sua grossura em meio côvado (33cm) pesando uns 30 kg cada um...   Também observámos que devido á orografia do local, a sua eficácia era quase nula, pelo que cedo desistem os mouros daquele engenho e também não podem usar escadas ou torres, devido ao alambor que existe a toda a volta e ás condições do terreno, ou seja: o grosso espessamento das muralhas na base e as escarpas acentuadas...pelo que o segundo dia de cerco acaba sem resultados.Ao 3º dia, depois das orações, e postos em observação mútua os movimentos de parte a parte, sucedem-se as chufas e as imprecações, os virotões e a calhoada.Uma força de serracenos é vista a internar-se pela estrada de Ceras, a talar os campos e cortar madeira para construções. Mas de cereais nada, pois já estão recolhidos em julho...                                                   No dia seguinte, os alfanges agarenos sobem mais uma vez a encosta da Riba Fria e atacam com fúria a Porta de Almedina. Ali se concentram também os nossos, agitando seus montantes e gritando por Santa Maria, enquanto a bandeira do Templo drapeja altaneira nas duas torres de defesa da Porta. A certa altura rompe-se a porta devido à pressão inimiga, seguindo-se rija pelega corpo a corpo, no acesso ingreme e estreito.É grande o estrondo de lanças quebradas e o tilintar das espadas.                                                                                                                Ali se agiganta D. Mendo (da Porta) ferindo esforçadamente em redor, rugindo e avançando sempre, dando morte e empurrando os mouros para fora, bem cercados e flanqueados..e já Santiago, por certo, luta a seu lado, pois muitos inimigos caem sem que os alcance o golpe cristão...  Rasgam-se lorigas, cravam-se os dardos nas carnes, despedaçam-se crânios, fendem-se alguns até às costelas, jazendo ali muitos infieis. Tão grande é a carnificina no local, que aquela porta ficará conhecida como Porta do Sangue. Só Deus sabe o número de mortos... Retiram os mouros para baixo, deixando ali muitos despojos, entre membros talhados, armas quebradas e cavalos varados. Será tudo reunido em montão- mouros e cavalos - e lançado mais tarde em fosso no chouso a poente, fora de muros, como nós testemunhámos.(Vide Frei Bernardo da Costa,Historia da Militar Ordem de N.S.J.Cristo,Coimbra,1771) . E do lado de dentro ajudámos a recolha de corpos de alguns freires e confrades, para se lhe dar sepultura cristã.                                                                                                   Ao 5º dia de cerco, assistimos às matinas e laudes, na obscuridade entre os freires cavaleiros que depois retiram os seus ginetes de guerra (dos alpendres do reduto a norte) já preparados com suas altas celas, ancas e peitos resguardados com cobertas de couro, içando-se neles com suas armaduras, ajudados pelos escudeiros e demais serventes.  E batendo o sol na quadrela principal ...pudémos estonteados ver então ali cada um de nós o seu próprio sósia –a nossa alma antiga por certo- e num impulso repentino saltámos para seus cavalos ......e fomos ã luta...qual Castor e Polux sobre a mesma montada – cumprindo assim aquela imagem do selo famoso dos cavaleiros duplos sobre o mesmo cavalo... e esporeando as montadas para fora de portas, fizémos uma surtida de surpresa no arraial da mourama !    Vai D. Lopo, o alcaide, a comandar este audacioso tropel encosta abaixo, cavalos de ventas arfantes e crina eriçada, patas faiscando - os mantos brancos esvoaçantes de lança em riste (quais anjos vingadores) que à voz do comendador se arrojam no campo inimigo, penetrando-o fundo, sem medo, pois que a morte é gloriosa no combate ao infiel. 
    



  É dado o alarme no acampamento, que se enche de gritos e agitação, montando os mouros berberes rápidamente seus cavalos.  E se produzem muitos combates singelos entre cavaleiros, revelando-se hábeis lutadores de parte a parte. E eis que, para agravar a confusão nas hostes do Almansor, surgem como por encanto cá em baixo na Azinhaga mais homens de armas (vindos através do tunel secreto que vem do castelo para o arrabalde) atacando na rectaguarda dos mouros...(Há túneis desde o castelo ao sopé do monte,já assinalados por J.M.Sousa no principio deste século e últimamente sondados por M.Guimarães e coronel Fernandes;segundo este são tão amplos que cabem lá cavalos e cavaleiros.... Alguns vão na direcção da Mata dos 7 Montes. Também há túneis desde o interior até ao sopé do monte junto ao rio , nos castelos templarios de Ponferrada e Monzon). 

Com um lampejo no olhar. súbito se erguendo de seu leito, grita Gualdim para os seus : Irmãos feri batalha com fervença ! ...E todos á volta olham para o valeroso velho que continua : Deus o quiz!... nós , com a balsa da Ordem desfraldada,acometemos como leões, com tal senha ferindo como nunca antes se vira igual, levando aquele flanco infiel a tresmalhar-se, entre o pântano do rio e nossos montantes...
E muitos serracenos são gratificados com a morte por Alá, como desejavam...Quanto aos nossos, regressam desta sortida tão rápidamente como tinham vindo, secando aquele pântano de pecados infieis !.
No dia seguinte, 13 de Julho, os almoadas decidem abandonar o cerco, desencorajados pela tenaz resistência do Templo, pela inexpugnabilidade dos muros e também açoutados muitos com a febre das águas palúdicas, pois há 2 anos que grassa a doença, no pantanal junto a que estavam sediados. É o terrível fluxo do ventre, hemorragias que os deixam sem forças...
Conta-se que o próprio califa, sentira já o fatal calafrio. A febre o assalta: é o começo do mal das entranhas pelo que se retirou rapidamente para sua pátria- acagaçado- com pesada perda de homens e animais, ali deixando também muitos objectos em ouro e prata, tecidos de sedas preciosas e peles, que os meus freires recolhem para dentro de muros.
As tendas vazias lembram-me as mágoas de um vate sevilhano: “Tendas de Maiia, erguidas primeiro nas alturas, depois no sopé do monte... há largo tempo abandonadas, hoje estão desertas...”Muitos deles, tinham ido ter com seu Mafoma !


Quanto a nós , Deus nos livrou porque quiz dar esse triunfo aos cristãos, salvando assim a lusa terra de mais desgraças, evitando a progressão dos almoadas para norte... pois não é problema para Deus dar a vitória com poucos ou com muitos : assim aconteceu com o bíblico Gedeão que com 300 homens afugentou dezenas de milhares de inimigos...
                                                                                    

E foi assim: a nossos olhos incrédulos e nossas mentes confusas,com nossos corpos atordoados,daquela vivência extra-temporal ...que nós os sábios nos encontrámos com os cavaleiros no oratório da Ordem entoando salmos e venerando aquela mão couraçada de prata que fizera parar o inimigo, tal como antes defendera a religião com a pena ilustre: era a mão direita de S. Gregório Nazianzeno, o doutor da Capadócia , em relíquia exposta...



Cumprira-se assim a profecia do Exodus : “ Ninguém porá a mão sobre a Montanha, Quem a tocar será apedrejado ou flechado, Não viverá “
Sabemos hoje que multiplicámos as mortes no campo inimigo..(pois cada um de nós valia por dois) apressando a sua derrota em 6 dias....pois disso fazem eco memórias..que dão conta da aparição de anjos ao lado dos combatentes. (cada um tem o seu como dira S.Paulo in Actos)
Outra coisa espantosa é que quando nos acercámos de Gualdim ,finalmente no Oratório, achámos algo familiar em seu rosto ...Aquela testa alta inteligente, olhar penetrante, farto bigode ... sempre bem disposto,nunca sanhudo, mesmo nos piores momentos, transmitindo coragem aos seus...Militar corajoso e de sangue frio... fez-nos lembrar outro soldado ...também nascido em terras de guerreiros galaicos...
Anibal Milhões ...que saindo do 15 de Tomar para a batalha de La Lys ( sempre a lis...a mesma de Clovis) em França e sendo atacado pelo inimigo... (1918) munido de coragem varreu milhares deles a sua frente (tal como as crónicas dizem de Gualdim)...e enfrentando-os nas trincheiras , permitiu o reordenamento das suas forças mais atrás... Depois foi nomeado cavaleiro de ordem militar ... (condecorado com o colar de Ordem militar) Ambos eram homens de grandes valores, e ambos viveram setenta e tal anos...
E devem ter nascido no mesmo mês do mesmo signo...sob a influência astrológica dos mesmos astros, para terem tantas semelhanças de vida e corpo... assim permanecendo na mesma galeria de imortais da nossa historia ! Anibal Milhões nasceu no 7º centenario da morte de Gualdim –1895- e tornou-se heroi no 8º centenario do nascimento de Gualdim...1918...coincidências significativas...seria uma nova encarnação daquele ?