13.9.18

IX CENTENARIO DE DOM GUALDIM PAIS



1118- 2018  IX Centenário do Mestre do Templo e Fundador de Tomar

Evento integrado nas Jornadas Gualdinianas que se estendem por vários municípios onde o bravo cavaleiro deixou a sua marca !

E porque Tomar é membro da Rota Templaria Europeia tal deve ser assinalado obrigatoriamente em toda a comunicação local de eventos histórico culturais templários através do logotipo europeu aprovado ! 
Enquanto membro da respectiva Comissão Cientifica tal se deixa aqui anotado - neste teaser-   para que os do costume não façam "vista grossa" ao que se passa há muito no conjunto dos países templários ...

15.7.18

UM PASSO EM FRENTE, DOIS PASSOS ATRÁS...OU DE COMO OS ORGANIZADORES DO SEMINARIO DA FESTA TEMPLARIA RECUARAM NO TEMPO !



No momento em que urge desenvolver a Rota Templaria europeia , sendo a Festa templaria de Tomar uma de suas actividades integradas, os (3)organizadores diretos da sua parte mais cultural ou seja o Seminario da Festa realizado no dia de sua abertura -quinta, dia 5- “pecaram” gravemente por omissão ou desconhecimento.

Primeiramente , reduziram o tempo do Seminario de um dia para meio dia , talvez por não conseguirem encontrar mais oradores ( e não está em causa a sua qualidade)!
O certo é que ainda uma semana antes não havia nada visivel publicado sobre quem eram ( nem ninguém da cidade a quem perguntámos o sabia dizer). Quase parece que só pensaram verdadeiramente de véspera no assunto...que chatice : da expressão “turismo cultural” preferem dar primazia ao turismo e ao espectáculo...a parte cultural enfim, logo se vê, em cima do joelho...

Mais, enquanto o ano passado o Seminario teve uma componente europeia , este ano -entregues a si proprios- os ditos organizadores remeteram-se “oratóriamente” a uma visão caseira ou regionalista.
Mais, em materia de convites para a Jornada reduziram-se a uma visão ibérica oficial , “esquecendo” por exemplo os franceses de Troyes (habituèes) que só convidaram uma semana antes !(segundo nos asseguraram de origem) ...Claro que assim não vieram...se era isso que queriam!

E seria pedir muito aos organizadores que alargassem as suas vistas (ou falta dela) a outros horizontes ou paragens... bem tinhamos referido com uns meses de antecedencia á responsavel da Divisão de Cultura que existiam 2 historiadoras – que já estiveram há meia duzia de anos no Convento – uma italiana e outra inglesa , especialistas em templarios e que seria importante ouvir neste seminario e no timing presente, sendo de paises integrantes da Rota!
Mas os tais organizadores preferiram ficar-se pela sua auto-proclamada “fantástica iniciativa “...um dos porta-vozes afirmou mesmo a abrir a sessão que “este é um ano especial pelo facto de a Sede da associação se ter fixado em Tomar” (sic) !!!!! … e nós a pensarmos que era um ano especial porque tanto a Ordem como o fundador da cidade nasceram exatamente há 9 séculos... começou assim portanto o seu IX Centenario com os da dita  trindade  a olharem para o umbigo...enfim...

Esperemos que em breve a Comissão Cientifica já nomeada tenha plenos poderes e condições para corrigir este estado de coisas ! Non nobis mas a Eles (templarios) a Gloria !

UMA NOTA FINAL : porque na comunicação de eventos templarios não colocam ao contrario de franceses e italianos o Logotipo  aprovado e obrigatorio da Rota Templaria Europeia ??! 
Será que querem mesmo -propositadamente ou de modo sabotatório - andar para trás ?! 
E porquê uma cruz branca envergonhada entre parentesis (?) ...será que o seu designer pertence ao clube dos que pretendiam uma cruz branca em vez da vermelha -identificadora e única dos cavaleiros templários - para sua grande mostra de ignorãncia histórica ?! (Talvez lhe tenham feito mal o breefing do pretendido) ...E desde quando -em termos de manuais da arte - é que o suporte ou a conjuntura se sobrepôem á uniformidade do Logo ?   Envergonhem-se de vez ! 



4.7.18

ARS COQUINARIA

 
          
                  Foto: L. Ferreira
  
1—Natureza externa : apresenta-se com uma Identidade

“A cozinha medieval faz parte do património cultural europeu. Para lá de pequenas diferenças regionais,encontramos receitas de cozinha comuns a toda a Europa medieval. Os cozinheiros utilizam tecnicas culinárias comuns, as elites europeias gostam de sabores próximos, os médicos tem discursos comuns em matéria de dietética Encontramos uma base comum que nos permite falar de uma cozinha medieval europeia.” ”-Lilliane Plouvier« Multiculturalité, identité européenne et habitudes alimentaires » (Project CE -DG Education et Culture)2000

De facto, se observarmos o relato de alguns banquetes e festas senhoriais encontramos productos básicos semelhantes, abundância e variedade de pratos selecionados conforme os temperamentos,um serviiço ordenado segundo categorías sociais , presença de músicos e histriões, importância da surpresa ...

Contudo há alguma diversidade dentro desta unidade.. A Natura oferece aos homens alimentos diferentes segundo as regiões e em cada região há opções entre produtos conforme a sua cultura, pensamento ou crença... Há um significado simbolico dos alimentos... manifestação de particularidades culturais (arabes, judeus,cristãos)....
Diz o Al-Khithab a propósito das varias nações : “muitos são afeiçoados e inclinados para os alimentos que outros detestam.”..
Assim os cátaros ,no fim do sec XIII, comem flancos de porco salgado ou fumado,mas ignoram o melão e alcachofra, trazidos peloa árabes no Trezentos á Catalunha..(Montaillou)

Observa-se uma diferenciação religiosa e social no consumo., como diz Teresa de Castro in La alimentación castellana e hispanomusulmana bajomedieval ( 1996) : “Os castelhanos são por própia vontade essencialmente carnívoros, e gostam de carne, de gorduras animais e de outras formas de guisar que não sejam os fritos (os fritos à base de legumes verdes constituem a entrada da Pessah judaica)... Os muçulmanos vêem-se a si mesmos como sóbrios no gasto e consumo alimentares, e não muito carnívoros. ..No Al-Andalus as frutas e os cereais são os alimentos mais elogiados, e o vinho o mais criticado... Estamos perante um paralelismo, não face a uma convergência alimentar, no mediterrâneo hispânico ”.
Há sem dúvida,uma influência indirecta da cozinha muçulmana na cozinha cristã como resultado de um longo período de contacto na fronteira em movimento... principalmente quando o Al-Andaluz era um modelo cultural luxuoso a imitar (vide a loucura das especiarias sg F.Braudel)..
.No entanto há que fazer uma análise cuidada do receituário: assim, quando se fala num prato mourisco isso pode tão só significar uma côr mais escura de um prato...não uma receita igual...


2- Natureza interna : na preparação é uma arte da Metamorfose

Desde o mundo classico (greco-romano)- a cozinha é entendida como a arte de combinar alimentos, meio de correção da natureza e de manter o equilibrio dos humores (elementos que compõem o corpo) com alimentos temperados e equilibrados (recuperando esse equilibrio se doente-sg. o Hipocrates o medico grego) - adicionando alimentos de natureza fria ,quente ,húmida ou seca e suas combinações, compensando os humores insuficientes ou corrompidos nas partes doentes do corpo –(vide Tacuinium Sanitatis,sec XIII)

Como afirma J.Flandrin (in Historia da Alimentação) , a propósito da arte culinaria enquanto arte correctiva dos alimentos: “Assim as virtudes naturais ou qualidades dos alimentos-que são instaveis-podem ser acentuados reduzidos transformados pelas condições do meio e pela pereparação ou tratamento culinario dos alimentos. Os varios modos de cozinhar são assim meios para modificar as propriedaes naturais dos aliments e para melhorar a saúde. Cozinhar misturar transformar - eis a suprema Arte da cozinha : também tornar os alimentos mais agradáveis ao paladar e mesmo á vista” ... como na metamorfose ovidiana !
Com os árabes a cozinha torna-se uma arte do tempero e de combinação de ingredientes que modificam sabores e consistências ( propriedades dos alimentos). As especiarias dão sabor ,salientam o paladar, diferenciam iguarias : se a acidez é excessiva corrige-se com adoçantes ou mosto - dai o agridoce. A acumulação de ingredientes e especiarias-tem função de correção dos aliments,segundo o mouroRazi ...

Cozinhar-cozer-tem pois como função primeira-tornar alimentos mais digestos . De facto a cozinha nasce e convive com o receituario magico e a farmacopeia-(herbarios) com sua utilização ritual e simbolica... receitas relacionadas com a saúde- a que Bruno Laurioux chama a “cozinha medicinal” ...No sec XIII surgem obras manuscritas contendo preceitos de saúde e de cozinha destinados á aristocracia : como o Régime du corps de Aldebrandin de Sienne( 1256) que recomenda as especiarias na condimenrtação das carnes para as tornar mais digestas- a digestão é uma cozedura corporal…(enquanto os alimentos vegetais são de dificil digestão para estomagos nobres) …
A condimentação tem função de corrigir os vicios dos alimentos…alimentos humidos como a carne de porco levam mais sal, alimentos secos e delicados como galinhas e perdizes-levam pouco sal…

Assim através dos condimentos, se aumenta a bondade dos alimentos . Mudando o sabor de um alimento, modificava-se a sua natureza...segundo se julgava na época...
Barthelemy, o Inglês, defende em seu quadro de sabores, que estes ordenados por suas qualidades(quente,temperada,fria ) ... são transmutáveis nos que se lhe seguem, por acção do calor...pela cozedura...
Como exemplos destas transmutações : os frutos verdes de sabor acerbo ou acido adquirem por acção do sol ao amadurecer um sabor doce ou gordo...por sua vez, o mel de sabor doce, toma um sabor amargo ao caramelizar por acção do fogo.

Entende-se na época, que tudo o que alimenta veramente tem em si pelo menos um pouco de sabor doce...portanto moderadamente quente.
As substancias que apenas tinham sabores frios(acerbo,acido) ou quentes(acre,salgado) não podiam servir de alimento,mas apenas de medicamento e/ou condimento. Por isso-uteis para equilibrar o sabor ou temperamento dos alimentos demasiado frios ,demasiado quentes ou insuficientemente doces... cozinhar é também e afinal uma operação de adoçamento...
Os gostos ou repugnâncias sáo fisiológicos...caracteristicos do temperamento de cada um...Assim, cada um devia comer segundo sua natureza ou humor dominante.
Daí resultava que no serviço medievo á mesa colocavam em simultâneo, defronte dos convivas varias iguarias ,das quais cada um escolhia segundo seu gosto ou temperamento...

            

3- Onde se fala de um “fogo lento” experimental...

- A cozinha evoluiu num tempo lento: Não o dos tachos mas o da história... o tempo longo das estruturas, de que fala F.Braudel.
-há receitas fixadas há seculos na sua forma e interpretação- as maneiras de se alimentar inscrevem-se tb nesta teoria da longa duração...
Observa-se que entre os sucessivos receituários há ligações,encadeamentos,analogias que transcendem as épocas...
Assim podemos dizer que há uma certa continuidade, na baixa idade Media, concretamente do Duzentos ao Quatrocentos, que é o periodo em que incide esta longa demanda na tentativa de demonstração da cozinha monastico-cruzada e cortês, contemporanea dos cavaleiros templários (à falta da original e própria)...

Desde o sec XIII, aparecem livros de cozinha em toda a Europa . Do Trezentos são conhecidos, integrados num codice terapeutico atribuido a Mondeville -físico de Filipe o Belo!(ligado aos templários,pelas piores razôes...) 3 manuscritos de receitas: Enseingnemenz,/franco, Tractatus de modo preparandi/monastico e Liber de coquina/toscano, além de um rolo-único sobrevivente no género-pertencente ao bispo de Sion e mais tarde copiado por Taillevent no Viandier...

O receituário é apresentado em geral sem as proporções dos ingredientes. Se se pretender fazer uma actualização , há que ter cuidado na interpretação das receitas medievais : ter em conta a natureza épocal dos ingredientes, utensilios ,termos empregues para os modos de cozedura,
Sabores e aromas são de reconstrução dificil…principalmente atenção ao paladar-não muito estranho-cozinhado de forma aceitável para a época- (deles e nossa...) um certo equilibrio no doseamento das especiarias, para não causar enjoo, devido a elas serem omnipresentes do primeiro prato á sobremesa... em suma: trata-se de um desafio experimental e histórico em que é preciso provar ,alterar e misturar de novo, até que o palato,o olfacto e a intuição...ditem a obra alquimica comestível...o sucesso requer alguma experimentação!

No que respeita `a composição dos menús, observa-se que há varios serviços. dois,três ou quatro, por refeição, mas dentro de cada um desses serviços, figuram varios pratos justapostos e não sequenciais, dos quais os convivas escolhem um ou dois.

No serviço franco que estrutura a refeição gótica , os assados (peças inteiras,recheadas, postas no espeto e finalmente trinchadas á mesa) situam-se sempre no centro da refeição, sendo precedidos pelos potages(leves ou grossos) e entradas ( charcutaria,frutas frescas) e seguidos pelos entremetz e sobremesas,depois de levantar as toalhas...(vide Menagier)
Mas não se trata de um esquema rígido. Os vários serviços podem afinal ser percorridos por potages/cozidos e patés...tal como pela mistura salgado-doce...(os sabores doces só são reservados á sobremesa a partir do sec XVII)...

Na sua origem, os entremets (literalmente: as "entre-iguarias") são servidos entre uma iguaria e outra , enquanto os convivas esperam pelo próximo serviço . Podem ser comestiveis ou um momento de música ou momos...


                         Algumas Referências Históricas sobre Menús :

REGIMENTO de 1258- 2 viandas(carne ou peixe) adubadas , sendo uma de 2 guisas(modos)

-A todos os freis-2 pratos de vianda à escolha- art, 185- Regra da Ordem do Templo.

- Refeição de S.Luis-1234-Sens-Quaresma --cerejas c/pão trigo branco,2-favas novas cozidas em leite, 3-peixe-enguias em filetes e grelhadas,lagostins ,empadas, requeijão, 4-arroz em leite de amendoa perfumado c/canela=manjar branco, 5-fruta de epoca.

- Abade laguy a seus confrades- -1378
1- entrada - vinho , coscorões, maçã cozida , figos e cerejas
2-prato c/molhos, peixe cozido ou grelhado ,carne assada, caldo cereais
3- conservas/compotas-confeitos bolos/fritos -frutos secos, empadas,
-
Locais templarios :
- Fonte Arcada-1144- visita do bispo porto-3 carneiros ,2 leitoes ,4 cabritos ,4 patos,
12 galinhas, 2 puçais de vinho, 2 onças de pimenta ,alhos, cebolas, pão trigo,
0.5 alqueire de manteiga e 40 ovos.
-Soure- 1295-o mestre dá aos cónegos visitantes- 1 carneiro esfolado, 16 frangos,50 paes trigo,1 almude de vinho.

D.João I-no Rossio:carne assada,confeitos de erva doce e amendoa,cidrões e cerejas

Menus/rações monasticos :
1- - Cluny-sec 12-costumes de Ulric
2 refeições todos os dias.- com reforço nos dias de festa…
Almoço- 2 pratos de legumes cozidos –1 libra de pão-1 hemina de vinho, mais suplemento ou Pitança- 3º prato de frutos e legumes
Come-se em silencio, escutando leituras edificantes-comunica-se por sinais..

2- Abadia borgonhesa- dias especiais- refeiçoes extraordinarias como nos palacios…
Sopa de legumes substituida por pratos de carne e uma torta com ovos- sec
Vinho temperado com mel.. sec 12

3- Rações mosteiro de Corbie/França- Em Corbie, , cada irmão recebia diariamente 1,700 kg de pão, 1,5 litros de vinho), cerca de 100 gramas de queijo, 230 gramas de legumes secos (favas ou lentilhas), 25 gramas de sal, um grama de mel e 30 gramas de gordura animal./toucinho .

4-Menu de Pombeiro: - 2 pratos de alimentos guisados (peixe ou carne de aves)…
-1 prato de legumes e /ou frutos (cozidos ou frescos) conforme a época

COZINHA CATARA- FIM DO SEC 13
Aves de capoeira-galinhas ,ovos-, gansos, carneiros e ovelhas, flancos de porco salgado ou fumado- gelatina de trutas, peixe frito em azeite, - empadão grande para os bispos..
Comendas Templarias catalãs -visitações de 1289: Dispensas :
Em MONZON-250 carneiros para a mesa do castelo.- Em-CORBINS-8 porcos e 2 leitões

Modelo alimentar Nobres-sg Livro de contas da Catalunha-sec XII :
--Carnes finas-galinha-frango-capões e gansos/criação.
Tb carneiro-porco-cordeiro. Ausencia de produtos de caça


4- O Templo como catedral do convívio gastronómico!


-Desde sempre a Mesa é um lugar de partilha e convivio, reunião ritual- de integração / identificação na comunidade- expressão de solidariedade basica de grupo. Onde se celebra o prazer da refeição tomada em comum.

Entre comunidades monasticas é celebração da continuidade dos laços entre irmãos e evocaão crística - ou aquando de uma iniciação/recebimento de cavaleiro na Ordem um autentico festim liturgico...

Estando a ordem repartida por toda a Europa e Oriente, pretende-se apresentar uma cozinha ecuménica das regiões templárias...para o que buscámos para além do receituário franco já referido, os seguintes do Trezentos : Sent Sovi/Catalunha- Form of Cury/Inglaterra- Guter Spise/Alemanha- Libro di cucina/Italia e ainda ,mais tardios, os nossos “Livro da Infanta D.Maria” e “ Caderno do Refeitorio” (Alentejo).- além de uma colectânea franca de receitas de albergarias cruzado-templárias.no Oriente.
Sabendo por outro que a pitança é melhorada em dias de hóspedes ou festivos, comno manda a regra de S.Bento, selecionámos uma data , cerca da qual se terá realizado a admissão de um cavaleiro (o sobrinho do Mestre João Fernandes ,segundo uma testemiunha de inquirições dionisinas) . Aliter , consideramos também a presença real D.Dinis e Isabel ( habitual na região) de modo a elevar ainda mais o nivel da festança e aproveitando para fazer pedagogia da separação de mesas por categorias sociais na época...

Em conclusão, visamos evocar prazeres ancestrais, viajar em direcção a um tempo dourado, imergir completamente na época , através de uma ementa recheada de sabores...assaz de iguarias de desvairadas maneiras de manjares...onde tudo se praticará com a devida moderação,de sorte que nem pareça miser nem respladeça prodigalidade fantástica,. tudo cum excelentisimo grau de bondade e perfeição... um vero conclave iniciático na sabedoria templária!...

Eclesiásticamente, situamo-nos no temporal entre o papa Martinho IV(1285) e o papa Bonifacio VIII (1303) o que em termos de gostos alimentares pessoais significa viajarmos das enguias ao Cordeiro.. ou semelhantemente em termos de espaço, peregrinar entre o Pranto de Dornes e a Aleluia de Cem Soldos... tudo no termo de Thomar...

E várias vezes adaptámos o nome dos pratos á nossa região,por terem algo em comum...

 

 


5.4.18

Do Nabão ao Graal ...


Ao tempo da concessão da região de Ceras aos Templários (sec XII) refere-se no documento o rio Tomar (cuja nomenclatura já explicámos) como limite territorial. E só no seculo seguinte nos aparece documentada a designação Nava de Juncoso para o rio que atravessa a urbe .De juncoso , pq aqui abundavam os juncos- planta verde e flexivel cujas hastes de 1,5 metros eram empregues na confeção de cestaria. Como sua memória temos paralelo ao rio e proximo os lugares de Juncais de Cima e de baixo...
Nava, porque curso de água navegável. Mas também denotando as origens dos povoadores minhotos e bracarenses que para aqui vieram convidados por Gualdim e seus templarios , através de forais atractivos. Efectivamente na região de Amares (origens de Gualdim) existe memoria de um mosteiro cistercience (S.Maria de Bouro, sec XII) em cuja vizinhança corre o rio Nava , barulhento com suas águas a cairem pela penedia circundante e fonte de energia para lagares locais (tal como em Tomar). 


Um caso de importação onomásrica tal como o topónimo Caldelas ( a que já J.M. Sousa , há 100 anos em seu livro, não encontrava explicação para tal designação, não havendo ali aguas termais, mas apenas uma fonte)... Ora existe uma outra Caldelas exatamente e também neste mesmo concelho de Amares ( como já referido no nosso livro “O Mestre”) onde existem várias nascentes de agua nas encostas do monte de S.Pedro Fins (o mesmo orago que foi dado á capela do nosso cemiterio medievo em Tomar ...onde havia uma lápide referente a um dos primeiros povoadores de ascendência nortenha: Garcia Vermudes! ).
Memórias portanto de nossos primeiros povoadores cristãos , que trazem consigo os seus cultos e as saudades de suas terras ...( Tal como no Brasil, por exemplo, existe uma Santarém, assim denominada em sua homenagem, pelo luso governador do Pará e irmão do Marquês de Pombal...

Mas prossigamos para a região de Burgos (Espanha) ao encontro de outro rio Nabón...
Ali está sepultada a infanta D.Branca , no mosteiro de las Huelgas , irmã de D.Dinis (faz neste abril 697 anos). Senhora de Montemor, T.Vedras e Montalvão, herdeira de Afonso o Sábio, protectora de mosteiros e mulher de cultura. Cantada por Almeida Garret em seu poema romãntico “Dona Branca ou a conquista do Algarve” a qual se apaixona pelo ultimo rei mouro a quando do seu caminho para Burgos (na verdade por um cavaleiro cristão )...enfim “um engano de alma ledo e cego”... Neste romance se inspirará Alfredo Keil, criador das operas Santa Iria e Dona Branca , esta estreada no São Carlos (1888) e cuja acção começa na “Floresta encantada de Sagres”...


Mas continuemos a nossa viagem , depois deste "aparte"...internando-nos por Rioja e Najera num bosque de carvalhos e pinheiros (á dextra de Burgos) chamado precisamente Floresta da Demanda e por onde o santo Graal , diz-se, irradia magia e mistério pelas terras vizinhas...e subamos pelos montes Obarenes até á localidade de Berberana.
Aqui encontraremos finalmente o rio Nabón que nos acompanhará paralelo à estrada até Quincoca de Yuso (tal como o nosso Nabão , para quem se aproxima de Tomar ! )...E prosseguindo pelo vale de Losa chegaremos à ermida romãnica de san Pantaleon , assente sobre uma rocha que simula a quilha de um barco ...tal como a esquina pétrea de Almourol (qual proa da barca salomónica) ou a planta da frente avançada do castelo de Tomar .




Por aqui passaram os templários...na fachada e janelas iconografia ligada à  mistica do Graal e do santo. Um velho que suporta o mundo como coluna, outra em forma de faísca à entrada! ...Altamente simbólico! 

Igreja consagrada em 1207 . Um tramo, cupula e abside singela. Um peregrino passando no vale falou de um calice visto na igreja...Perto há uma aldeia chamada Criales ...aproximada a grial (em espanhol graal )… San Pantaleon é pois um lugar do Graal .

E isto remete-nos a Troyes – lugar de anuncio do Graal , através de Chrétien o escritor do sec XII que viveu em Troyes , a qual tem nove igrejas, tantas como os 9 cavaleiros iniciais da Ordem templária, entre as quais a de S.Madalena e a de San Pantaleon... patrono da medicina e santo martir da igreja oriental (Nicomedie).



Quem tem olhos veja e entenda !   

2.1.18

1118 – 2018 IX Centenário da criação da Ordem do Templo em Jerusalèm e tb IX Centenário do nascimento de Gualdim Pais !

                                


Há precisamente 900 anos que nasceu a Ordem dos Templários junto ao Templo de Salomão, para apoiar e defender os peregrinos à Terra Santa , por iniciativa de Hughes de Payns e 8 companheiros cruzados .Em coincidência significativa é tb o tempo em que nasce Gualdim Pais , fundador da Thomar cristã e mestre do Templo português !

                       

Cavaleiros salomónicos assim chamados não só pela vizinhança do lugar mas também por sua iniciação na Sabedoria de Salomão que citam várias vezes em seus documentos como se pode constatar por exemplo nos forais Gualdínicos .



E a melhor forma de bem celebrar a efeméride é consolidar neste tercio millenium a ressurectio dessa pelegrinagem pelos caminhos templários ou seja a Rota Templária Europeia. Tal passa no nosso caso aqui em Tomar , por colocar a funcionar desde já as comissões específicas formadas , seja a Científica , seja a de Acompanhamento . E havendo lugares interessados e até quem se queira inscrever de pleno direito, não se compreenderá que tal não se cumpra a curto prazo.
Tal como no caso da subscrição esforçada aos estatutos da Confederação europeia da Rota Templária há hoje que ultrapassar rápidamente os meandros burocráticos e fazer o Caminho !
Pôr em contato e em rede os lugares já identificados / inventariados como tradicionais de base certa e ainda visiveis / acessiveis do ponto de vista do turismo cultural no imediato . Nesse ponto e para esta fase ,não precisamos de mais longos e arrastados estudos , tal já foi feito, incluindo os endereços.

PORTUGAL  TEMPLÁRIO




































1         – Igreja de Azinhoso  (Braganca)

2         – Penas Roias (Braganca)
3         – Mogadouro (Braganca)
4         – Longroiva (Guarda)
5         – Vila de Touro (Guarda)
6         – Castelo Novo (Castelo Branco)
7         – Penamacor (Castelo Branco)
8         – Monsanto (Castelo Branco)
9         – Pena Garcia(Castelo Branco)
10     – Idanha a Velha (Castelo Branco)
11     – Idanha a Nova (Castelo Branco)
12     – Castelo Branco (Castelo Branco)
13     – Vila Velha de Rodao(Castelo Branco)
14     – Montalvao (Portalegre)
15     – Nisa (Portalegre)
16     – Monsarraz (Evora)
17     – Soure (Coimbra)
18     –Pombal (Leiria)
19     – Dornes (Santarem)
20     – Tomar ,castelo com Rotunda (Santarem)
21     –Tomar,igreja panteao (Santarem)
22     – Almourol (Santarem)
23     – Santarem (Santarem)
24     – Rio Maior ,salinas (Santarem)
25     – igreja de Loures (Lisboa)
MEMÓRIA: A.      - Amares (Braga)
                     B.      - Fonte Arcada Porto)                      
                     C.     -  Cem Soldos (Santarem)
                     D.    - Asseiceira, Albg (Santarem)
                     E.  -    Sintra (Lisboa)
                     F.     - Xabregas (Lisboa)
PRIVADOS:        ·       -1  Ega (Coimbra)   ·       -2 Cardiga (Santarem)



Pois que lhes seja endereçado formalmente o convite de adesão , para o qual já existe até um pré-projecto enunciando os critérios base específicos e europeus e que aqui anexamos de novo, deixando-o ao critério dos Observadores nacionais e estrangeiros.

CARTA DE PRINCIPIOS DA ROTA TEMPLARIA EUROPEIA
(Projeto que inclui o Conceito e os Campos de Ação)
1- VALORIZAÇÃO DE UMA IDENTIDADE- A carta europeia de lugares templarios e os sitios aderentes , pugnam pela valorização / conservação do Patrimonio material e imaterial da mais célebre Ordem medieval e dar a conhecer ao grande publico o seu papel na construção da Historia europeia, destacando tudo aquilo que define e demonstra a sua identidade singular e a sua diversidade, favorecendo a compreensão desta .

2- DEMANDA CONTÍNUA – Visa reunir e conservar todas as informações e dados historicos que sejam de utilidade para o conhecimento/estudo do sitio. Apoiar a construção de bases de dados sobre templarios.(Centros de Estudos). Intercambio de conhecimento e experiencias entre os sitios.

3- USUFRUIR DO VERO ESPIRITO DOS LUGARES-Lugares de memória activa , de forma a permitir aos visitantes – confrades por um dia ( participando ao vivo nas animações locais), uma leitura mais autêntica dos espaços conservados.

4- FIAT LUX ! – Iluminar as trevas de um conhecimento superficial ou adulterado sobre a época. Desvelando os mistérios inscritos na pedra. Não mais simples olheiros das pedras nem fantasistas…mas pedagógico: desenvolver acções educativas dirigidas aos cidadãos e em especial aos jovens, fazendo-os sentir a todos co-herdeiros de um património comum,  estabelecendo laços e tornando-os responsáveis em seu futuro.

5- CALENDARIO DE EVENTOS COMUNS E INCOMUNS – Promover o património comum através de actividades culturais, artisticas e turisticas e ações de comunicação dos eventos históricos e grandes evocações, ajudando a aumentar a taxa de permanência nos lugares.

6- EQUALIZAÇÃO DOS LUGARES – Por um turismo cultural durável ! Juntando obrigatoriamente os sítios mais conhecidos com os menos conhecidos nos programas acordados com os operadores . Revitalizando lugares .

7- REPRESENTATIVO DOS VALORES DA EUROPA – Solidario e vigilante , com a circulação de ideias e pessoas, um sentido de comunidade no diálogo, reafirmando as causas da justiça e da paz ecuménica, a “Charitatis” hoje (movimentos migratórios) como ontem o selo dos 2 cavaleiros (entreajuda) . Tendo em conta a cultura enquanto fator de tolerância e compreensão do Outro. Esta a mensagem milenar a transmitir!


Por último e não menos importante desejamos para este novo Ano templário que a página da Rota Europeia se torne mais viva e participante com as colaborações dos varios territórios e paises , nomeadamente actualizando-a com os eventos ligados aos templários que em cada lugar se vão promovendo e produzindo , a bem do conhecimento e integração da comunidade templária , contribuindo para o crescimento de um espirito de pertença e identidade ...não esquecendo de anexar a cada um deles, por maior ou menor, o logotipo identificativo da Rota !


Ao nosso nivel de tomarenses e portugueses , aqui registamos a primeira efeméride deste ano de 2018. Hoje dia 2 de janeiro : Dia de S. Gregório de Nazianzo , patrono dos templarios . Um santo de Luz natalícia, tal como S.Tomás de Cantuária, na expressão feliz de J.M. Anes !

Dia 2 de Janeiro- Dia de S. Gregório Nazianzeno
S.Gregório - um dos 4 doutores da igreja oriental- nasceu em Arianzo, próximo a Nazianzo/ Capadócia no ano 329 DC. ,tendo dedicado a sua vida á meditação e à luta contra a heresia arianista.
Chamado pelo Imperador Teodósio o Grande para a cátedra de Constantinopla (379) , profere 5 discursos sobre a Trindade que lhe dão fama como teólogo! . Em 381 participa no I Concílio de Constantinopla que define a Divindade dogmática do Espírito Santo. Depois renuncia à cátedra, para evitar disputas entre os pastores da igreja e retorna á vida contemplativa em Arianzo onde morre aos 61 anos de idade (390).


Em época posterior , procedeu-se à distribui-ção de suas reliquias, sendo grande a sua veneração.Gualdim trouxe da Terra Santa ,a quando da sua participação nas Cruzadas, um relicario   com 2 dedos da mão direita de S.Gregório Nazianzo.

Famosa obra de arte , enriquecida  com pedrarias no tempo de D.Manuel , esteve por periodos, na Charola e na Igreja de S.Maria , aqui exposta em um pé do altar-mor...encontrando-se hoje depositada no museu (Tesouro) da Sé de Lisboa. Visitem-na in loco, enquanto não regressa de novo a Tomar !