15.7.18

UM PASSO EM FRENTE, DOIS PASSOS ATRÁS...OU DE COMO OS ORGANIZADORES DO SEMINARIO DA FESTA TEMPLARIA RECUARAM NO TEMPO !



No momento em que urge desenvolver a Rota Templaria europeia , sendo a Festa templaria de Tomar uma de suas actividades integradas, os (3)organizadores diretos da sua parte mais cultural ou seja o Seminario da Festa realizado no dia de sua abertura -quinta, dia 5- “pecaram” gravemente por omissão ou desconhecimento.

Primeiramente , reduziram o tempo do Seminario de um dia para meio dia , talvez por não conseguirem encontrar mais oradores ( e não está em causa a sua qualidade)!
O certo é que ainda uma semana antes não havia nada visivel publicado sobre quem eram ( nem ninguém da cidade a quem perguntámos o sabia dizer). Quase parece que só pensaram verdadeiramente de véspera no assunto...que chatice : da expressão “turismo cultural” preferem dar primazia ao turismo e ao espectáculo...a parte cultural enfim, logo se vê, em cima do joelho...

Mais, enquanto o ano passado o Seminario teve uma componente europeia , este ano -entregues a si proprios- os ditos organizadores remeteram-se “oratóriamente” a uma visão caseira ou regionalista.
Mais, em materia de convites para a Jornada reduziram-se a uma visão ibérica oficial , “esquecendo” por exemplo os franceses de Troyes (habituèes) que só convidaram uma semana antes !(segundo nos asseguraram de origem) ...Claro que assim não vieram...se era isso que queriam!

E seria pedir muito aos organizadores que alargassem as suas vistas (ou falta dela) a outros horizontes ou paragens... bem tinhamos referido com uns meses de antecedencia á responsavel da Divisão de Cultura que existiam 2 historiadoras – que já estiveram há meia duzia de anos no Convento – uma italiana e outra inglesa , especialistas em templarios e que seria importante ouvir neste seminario e no timing presente, sendo de paises integrantes da Rota!
Mas os tais organizadores preferiram ficar-se pela sua auto-proclamada “fantástica iniciativa “...um dos porta-vozes afirmou mesmo a abrir a sessão que “este é um ano especial pelo facto de a Sede da associação se ter fixado em Tomar” (sic) !!!!! … e nós a pensarmos que era um ano especial porque tanto a Ordem como o fundador da cidade nasceram exatamente há 9 séculos... começou assim portanto o seu IX Centenario com os da dita  trindade  a olharem para o umbigo...enfim...

Esperemos que em breve a Comissão Cientifica já nomeada tenha plenos poderes e condições para corrigir este estado de coisas ! Non nobis mas a Eles (templarios) a Gloria !

UMA NOTA FINAL : porque na comunicação de eventos templarios não colocam ao contrario de franceses e italianos o Logotipo  aprovado e obrigatorio da Rota Templaria Europeia ??! 
Será que querem mesmo -propositadamente ou de modo sabotatório - andar para trás ?! 
E porquê uma cruz branca envergonhada entre parentesis (?) ...será que o seu designer pertence ao clube dos que pretendiam uma cruz branca em vez da vermelha -identificadora e única dos cavaleiros templários - para sua grande mostra de ignorãncia histórica ?! (Talvez lhe tenham feito mal o breefing do pretendido) ...E desde quando -em termos de manuais da arte - é que o suporte ou a conjuntura se sobrepôem á uniformidade do Logo ?   Envergonhem-se de vez ! 



4.7.18

ARS COQUINARIA

 
          
                  Foto: L. Ferreira
  
1—Natureza externa : apresenta-se com uma Identidade

“A cozinha medieval faz parte do património cultural europeu. Para lá de pequenas diferenças regionais,encontramos receitas de cozinha comuns a toda a Europa medieval. Os cozinheiros utilizam tecnicas culinárias comuns, as elites europeias gostam de sabores próximos, os médicos tem discursos comuns em matéria de dietética Encontramos uma base comum que nos permite falar de uma cozinha medieval europeia.” ”-Lilliane Plouvier« Multiculturalité, identité européenne et habitudes alimentaires » (Project CE -DG Education et Culture)2000

De facto, se observarmos o relato de alguns banquetes e festas senhoriais encontramos productos básicos semelhantes, abundância e variedade de pratos selecionados conforme os temperamentos,um serviiço ordenado segundo categorías sociais , presença de músicos e histriões, importância da surpresa ...

Contudo há alguma diversidade dentro desta unidade.. A Natura oferece aos homens alimentos diferentes segundo as regiões e em cada região há opções entre produtos conforme a sua cultura, pensamento ou crença... Há um significado simbolico dos alimentos... manifestação de particularidades culturais (arabes, judeus,cristãos)....
Diz o Al-Khithab a propósito das varias nações : “muitos são afeiçoados e inclinados para os alimentos que outros detestam.”..
Assim os cátaros ,no fim do sec XIII, comem flancos de porco salgado ou fumado,mas ignoram o melão e alcachofra, trazidos peloa árabes no Trezentos á Catalunha..(Montaillou)

Observa-se uma diferenciação religiosa e social no consumo., como diz Teresa de Castro in La alimentación castellana e hispanomusulmana bajomedieval ( 1996) : “Os castelhanos são por própia vontade essencialmente carnívoros, e gostam de carne, de gorduras animais e de outras formas de guisar que não sejam os fritos (os fritos à base de legumes verdes constituem a entrada da Pessah judaica)... Os muçulmanos vêem-se a si mesmos como sóbrios no gasto e consumo alimentares, e não muito carnívoros. ..No Al-Andalus as frutas e os cereais são os alimentos mais elogiados, e o vinho o mais criticado... Estamos perante um paralelismo, não face a uma convergência alimentar, no mediterrâneo hispânico ”.
Há sem dúvida,uma influência indirecta da cozinha muçulmana na cozinha cristã como resultado de um longo período de contacto na fronteira em movimento... principalmente quando o Al-Andaluz era um modelo cultural luxuoso a imitar (vide a loucura das especiarias sg F.Braudel)..
.No entanto há que fazer uma análise cuidada do receituário: assim, quando se fala num prato mourisco isso pode tão só significar uma côr mais escura de um prato...não uma receita igual...


2- Natureza interna : na preparação é uma arte da Metamorfose

Desde o mundo classico (greco-romano)- a cozinha é entendida como a arte de combinar alimentos, meio de correção da natureza e de manter o equilibrio dos humores (elementos que compõem o corpo) com alimentos temperados e equilibrados (recuperando esse equilibrio se doente-sg. o Hipocrates o medico grego) - adicionando alimentos de natureza fria ,quente ,húmida ou seca e suas combinações, compensando os humores insuficientes ou corrompidos nas partes doentes do corpo –(vide Tacuinium Sanitatis,sec XIII)

Como afirma J.Flandrin (in Historia da Alimentação) , a propósito da arte culinaria enquanto arte correctiva dos alimentos: “Assim as virtudes naturais ou qualidades dos alimentos-que são instaveis-podem ser acentuados reduzidos transformados pelas condições do meio e pela pereparação ou tratamento culinario dos alimentos. Os varios modos de cozinhar são assim meios para modificar as propriedaes naturais dos aliments e para melhorar a saúde. Cozinhar misturar transformar - eis a suprema Arte da cozinha : também tornar os alimentos mais agradáveis ao paladar e mesmo á vista” ... como na metamorfose ovidiana !
Com os árabes a cozinha torna-se uma arte do tempero e de combinação de ingredientes que modificam sabores e consistências ( propriedades dos alimentos). As especiarias dão sabor ,salientam o paladar, diferenciam iguarias : se a acidez é excessiva corrige-se com adoçantes ou mosto - dai o agridoce. A acumulação de ingredientes e especiarias-tem função de correção dos aliments,segundo o mouroRazi ...

Cozinhar-cozer-tem pois como função primeira-tornar alimentos mais digestos . De facto a cozinha nasce e convive com o receituario magico e a farmacopeia-(herbarios) com sua utilização ritual e simbolica... receitas relacionadas com a saúde- a que Bruno Laurioux chama a “cozinha medicinal” ...No sec XIII surgem obras manuscritas contendo preceitos de saúde e de cozinha destinados á aristocracia : como o Régime du corps de Aldebrandin de Sienne( 1256) que recomenda as especiarias na condimenrtação das carnes para as tornar mais digestas- a digestão é uma cozedura corporal…(enquanto os alimentos vegetais são de dificil digestão para estomagos nobres) …
A condimentação tem função de corrigir os vicios dos alimentos…alimentos humidos como a carne de porco levam mais sal, alimentos secos e delicados como galinhas e perdizes-levam pouco sal…

Assim através dos condimentos, se aumenta a bondade dos alimentos . Mudando o sabor de um alimento, modificava-se a sua natureza...segundo se julgava na época...
Barthelemy, o Inglês, defende em seu quadro de sabores, que estes ordenados por suas qualidades(quente,temperada,fria ) ... são transmutáveis nos que se lhe seguem, por acção do calor...pela cozedura...
Como exemplos destas transmutações : os frutos verdes de sabor acerbo ou acido adquirem por acção do sol ao amadurecer um sabor doce ou gordo...por sua vez, o mel de sabor doce, toma um sabor amargo ao caramelizar por acção do fogo.

Entende-se na época, que tudo o que alimenta veramente tem em si pelo menos um pouco de sabor doce...portanto moderadamente quente.
As substancias que apenas tinham sabores frios(acerbo,acido) ou quentes(acre,salgado) não podiam servir de alimento,mas apenas de medicamento e/ou condimento. Por isso-uteis para equilibrar o sabor ou temperamento dos alimentos demasiado frios ,demasiado quentes ou insuficientemente doces... cozinhar é também e afinal uma operação de adoçamento...
Os gostos ou repugnâncias sáo fisiológicos...caracteristicos do temperamento de cada um...Assim, cada um devia comer segundo sua natureza ou humor dominante.
Daí resultava que no serviço medievo á mesa colocavam em simultâneo, defronte dos convivas varias iguarias ,das quais cada um escolhia segundo seu gosto ou temperamento...

            

3- Onde se fala de um “fogo lento” experimental...

- A cozinha evoluiu num tempo lento: Não o dos tachos mas o da história... o tempo longo das estruturas, de que fala F.Braudel.
-há receitas fixadas há seculos na sua forma e interpretação- as maneiras de se alimentar inscrevem-se tb nesta teoria da longa duração...
Observa-se que entre os sucessivos receituários há ligações,encadeamentos,analogias que transcendem as épocas...
Assim podemos dizer que há uma certa continuidade, na baixa idade Media, concretamente do Duzentos ao Quatrocentos, que é o periodo em que incide esta longa demanda na tentativa de demonstração da cozinha monastico-cruzada e cortês, contemporanea dos cavaleiros templários (à falta da original e própria)...

Desde o sec XIII, aparecem livros de cozinha em toda a Europa . Do Trezentos são conhecidos, integrados num codice terapeutico atribuido a Mondeville -físico de Filipe o Belo!(ligado aos templários,pelas piores razôes...) 3 manuscritos de receitas: Enseingnemenz,/franco, Tractatus de modo preparandi/monastico e Liber de coquina/toscano, além de um rolo-único sobrevivente no género-pertencente ao bispo de Sion e mais tarde copiado por Taillevent no Viandier...

O receituário é apresentado em geral sem as proporções dos ingredientes. Se se pretender fazer uma actualização , há que ter cuidado na interpretação das receitas medievais : ter em conta a natureza épocal dos ingredientes, utensilios ,termos empregues para os modos de cozedura,
Sabores e aromas são de reconstrução dificil…principalmente atenção ao paladar-não muito estranho-cozinhado de forma aceitável para a época- (deles e nossa...) um certo equilibrio no doseamento das especiarias, para não causar enjoo, devido a elas serem omnipresentes do primeiro prato á sobremesa... em suma: trata-se de um desafio experimental e histórico em que é preciso provar ,alterar e misturar de novo, até que o palato,o olfacto e a intuição...ditem a obra alquimica comestível...o sucesso requer alguma experimentação!

No que respeita `a composição dos menús, observa-se que há varios serviços. dois,três ou quatro, por refeição, mas dentro de cada um desses serviços, figuram varios pratos justapostos e não sequenciais, dos quais os convivas escolhem um ou dois.

No serviço franco que estrutura a refeição gótica , os assados (peças inteiras,recheadas, postas no espeto e finalmente trinchadas á mesa) situam-se sempre no centro da refeição, sendo precedidos pelos potages(leves ou grossos) e entradas ( charcutaria,frutas frescas) e seguidos pelos entremetz e sobremesas,depois de levantar as toalhas...(vide Menagier)
Mas não se trata de um esquema rígido. Os vários serviços podem afinal ser percorridos por potages/cozidos e patés...tal como pela mistura salgado-doce...(os sabores doces só são reservados á sobremesa a partir do sec XVII)...

Na sua origem, os entremets (literalmente: as "entre-iguarias") são servidos entre uma iguaria e outra , enquanto os convivas esperam pelo próximo serviço . Podem ser comestiveis ou um momento de música ou momos...


                         Algumas Referências Históricas sobre Menús :

REGIMENTO de 1258- 2 viandas(carne ou peixe) adubadas , sendo uma de 2 guisas(modos)

-A todos os freis-2 pratos de vianda à escolha- art, 185- Regra da Ordem do Templo.

- Refeição de S.Luis-1234-Sens-Quaresma --cerejas c/pão trigo branco,2-favas novas cozidas em leite, 3-peixe-enguias em filetes e grelhadas,lagostins ,empadas, requeijão, 4-arroz em leite de amendoa perfumado c/canela=manjar branco, 5-fruta de epoca.

- Abade laguy a seus confrades- -1378
1- entrada - vinho , coscorões, maçã cozida , figos e cerejas
2-prato c/molhos, peixe cozido ou grelhado ,carne assada, caldo cereais
3- conservas/compotas-confeitos bolos/fritos -frutos secos, empadas,
-
Locais templarios :
- Fonte Arcada-1144- visita do bispo porto-3 carneiros ,2 leitoes ,4 cabritos ,4 patos,
12 galinhas, 2 puçais de vinho, 2 onças de pimenta ,alhos, cebolas, pão trigo,
0.5 alqueire de manteiga e 40 ovos.
-Soure- 1295-o mestre dá aos cónegos visitantes- 1 carneiro esfolado, 16 frangos,50 paes trigo,1 almude de vinho.

D.João I-no Rossio:carne assada,confeitos de erva doce e amendoa,cidrões e cerejas

Menus/rações monasticos :
1- - Cluny-sec 12-costumes de Ulric
2 refeições todos os dias.- com reforço nos dias de festa…
Almoço- 2 pratos de legumes cozidos –1 libra de pão-1 hemina de vinho, mais suplemento ou Pitança- 3º prato de frutos e legumes
Come-se em silencio, escutando leituras edificantes-comunica-se por sinais..

2- Abadia borgonhesa- dias especiais- refeiçoes extraordinarias como nos palacios…
Sopa de legumes substituida por pratos de carne e uma torta com ovos- sec
Vinho temperado com mel.. sec 12

3- Rações mosteiro de Corbie/França- Em Corbie, , cada irmão recebia diariamente 1,700 kg de pão, 1,5 litros de vinho), cerca de 100 gramas de queijo, 230 gramas de legumes secos (favas ou lentilhas), 25 gramas de sal, um grama de mel e 30 gramas de gordura animal./toucinho .

4-Menu de Pombeiro: - 2 pratos de alimentos guisados (peixe ou carne de aves)…
-1 prato de legumes e /ou frutos (cozidos ou frescos) conforme a época

COZINHA CATARA- FIM DO SEC 13
Aves de capoeira-galinhas ,ovos-, gansos, carneiros e ovelhas, flancos de porco salgado ou fumado- gelatina de trutas, peixe frito em azeite, - empadão grande para os bispos..
Comendas Templarias catalãs -visitações de 1289: Dispensas :
Em MONZON-250 carneiros para a mesa do castelo.- Em-CORBINS-8 porcos e 2 leitões

Modelo alimentar Nobres-sg Livro de contas da Catalunha-sec XII :
--Carnes finas-galinha-frango-capões e gansos/criação.
Tb carneiro-porco-cordeiro. Ausencia de produtos de caça


4- O Templo como catedral do convívio gastronómico!


-Desde sempre a Mesa é um lugar de partilha e convivio, reunião ritual- de integração / identificação na comunidade- expressão de solidariedade basica de grupo. Onde se celebra o prazer da refeição tomada em comum.

Entre comunidades monasticas é celebração da continuidade dos laços entre irmãos e evocaão crística - ou aquando de uma iniciação/recebimento de cavaleiro na Ordem um autentico festim liturgico...

Estando a ordem repartida por toda a Europa e Oriente, pretende-se apresentar uma cozinha ecuménica das regiões templárias...para o que buscámos para além do receituário franco já referido, os seguintes do Trezentos : Sent Sovi/Catalunha- Form of Cury/Inglaterra- Guter Spise/Alemanha- Libro di cucina/Italia e ainda ,mais tardios, os nossos “Livro da Infanta D.Maria” e “ Caderno do Refeitorio” (Alentejo).- além de uma colectânea franca de receitas de albergarias cruzado-templárias.no Oriente.
Sabendo por outro que a pitança é melhorada em dias de hóspedes ou festivos, comno manda a regra de S.Bento, selecionámos uma data , cerca da qual se terá realizado a admissão de um cavaleiro (o sobrinho do Mestre João Fernandes ,segundo uma testemiunha de inquirições dionisinas) . Aliter , consideramos também a presença real D.Dinis e Isabel ( habitual na região) de modo a elevar ainda mais o nivel da festança e aproveitando para fazer pedagogia da separação de mesas por categorias sociais na época...

Em conclusão, visamos evocar prazeres ancestrais, viajar em direcção a um tempo dourado, imergir completamente na época , através de uma ementa recheada de sabores...assaz de iguarias de desvairadas maneiras de manjares...onde tudo se praticará com a devida moderação,de sorte que nem pareça miser nem respladeça prodigalidade fantástica,. tudo cum excelentisimo grau de bondade e perfeição... um vero conclave iniciático na sabedoria templária!...

Eclesiásticamente, situamo-nos no temporal entre o papa Martinho IV(1285) e o papa Bonifacio VIII (1303) o que em termos de gostos alimentares pessoais significa viajarmos das enguias ao Cordeiro.. ou semelhantemente em termos de espaço, peregrinar entre o Pranto de Dornes e a Aleluia de Cem Soldos... tudo no termo de Thomar...

E várias vezes adaptámos o nome dos pratos á nossa região,por terem algo em comum...

 

 


5.4.18

Do Nabão ao Graal ...


Ao tempo da concessão da região de Ceras aos Templários (sec XII) refere-se no documento o rio Tomar (cuja nomenclatura já explicámos) como limite territorial. E só no seculo seguinte nos aparece documentada a designação Nava de Juncoso para o rio que atravessa a urbe .De juncoso , pq aqui abundavam os juncos- planta verde e flexivel cujas hastes de 1,5 metros eram empregues na confeção de cestaria. Como sua memória temos paralelo ao rio e proximo os lugares de Juncais de Cima e de baixo...
Nava, porque curso de água navegável. Mas também denotando as origens dos povoadores minhotos e bracarenses que para aqui vieram convidados por Gualdim e seus templarios , através de forais atractivos. Efectivamente na região de Amares (origens de Gualdim) existe memoria de um mosteiro cistercience (S.Maria de Bouro, sec XII) em cuja vizinhança corre o rio Nava , barulhento com suas águas a cairem pela penedia circundante e fonte de energia para lagares locais (tal como em Tomar). 


Um caso de importação onomásrica tal como o topónimo Caldelas ( a que já J.M. Sousa , há 100 anos em seu livro, não encontrava explicação para tal designação, não havendo ali aguas termais, mas apenas uma fonte)... Ora existe uma outra Caldelas exatamente e também neste mesmo concelho de Amares ( como já referido no nosso livro “O Mestre”) onde existem várias nascentes de agua nas encostas do monte de S.Pedro Fins (o mesmo orago que foi dado á capela do nosso cemiterio medievo em Tomar ...onde havia uma lápide referente a um dos primeiros povoadores de ascendência nortenha: Garcia Vermudes! ).
Memórias portanto de nossos primeiros povoadores cristãos , que trazem consigo os seus cultos e as saudades de suas terras ...( Tal como no Brasil, por exemplo, existe uma Santarém, assim denominada em sua homenagem, pelo luso governador do Pará e irmão do Marquês de Pombal...

Mas prossigamos para a região de Burgos (Espanha) ao encontro de outro rio Nabón...
Ali está sepultada a infanta D.Branca , no mosteiro de las Huelgas , irmã de D.Dinis (faz neste abril 697 anos). Senhora de Montemor, T.Vedras e Montalvão, herdeira de Afonso o Sábio, protectora de mosteiros e mulher de cultura. Cantada por Almeida Garret em seu poema romãntico “Dona Branca ou a conquista do Algarve” a qual se apaixona pelo ultimo rei mouro a quando do seu caminho para Burgos (na verdade por um cavaleiro cristão )...enfim “um engano de alma ledo e cego”... Neste romance se inspirará Alfredo Keil, criador das operas Santa Iria e Dona Branca , esta estreada no São Carlos (1888) e cuja acção começa na “Floresta encantada de Sagres”...


Mas continuemos a nossa viagem , depois deste "aparte"...internando-nos por Rioja e Najera num bosque de carvalhos e pinheiros (á dextra de Burgos) chamado precisamente Floresta da Demanda e por onde o santo Graal , diz-se, irradia magia e mistério pelas terras vizinhas...e subamos pelos montes Obarenes até á localidade de Berberana.
Aqui encontraremos finalmente o rio Nabón que nos acompanhará paralelo à estrada até Quincoca de Yuso (tal como o nosso Nabão , para quem se aproxima de Tomar ! )...E prosseguindo pelo vale de Losa chegaremos à ermida romãnica de san Pantaleon , assente sobre uma rocha que simula a quilha de um barco ...tal como a esquina pétrea de Almourol (qual proa da barca salomónica) ou a planta da frente avançada do castelo de Tomar .




Por aqui passaram os templários...na fachada e janelas iconografia ligada à  mistica do Graal e do santo. Um velho que suporta o mundo como coluna, outra em forma de faísca à entrada! ...Altamente simbólico! 

Igreja consagrada em 1207 . Um tramo, cupula e abside singela. Um peregrino passando no vale falou de um calice visto na igreja...Perto há uma aldeia chamada Criales ...aproximada a grial (em espanhol graal )… San Pantaleon é pois um lugar do Graal .

E isto remete-nos a Troyes – lugar de anuncio do Graal , através de Chrétien o escritor do sec XII que viveu em Troyes , a qual tem nove igrejas, tantas como os 9 cavaleiros iniciais da Ordem templária, entre as quais a de S.Madalena e a de San Pantaleon... patrono da medicina e santo martir da igreja oriental (Nicomedie).



Quem tem olhos veja e entenda !   

2.1.18

1118 – 2018 IX Centenário da criação da Ordem do Templo em Jerusalèm e tb IX Centenário do nascimento de Gualdim Pais !

                                


Há precisamente 900 anos que nasceu a Ordem dos Templários junto ao Templo de Salomão, para apoiar e defender os peregrinos à Terra Santa , por iniciativa de Hughes de Payns e 8 companheiros cruzados .Em coincidência significativa é tb o tempo em que nasce Gualdim Pais , fundador da Thomar cristã e mestre do Templo português !

                       

Cavaleiros salomónicos assim chamados não só pela vizinhança do lugar mas também por sua iniciação na Sabedoria de Salomão que citam várias vezes em seus documentos como se pode constatar por exemplo nos forais Gualdínicos .



E a melhor forma de bem celebrar a efeméride é consolidar neste tercio millenium a ressurectio dessa pelegrinagem pelos caminhos templários ou seja a Rota Templária Europeia. Tal passa no nosso caso aqui em Tomar , por colocar a funcionar desde já as comissões específicas formadas , seja a Científica , seja a de Acompanhamento . E havendo lugares interessados e até quem se queira inscrever de pleno direito, não se compreenderá que tal não se cumpra a curto prazo.
Tal como no caso da subscrição esforçada aos estatutos da Confederação europeia da Rota Templária há hoje que ultrapassar rápidamente os meandros burocráticos e fazer o Caminho !
Pôr em contato e em rede os lugares já identificados / inventariados como tradicionais de base certa e ainda visiveis / acessiveis do ponto de vista do turismo cultural no imediato . Nesse ponto e para esta fase ,não precisamos de mais longos e arrastados estudos , tal já foi feito, incluindo os endereços.

PORTUGAL  TEMPLÁRIO




































1         – Igreja de Azinhoso  (Braganca)

2         – Penas Roias (Braganca)
3         – Mogadouro (Braganca)
4         – Longroiva (Guarda)
5         – Vila de Touro (Guarda)
6         – Castelo Novo (Castelo Branco)
7         – Penamacor (Castelo Branco)
8         – Monsanto (Castelo Branco)
9         – Pena Garcia(Castelo Branco)
10     – Idanha a Velha (Castelo Branco)
11     – Idanha a Nova (Castelo Branco)
12     – Castelo Branco (Castelo Branco)
13     – Vila Velha de Rodao(Castelo Branco)
14     – Montalvao (Portalegre)
15     – Nisa (Portalegre)
16     – Monsarraz (Evora)
17     – Soure (Coimbra)
18     –Pombal (Leiria)
19     – Dornes (Santarem)
20     – Tomar ,castelo com Rotunda (Santarem)
21     –Tomar,igreja panteao (Santarem)
22     – Almourol (Santarem)
23     – Santarem (Santarem)
24     – Rio Maior ,salinas (Santarem)
25     – igreja de Loures (Lisboa)
MEMÓRIA: A.      - Amares (Braga)
                     B.      - Fonte Arcada Porto)                      
                     C.     -  Cem Soldos (Santarem)
                     D.    - Asseiceira, Albg (Santarem)
                     E.  -    Sintra (Lisboa)
                     F.     - Xabregas (Lisboa)
PRIVADOS:        ·       -1  Ega (Coimbra)   ·       -2 Cardiga (Santarem)



Pois que lhes seja endereçado formalmente o convite de adesão , para o qual já existe até um pré-projecto enunciando os critérios base específicos e europeus e que aqui anexamos de novo, deixando-o ao critério dos Observadores nacionais e estrangeiros.

CARTA DE PRINCIPIOS DA ROTA TEMPLARIA EUROPEIA
(Projeto que inclui o Conceito e os Campos de Ação)
1- VALORIZAÇÃO DE UMA IDENTIDADE- A carta europeia de lugares templarios e os sitios aderentes , pugnam pela valorização / conservação do Patrimonio material e imaterial da mais célebre Ordem medieval e dar a conhecer ao grande publico o seu papel na construção da Historia europeia, destacando tudo aquilo que define e demonstra a sua identidade singular e a sua diversidade, favorecendo a compreensão desta .

2- DEMANDA CONTÍNUA – Visa reunir e conservar todas as informações e dados historicos que sejam de utilidade para o conhecimento/estudo do sitio. Apoiar a construção de bases de dados sobre templarios.(Centros de Estudos). Intercambio de conhecimento e experiencias entre os sitios.

3- USUFRUIR DO VERO ESPIRITO DOS LUGARES-Lugares de memória activa , de forma a permitir aos visitantes – confrades por um dia ( participando ao vivo nas animações locais), uma leitura mais autêntica dos espaços conservados.

4- FIAT LUX ! – Iluminar as trevas de um conhecimento superficial ou adulterado sobre a época. Desvelando os mistérios inscritos na pedra. Não mais simples olheiros das pedras nem fantasistas…mas pedagógico: desenvolver acções educativas dirigidas aos cidadãos e em especial aos jovens, fazendo-os sentir a todos co-herdeiros de um património comum,  estabelecendo laços e tornando-os responsáveis em seu futuro.

5- CALENDARIO DE EVENTOS COMUNS E INCOMUNS – Promover o património comum através de actividades culturais, artisticas e turisticas e ações de comunicação dos eventos históricos e grandes evocações, ajudando a aumentar a taxa de permanência nos lugares.

6- EQUALIZAÇÃO DOS LUGARES – Por um turismo cultural durável ! Juntando obrigatoriamente os sítios mais conhecidos com os menos conhecidos nos programas acordados com os operadores . Revitalizando lugares .

7- REPRESENTATIVO DOS VALORES DA EUROPA – Solidario e vigilante , com a circulação de ideias e pessoas, um sentido de comunidade no diálogo, reafirmando as causas da justiça e da paz ecuménica, a “Charitatis” hoje (movimentos migratórios) como ontem o selo dos 2 cavaleiros (entreajuda) . Tendo em conta a cultura enquanto fator de tolerância e compreensão do Outro. Esta a mensagem milenar a transmitir!


Por último e não menos importante desejamos para este novo Ano templário que a página da Rota Europeia se torne mais viva e participante com as colaborações dos varios territórios e paises , nomeadamente actualizando-a com os eventos ligados aos templários que em cada lugar se vão promovendo e produzindo , a bem do conhecimento e integração da comunidade templária , contribuindo para o crescimento de um espirito de pertença e identidade ...não esquecendo de anexar a cada um deles, por maior ou menor, o logotipo identificativo da Rota !


Ao nosso nivel de tomarenses e portugueses , aqui registamos a primeira efeméride deste ano de 2018. Hoje dia 2 de janeiro : Dia de S. Gregório de Nazianzo , patrono dos templarios . Um santo de Luz natalícia, tal como S.Tomás de Cantuária, na expressão feliz de J.M. Anes !

Dia 2 de Janeiro- Dia de S. Gregório Nazianzeno
S.Gregório - um dos 4 doutores da igreja oriental- nasceu em Arianzo, próximo a Nazianzo/ Capadócia no ano 329 DC. ,tendo dedicado a sua vida á meditação e à luta contra a heresia arianista.
Chamado pelo Imperador Teodósio o Grande para a cátedra de Constantinopla (379) , profere 5 discursos sobre a Trindade que lhe dão fama como teólogo! . Em 381 participa no I Concílio de Constantinopla que define a Divindade dogmática do Espírito Santo. Depois renuncia à cátedra, para evitar disputas entre os pastores da igreja e retorna á vida contemplativa em Arianzo onde morre aos 61 anos de idade (390).


Em época posterior , procedeu-se à distribui-ção de suas reliquias, sendo grande a sua veneração.Gualdim trouxe da Terra Santa ,a quando da sua participação nas Cruzadas, um relicario   com 2 dedos da mão direita de S.Gregório Nazianzo.

Famosa obra de arte , enriquecida  com pedrarias no tempo de D.Manuel , esteve por periodos, na Charola e na Igreja de S.Maria , aqui exposta em um pé do altar-mor...encontrando-se hoje depositada no museu (Tesouro) da Sé de Lisboa. Visitem-na in loco, enquanto não regressa de novo a Tomar !












20.12.17

SERVIR A MARCA OU SERVIR-SE DELA ?!



Mais generalista do que especialista (como recomendava Agostinho da Silva) ,ousámos delinear com paixão o produto/processo, do principio ao fim, na demanda-o mais completa possivel-do que se passava na envolvente, consultando as mais “desvairadas” fontes, “aproveitando das experiências acumuladas e seguindo quando necessário, a intuição”(Paul Magil,MC96), enfrentãmos os desafios com a perseverança requerida para”atravessar o deserto das incertezas,mas acreditando-como Hommer- que ” os beneficios da terra prometida se aprestam a ser revelados” ou seja: certos que “na fase de desenvolvimento, o mercado com sua reação, irá moldar o produto (C.Meyer,CIB,Cambridge).
Esta a nossa competência para a gestão do Projecto TEMPLÁRIO ,a qual, devidamente apoiada, será o fertilizante / fermento de boa colheita do “pão” gualdinico e turistico...rompendo o cerco mais uma vez...e sempre!”
Foi assim que nos apresentámos públicamente em 2006 . Assim antes de apresentar o produto turistico-cultural procurámos conhecê-lo em todas as suas facetas, vertentes e angulos, para não estarmos a falar de improviso ou sem conhecimento . Assim depois da Licenciatura em Marketing (1995) cursámos a História de Arte , a Encenação teatral, a especialização em Animação Turistica ( na Escola de Hotelaria do Estoril) , praticámos o Tiro com Arco (no Ateneu de Lisboa) , participamos desde 1992 nos Encontros periodicos sobre as Ordens Militares em Palmela e mergulhámos fundo na Biblioteca Nacional ...e só quando as fontes se começaram a repetir é que parámos na pesquiza do Produto. E de tudo o que aprendemos resultou matéria suficiente para um livro sobre o fundador de Tomar- ”O Mestre” - colmatando uma lacuna existente e um texto de animação teatral (Didaké) evocando a vera Iniciação de um cavaleiro templario, obra criada de raiz para o espaço do castelo e Charola e que re-presentámos em varios cenarios do castelo nos anos 2006/7/8/9 culminando em 2010 na comemoração dos 850 anos de Tomar em plena igreja de S.Maria dos Olivais . Nesse ano tb comemorámos o óbito do mestre Gualdim na galeria alta de seu Panteão com um almoço ritual de confrades ao rigor de época , para o que fomos aprender em Santa Maria da Feira em sua festa medieval. E paralelamente a estes conteúdos , desde o principio que afirmámos o objectivo da criação de uma Rota templaria na Europa , a partir de Tomar !

Ora ...há cerca de um mês , chamaram-nos a atenção para uma entrevista publicada num jornal francês a um elemento da “Caminhos de História “
-É bom divulgar Tomar e torná-la visivel na Europa. Mas o seu a seu dono...ora o entrevistado cometeu algumas imprecisões importantes. Começando pelo principio: assim quando perguntado acerca de quando nascera a ideia da Rota Templaria Europeia ele afirmou que foi em 2011 que defendeu a ideia numa tese e a desenvolvera em seguida... quando é publico que já uns bons quatro anos antes a proposta surgira explicitamente na comunicação social tomarense (vide CT ,Julho,2007) !








Quanto ao facto da exposição de Troyes ter sido um evento capital ele afirma que se encontrou na época com diversas pessoas interessadas na Europa e começou a perceber que havia matéria para a Rota...na realidade quem esteve em Troyes em 2012 e fez os primeiros contactos foi a Templ'Anima , tendo intervido inclusive no Coloquio templario de Outubro desse ano, como se pode ver nas respetivas Actas entretanto publicadas !
                         

Também em Outubro de 2012 houve um congresso sobre os templários em Tomar , promovido pela Região de Turismo, onde se falou da Rota , de Troyes e esteve também presente um elemento da camara de Perugia . Entretanto o que ouvimos dizer na época ao entrevistado é que não encontrava grande interesse em Troyes do ponto de vista templario ...e mais recentemente ou seja o ano passado, voltou de uma viagem a Italia com a ideia de que a Umbria (a que pertence Perugia) não estava interessada no tema templarios !
Realmente é um (consultor) exterior ao assunto ...e não remunerado... pois ...nós também não ( quando fomos a Troyes foi do nosso bolso: o Dr.Ernesto Jana pode confirmá-lo) !
Sim é pertinente que se agrupem todos os lugares templários ! Claro , o Inventário de lugares já está feito por nós há anos e integrado no site da Route ( basta comparar com o nosso Blog) e trabalhamos para que se cumpra a rede de lugares ...
Quanto a este "fervoroso" adepto da Rota...enfim a afirmação vale o que vale...mas aparenta mais um daqueles neófitos recem-convertidos que se mostra mais papista que o papa...e afirma em autopromoção ter descoberto o que já o estava...
Mais prosaicamente o seu vero interesse na questão é apenas o que ele refere claramente num comentario a um mural de um hotel (Valderrabanos) :"todos querem aproveitar a Marca" (financeiramente)...e daí não vem mal ao mundo, desde que não exorbite de seus limites !

E há mais por aì -da mesma cepa-noutras entrevistas...de que trataremos em seguida .

Assim num recente video o secretario geral da ATMPT diz “a festa tenplaria é um evento que é um exemplo perfeito do que se está a tentar fazer” … e se havia dúvidas por quem(?) ele remata no final : “toda essa historia de seculos está a ser trabalhada ( por eles, concerteza !) ...no sentido de ser transformada num produto turistico !!
E no mesmo video , o diretor da ESGT afirma : ...desde a primeira hora “que pensámos em dar outra faceta a este festival templario ...incluindo o estudo , neste caso da causa ou temática templaria...e os assuntos envolventes (?!) …(aqui ele parece pouco á vontade ou “embrulhado” no que diz...) e continua “por isso este ano o tema que foi selecionado é os templarios desde a origem Troyes onde nasceram até a Tomar o ultimo lugar onde os templarios oficialmente existem ( !!!?)...será uma hipótese do académico ou uma borla àquele “Master” americano que quer vir exibir medalhas junto com seus acólitos para aqui... “ the oldest, world-wide, Knights Templar Organisation in the world “ como diz o homem da Caminhos (!) ...afinal tão só a mais recente cisão neo-templaria mundial … De facto noutra entrevista outro senhor do Turismo militar ao tomar posse de umas dependencias militares em Tomar comenta “afinal aqui é a capital mundial dos Templarios” ...eles lá sabem o que os une! ... Tem só 2 anos de vida mas já conseguiram cravar uma sede à camara de Tomar...

Provávelmente querem afirmar-se lideres desse avanço “militar” que representa a evocação do Cerco na Festa templaria... mas isso na verdade andávamos nós já há alguns anos ( vide nosso Blogue) a propôr como dando um caracter de evocação historica a uma data até aí perfeitamente aleatória e vazia como aquela em que a Adirn a realizava... 

                  

E se querem ir por aí  : pq razão ainda não arranjaram uma data significativa para a festa templaria de Almourol.?!..uma evocação de algo ligado ao lugar... (até os da Asseiceira aprendendo concerteza dos vizinhos de Torres Novas evocam sempre algo na sua festa !) …mas se o vosso estudo tal não alcança aqui fica uma deixa. Pq não a evocação do Palmeirim de Inglaterra cuja acção e drama se passa no castelo de Almourol ?! Aí teem um guerreiro da legenda...ou os comendadores que foram navegantes e descobridores...estudem meus senhores !

Assistimos em outubeo 2014 a um coloquio da Praxis no auditorio do concelho da Barquinha
e gost'amos pelas perspetivas das intervencões roteiristas do Diretor do Curso de Gestão Turistica e Cultural e tambem da de um tenente coronel em representação do exercito para o Turismo militar... só não esperávamos com tanto campo de acção local viessem agora os do turismo militar fazer o mais facil e sediarem-se também em Tomar para não perderem o comboio em marcha...

Há uns dez anos quando a nossa Associação andou a fazer o trabalho pioneiro ignoravam-nos na cidade e na região - ainda há pouco tempo alguns fingiam não saber de nosso trabalho só pq não eramos da sua cor politica e/ou nem andávamos nos seus clubes de pensamento mais ou menos exotérico) ---a esse propósito vale a pena reler o blog de Ernesto Jana de 6/1/2015 que analisa um requerimento feito á Camara pela oposição...
Agora é ve-los todos a correr pq o projeto chegou ao estrangeiro, a Rota nasceu e eles nada fizeram por isso...rigorosamente Nada..|!
O ano passado , posso dize-lo, até se esqueceram a principio de nos convidar para a Ceia medieval ...embora tivessemos aí encontro marcado com um casal francês de Troyes... depois percebemos quando um dos elementos do casal nos veio perguntar no final ...”mas o que é aquela sigla OSMT...?!.” ...tal foi a “seca” que os ditos tiveram de aguentar durante o jantar … a avaliar por quem os rodeava ...e pelos vistos éramos testemunhas a evitar...

Quanto aos tais assuntos envolventes que preocupavam este ano o tal diretor da ESGT ficámos esclarecidos no final do seminario quando na fase de esclarecimentos prestados - face a uma nossa intervenção - pela representante de Ponferrada … o tal senhor chegou-se a um microfone e disse interrompendo...dizendo algo do estilo ... “isto está muito bom, meus senhores, mas e se fossemos continuar o debate lá para fora no claustro , ao lanche ( nos comes e bebes ) !!! ...Ora ai está uma matéria envolvente á temática e bastante pertinente( embora não sendo a matéria da Bretanha!) !!!...mas talvez muito mais na optica de desconhecimento daquele senhor , do que representa em termos de saida e desenvolvimento local o circuito turistico- cultural criado á volta da obra “El senor de Bembibre” de Henrique Gil y Carrasco , o celebrado autor ponferradense , cujo bi-centenário se comemorou recentemente !
Fez-me lembrar outra situação passada no coloquio do ano passado !. Ai tb outro tecnico da mesma escola (da area TIC ) tentou impedir um considerando que faziamos em relação ao trabalho da Rota do Romanico , enquanto permitia comentarios repetidos de alguem sobre “cavalos a assitir a missa na Charola”!! ... ora mais tarde percebemos o que preocupava aquele senhor... ao aprofundarmos a leitura da pagina da Rota do Romanico... projeto desenvolvimentista e de criação de condições de visitas locais , que primeiro nos parecera interessante ...embora estranhássemos o seu longo arrastamento até ao lançamento do Produto no ano de 2008... Ora, depois de mais de uma dezena de anos em estudos encomendados e bem pagos, cujo historico da Rota salienta os prémios acumulados por esses estudos e os gastos em formação de guias, vem a realidade a impôr-se , ou seja a sua utilidade do ponto de vista do target a que se destinava eventualmente.
Assim nos últimos anos , nomeadamente em 2015 e 2016 , é só queixas de quem consulta préviamente o horario de abertura e chega lá e se depare com as portas fechadas.. Uma má experiência na Rota do Românico.
…” Infelizmente a maior parte deles estão fechados e não ha indicação onde nos dirigirmos para alguém abrir as portas” A seguir ao interesse vem a frustração. “ Enquanto as igrejas mais relevantes, e não são assim tantas, só se puderem visitar com marcação prévia ou por sorte de as encontrar abertas, todo o esforço de divulgação se perde. “Só lamento o aparato, o gasto de dinheiros públicos em placas.” Por vezes a sinalização é confusa e equívoca e não é fácil a logística de agendar a entrada nos monumentos fechados.
Um exemplo : “Paço de Sousa, 15 Novembro 2015, domingo à tarde. Queríamos visitar o túmulo de Egas Moniz mas a igreja está bem fechada”.
Um exemplo ainda pior : “ Porto, 18 Julho 2016, confirmamos por email a nossa visita à igreja no dia 31 pelas 16h. Em resposta foi solicitado o pagamento da entrada do grupo, Todos a postos para a visita no domingo dia 31 Julho. Chegámos 15 min. antes das 16h00, seria a expectativa de ver o túmulo? Esperámos... fotos, discursos, danças... e ninguém com chave...Mais tarde descobrimos o segredo: Dia 30 Julho, sábado às 20h18 um email do responsável da VALSOUSA: lamentavam mas não podiam abrir o mosteiro!!!! "Vamos proceder à devolução da taxa". Os factos dizem tudo !.

Perante todo este descontentamento : uma resposta “olimpica” da Rota do Românico - “Face aos (re)conhecidos resultados obtidos pelo projeto nos domínios da conservação dos imóveis, da promoção turística, da dinamização cultural e da educação patrimonial, entre outros. As eventuais falhas na manutenção evidenciam também a pertinência do trabalho desenvolvido por projetos como a Rota do Românico na valorização de um património cultural comum,” !! Tal e qual , ao lado ou a leste se quiserem!
Ainda no ultimo dezembro de 2116- continuam impávidos na senda dos premios : no ambito do sistema de valorização de produtos e serviços turisticos da Rota do Romanico- mais um selo de qualidade para a casa de Penalva !
Simultaneamente perante um post sobre S.Maria de Pombeiro.. . pergunta uma visitante interessada ” vejo que esteve lá recentemente e conseguiu entrar ?” !!!
Pois...Finalmente parecem ter acordado este ano na Pascoa de 2017......é so anuncios de locais e visitas...! Esperemos que abertos ...a bem dos visitantes...mas isto como exemplo a seguir ...deixa-nos muitas duvidas!
No entanto e na verdade este senhor academico “apoiante “ de tal Rota não apareceu este ano na mesa do Coloquio da Festa ..mas não deixou de estar presente embora invisivel : apressando-se a recolher o contacto movel da nova Expert europeia , talvez na perspectiva de algum investimento... O que ele não quer é nada connosco tal como o homem da Adirn... mas estão iludidos aqueles que tentam evitar a TemplAnima... pois ela está e desde o principio sempre omnipresente nos eventos templários. Vejamos os factos e os nomes .que pertencem á nossa Associaçao ! João Patricio aprendeu connosco no castelo a ser o arauto que é de todas as festas da Adirn seja em Tomar , Pombal ou Asseiceira … Ernesto Jana o nosso historiador já participante na nossa evocação do Cerco há muitos anos no castelo, que esteve -a nosso convite -no Coloquio de Troyes em 2112 e foi agora orador no Coloquio da Festa este ano... e até o proprio moderador da sessão deste ano (a convite da câmara) Carlos Trincão também veste a nossa camisola...
                                 

Não sabemos assim qual afinal o trabalho útil aqui de tais agremiações de turismo para a Rota: a colarem-se propagandisticamente ao trabalho já feito ...por interesses próprios... excetuando a contribuição para a comunidade que é sua participação nas Jornadas do Património onde promoveram um trilho de peregrinação a Santiago que os levou a subirem ao Convento para depois voltarem a descer e continuarem...não sabemos se o comum dos peregrinos faria tal coisa !
Pois quanto a considerarem a calçada de Santiago que une a cidade ao castelo, como sendo troço integrante do caminho compostelano...isso oferece-nos bastantes dúvidas . Trata-se apenas de uma designação identificativa de uma direção viária para chegar a uma porta do castelo chamada de Santiago : a primeira porta em arco que encontramos depois da subida , em cujo passadiço vigiava um cavaleiro de pedra , o Santiago Mata-mouros (tal como existe em outros castelos do reino)... tal se pode constatar no relato de uma viagem de D.João V passando por Tomar em seu tempo, em que ainda era visível in loco a estátua referida.
Agora do que não temos dúvidas e está esquecido é que o Caminho a Compostela passava obrigatoriamente pela igreja de Stª Maria dos Olivais ,em plena e plana cidade . Atestam-no por um lado documentalmente, as indulgências papais medievas aos viandantes romeus que a visitassem em seu caminho, e por outro, ainda hoje bem visível, a concha ou vieira inscrita lateralmente no portal em arco da torre em frente da igreja , cujo piso térreo com sua galilé serviria à confraria local de S.Maria e albergue de peregrinos.

                              

Tal foi promovido pela APTC que embora se afirmasse de ambito nacional era apenas mera saida regional e profissional dos alunos do curso de turismo ...depois o substituto do iniciador depressa esqueceu ou deixou cair essa sigla e surgiu á cabeça da novel ATMPT... ( pois tinha feito- tb em 2011 - uma tese sobre... turismo militar) ...

Quanto a ADIRN- consta por aí que é um organismo sustentado com dinheiros provenientes da União Europeia, com excesso de técnicos, e escassez de trabalho já realizado...que finalmente entregou e bem a Festa Templaria á Camara de Tomar ...pq não era vocacionada para aquilo ! Evidentemente ! O conjunto de actividades melhorou com novos recursos ; falta dar um toque realista medievo no jantar real , incluindo o ritual da prova do vinho ao rei , segundo o cerimonial (usado ) de Aragão e a questão das “viandas” sobre a rodela de pão , como se faz em Santa Maria da Feira.

Do nosso trabalho e para além dos documentos - prova basta abrirem bem os olhos e as orelhas em redor da cidade ...Vão á capela do Gualdim e vejam a lápide dos Mestres em seu Panteão; ouçam por aí as bandas do concelho (e não só) a tocarem o hino a Gualdim pq nós o fomos “desenterrar” ao museu da Musica a Lisboa e distribuimo-lo para ser actualizado instrumentalmente; e se tem visto por ai grupos de franceses e outros (nomeadamente de Troyes) é porque nós fomos lá apresentar Tomar, de outra forma talvez ainda não tivessem descoberto Tomar na Europa... resta-nos continuar o nosso trabalho, depois dos italianos, virão os ingleses e até os alemães … Somos discretos , mas atentos !
Aqui terminamos em jeito de analise de situação e balanço , desejando um bom ano de 2018 em que se celebrará a nivel europeu , o IX centenario da fundação da Ordem Templaria !

Non nobis mas a Eles -os Templários- a Glória !