20.12.17

SERVIR A MARCA OU SERVIR-SE DELA ?!



Mais generalista do que especialista (como recomendava Agostinho da Silva) ,ousámos delinear com paixão o produto/processo, do principio ao fim, na demanda-o mais completa possivel-do que se passava na envolvente, consultando as mais “desvairadas” fontes, “aproveitando das experiências acumuladas e seguindo quando necessário, a intuição”(Paul Magil,MC96), enfrentãmos os desafios com a perseverança requerida para”atravessar o deserto das incertezas,mas acreditando-como Hommer- que ” os beneficios da terra prometida se aprestam a ser revelados” ou seja: certos que “na fase de desenvolvimento, o mercado com sua reação, irá moldar o produto (C.Meyer,CIB,Cambridge).
Esta a nossa competência para a gestão do Projecto TEMPLÁRIO ,a qual, devidamente apoiada, será o fertilizante / fermento de boa colheita do “pão” gualdinico e turistico...rompendo o cerco mais uma vez...e sempre!”
Foi assim que nos apresentámos públicamente em 2006 . Assim antes de apresentar o produto turistico-cultural procurámos conhecê-lo em todas as suas facetas, vertentes e angulos, para não estarmos a falar de improviso ou sem conhecimento . Assim depois da Licenciatura em Marketing (1995) cursámos a História de Arte , a Encenação teatral, a especialização em Animação Turistica ( na Escola de Hotelaria do Estoril) , praticámos o Tiro com Arco (no Ateneu de Lisboa) , participamos desde 1992 nos Encontros periodicos sobre as Ordens Militares em Palmela e mergulhámos fundo na Biblioteca Nacional ...e só quando as fontes se começaram a repetir é que parámos na pesquiza do Produto. E de tudo o que aprendemos resultou matéria suficiente para um livro sobre o fundador de Tomar- ”O Mestre” - colmatando uma lacuna existente e um texto de animação teatral (Didaké) evocando a vera Iniciação de um cavaleiro templario, obra criada de raiz para o espaço do castelo e Charola e que re-presentámos em varios cenarios do castelo nos anos 2006/7/8/9 culminando em 2010 na comemoração dos 850 anos de Tomar em plena igreja de S.Maria dos Olivais . Nesse ano tb comemorámos o óbito do mestre Gualdim na galeria alta de seu Panteão com um almoço ritual de confrades ao rigor de época , para o que fomos aprender em Santa Maria da Feira em sua festa medieval. E paralelamente a estes conteúdos , desde o principio que afirmámos o objectivo da criação de uma Rota templaria na Europa , a partir de Tomar !

Ora ...há cerca de um mês , chamaram-nos a atenção para uma entrevista publicada num jornal francês a um elemento da “Caminhos de História “
-É bom divulgar Tomar e torná-la visivel na Europa. Mas o seu a seu dono...ora o entrevistado cometeu algumas imprecisões importantes. Começando pelo principio: assim quando perguntado acerca de quando nascera a ideia da Rota Templaria Europeia ele afirmou que foi em 2011 que defendeu a ideia numa tese e a desenvolvera em seguida... quando é publico que já uns bons quatro anos antes a proposta surgira explicitamente na comunicação social tomarense (vide CT ,Julho,2007) !








Quanto ao facto da exposição de Troyes ter sido um evento capital ele afirma que se encontrou na época com diversas pessoas interessadas na Europa e começou a perceber que havia matéria para a Rota...na realidade quem esteve em Troyes em 2012 e fez os primeiros contactos foi a Templ'Anima , tendo intervido inclusive no Coloquio templario de Outubro desse ano, como se pode ver nas respetivas Actas entretanto publicadas !
                         

Também em Outubro de 2012 houve um congresso sobre os templários em Tomar , promovido pela Região de Turismo, onde se falou da Rota , de Troyes e esteve também presente um elemento da camara de Perugia . Entretanto o que ouvimos dizer na época ao entrevistado é que não encontrava grande interesse em Troyes do ponto de vista templario ...e mais recentemente ou seja o ano passado, voltou de uma viagem a Italia com a ideia de que a Umbria (a que pertence Perugia) não estava interessada no tema templarios !
Realmente é um (consultor) exterior ao assunto ...e não remunerado... pois ...nós também não ( quando fomos a Troyes foi do nosso bolso: o Dr.Ernesto Jana pode confirmá-lo) !
Sim é pertinente que se agrupem todos os lugares templários ! Claro , o Inventário de lugares já está feito por nós há anos e integrado no site da Route ( basta comparar com o nosso Blog) e trabalhamos para que se cumpra a rede de lugares ...
Quanto a este "fervoroso" adepto da Rota...enfim a afirmação vale o que vale...mas aparenta mais um daqueles neófitos recem-convertidos que se mostra mais papista que o papa...e afirma em autopromoção ter descoberto o que já o estava...
Mais prosaicamente o seu vero interesse na questão é apenas o que ele refere claramente num comentario a um mural de um hotel (Valderrabanos) :"todos querem aproveitar a Marca" (financeiramente)...e daí não vem mal ao mundo, desde que não exorbite de seus limites !

E há mais por aì -da mesma cepa-noutras entrevistas...de que trataremos em seguida .

Assim num recente video o secretario geral da ATMPT diz “a festa tenplaria é um evento que é um exemplo perfeito do que se está a tentar fazer” … e se havia dúvidas por quem(?) ele remata no final : “toda essa historia de seculos está a ser trabalhada ( por eles, concerteza !) ...no sentido de ser transformada num produto turistico !!
E no mesmo video , o diretor da ESGT afirma : ...desde a primeira hora “que pensámos em dar outra faceta a este festival templario ...incluindo o estudo , neste caso da causa ou temática templaria...e os assuntos envolventes (?!) …(aqui ele parece pouco á vontade ou “embrulhado” no que diz...) e continua “por isso este ano o tema que foi selecionado é os templarios desde a origem Troyes onde nasceram até a Tomar o ultimo lugar onde os templarios oficialmente existem ( !!!?)...será uma hipótese do académico ou uma borla àquele “Master” americano que quer vir exibir medalhas junto com seus acólitos para aqui... “ the oldest, world-wide, Knights Templar Organisation in the world “ como diz o homem da Caminhos (!) ...afinal tão só a mais recente cisão neo-templaria mundial … De facto noutra entrevista outro senhor do Turismo militar ao tomar posse de umas dependencias militares em Tomar comenta “afinal aqui é a capital mundial dos Templarios” ...eles lá sabem o que os une! ... Tem só 2 anos de vida mas já conseguiram cravar uma sede à camara de Tomar...

Provávelmente querem afirmar-se lideres desse avanço “militar” que representa a evocação do Cerco na Festa templaria... mas isso na verdade andávamos nós já há alguns anos ( vide nosso Blogue) a propôr como dando um caracter de evocação historica a uma data até aí perfeitamente aleatória e vazia como aquela em que a Adirn a realizava... 

                  

E se querem ir por aí  : pq razão ainda não arranjaram uma data significativa para a festa templaria de Almourol.?!..uma evocação de algo ligado ao lugar... (até os da Asseiceira aprendendo concerteza dos vizinhos de Torres Novas evocam sempre algo na sua festa !) …mas se o vosso estudo tal não alcança aqui fica uma deixa. Pq não a evocação do Palmeirim de Inglaterra cuja acção e drama se passa no castelo de Almourol ?! Aí teem um guerreiro da legenda...ou os comendadores que foram navegantes e descobridores...estudem meus senhores !

Assistimos em outubeo 2014 a um coloquio da Praxis no auditorio do concelho da Barquinha
e gost'amos pelas perspetivas das intervencões roteiristas do Diretor do Curso de Gestão Turistica e Cultural e tambem da de um tenente coronel em representação do exercito para o Turismo militar... só não esperávamos com tanto campo de acção local viessem agora os do turismo militar fazer o mais facil e sediarem-se também em Tomar para não perderem o comboio em marcha...

Há uns dez anos quando a nossa Associação andou a fazer o trabalho pioneiro ignoravam-nos na cidade e na região - ainda há pouco tempo alguns fingiam não saber de nosso trabalho só pq não eramos da sua cor politica e/ou nem andávamos nos seus clubes de pensamento mais ou menos exotérico) ---a esse propósito vale a pena reler o blog de Ernesto Jana de 6/1/2015 que analisa um requerimento feito á Camara pela oposição...
Agora é ve-los todos a correr pq o projeto chegou ao estrangeiro, a Rota nasceu e eles nada fizeram por isso...rigorosamente Nada..|!
O ano passado , posso dize-lo, até se esqueceram a principio de nos convidar para a Ceia medieval ...embora tivessemos aí encontro marcado com um casal francês de Troyes... depois percebemos quando um dos elementos do casal nos veio perguntar no final ...”mas o que é aquela sigla OSMT...?!.” ...tal foi a “seca” que os ditos tiveram de aguentar durante o jantar … a avaliar por quem os rodeava ...e pelos vistos éramos testemunhas a evitar...

Quanto aos tais assuntos envolventes que preocupavam este ano o tal diretor da ESGT ficámos esclarecidos no final do seminario quando na fase de esclarecimentos prestados - face a uma nossa intervenção - pela representante de Ponferrada … o tal senhor chegou-se a um microfone e disse interrompendo...dizendo algo do estilo ... “isto está muito bom, meus senhores, mas e se fossemos continuar o debate lá para fora no claustro , ao lanche ( nos comes e bebes ) !!! ...Ora ai está uma matéria envolvente á temática e bastante pertinente( embora não sendo a matéria da Bretanha!) !!!...mas talvez muito mais na optica de desconhecimento daquele senhor , do que representa em termos de saida e desenvolvimento local o circuito turistico- cultural criado á volta da obra “El senor de Bembibre” de Henrique Gil y Carrasco , o celebrado autor ponferradense , cujo bi-centenário se comemorou recentemente !
Fez-me lembrar outra situação passada no coloquio do ano passado !. Ai tb outro tecnico da mesma escola (da area TIC ) tentou impedir um considerando que faziamos em relação ao trabalho da Rota do Romanico , enquanto permitia comentarios repetidos de alguem sobre “cavalos a assitir a missa na Charola”!! ... ora mais tarde percebemos o que preocupava aquele senhor... ao aprofundarmos a leitura da pagina da Rota do Romanico... projeto desenvolvimentista e de criação de condições de visitas locais , que primeiro nos parecera interessante ...embora estranhássemos o seu longo arrastamento até ao lançamento do Produto no ano de 2008... Ora, depois de mais de uma dezena de anos em estudos encomendados e bem pagos, cujo historico da Rota salienta os prémios acumulados por esses estudos e os gastos em formação de guias, vem a realidade a impôr-se , ou seja a sua utilidade do ponto de vista do target a que se destinava eventualmente.
Assim nos últimos anos , nomeadamente em 2015 e 2016 , é só queixas de quem consulta préviamente o horario de abertura e chega lá e se depare com as portas fechadas.. Uma má experiência na Rota do Românico.
…” Infelizmente a maior parte deles estão fechados e não ha indicação onde nos dirigirmos para alguém abrir as portas” A seguir ao interesse vem a frustração. “ Enquanto as igrejas mais relevantes, e não são assim tantas, só se puderem visitar com marcação prévia ou por sorte de as encontrar abertas, todo o esforço de divulgação se perde. “Só lamento o aparato, o gasto de dinheiros públicos em placas.” Por vezes a sinalização é confusa e equívoca e não é fácil a logística de agendar a entrada nos monumentos fechados.
Um exemplo : “Paço de Sousa, 15 Novembro 2015, domingo à tarde. Queríamos visitar o túmulo de Egas Moniz mas a igreja está bem fechada”.
Um exemplo ainda pior : “ Porto, 18 Julho 2016, confirmamos por email a nossa visita à igreja no dia 31 pelas 16h. Em resposta foi solicitado o pagamento da entrada do grupo, Todos a postos para a visita no domingo dia 31 Julho. Chegámos 15 min. antes das 16h00, seria a expectativa de ver o túmulo? Esperámos... fotos, discursos, danças... e ninguém com chave...Mais tarde descobrimos o segredo: Dia 30 Julho, sábado às 20h18 um email do responsável da VALSOUSA: lamentavam mas não podiam abrir o mosteiro!!!! "Vamos proceder à devolução da taxa". Os factos dizem tudo !.

Perante todo este descontentamento : uma resposta “olimpica” da Rota do Românico - “Face aos (re)conhecidos resultados obtidos pelo projeto nos domínios da conservação dos imóveis, da promoção turística, da dinamização cultural e da educação patrimonial, entre outros. As eventuais falhas na manutenção evidenciam também a pertinência do trabalho desenvolvido por projetos como a Rota do Românico na valorização de um património cultural comum,” !! Tal e qual , ao lado ou a leste se quiserem!
Ainda no ultimo dezembro de 2116- continuam impávidos na senda dos premios : no ambito do sistema de valorização de produtos e serviços turisticos da Rota do Romanico- mais um selo de qualidade para a casa de Penalva !
Simultaneamente perante um post sobre S.Maria de Pombeiro.. . pergunta uma visitante interessada ” vejo que esteve lá recentemente e conseguiu entrar ?” !!!
Pois...Finalmente parecem ter acordado este ano na Pascoa de 2017......é so anuncios de locais e visitas...! Esperemos que abertos ...a bem dos visitantes...mas isto como exemplo a seguir ...deixa-nos muitas duvidas!
No entanto e na verdade este senhor academico “apoiante “ de tal Rota não apareceu este ano na mesa do Coloquio da Festa ..mas não deixou de estar presente embora invisivel : apressando-se a recolher o contacto movel da nova Expert europeia , talvez na perspectiva de algum investimento... O que ele não quer é nada connosco tal como o homem da Adirn... mas estão iludidos aqueles que tentam evitar a TemplAnima... pois ela está e desde o principio sempre omnipresente nos eventos templários. Vejamos os factos e os nomes .que pertencem á nossa Associaçao ! João Patricio aprendeu connosco no castelo a ser o arauto que é de todas as festas da Adirn seja em Tomar , Pombal ou Asseiceira … Ernesto Jana o nosso historiador já participante na nossa evocação do Cerco há muitos anos no castelo, que esteve -a nosso convite -no Coloquio de Troyes em 2112 e foi agora orador no Coloquio da Festa este ano... e até o proprio moderador da sessão deste ano (a convite da câmara) Carlos Trincão também veste a nossa camisola...
                                 

Não sabemos assim qual afinal o trabalho útil aqui de tais agremiações de turismo para a Rota: a colarem-se propagandisticamente ao trabalho já feito ...por interesses próprios... excetuando a contribuição para a comunidade que é sua participação nas Jornadas do Património onde promoveram um trilho de peregrinação a Santiago que os levou a subirem ao Convento para depois voltarem a descer e continuarem...não sabemos se o comum dos peregrinos faria tal coisa !
Pois quanto a considerarem a calçada de Santiago que une a cidade ao castelo, como sendo troço integrante do caminho compostelano...isso oferece-nos bastantes dúvidas . Trata-se apenas de uma designação identificativa de uma direção viária para chegar a uma porta do castelo chamada de Santiago : a primeira porta em arco que encontramos depois da subida , em cujo passadiço vigiava um cavaleiro de pedra , o Santiago Mata-mouros (tal como existe em outros castelos do reino)... tal se pode constatar no relato de uma viagem de D.João V passando por Tomar em seu tempo, em que ainda era visível in loco a estátua referida.
Agora do que não temos dúvidas e está esquecido é que o Caminho a Compostela passava obrigatoriamente pela igreja de Stª Maria dos Olivais ,em plena e plana cidade . Atestam-no por um lado documentalmente, as indulgências papais medievas aos viandantes romeus que a visitassem em seu caminho, e por outro, ainda hoje bem visível, a concha ou vieira inscrita lateralmente no portal em arco da torre em frente da igreja , cujo piso térreo com sua galilé serviria à confraria local de S.Maria e albergue de peregrinos.

                              

Tal foi promovido pela APTC que embora se afirmasse de ambito nacional era apenas mera saida regional e profissional dos alunos do curso de turismo ...depois o substituto do iniciador depressa esqueceu ou deixou cair essa sigla e surgiu á cabeça da novel ATMPT... ( pois tinha feito- tb em 2011 - uma tese sobre... turismo militar) ...

Quanto a ADIRN- consta por aí que é um organismo sustentado com dinheiros provenientes da União Europeia, com excesso de técnicos, e escassez de trabalho já realizado...que finalmente entregou e bem a Festa Templaria á Camara de Tomar ...pq não era vocacionada para aquilo ! Evidentemente ! O conjunto de actividades melhorou com novos recursos ; falta dar um toque realista medievo no jantar real , incluindo o ritual da prova do vinho ao rei , segundo o cerimonial (usado ) de Aragão e a questão das “viandas” sobre a rodela de pão , como se faz em Santa Maria da Feira.

Do nosso trabalho e para além dos documentos - prova basta abrirem bem os olhos e as orelhas em redor da cidade ...Vão á capela do Gualdim e vejam a lápide dos Mestres em seu Panteão; ouçam por aí as bandas do concelho (e não só) a tocarem o hino a Gualdim pq nós o fomos “desenterrar” ao museu da Musica a Lisboa e distribuimo-lo para ser actualizado instrumentalmente; e se tem visto por ai grupos de franceses e outros (nomeadamente de Troyes) é porque nós fomos lá apresentar Tomar, de outra forma talvez ainda não tivessem descoberto Tomar na Europa... resta-nos continuar o nosso trabalho, depois dos italianos, virão os ingleses e até os alemães … Somos discretos , mas atentos !
Aqui terminamos em jeito de analise de situação e balanço , desejando um bom ano de 2018 em que se celebrará a nivel europeu , o IX centenario da fundação da Ordem Templaria !

Non nobis mas a Eles -os Templários- a Glória !





          

                                 









26.9.17

Caminhos templários: O que tem a ver a cidade italiana de Lucca com a freguesia da Asseiceira ?




São coincidências significativas: tudo o que ocorre em paralelo no mundo e é convergente!
Assim a festa templária que acaba de ocorrer em Ceiceira (Tomar) e que evocou a Doação de uma Albergaria do Templo, tem muito a ver com a Luca na Toscãnia , onde se vai realizar esta semana o Forum Euriopeu onde vamos apresentar a Rota templaria Europeia !

Começamos por um excerto (pag 172) do n/livro O Mestre Templario na Fundação de Portugal (edição2011) tb reproduzido no n/blog (z)“Acerca da doação do rei Afonso aos pobres de Thomar (testamento de 1179).

           

"A referência à pobreza em Tomar, (no ultimo quartel do sec XII ) pode ser a confirmação do grande acréscimo populacional da região - excesso mesmo de candidatos a povoadores vindos do Norte - nem todos se enquadram facilmente nos sesmos em distribuição, constituindo uma camada marginal à espera de melhor sorte... O desiquilíbrio entre recursos e população, será terreno próprio para propostas messiânicas que hão-de chegar com os “fraticelli” ao Vale Bom e Ceisseira (mais tarde). Talvez porque as zonas de arroteia não fossem suficientemente favoraveis , cria-se no termo da vila uma zona de insegurança que vai perdurar. Daí que Gualdim(o mestre do Templo) querendo fazer justiça ao povo, agrave na prática as penas para os ladrões no termo de Thomar , cuja existência o segundo foral dado já prenunciava...
E correndo rumores de maus tratos a viajantes nos caminhos, breve nascerá mais uma estória de martírio nos arredores: Santa Cita ,regionalização popular de um culto pregado como exempla, pelos franciscanos e com origem em Luca/Italia, onde esta criada de um tal Fatinelli , foi modelo de virtude e trabalho e depois de morta, padroeira da justiça, segundo Dante".
Conforme anunciou o arauto da festa de Ceyceyra :

                    
: Foi ,em Abril de 1216,que por carta do Mestre do Templo nos 3 reinos,Pedro Alvito,(eleito a seguir a Navas de Tolosa) foi instituida esta albergaria aqui na Asseiceira concedendo a sua exploração a Paio Farpado"para ali receberdes e hospedardes os pobres transeuntes,para ali fazerdes edificios e trabalhos e faças nele o melhor que puderes "..(no local onde agora são as ruinas da Misericordia )...e .como aquele pouco fez ,foi o lugar dado em 1222 a Pero Ferreiro,cavaleiro com diversas propriedades na região. Mas o lugar continuou mal frequentado,deserto e pouco seguro,por a zona ser valhacouto de malfeitores.Mais tarde é devolvido ao Templo que se esforça por reforçar a segurança dos caminhos,incentivando o povoamento do termo,atribuindo terras a novos arroteadores. 
Finalmente desde 1282 aqui está João Tuiseu – variante de Teseu- por certo o Iniciado nos caminhos salomónicos e que aqui passou e deu provas , atingindo o centro ou Objectivo da Casa-mãe.
Era uma casa sobradada - composta de Albergaria e Capela para os viajantes cita neste loco de Çeiceira,terra pobre e com tam poucos moradores que sabemos dispensada de requisições reais desde os tempos do nosso bom rei Afonso III (pai de D.Dinis.).
                            
Também neste sec XIII  é doado aos Franciscanos pela Ordem do Templo, o Casal do Vale Bom(a par de Asseiceira) para aí fundarem um convento (citado por Amorim Rosa) .Estão documentados para a época, como testemunha s de uma doação ao Templo do cavaleiro Espinel ( 13 abril 1271) Frei Alvaro Salido da Ordem dos frades menores de S.Francisco e o seu companheiro Joam Lobato.
. .Mais tarde começaram a chamar-lhe de Santa Cita em honra da santa, segundo a cronica da Provincia da Soledade (1665)
Sem referencia liturgica local, trata-se por certo de mais uma santa italiana trazida para aqui pelos franciscanos (como a Santa Casta ou S.Rita de CASSIA no Alverangel) e depois aqui “nacionalizada” pelos aldeoes cheios de ouvir as estorias exemplares daqueles pregadores..
                             
Segundo a lenda forjada localmente: durante o domínio dos romanos, Caio Atílio, cidadão da Galécia -assinalado numa pedra da Torre de menagem do castelo de Tomat- tinha em sua companhia uma formosa donzela, de nome Cita . Perseguida por causa das suas crenças religiosas, fugiu para um ermo, lugar onde os seus algozes a descobriram e lhe deram morte afrontosa. Teriam então vindo os cristãos da Nabância, às ocultas, dar sepultura àquele corpo santificado pelo martírio .. Sobre o seu sepulcro erigiram mais tarde uma capela, ou ermida para a guarda das relíquias da Santa"transformada depois em igreja.Aqui teria sido erguido o  Convento franciscano do Senhor das Necessidades. de Frades Franciscanos.
A  povoação que nasceu à volta da velha igreja cresceu e manteve até aos nossos dias o nome da Santa e continuou com a devoção ao Senhor Jesus das Necessidades, dedicando-lhe uma festa anual a 11 setembro...

Passando a Italia , mais precisamente a Lucca:onde tb se assinalam documentalmente a presença de um hospital do Templo e uma igreja de S.Pedro ,desde os fins do sec XII, mas impossiveis de situar hoje em dia...O Real Collegio -onde se vão passar as sessões do Forum - está precisamente situado no lugar do antigo claustro da basilica romãnica de San Frediano., e é aqui que está o corpo de Santa Zita , a padroeira das serventes e empregadas domesticas!
       
Nasceu na região de Lucca, na ToscanaItália.(circa 1212) . De família pobre, aos 12 anos foi trabalhar como empregada doméstica na casa da abastada família Fatinelli, Por sua bondade e esforço era frequentemente vilanizada e até maltratada pelo resto da criadagem, mas nunca se deixou abater nem permitiu que isso alterasse sua calma interior. Aos poucos foi sendo aceita por todos . . Era a mais dedicada a seus trabalhos nessa imensa casa .. Um homem quis desrespeitá-la em sua castidade, e ela arranhou sua cara, fazendo com que se afastasse. Gastava quase todo o dinheiro de seu salário para ajudar aos pobres.

                         

Quando de sua morte(27 abril 1278) era praticamente venerada pela família Fatinelli, à qual serviu fielmente por toda a vida.
Seu corpo foi exumado em 1580 e descobriu-se estar incorrupto, mas foi-se mumificando desde então.

A igreja de S.Frediano adquiriu o seu aspecto atual de uma típica basílica romana durante o período de 1112-1147. Nos séculos XIII e XIV a fachada foi decorada com um grande mosaico de ouro em estilo bizantino, representando a Ascensão de Cristo, oe os apóstolos abaixo .
O interior é formado por uma nave central e duas laterais, com arcos suportados porcolunas com capitéis romanos e românicos. Os capitéis romanos foram retirados doanfiteatro romano que ficava próximo. O destaque na entrada é a grande fonte batismal românica do século XII, chamada Fonte Lustrale, composta de uma bacia coberta com umtempietto assente em colunas, dentro de uma outra bacia circular. É obra de Mestre Roberto e dois outros artistas desconhecidos. Várias capelas da nobreza, ricamente decorados com pinturas e esculturas, foram adicionadas ao interior nos séculos XIV a XVI. Entre elas, destaca-se na nave direita a capela de Santa Zita, uma santa popular em Lucca. Seu corpo mumificado, deitado em uma cama de brocado, está em exposição em um relicário de vidro. As paredes da capela são decoradas com várias telas dos séculos XVI e XVII retratando episódios da sua vida. Amada e venerada pelos habitates de Lucca, Santa Zita resta uma das figuras que mais representam a cidade de Lucca
                         

O culto a Santa Zita começou pouco depois de sua morte. Da Itália, seu culto passou ainda na Idade Média a toda a Europa, sobretudo dentro das classes populares, assim se explicando a sua presença também em Santa Cita , na freguesia da Asseiceira, trazida pelos franciscanos (joaquinitas) tb assinalados na Umbria e Toscania desde o sec XIII (tb com igreja em Lucca).. obtido o reconhecimento papal para pregar e confessar em toda a parte (bula Ad Frates Ubere,de 1281)


15.6.17

A propósito da procissão do Corpo de Deus...




DIACRONIA PROCESSIONAL 

A princípio era o Bem e o Mal. Na natureza sucediam-se os dias fastos e os nefastos em número semelhante...
Face às variações astrais , acidentes climáticos, morte e visão duma terra que floresce e gera frutos, os homens - esses Adões desterrados na floresta Primordial - invocam a magia da natura que os rodeia . A dança, o corpo, o tan-tan, o grito, são o primeiro diálogo com o sobrenatural, exercício expiatório ou prece de uma benesse...
E a festa repete-se circunstancial por todas as latitudes, sedimentando-se temporalmente os cultos sob as mais desvairadas formas.
No antigo Egipto, Isis, a deusa dos mil nomes, a que concedia a cevada e o trigo, era cultuada através de uma procissão de crentes: na frente ia o chantre com o simbolo da música, um livro de hinos teológicos e outro de regras de conduta; seguia-o o horóscopo com o símbolo da astrologia - um ramo de palmeiro- e os quatro livros herméticos sobre os astros; após o que vinha o Escriba sagrado, com plumas na cabeça, na mão a régua ,o tinteiro e a cana para a escrita hieroglífica; depois o Estolista com a vara da justiça e a taça das libações;finalmente o profeta com sua túnica, em cujas dobras leva a Urna sagrada exposta. Acompanhando os ministros da classe superior, seguem-se outras classes de fieis, como os pastophoros ou curandeiros e os que levam os PÃES...
A propósito dos pães em procissão - é bom lembrar - que a região de SELLIUM se integrava no tempo dos romanos em plena rota isíaca para Emerita, onde descansavam as legiões; há referências, pelo menos em dois lugares, nessa via a aras votivas dedicadas pelas sacerdotizas romanas de Isis : em Tucei e Cabrei (vide Hubner, CIL II ) .
EIS AS RAIZES MAIS ANTIGAS DA FESTA DOS TABULEIROS NA REGIÃO DE TOMAR

Entretanto na Síria tem lugar os chamados Prantos de Thamuzi ou choro ritual pela morte do deus da vegetação a quando das ceifas...
Nos primeiros séculos da nossa era encontramo-los na Andaluzia (mais tarde travestidos na Semana Santa sevilhana!) trazidos pelos mercadores e mareantes fenícios - os cananeus biblicos - cujos cultos se mamtêm inalteráveis durante milénios...
Da mesma área, também os adeptos de Atis-Cibele importam para o império romano o costume de imponentes procissões aquando dos equinócios de Março, onde se transporta um pinheiro-simbolo da divindade-envolvido em fitas de cor roxa; no seu séquito, as mulheres choram : "héu, héu, Salvator noster"...tal como mais tarde nos rituais da Paixão...
Já na era cristã,a 25 de Abril em Roma,pratica-se a "ambarvalia": procissão através dos campos para pedir boas colheitas;o cortejo em fila , devido à estreiteza dos caminhos,seguindo desde o Corso até ao bosque sagrado dos arredores,onde se sacrificam as vísceras de um animal.
No seculo IV o papa Libério pensou adaptar esta procissão aos tempos cristãos,mas mantendo o itinerário...Mas é só no século IX,com Leão III , que se establece com vinculo certo na semana de Pentecostes, a chamada penitencial ou rogativa,onde o rei descalço e o povo participam, percorrendo os campos durante 3 dias, com a cabeça coberta de cinzas.
Na Ligúria, leva-se na procissão o Draco: estandarte que tinha pintado um dragão,simbolo do diabo.Durante os três dias, o Draco tomava várias posições segundo uma simbologia determinada. Assim no primeiro dia, ia á frente da procissão, de cauda erecta - estandarte vertical - representando Lucifer, o principio do Mal, arrogante...
No segundo dia,quando as orações começam a fazer efeito, o Draco passava para o meio da procissão e "baixa a bola" ou seja a cauda(!)-estandarte inclinado. Finalmente no 3ºdia o Draco passava para o fim da procissão e ia de cauda plana, rastejante - estandarte deitado - significando que já fora vencido...
Na passagem do milénio a febre processional intensifica-se perante o terror do desconhecido. A própria missa é uma sucessão de procissões: ao introito a dos clerigos pelo deambulatório,ao Ofertório a dos crentes,a comunhão até ao altar, acompanhadas do cãntico dos salmos bíblicos.
A sociedade medieval torna-se uma civilização visual: nas cerimónias solenes desfilam o cruciferário,o evangeliário, os candelários,o turibulário,etc...
Toda a procissão é como uma viagem primordial até ao Deus Criador de todas as cousas visíveis e invisíveis.Surgem relatos de viagens fantásticas nesse sentido, como o da navegação irlandesa do abade S.Brandão e seus monges,em demanda da ilha mística,errando durante sete tormentosos anos,pelas águas da iniciação e da purgação ou a provação regeneradora até atingir a Terra da Promessa.
Também a lenda da viagem de Túndulo,em visão ou sonho,percorrendo os infernais subterrâneos onde se torturam os condenados às trevas,ao fogo e ao gelo; depois a ansiedade do Purgatório e por fim as delicias do banquete celeste...
Imitando a viagem biblica do Rei David, a quando do transporte da Arca da Aliança, as peregrinações tornam-se a mais perfeita forma de ascese dos tempos da cavalaria. Viagens de penitência,purificação e gozo,até junto dos tumulos e reliquias dos Lugares Santos: Compostela, Roma e Jerusalém.Aqui se demanda a Vera Cruz e a Arca.
Para os vilões ou peonagem que não podiam ir tão longe, resta-lhes por exemplo a chamada Légua de Jerusalém, na catedral de Chartres (sec.XIII), labirinto de 12 m de diametro e 200 m de comprimento, que os fieis percorrem até atingir o centro, significante da Jerusalém Celeste...
Ou os monges que não saiem de seu mosteiro,viajando processionalmente pela quadratura de seus claustros,e retornando ciclicamente ao mesmo lugar,orando e meditando,na demanda da Revelação dos mistérios de Deus.Assim por exemplo, em dia de aniversário de defuntos, no convento de Thomar: depois da missa,se ordena a procissão desde a Charola à Claustra do Cemitério,indo diante da cruz o acólito com a água benta para aspergir as sepulturas,o celebrante com capa preta e o diácono a sua esquerda com o hissope.Percorrendo várias estações ou paragens- onde haverá preces e cânticos de responso- voltarão à igreja, aonde porão a cruz à cabeça do túmulo simbólico, ali feito com um pano de cruz de tela no chão ,cercado de círios; lançando-lhe o capelão por fim a benção.
...Entretanto já o Pontifical dos Santos substituira o velho calendário lunar/agrícola: em Portugal,caso único na Europa,os próprios dias da semana dedicados às divindades astrais(dia de lunes,martes,etc),se convertera numa série ordenada de dias de féria liturgica romana(2ªfeira,3ª feira,etc)...
O próprio municipio de Lisboa establece em 1365 que dai em diante e"em este termo non se cantem Janeiras nem Maias nem a outro mês do ano"...As maias,eram ritos naturalistas,com flores no inicio do mês de Maio,suspendendo-se grinaldas nas ombreiras das portas-saudando a Primavera florida- como se praticava no tempo de frei Luis de Sousa na ermida da Senhora da Escada ao Rossio em Lisboa, justificando-se nessa altura tal ,como sendo comemoração de quando N.Senhora fugia para o Egipto e fora denunciada por uma flor aos seus perseguidores( em Minde diz-se que foi o barulho de uma vagem de tremoço pisada) vindo então um arcanjo a pôr flores em cada porta,confundindo o inimigo...
Mas todavia, as práticas ligadas às anteriores crenças mantêm-se na memória do povo : acredita-se nos encantamentos e agoiros, rogam-se pragas...os santos óleos e a hóstia usam-se para praticar sortilégios ( como no caso do milagre de Santarém, do sec XIII).
Acontece uma fusão de crenças e prácticas,uma assimilação e ritualização, de que a própria Igreja aproveita a forma tentando injectar novos conteúdos.



A Procissão do Corpo de Deus

O séc. XIII é a centúria de todos os cultos: celebra-se a Paixão de Cristo, a Virgem, o Espirito Santo, o Corpo de Deus em exposição; com parte religiosa e profana.
Na festa da Hóstia, a parte profana está a cargo das corporações de mesteres, cada uma com seu tema, de obrigatória presença, mestres e aprendizes,com seu pendão e figurações.Conforme sua ordem de importancia social, assim temos á frente os hortelães com seu andor representando uma almoinha aos ombros,depois os vendedores de pregão com suas danças judengas e mouriscas ao som de gaitas,adufes e pandeiros.
Seguem-se os almocreves,moleiros e peliteiros com seus pendões. O Dragão sarapintado movido por 20 aprendizes de sapateiro enfiados no seu bojo e á sua frente a dama "nua" (pouco vestida) provocando o draco em danças extácticas... acompanhada de muitos mouros "falando desonestidades"!
Uma vintena de alfaiates transporta a Serpe fabricada de madeira e vestida por eles.Depois os chamados homens de armas ou seja : ferreiros, seleiros, barbeiros, latoeiros, rodeando S.Jorge no andor lutando contra a Serpe.
Carpinteiros e calafates arrastando galés; oleiros trazendo acorrentados 2 diabos fazendo momices e trejeitos.
Enfim, profanidades que tanto escandalizam D.Sebastião, como maravilham Filipe II anos mais tarde...
A fechar os mesteres mais nobres: ourives, moedeiros, tabeliães, escrivães e boticários.
Demarcando posição : o alferes e o almotacé com suas bandeiras, seguindo-se os cavaleiros das Ordens militares e a multidão de monges de várias cores. A seguir a corte e o rei rodeando a hóstia elevada nas mãos do bispo sob pálio...rematando o místico espectáculo.
No sec.XVIII retiraram-se as figurações e as folias,salvou--se o S.Jorge a cavalo...a procissão ficou mais eclesiástica e menos popular, mas mais luxuosa.
À frente as bandeiras dos oficios da casa dos Vinte e Quatro com seus patronos,S.Jorge armado de sua lança, capacete de plumas coberto de diamantes em cavalo branco no meio de outros cavaleiros, trombetas a cavalo. Segue-se o homem de ferro com sua armadura, o condestável, ladeado de pagens,vestido a ouro e pedras preciosas.Depois as confrarias de opas vermelhas, milhares de frades brancos, negros e castanhos, empunhando tochas, centos de cavaleiros das ordens militares de Cristo e de Santiago, o clero e os cantores de pastoral. O cortejo real e penitencial; cónegos e turibulários; finalmente o S.Sacramento em relicário sob pálio... a multidão de povo atrás respeitosa.

No final do seculo passado, o S.Jorge (presente desde Aljubarrota) em luta com o Draco, acabou tanbém de ser irradiado da Procissão lisboeta...hoje mantem-se apenas em regiões como Penafiel e Monção no Minho onde tem grande assistencia a luta entre o Bem e o Mal no terreiro que só termina quando o S.Jorge a cavalo trespassa com a lança os costados do monstro de cabeça articulada e homens dentro...

(Extracto do artigo  – Diacronia Processional – in Boletim Cultural da Camara Municipal de Tomar, nº21 de Out.1997), 



11.6.17

TOMAR JÁ FOI ARRASADA ?! ...HOJE DE NOVO É PRECISO PRATICAR O DESCERCO, INFORMATIVO, NORMATIVO, ETC..












Tal como na adaptação de Cervantes rodada agora no Convento em Tomar...também um(a) publicista da desgraça (ou jornalista tipo B) viajou até ao tempo e lugar deste D.Quixote...e o resultado foi como se costuma dizer : estes publicistas são uns exagerados!!...ate levam as pessoas a acreditar na existencia real dos glutões...que neste caso seriam os espanhois... na realidade não é bem assim ! 
 Desde há uma semana a quando da noticia da “destruição” do Convento em Tomar, que procurámos informar-nos junto de quem presenciou a ultima semana das gravações, ouvir e ler as varias opiniões, confrontar fotos e lugares.   Somos de Tomar e vivemos cá , conhecemos pois o antes o durante e o depois das filmagens. Vamos pois clarificar portanto um pouco a coisa...Vamos falar sobre isso agora depois do que já lemos e vimos comentado das mais "desvairadas" maneiras...ás vezes por quem não sabe bem o que diz porque não conhece , apenas o “disse que disse” das redes sociais...É bom estar vigilante perante os poderes...mas façam o trabalho de casa...não se enganem.. não vamos alimentar a fogueira ...vamos olhar á volta e dentro até...é preciso reflectir, não agir emocionalmente ao primeiro boato! 
E o que para ai vai de desinformação ! ....está "tudo destruido"...claustros partidos ; também publicar imagens e opiniões descontextualizadas não ajuda em nada...há muitas maneiras de fazer estatisticas, assim como há varios angulos e temperaturas da côr nas fotos...(é dos livros.).. mas vamos falar de fumos sim e de locais...e de responsabilidades que as há ...enquanto uma onda de emoção se expande com os media a divulgar acriticamente uma peça mal feita a todos os niveis... jornalismo de TV publica ao nivel sensacionalista do CM...um mau serviço público...a começar na manchete alarmista ...depois não acerta no nome dos entrevistados , não acerta no nome dos claustros, fala de uma fogueira da altura da igreja seiscentista (?!)...qual será ?...a Charola é do sec XII (será que sabem afinal de que falam) ...dando voz a anónimos funcionarios para falar mal dos colegas, jogando uns contra outros.(autoimplicando-se também afinal)....para alem de dar voz a uma produtora que está em litigio judicial com o realizador sem dar igual tratamento á produtora actual do filme. Só imprecisões , falas de consequencias...ao nivel de certos pasquins desinformativos... e depois o que acontece nas redes sociais.?.. as pessoas que habitualmente não põem os pés no convento , não vem a seus eventos, não o conhecem na continuidade, mas aparecem quando lhes cheira a desastre ou a fogo... (é como na estrada!)... e falam, falam do que não conhecem na realidade...nem viram...apenas fotos tiradas a horas e angulos diferentes, falam por atacado...insultam-se uns aos outros á falta de argumentos, ,etc...no fundo estão a insultar-se a si proprios.. 
 Ora deixem-se de comentarios basicos ou vazios de conteúdo e venham mais ao convento para conhecer o dia a dia...porque ele só vive se for habitado permanentemente...não é apenas uma imagem postal no livro das recordações imutaveis...venham...nem que seja apenas para ver com os proprios olhos que não está destruido!  (Embora já incluído até num site de monumentos desaparecidos (!) … para alem do CM que já ditou o seu óbito ,noticiando-o com uma imagem do Panteão nacional ) !!!!

Afinal o Convento ainda está de pé e na mesma...ou seja com problemas ...materiais e humanos...´`A imagem daquela rota dos locais por onde andou Umberto Eco quando veio ao Convento e saiu de cá com a mente em chamas...assim hoje façam para todas as imaginações incendiadas uma rota dos locais das filmagens e não só...para verem o estado do Convento...isso sim seria um bom serviço e util a todos de todas as formas no espiritual e no material , como soe dizer-se á boa maneira da época...! mas por favor não coloquem, o assento ou a bunda (no ortografismo brasileirense) nas bordas dos canteiros ou afins ...devia haver um letreiro assim... para depois não haver desculpas ! 
Quem não está presente não pode comentar com segurança ou de animo leve, a partir só de fotos tiradas em dias claros e secos ou molhadas de chuva recente , etc..  Exemplo a  Janela do Capitulo , já está assim há anos . Tenho  fotos de há 5 anos . Aliás havia uma barreira , uma bancada de 5m de altura a partir do passadiço frontal ao claustro da Hospedaria que impedia a propagação direta do eventual calor que dali subisse na sua direção. Confirmem esse pormenor nas raras fotos aparecidas. Na verdade a humidade afecta bastante esta zona dando imagens mais escuras consoante o dia , o tipo de camera, as edições de fotos, etc. 
A realidade é que o chamado poder central não sabe , nunca soube, o que fazer com este “monstro” de pedra com 600 portas , dos quais já perdeu 300 chaves ...andando ao sabor das circuntâncias...enfim um convento quase votado ao abandono... Afinal dos que vão comentando quem tem conhecimento do estado de conservação e preservação de todo o convento...nao sabem em que estado deploravel a janela se encontra em termos de fungos e musgos bem com as restantes estruturas... e o pior é que as receitas diarias vão todas para a tutela e não aproveitadas para o mesmo...embolsa um milhão e ignora muito do que aqui se passa... 
Consideramos que as questões de conservação e preservação devem ser preocupação continua e não pontualmente, depois de uma pedra se lascar ou cair...como no caso das cruzes de Cristo caídas há já meia duzia de anos, não agora como mostrado!     Alguns olham para uma foto antiga ...de há muitos anos...e é como olhar para o céu.cheio de estrelas ..aquilo é passado...já foi há muito tempo , muitos anos luz
Vejamos portanto em pormenor os aspectos principais que são focados:
-Arvores (centenarias?) cortadas no claustro ! De facto estavam ali 4 canteiros com arbustos mal cuidados , que tinham sido ali postos ,como efeito , há poucos anos, para a rodagem de outro filme. Agora por comum acordo previo , foram os arbustos podados pela produção, sendo no final da rodagem retirados pelos serviços de limpeza do Convento , para serem substituidos... daí ate inventarem que havia ali um poço atulhado de pedras...é mesmo de quem não conhece os claustros do convento...!


As Pedras -No que toca á existencia de pedras partidas , verificámos que havia algumas pedras com pequenas lascas  em diversos claustros , tanto nos usados nas filmagens como em outros, não podendo ser tal atribuido á colocação de adereços do filme, pois estes eram fixados/suspensos no cimo das colunas e não na base destas como é obvio. Alías há mesmo mais casos , por exemplo no claustro dos Corvos , ... onde há noticia de que houve ate espaços alugados para festas privadas ...o mesmo se passando nos Jeronimos...em Lisboa...mas as filmagens não passaram por aqui...
Quanto à famosa fotografia da limpeza do claustro da Hospedaria , que tanto "frissom" deu nas redes sociais, o que se vê no chão é exatamente a prova da proteção que existia no solo que fora coberto por grossa camada de areia sobre tapete por baixo, estando a ser levantado no momento...O mesmo já vimos frente ao palacio de Sintra a quando de um evento medieval estando coberto de areia o empedrado á frente da fachada do monumento para evitar exatamente danos no empedrado, como recomenda o normativo.
Sobre o FOGO...Quanto á evocação das Fallas andaluzas , havia uma estrutura de aço forrada a madeira tratada (para retardo da combustão) com bicos  de gáz no interior ao longo da estrutura, apoiado por 40 tubos de gaz que se iam abrindo e fechando para dar a sensação que o fogo ia subindo. Esses bicos estavam colocados em varios andares que se fechavam independentemente em segundos, pois de outra forma, não se poderiam fazer as repetiçoes necessarias , se a estrutura continuasse a arder sem interrupções... O fogo era controlado assim quase metro a metro (8 em 12) no total...
Diz a produção que a madeira era tratada e a "santa" em cima era de gel não toxico , material de combustão rapida ...sim...mas e os materiais , dos objetos a sacrificar ?...esses,eram de madeira velha , pano, plastico, etc e largavam muito fumo segundo confessam os proprios tecnicos!...gato escondido com rabo de fora (das normas)...
Dizem também que cada queimador tinha chave de abertura e valvula anti retorno que impedia a chama de ir à garrafa ...mas e o calor acumulado ?!... as 40 garrafas de gaz assim concentradas  num pequeno espaço ou canto do claustro , configuram uma situação perigosa pq elas não estoiram apenas por chama mas tb por calor excessivo e todas juntas eram uma bomba potencial... ora havia ali um calor acumulado  na base sem duvida...daí o aviso -que nos contaram- feito aos participantes para que recuassem em suas posições caso sentissem demasiado o calor...Terá sido pensado o impacto do calor na circundante, em relação às bilhas de gaz...E se acontecesse uma daquelas noites quentes subitas, como seria...??  Havia alternativas ou...
Afirmam também que já houve um outro filme, há alguns anos aqui, sobre Santa Teresa d’Ávila, em que era usada uma fogueira para recriar um auto de fé. ..mas não como querem fazer crer aqui no mesmo claustro ou em outro qualquer, mas sim lá fora no terreiro do castelo junto às escadas em terreno aberto... Agora poderiam fazer esta cena noutro lado menos problemático ?... claro que sim...mesmo no campo de jogos frente á adega...

A questão das telhas e a fábula dos Sprinklers :  Foram instalados "sprinklers" para emissão de água a partir dos telhados do claustro. E foi dada a informação que o sistema garantia a segurança do espaço (para apagar a fogueira em caso de necessidade) e terá sido a instalação a provocar a deslocação de algumas  telhas". Ora aqueles canos metalicos que se podem ver em fotos,  suspensos – mas longe da estrutura central- são de tipo chuveiro usado para criar a ilusão de chuva e neste caso cumpriu mesmo e só esse papel (pese aos que estavam/andam a dormir !) ...sim , porque há/houve uma cena de chuva (artificial) no filme ! 
A ironia do acontecido é que na véspera da cena choveu mesmo á séria e copiosamente...pelo que podiam ter aproveitado aquela dávida divina em vez de andar a estragar telhas...se entrassem em conta com o factor meteorologico e suas possibilidades versus contrariedades... o que se chama transformar as desvantagens em vantagens...se houvesse golpe de rins para isso...em vez de ficarem á espera que a chuva real... acabasse...
Uma pergunta: Se estava lá fora a cisterna da agua , por que não tb o reservatorio de gaz ou as 40 garrafas (sejam os 40 alibabás -disfarçados-do nosso descontentamento!!!) ...que segundo as normas gerais de segurança , devem estar afastadas das casas quando assim concentradas em numero...?!
A questão da gestão Partilhada …
Trata-se de  um monumento que está no nosso território, todos nós cidadãos gostaríamos de ter uma palavra a dizer”. A Câmara Municipal de Tomar não tem nenhum poder na gestão do Convento de Cristo, e pretende que o monumento passe para a gestão partilhada entre a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) e a Câmara, o que apoiamos.
Também gostaríamos de saber se foi entregue um guião ou um caderno com o que se iria passar, que tipo de material iria ser utilizado, etc.”...isto porque “sempre que a Câmara quer fazer alguma ação no Convento, também apresenta estas informações, antes de receber autorização para utilizar o espaço”, como no caso da Festa Templária. “Fazemos uma recriação de um cerco ao castelo e usamos fogo frio. Mas temos de dizer, e bem, que materiais vamos utilizar". 
...Pois aqui parece que só se usou fogo “quente “...é o 8 ou 80...há 2 pesos e duas medidas na actuação /interpretação da Direção do monumento ! Não se podia acender um archote..."atenção aos materiais e á segurança"...onde ficaram essas preocupações aqui... uma postura para os da casa, outra para os de fora...também já fomos vitimas disso ! 
-A questão das botijas de gás colocadas no Convento é considerado muito perigosa, e em igual sentido se pronunciou o ex-diretor Luis Graça afirmando tal ser uma irresponsabilidade! ...aqui unindo-se á preocupação da Camara.... trata-se de uma questão objetiva – 40 garrafas de propano , concentradas a um canto do claustro , não afastado de construções como é das normas de depositos de Gaz !...
"As coisas são feitas com regras" - afirma a Direção- , mas há "contingencias" ...pois para uma explosão ...basta ser garrafa ...aliada a uma onda subita e forte de calor ! 
A Direção vai apurar responsabilidades : mas será capaz de tirar as boas conclusões sobre si mesmo ?! 
Será que o descrito são boas praticas de salvaguarda ?! Assim...?! e para os da terra , outra postura...! ..Afinal...anda tudo (des)controlado! ...

3.6.17

O Caminho de Santiago passa (obrigatóriamente) por Stª Maria em Tomar !


 

Tomar, lugar central e  cidade patrimonial , é ponto de passagem e pausa para outros destinos. Integrada -ontem como hoje- na rota mística para "os chãos de Iria" : há um milénio caminho para Iria Flavia / Compostela, neste século via para Cova da Iria/Fatima …
No entanto uma coisa são os antigos  caminhos de Santiago outra os caminhos recentes de Fátima. E cada um tem a sua via e visibilidade própria (não misturar portanto os terrenos, nem  descaracterizar a sua imagem identificadora). Vem isto a propósito de uma tendência actual e não só local de colocar no mesmo saco por exemplo rota templária e rota de santiago ou a de desuniformizar os seus logos (aparecendo com aspectos diferentes conforme o local) contrariamente ás normas legais europeias e  cientificas (invariabilidade identificadora por definição).


Mas centremo-nos nos pontos em discussão sobre onde o caminho há-de passar em Tomar. A ponte de Peniche é obvia : não tem de ser "romana" para isso, basta que seja medieval (e é-o de certeza na sua configuração actual) tal como o é a tradição do Caminho , a "inventio" Compostela é da alta Idade media, não do tempo dos romanos...
Agora se o caminho antigo que vem direitamente da antigamente denominada rua das Poças (tal como ainda se lembra um vizinho) está bravio e amatagado em algum curto troço   desbravem-no e arranjem-no , não inventem um novo a passar por velho: é gato a passar por lebre!


           


Quanto a considerar a calçada de Santiago que une a cidade ao castelo, como sendo troço integrante do mesmo caminho compostelano...isso oferece-me bastantes dúvidas . Trata-se apenas de uma designação identificativa de uma direção  viária para chegar a uma porta do castelo chamada de Santiago : a primeira porta em arco que encontramos depois da subida , em cujo passadiço vigiava um cavaleiro de pedra , o Santiago Mata-mouros (tal como existe em outros castelos do reino)... tal se pode constatar no relato de uma viagem de D.João V passando por Tomar em seu tempo, em que ainda era visível in loco a estátua referida.





Agora do que não tenho dúvidas e está esquecido é que o Caminho a Compostela passava obrigatoriamente pela igreja de Stª Maria dos Olivais ,em plena e plana cidade . Atestam-no por um lado documentalmente,  as indulgências papais medievas aos viandantes romeus que a visitassem em seu caminho, e por outro, ainda hoje bem visível, a concha ou vieira inscrita lateralmente no portal em arco da torre em frente da igreja , cujo piso térreo com sua galilé  serviria à confraria local de S.Maria e albergue de peregrinos.