5.4.18

Do Nabão ao Graal ...


Ao tempo da concessão da região de Ceras aos Templários (sec XII) refere-se no documento o rio Tomar (cuja nomenclatura já explicámos) como limite territorial. E só no seculo seguinte nos aparece documentada a designação Nava de Juncoso para o rio que atravessa a urbe .De juncoso , pq aqui abundavam os juncos- planta verde e flexivel cujas hastes de 1,5 metros eram empregues na confeção de cestaria. Como sua memória temos paralelo ao rio e proximo os lugares de Juncais de Cima e de baixo...
Nava, porque curso de água navegável. Mas também denotando as origens dos povoadores minhotos e bracarenses que para aqui vieram convidados por Gualdim e seus templarios , através de forais atractivos. Efectivamente na região de Amares (origens de Gualdim) existe memoria de um mosteiro cistercience (S.Maria de Bouro, sec XII) em cuja vizinhança corre o rio Nava , barulhento com suas águas a cairem pela penedia circundante e fonte de energia para lagares locais (tal como em Tomar). 


Um caso de importação onomásrica tal como o topónimo Caldelas ( a que já J.M. Sousa , há 100 anos em seu livro, não encontrava explicação para tal designação, não havendo ali aguas termais, mas apenas uma fonte)... Ora existe uma outra Caldelas exatamente e também neste mesmo concelho de Amares ( como já referido no nosso livro “O Mestre”) onde existem várias nascentes de agua nas encostas do monte de S.Pedro Fins (o mesmo orago que foi dado á capela do nosso cemiterio medievo em Tomar ...onde havia uma lápide referente a um dos primeiros povoadores de ascendência nortenha: Garcia Vermudes! ).
Memórias portanto de nossos primeiros povoadores cristãos , que trazem consigo os seus cultos e as saudades de suas terras ...( Tal como no Brasil, por exemplo, existe uma Santarém, assim denominada em sua homenagem, pelo luso governador do Pará e irmão do Marquês de Pombal...

Mas prossigamos para a região de Burgos (Espanha) ao encontro de outro rio Nabón...
Ali está sepultada a infanta D.Branca , no mosteiro de las Huelgas , irmã de D.Dinis (faz neste abril 697 anos). Senhora de Montemor, T.Vedras e Montalvão, herdeira de Afonso o Sábio, protectora de mosteiros e mulher de cultura. Cantada por Almeida Garret em seu poema romãntico “Dona Branca ou a conquista do Algarve” a qual se apaixona pelo ultimo rei mouro a quando do seu caminho para Burgos (na verdade por um cavaleiro cristão )...enfim “um engano de alma ledo e cego”... Neste romance se inspirará Alfredo Keil, criador das operas Santa Iria e Dona Branca , esta estreada no São Carlos (1888) e cuja acção começa na “Floresta encantada de Sagres”...


Mas continuemos a nossa viagem , depois deste "aparte"...internando-nos por Rioja e Najera num bosque de carvalhos e pinheiros (á dextra de Burgos) chamado precisamente Floresta da Demanda e por onde o santo Graal , diz-se, irradia magia e mistério pelas terras vizinhas...e subamos pelos montes Obarenes até á localidade de Berberana.
Aqui encontraremos finalmente o rio Nabón que nos acompanhará paralelo à estrada até Quincoca de Yuso (tal como o nosso Nabão , para quem se aproxima de Tomar ! )...E prosseguindo pelo vale de Losa chegaremos à ermida romãnica de san Pantaleon , assente sobre uma rocha que simula a quilha de um barco ...tal como a esquina pétrea de Almourol (qual proa da barca salomónica) ou a planta da frente avançada do castelo de Tomar .




Por aqui passaram os templários...na fachada e janelas iconografia ligada à  mistica do Graal e do santo. Um velho que suporta o mundo como coluna, outra em forma de faísca à entrada! ...Altamente simbólico! 

Igreja consagrada em 1207 . Um tramo, cupula e abside singela. Um peregrino passando no vale falou de um calice visto na igreja...Perto há uma aldeia chamada Criales ...aproximada a grial (em espanhol graal )… San Pantaleon é pois um lugar do Graal .

E isto remete-nos a Troyes – lugar de anuncio do Graal , através de Chrétien o escritor do sec XII que viveu em Troyes , a qual tem nove igrejas, tantas como os 9 cavaleiros iniciais da Ordem templária, entre as quais a de S.Madalena e a de San Pantaleon... patrono da medicina e santo martir da igreja oriental (Nicomedie).



Quem tem olhos veja e entenda !   

2 comments:

Carlos Trincão said...

BRAVO

Maria Gois said...

Estive a ler sobre os templários, nomeadamente sobre o culto a João Baptista. Lembrei me então de uma descoberta que foi feita em entradas, no Alentejo. Uma cabeça em prata com a relíquia de um pedaço de craneo. Essa cabeça esteve precisamente numa igreja dedicada ao Santa. Hoje em dia atribuem, sem a certeza absoluta, a relíquia a s. Fábiao. Seria interessante saber se de facto não será antes do profeta.