20.2.16

O CERCO EM JULHO...


                          


 Onde se fala dos que estâo confusos com a alteração de data e daqueles que estão preocupados do que acontece nos anos de festa dos tabuleiros ...e finalmente vamos falar do Cerco, evocando aqueles 6 longos dias de julho de 1190 que mudaram a nossa historia para sempre ! 

Uma conclusão que tirámos o ano passado da Festa templaria é que , para alem da procissao noturna dos cavaleiros com tochas, falta algo que motive as pessoas para o conjunto das outras actividades no Convento e no Centro historico...ajudava a isso que lhe déssemos oportunidade de festejar algo que seja seu ,de todos os vizinhos, e isso so pode ser : comemorarem todos a heroica jornada dos principios de julho em que no ano 1190 todos juntos os tomarenses venceram o cerco do Almansor...essa e' uma gesta a lembrar a todos os da terra..porque lhes diz respeito ... Nós tomarenses temos algo unico para comemorar nesta altura e os eventos comemoram-se na sua data propria , nem antes nem depois ... mude-se entao a festa (de uma data aleatoria e vazia de significado, ao contrario das festas similares ) para o inicio de julho ...porque Tabuleiros e' só de quatro em quatro anos...

O evento Festa Templária que até aqui se realizava em maio, sem qualquer facto histórico a ela associado passa a realizar-se a partir deste ano "sempre no segundo fim-de-semana de Julho, numa evocação do cerco de 1190, promovido pelas tropas do rei de Marrocos, Almansor", acabamos de ler esta semana na nota de imprensa da autarquia.
É este facto histórico o mote para a Festa Templária, que este ano se realizará entre 7 e 10 de Julho.
A recriação do assalto à porta de Almedina, a realizar no domingo da Festa Templária, apreende as evocações já realizadas em 2010 e 2015, com a promoção e participação do Município e do Convento de Cristo, da Associação Templ’Anima e da ADIRN.

MENTES CONFUSAS...
Há que corrigir o que for de corrigir. É o que foi feito neste caso. O mundo é composto de mudança...mas há uma coisa em que Tomar não muda: é a vontade de falar mal disto ou daquilo, ás vezes por puro desconhecimento...
Assim logo há quem surja a agitar apocalipticamente a desmobilizaçao e a desfidelização perante a mobilidade.da data...mas há que olhar para a pratica real para alem da teoria...quais os factores que pesam... os conteúdos ou seja : ser mais rigorosa em termos historicos...nada de anacronismo historico...um vero mergulho na epoca ...isso sim é decisivo!



Veja-se o exemplo da Viagem medieval de Santa Maria da Feira-, tão só o maior evento de recriação histórica medieval do país - tambem mudaram 2 meses . Em 2.000 quando la fui para aprender algo ao vivo (nomeadamente quanto às mesas da refeição medieva... os trinchos de madeira, a rodela de pão a servir de prato, ausencia de talheres para alem da faca...comparem isto com aqueles cavaleiros que comem em serviço de vidro e porcelana e tem horror a meter as mãos no prato!!)...estavam os feirenses no seu quarto ano (como a nossa agora) e realizou-se de 10 a 20 de junho.. Hoje , 16 anos depois, realiza-se nos primeiros dias de agosto... e nunca tiveram desses problemas. Sempre em crescimento a afluencia a festa...
Realiza-se, anualmente, durante onze dias consecutivos, no centro histórico da cidade de Santa Maria da Feira, atraindo diariamente 50 mil visitantes. Com características únicas no país, este projecto diferencia-se pelo rigor histórico, dimensão (espacial e temporal) e envolvimento da população e associativismo local, .

A questão da Festa dos Tabuleiros

Essa e´ só  de quatro em quatro anos e as duas festas podem coexistir porque tem algo em comum...alias o ano passado comemorou-se o Cerco no castelo no ultimo dia da festa dos Tabuleiros (13 julho )



Ambas se conjugam no reinado dionisino , o salvador do Templo e criador da festa dos Impérios , o rei nascido no primeiro ano  da Terceira Idade ou do Paracleto anunciada pelo abade Joaquim de Fiore ...

O  Espirito Santo assim como a cruz da Ordem encimam os tabuleiros...o vermelho da cruz ao peito dos templarios é o Fogo do santo Espirito que recebiam iniciaticamente na Charola ,  qual Athanor alquimico porque redondo e fechado...

Assim -sempre na segunda semana de julho - podem ocorrer em paralelo e inseridos na grande festa ..actividades ligadas ao Cerco...mas numa dimensao menor, como se fez o ano passado, coloquios sobre a espiritualidade da Ordem, justas simbolicas entre as duas forças , teatro , etc...ou como nos fizemos no passado.

Evocação do Desfazer do Cerco de 1190 - junto à  Porta da Almedina do castelo com acesso pela Mata dos 7 Montes.
Efectivamente, no decurso das comemorações dos 850 anos da fundação templária do burgo , a Associação Cultural Templ’Anima, propôs-se evocar no mês de julho umacontecimento exemplar ocorrido neste castelo : o cerco feito pelo exército do Almansor em julho de 1190 e desfeito pelo grande mestre Gualdim e seus homens “ a quem Deus salvou com seus freires” das mãos dos inimigos...segundo memorial escrito nas paredes deste castelo...

REVIVER o Cerco do mouro Almansor em 1190 na Porta da Almedina é também...REAVER....a ligação afectiva castelo-cidade..através da Mata dos 7 montes! Primeiro arrabalde de cultivo ,depois cerca de recreio dos freires cavaleiros... Também conhecida por “Porta do Sangue” por aí ter sido sustida a investida muçulmana no ataque de 1190, ocorrendo grande mortandade..
PALM
. 
O Programa foi apoiado pela Câmara de Tomar :(Julho 2010)
10 H- Recepção junto ao posto de Turismo - Enquadramento histórico do Cerco (Dr. Ernesto Jana)
10.30 h- Subida pela Mata : com gaita de foles e tambor –sendo atracções/pontos de paragem :
- visita do último Carvalho Templario e da Charolinha (a 50m )-

CROSA

- A Cruz da Rosa com seus sinais apotropaicos laterais, inscrita pelos templários sobre a porta ,entre as torres imponentes da Almedina  e a Pedra dos Cavalos ( a 15m)- ...
PCAV

11 .30 H-- .Entrada.no castelo pela Torre da Condessa.
- Evocação da vila de cima (pela Templ’Anima-) -
Memórias do Cerco (por D.Gualdim)
-- Combate-demonstrativo entre 1 sitiante e 1 defensor

CMB1


- Memórias da Porta (por D.Mendo )
- Combate final entre defensor e sitiante . Justa simbólica entre o Bem e o Mal . Lutas a pé , com máscaras ... 666 vs 515...o Diabo e o Divino.(Cordeiro)..

COMB2



Adentrado o castelo, ali mereceu especial atenção o exercicio de recordação da vida do bairro ou Vila de cima, dos nossos vizinhos e familiares antigos...( recorrendo a Marcel Proust e à monja Hildegarda von Bingen) viajando em espirito até esses dias ... O casario de um lado e de outro do eixo viario principal , com suas medidas calculadas através da contagem dos furos de barrotes nas muralhas e da observação da famosa pintura do Anjo sobre as muralhas...umas 20 casas ,logo 80 moradores, serventes do Templo, cujo avistamento em seus mesteres, tentámos interiorizar /recordar, no fundo da nossa consciência ancestral e colectiva... ...E finalmente ouvimos e vimos sobre os combates do dia. Não em versão quantitativa do vero assalto de época ao castelo, sim numa dimensão qualitativa ,mercê de alguns contadores de estórias e outros justadores a pé, à lança e à espada...

Viver a epoca para os presentes foi tambem o Tiro aos Filipetos (em efigie Filipe o Capeto,algoz dos templarios e/ou outros) . Demonstração com Arco longbow, possivel de conjugar com os outros jogos populares da festa dos tabuleiros ...de facto historicamente no campo de Balistenis (de balestra... possivelmente a actual zona do Flecheiro, proxima dos antigos paços do concelho de homens bons ali junto aos Cubos) os vizinhos da epoca exercitavam arco e besta ...orientados por templarios segundo as cronicas!


Vejamos então as memorias do Cerco extraidas do livro O Mestre... (cap XXII ) enquanto possivel guião da Festa.    

                                                                                                                        Julho 90: é outra data mística, na guerra Santa entre cristãos e infieis. Partem uns - os cristãos - para a Palestina, enquanto os outros - os mouros - atacam a Peninsula... Assim a 4 de Julho, sendo presente o vice-mestre do Templo no Ocidente, Gilberto Erail, na despedida, partem da catedral de Vezelai o rei Filipe Augusto de França e Ricardo Coração de Leão (que completava nesta altura, com 32 anos, o primeiro ano de seu reinado em Inglaterra, morto seu pai, Henrique II, roído por bobões pestíferos). Vão a caminho da Terra Santa, em plena 3ª cruzada, ripostando assim contra a perda de Jerusalém.   ...                                                       Por outro, Abu Yacub Almansor, o filho do Miramolim, decide vingar Silves e a morte do pai. Partindo de Marrocos, associa-se aos reis de Córdoba e Sevilha - onde assolda muitas e desvairadas gentes - avançando em longas e demoradas filas, devido ao enorme material de apoio, com vários milhares de homens a pé e a cavalo.                  Enquanto o rei de Sevilha se dirige ao Algarve (Silves) e o rei de Córdoba ataca o Alentejo (Évora), Almansor atinge o Tejo, domingo 24 de Junho, dia de S. João, e vai sobre o castelo de Torres Novas que toma pela força, arrasando as suas defesas e colocando as cabeças dos defensores ostensivamente espetadas, no cimo dos muros que restam...                          Depois com cerca  de um milhar de homens (onde se incluiam 400 milites a cavalo) toma a direcção de Tomar, a sede do Templo; enquanto outros destacamentos africanos ousam fossados a norte.                                                                                                                                 Na madrugada de 7 de julho em Thomar, os de vela sobre a porta do castelo, recebem sinais de aviso,por fogos e por fumos, vindos das atalaias do termo.Logo acordam os porteiros que dormem junto ás portas e dão gritos de aproximação de inimigo.                       Os vizinhos, ouvindo as campanas a rebate, recolhem rápidamente seus belos frutos e animais, intra-muros, armando-se de paus e cutelos, para sua defesa, no páteo de armas, cuja chave é da responsabilidade do concelho de homens-bons. Cuidando que o castelo se abasteça de todo o necessário , transporta-se todo o trigo dos silos de S.Martinho para dentro de muros… e apanha-se a forragem para os cavalos semeada no arrabalde. Entretanto os clérigos de S. Maria cerram portas e guardam as santas alfaias em lugar seguro.  O alcaide, que tem a chave da Torre de Menagem, organiza a defesa, distribuindo os seus homens de armas, por todas as quadrelas e torres, reforçando também as portas. Na porta da Almedina é colocada uma nova tranca de reforço, a meia altura,que se ajusta á dextra, deslizando sobre a calha de pedra em angulo. Correm os da rolda vigiando os muros .                                                                                                                                                                 Vestem os cavaleiros brancas túnicas com sua cruz vermelha ao peito, a espada cingida sobre a cota de malha de ferro; os sargentos de lança na mão, cabeça coberta com bacinete de nasal, enquanto os arqueiros bem treinados, de carcazes às costas com seus virotões (flechas) prescrutam o horizonte nos torreões. Quando o Sol começara a banhar com seus divinos raios a crista dos montes, soam já nas cercanias os tambores serracenos e trombetas e surgem em grosso tropel, qual nuvem escura de homens e bestas, que cobre os montes, vindo dos lados da Ribeira da Maia, a sudoeste. À frente divisa-se a guarda do califa, em admirável formação com seus estandartes de várias cores desfraldados, onde se pode ler escrito, a letras de ouro, o princípio do capitulo 48 do Alcorão (o da vitória)...É o Almansor que chega, o chefe dos crentes de Alá, o maldito!                                                                    Imediatamente tocam os esculcas o chifre nas ameias, retesam os arcos de flechas envenenadas os arqueiros, enquanto os fundibulários aprestam suas pedras e alcancias (bolas de barro secas ao sol, do tamanho de uma laranja, cheias de alcatrão, que se incendeiam e lançam ao inimigo) trazidas do Armazém, nos baixos da Torre de Menagem.   Rápidamente, a várzea ficou juncada de turbantes, escudos de pele como conchas, decorados a fio de seda, dardos de lâmina, cimitarras e outras armas cintilantes.  ali se ouvem muitos brados e arruídos, de meter medo, a intimidar. Soltando espantosos pregões, irrompem no sopé da vila em roncos depravados (ululando). Devastam o arrabalde do Pé da Costa: saqueiam e incendeiam as casas e as vinhas , procurando alimento em vão, perante o olhar angustiado dos vizinhos, às muralhas debruçados.
Isolados a meio da Torre, no tempo e no espaço, o nosso grupo de Sábios , prepara-se agora para a última ronda de conclusões ,quando inesperadamente (por um qualquer corte ou fractura temporal –fenómeno raro) lhes surge á frente um templario em carne e osso, de elmo na cabeça, cota de malha e espada em punho, gritando para que o sigam de imediato, porque todos são necessarios para defender o burgo!                                                               ...E eis-nos num ápice nas ameias,olhando para a vila de baixo. Tão perto, como nunca os tinhamos visto, ali estavam eles, os diabos escuros, rondando a vila. Cavalgando à gineta, estribo curto, em velozes cavalos , com nós nas caudas, arcos com suas aljavas vermelhas e douradas, haik de seda, envolvendo a cabeça e o corpo, e sobre ele o albornoz . Rodeando o castelo, vão outros a S. Martinho devastando aquele agro fértil em árvores de fruto...E andam os adaìs mouros em volta, a observar as muralhas, bem defendidas sobre as ravinas, como reconhecem . Centenas de tendas redondas são já montadas pelos serracenos na Riba Fria e Rossio à vista da inexpugnável fortaleza, bem ordenadas.  
   


                                                                    Lá do cimo, Gualdim, o duro velho, experimentado nas Hespanhas e no Oriente, com suas barbas brancas de verdade ( ao contrário das do filho do miramolim que são pintadas de branco para a guerra, segundo seus costumes) lá está com sua espada brilhante de alto punho , loriga de ferro debaixo da veste talar, elmo na cabeça, o escudo na mão esquerda, olhando desafiador e imponente o Almansor. E sobre as ameias, ondula sereno e altaneiro o pendão do Templo, a balsa invicta, com sua cruz vermelha, onde está escrito o princípio do salmo 114 de David..  Logo zunem no ar, as bolas de barro despedidas pelas fundas, enquanto uma saraivada de flechas cai sobre a cabeça dos mouros mais ousados, que se aproximam e os vizinhos atiram pedras, que trazem no saio.                 Multidão de inimigos da cruz, a descoberto, temerosos, vestindo túnicas largas fazem arremessos contra os muros, que resistem a seus intentos. E deixando o dia sua clareza, se suspendem os combates.      Ao outro dia de manhã reina uma certa paz podre no cerco, período de expectativa e tensão.   Até ao meio dia, nada; depois quando o sol começa a declinar e feitas as orações, o chefe dos mouros dá ordem aos seus arautos para as proclamações necessárias ao combate; pois segundo o profeta: deve combater-se quando começar a sentir-se a brisa da tarde, pois é o momento em que as portas do céu se abrem e as orações são mais escutadas!!!                             Os nossos, tinham ocupado o seu tempo a aprontar máquinas de guerra e na alcáçova subia já o fumo grosso do alcatrão pronto para receber os mais afoitos dos infieis...   Encarniçam-se estes contra os muros , batendo com o ariete contra a porta, ao que os cristãos os poêm bem temperados em azeite e pez fervente... obrigando-os a recuar com uivos de dor...                                                                                                                                                       Uma chuva de flechas assobia continuamente sobre as cabeças de ambos os lados. Alta grita soa nas ameias: homens às portas, às carcávas!  Apressam-se os sargentos,ecoando nas lajes, os pesados sapatos de ferro...  Incita de fora o Almoada os seus, montado em ardente corcel que faz voltear, enquanto brande um chicote na mão, o gládio de Alá.    São já derribadas algumas casas de D. Justo junto aos muros (este tinha ali casas em 1172, citadas no final do século, como estando arruinadas ;cf. Anais Municipio de Tomar(vol. 8) . Trocam-se galhardetes sob a forma de grossos pedregulhos...uma catapulta escoiceia de fora -de hora a hora- grossos pelouros pétreos , conseguindo alguns atingir o meio do recinto dos Cavaleiros ...                                                                                                                        Contámos neste dia quatro deles zumbindo junto de nossas orelhas e animados de curiosidade científica, mais tarde os tomámos em nossas mãos e avaliámos sua grossura em meio côvado (33cm) pesando uns 30 kg cada um...   Também observámos que devido á orografia do local, a sua eficácia era quase nula, pelo que cedo desistem os mouros daquele engenho e também não podem usar escadas ou torres, devido ao alambor que existe a toda a volta e ás condições do terreno, ou seja: o grosso espessamento das muralhas na base e as escarpas acentuadas...pelo que o segundo dia de cerco acaba sem resultados.Ao 3º dia, depois das orações, e postos em observação mútua os movimentos de parte a parte, sucedem-se as chufas e as imprecações, os virotões e a calhoada.Uma força de serracenos é vista a internar-se pela estrada de Ceras, a talar os campos e cortar madeira para construções. Mas de cereais nada, pois já estão recolhidos em julho...                                                   No dia seguinte, os alfanges agarenos sobem mais uma vez a encosta da Riba Fria e atacam com fúria a Porta de Almedina. Ali se concentram também os nossos, agitando seus montantes e gritando por Santa Maria, enquanto a bandeira do Templo drapeja altaneira nas duas torres de defesa da Porta. A certa altura rompe-se a porta devido à pressão inimiga, seguindo-se rija pelega corpo a corpo, no acesso ingreme e estreito.É grande o estrondo de lanças quebradas e o tilintar das espadas.                                                                                                                Ali se agiganta D. Mendo (da Porta) ferindo esforçadamente em redor, rugindo e avançando sempre, dando morte e empurrando os mouros para fora, bem cercados e flanqueados..e já Santiago, por certo, luta a seu lado, pois muitos inimigos caem sem que os alcance o golpe cristão...  Rasgam-se lorigas, cravam-se os dardos nas carnes, despedaçam-se crânios, fendem-se alguns até às costelas, jazendo ali muitos infieis. Tão grande é a carnificina no local, que aquela porta ficará conhecida como Porta do Sangue. Só Deus sabe o número de mortos... Retiram os mouros para baixo, deixando ali muitos despojos, entre membros talhados, armas quebradas e cavalos varados. Será tudo reunido em montão- mouros e cavalos - e lançado mais tarde em fosso no chouso a poente, fora de muros, como nós testemunhámos.(Vide Frei Bernardo da Costa,Historia da Militar Ordem de N.S.J.Cristo,Coimbra,1771) . E do lado de dentro ajudámos a recolha de corpos de alguns freires e confrades, para se lhe dar sepultura cristã.                                                                                                   Ao 5º dia de cerco, assistimos às matinas e laudes, na obscuridade entre os freires cavaleiros que depois retiram os seus ginetes de guerra (dos alpendres do reduto a norte) já preparados com suas altas celas, ancas e peitos resguardados com cobertas de couro, içando-se neles com suas armaduras, ajudados pelos escudeiros e demais serventes.  E batendo o sol na quadrela principal ...pudémos estonteados ver então ali cada um de nós o seu próprio sósia –a nossa alma antiga por certo- e num impulso repentino saltámos para seus cavalos ......e fomos ã luta...qual Castor e Polux sobre a mesma montada – cumprindo assim aquela imagem do selo famoso dos cavaleiros duplos sobre o mesmo cavalo... e esporeando as montadas para fora de portas, fizémos uma surtida de surpresa no arraial da mourama !    Vai D. Lopo, o alcaide, a comandar este audacioso tropel encosta abaixo, cavalos de ventas arfantes e crina eriçada, patas faiscando - os mantos brancos esvoaçantes de lança em riste (quais anjos vingadores) que à voz do comendador se arrojam no campo inimigo, penetrando-o fundo, sem medo, pois que a morte é gloriosa no combate ao infiel. 
    



  É dado o alarme no acampamento, que se enche de gritos e agitação, montando os mouros berberes rápidamente seus cavalos.  E se produzem muitos combates singelos entre cavaleiros, revelando-se hábeis lutadores de parte a parte. E eis que, para agravar a confusão nas hostes do Almansor, surgem como por encanto cá em baixo na Azinhaga mais homens de armas (vindos através do tunel secreto que vem do castelo para o arrabalde) atacando na rectaguarda dos mouros...(Há túneis desde o castelo ao sopé do monte,já assinalados por J.M.Sousa no principio deste século e últimamente sondados por M.Guimarães e coronel Fernandes;segundo este são tão amplos que cabem lá cavalos e cavaleiros.... Alguns vão na direcção da Mata dos 7 Montes. Também há túneis desde o interior até ao sopé do monte junto ao rio , nos castelos templarios de Ponferrada e Monzon). 

Com um lampejo no olhar. súbito se erguendo de seu leito, grita Gualdim para os seus : Irmãos feri batalha com fervença ! ...E todos á volta olham para o valeroso velho que continua : Deus o quiz!... nós , com a balsa da Ordem desfraldada,acometemos como leões, com tal senha ferindo como nunca antes se vira igual, levando aquele flanco infiel a tresmalhar-se, entre o pântano do rio e nossos montantes...
E muitos serracenos são gratificados com a morte por Alá, como desejavam...Quanto aos nossos, regressam desta sortida tão rápidamente como tinham vindo, secando aquele pântano de pecados infieis !.
No dia seguinte, 13 de Julho, os almoadas decidem abandonar o cerco, desencorajados pela tenaz resistência do Templo, pela inexpugnabilidade dos muros e também açoutados muitos com a febre das águas palúdicas, pois há 2 anos que grassa a doença, no pantanal junto a que estavam sediados. É o terrível fluxo do ventre, hemorragias que os deixam sem forças...
Conta-se que o próprio califa, sentira já o fatal calafrio. A febre o assalta: é o começo do mal das entranhas pelo que se retirou rapidamente para sua pátria- acagaçado- com pesada perda de homens e animais, ali deixando também muitos objectos em ouro e prata, tecidos de sedas preciosas e peles, que os meus freires recolhem para dentro de muros.
As tendas vazias lembram-me as mágoas de um vate sevilhano: “Tendas de Maiia, erguidas primeiro nas alturas, depois no sopé do monte... há largo tempo abandonadas, hoje estão desertas...”Muitos deles, tinham ido ter com seu Mafoma !


Quanto a nós , Deus nos livrou porque quiz dar esse triunfo aos cristãos, salvando assim a lusa terra de mais desgraças, evitando a progressão dos almoadas para norte... pois não é problema para Deus dar a vitória com poucos ou com muitos : assim aconteceu com o bíblico Gedeão que com 300 homens afugentou dezenas de milhares de inimigos...
                                                                                    

E foi assim: a nossos olhos incrédulos e nossas mentes confusas,com nossos corpos atordoados,daquela vivência extra-temporal ...que nós os sábios nos encontrámos com os cavaleiros no oratório da Ordem entoando salmos e venerando aquela mão couraçada de prata que fizera parar o inimigo, tal como antes defendera a religião com a pena ilustre: era a mão direita de S. Gregório Nazianzeno, o doutor da Capadócia , em relíquia exposta...



Cumprira-se assim a profecia do Exodus : “ Ninguém porá a mão sobre a Montanha, Quem a tocar será apedrejado ou flechado, Não viverá “
Sabemos hoje que multiplicámos as mortes no campo inimigo..(pois cada um de nós valia por dois) apressando a sua derrota em 6 dias....pois disso fazem eco memórias..que dão conta da aparição de anjos ao lado dos combatentes. (cada um tem o seu como dira S.Paulo in Actos)
Outra coisa espantosa é que quando nos acercámos de Gualdim ,finalmente no Oratório, achámos algo familiar em seu rosto ...Aquela testa alta inteligente, olhar penetrante, farto bigode ... sempre bem disposto,nunca sanhudo, mesmo nos piores momentos, transmitindo coragem aos seus...Militar corajoso e de sangue frio... fez-nos lembrar outro soldado ...também nascido em terras de guerreiros galaicos...
Anibal Milhões ...que saindo do 15 de Tomar para a batalha de La Lys ( sempre a lis...a mesma de Clovis) em França e sendo atacado pelo inimigo... (1918) munido de coragem varreu milhares deles a sua frente (tal como as crónicas dizem de Gualdim)...e enfrentando-os nas trincheiras , permitiu o reordenamento das suas forças mais atrás... Depois foi nomeado cavaleiro de ordem militar ... (condecorado com o colar de Ordem militar) Ambos eram homens de grandes valores, e ambos viveram setenta e tal anos...
E devem ter nascido no mesmo mês do mesmo signo...sob a influência astrológica dos mesmos astros, para terem tantas semelhanças de vida e corpo... assim permanecendo na mesma galeria de imortais da nossa historia ! Anibal Milhões nasceu no 7º centenario da morte de Gualdim –1895- e tornou-se heroi no 8º centenario do nascimento de Gualdim...1918...coincidências significativas...seria uma nova encarnação daquele ?

9.1.16

Ò admirável Pastor / Das espadas, o vencedor / Da Igreja ,o campeão / E vencedor do Leão

                

No Convento de Cristo em Tomar em plena epoca festiva da Luz e apesar dos fazedores de sombras  (ou traficantes varios de influencias , que olham para os espacos, tempos e  homens , como sua coutada) , assim se realizou a Evocacao do patrono da Charola a 29 dezembro., por iniciativa da Associacao Cultural Templ'Anima  





Por ser habitualmente uma data dificil entre o Natal e o Ano novo a que se aliou a publicacao do cartaz oficial apenas na vespera , tal ressentiu-se na sua participacao , embora tenhamos feito um esforco suplementar na sua divulgacao.




...Tomás Becket (de seu nome) nascido em Londres em 1118 (no mesmo ano de Gualdim) foi nomeado arcebispo de Cantuária em 62...
Algum tempo depois, pela artes do diabo -segundo a Legenda Aurea - surgiu grande debate, variância, e conflitos, entre o rei e S. Tomás. A discórdia era sobre os direitos e privilégios da Igreja ,que Henrique acha cerceadores de seu poder...Tal significou uma guerra prolongada entre os dois poderes. Então começou a campanha de perseguição contra Tomás. Em Outubro de 1164 exila-se em França, sob protecção do rei francês Luís VII ,em Sens, Borgonha , na real abadia de St. Columbus, onde irá encontrar-se com o Papa Alexandre III...
Finalmente em 1 dezembro de 1170 regressa a casa , sendo saudado por multidões. Mas quase logo que voltou , uma deputação chegou pedindo - lhe que retire a sua excomunhão a outros bispos.. .. Becket concordou com a condição de que eles jurassem obedecer aos papa. . Eles recusaram e dirigem-se ao rei .queixando-se de sua aflição porque Tomás excomungara a todos que estava com o filho do rei em sua consagração...
Então ,furioso ,em um momento de raiva,Henrique terá pronunciado estas palavras fatais : "Não haverá ninguém capaz de livrar - me deste turbulento padre?"
E imediatamente 4 cavaleiros inimigos de Deus,se puseram a caminho para cumprir esse designio ...



Nessa tarde invernosa, à hora de Vésperas, pelas cinco da tarde deste dia 29 de Dezembro, um crime abalou a Europa: 4 cavaleiros do rei Henrique de Inglaterra assassinaram o arcebispo de Cantuária, a golpes de espada, em sua própria catedral!... Assim foi martirizado S.Tomás no ano de Nosso Senhor da Encarnaçãode mil cento e setenta e nos 52 anos de sua idade ...e no quinto dia após o Senhor da Natividade, e mui significativamente no dia seguinte ao aniversario festivo dos santos Inocentes,
Apenas 3 anos depois e' canonizado e o seu culto espalha-se pela Europa.
. Em 1185 inaugurando-se a nova Rotunda (igreja redonda) do Templo de Londres , junto a Fleet Street e falecendo entretanto subitamente o grão mestre da Ordem ,A rnaldo Torroja, e' neste contexto que , se terá cumprido a tradição que fala da ida de Gualdim Pais a Inglaterra , certamente a participar enquanto mestre portugues nas discussões sobre o futuro da Ordem...
                      

Pôde cumprir assim também , seu desejo de trazer para a sede de Tomar, relíquias (dois ossos da cabeça) de S.Tomás de Cantuária, pelo qual tinha grande admiração;para enriquecimento de sua igreja. Provávelmente foi feito na época um relicário com formato de cabeça para guardar aqueles ossos ( como era costume medievo, os relicários tomarem a forma da parte do corpo,a que pertenciam os ossos do santo)... Relicario mais tarde desaparecido, devido a' perseguicao a's cabecas da Ordem no tempo de Filipe o belo...


A partir do testemunho em prosa coeva de Edward Grim in “ Vita S. Thomae, Cantuariensis Archepiscopi e Martyris” (sec XII) compusemos em verso (transcrito na n/ Obra “O Mestre templario na fundacao de Portugal” editado em 2011) o seguinte dialogo final havido entre S,Tomas e os soldados do rei






Seguiu-se o orador convidado Jose Manuel Anes (doutorado em Antropologia , Professor Auxiliar na Universidade Lusiada do Porto e de Lisboa, Autor e co-autor de cerca de 30 livros sobre novos movimentos religiosos e sociais.) que desenvolveu o tema a proposito.





O ciclo natalicio das festividades cristãs integra-se/coincide com as comemorações do Solsticio de inverno….A data do Solsticio é o dia em que o sol atinge o seu grau minimo de luminosidade na Terra;  chamam esse dia de dia do renascimento da luz... Depois do dia 21 de dezembro, começa  um novo ciclo anual... O Ano Litúrgico reproduz a vida de Cristo, a evolução do cosmos e a evolução espiritual do Homem...



15.12.15

Les Templiers dans la Foret d'Orient (um passeio no Tempo)


Valerie e Francois Gilet, “ils dedient leur travail a tous leurs amis de la ville de Tomar et a la Association Templ'Anima. Que la Route Templiere Europeenne relie demain le coeur de nos cites.
Os autores dedicam o seu trabalho a todos os amigos da cidade de Tomar e da Associacao Templ'Anima. Que a Rota Templaria Europeia ligue , num futuro proximo, o coracao de nossas cidades”...
                                                   ..........

Um passo em frente para inscrever l'Aube no Itinerario templario europeu (em montagem) ,afirma Philippe Adnot, senador e presidente do Conseil departemental de l'Aube (France) que financiou 11 paineis de informacao bilingue na floresta do Oriente , ao longo dos vestigios do antigo dominio templario identificado por Valerie Alaniece e Francois Gilet. Um circuito pedestre e historico sinalizado neste ano de 2015 , que o visitante tem o prazer de conhecer enquanto deixa vagabundear a sua imaginacao... por aquele vasto e misterioso territorio onde os templarios habitaram no sec XIII.


O Parque Natural Regional da Floresta do Oriente tem agora , em valor acrescentado ,um guia historico pormenorizado atraves do qual o visitante seguira o seu caminho pedestre e iniciatico sobre as pegadas dos monges soldados da Ordem medieval mais famosa ainda hoje no imaginario dos contemporaneos..


Um guia em Francês e Inglês que mostra a evolução da floresta do Oriente, com o estabelecimento de comunidades de Religiosos , cistercienses, hospitalarios , templários, e ate uma possessao papal denominada do “Apostolo” (sucessor de Pedro) que foi o papa Urbano IV , falecido em Outubro de 1264 em ...Perugia !!...(isto esta' tudo ligado por fios invisiveis ...eis o sinal ou pista para a nossa proxima Demanda! ) …
Atraves de bem delineados mapas e planos demonstra-se neste livro a economia florestal , a abrangencia de cada Ordem e a justica medieval dominial, abordando paralelamente a “desvairada” (medievalmente falando) mitologia da floresta do Oriente.

Entre Mito e Realidade

Atravessando esta floresta lendaria ...qual universo fantastico e maravilhoso ou sobrenatural mesmo...os autores mostram-nos o verdadeiro Tesouro templario escondido sob nossos pes... e avaliam a' luz da realidade os mitos e lendas no que tem de verdade e o que e' fantasia.. Experimentaram mesmo esta faceta ...pois exatamente a 28 dezembro 2012 as 13 10 sob chuva os Gilet estavam junto a lagoa “des quarente Arpents” ..perto de “la fontaine aux Oiseaux” … aguardando e nada se passou...na data presumida e anunciada atraves de elaborados calculos astronomicos, como sendo a hora de abertura da Porta do Tempo ...ali por onde numerosos cavaleiros se escaparam aos agentes de Filipe o belo...

Mas talvez vo's leitores e futuros caminheiros tereis mais sorte...talvez vejais algum templario furtivo ...pq eles sao la' ..estao entre no's (disse Gerard de Sede)...ha sinais deles ali por todo o lado...se bem observardes o visivel vereis o invisivel...(como afirmam as sagradas Escrituras!).
Ora concentrai-vos , fechai os olhos, aspirai o ar, escutai os sons da floresta...ouvi a chiadeira do carro de bois , o bater do machado do lenhador... recordai-vos como Proust...e sentir-vos-eis rodeados dos irmaos ... olhando-vos com a mesma atencao do que vo's a eles... Ajoelhai primeiro e abracai depois ...uma arvore...e sereis iniciados nos misterios da floresta...porque as arvores e as pedras te ensinarao como afirmou S.Bernardo de Claraval!


Estamos afinal num território abrigando imensos lagos no meio da floresta profunda... Onde durante o sec XIII os templários possuiram (por doação ou compra) numerosas propriedades, quintas,celeiros, ferrarias, pastagens, vinhas, terras araveis, prados, e casas ou lojas servindo de habitação ou arrendadas a outrém .
Hoje o parque (bastante alterado) em que se aliam em harmonia a floresta de pinho e a água , ocupa 80.000ha, englobando 56 comunas e 23.000 habitantes. . Os lagos ocupando 5.000 ha- são lugar de predileção para os amadores da calma e desportos náuticos e refúgio natural para aves diversas
Ali ao longo do ano há inúmeras actividades desportivas e culturais. Usufrui pois desta Natureza que nos mostra em explendor sua fauna e flora...

                             


Mas não esquecamos que estes inumeros lagos foram criados por uma grande barragem em meados do seculo passado (1966) controlando o rio Sena ...tal como semelhantemente no caso portugues a origem coeva (anos 50)da nossa regiao das albufeiras (3.300 ha) do Castelo do Bode...delimitando o Tejo!...com seus desportos nauticos e passeios de observação de aves e da paisagem...ha pois afinidades ambientais entre estas 2 regioes : a portuguesa e a francesa ...e mais do que isso tb simbólicas!...


Pois a nossa região chamada (até agora) Floresta Central e dos Templários corresponde á zona de influência , em comendas e castelos , da Ordem do Templo, os cavaleiros buscadores do Graal…, pelo que podemos chamar assim a esta Floresta , além de Central, do San’Graal... por homofonia cabalistica e real- e seu valor acrescentado...onde caminhando “pela floresta virgem de nosso inconsciente arcaico e das nossas raizes ...como afirmou o pensador Antonio Quadros.” ...o viajante se torna portador de conhecimentos ali transmitidos!
Floresta sacra onde se inclui a tomarense Mata dos Sete montes da Lusitania Transformada e dos pastores cavaleiros ...os que resistem anonimos em fins do sec XVI ao nosso “Filipe o belo” ou seja a' lei do famigerado frade jeronimo (assinalado como diabolico...666...em plena Charola) ...
saindo os freis a pe possivelmente por aquele tunel minusculo abobadado inscrito na base das muralhas da Almedina ...enquanto os cavalos aguardam como assinalado da parte de fora por famosa pedra... vigiando a Serpe interior !

No sec XIII abrem-se clareiras na regiao florestal

A Floresta do Oriente , a leste de Troyes,era um dominio de caça dos condes da Champagne que ai tinham um castelo...
No Aube vao formar-se uma dezena de comendas agricolas do Templo , entre elas Avalleur e Bonlieu .
Circa 1231. os templários construíram a Comenda de Bonlieu, um pouco mais à direita da estrada para Piney a qual prosperou rapidamente, desenvolvendo uma rica agricultura à custa da floresta, tendo adquirido posteriormente , em 1255, grande parte da floresta chamada do Oriente (cerca de 1100ha) sobre o senhorio de Vendeuvre. Ao todo adquirem 2.200 ha em 30 anos (dos 8.000 ha originais).


Para controlar e gerir este grande floresta, chamado da floresta do Templo, eles implantaram uma segunda casa , a comenda ou Lodge Bazin, em 1255 cercada por quatro lagoas. e uma zona desmatada para agricultura e pecuária, o que garantiu sua autonomia .Devido a construcoes serem em madeira , elas ruiram com os seculos e as guerras..

Trata-se aqui segundo os mapas apresentados de uma reconstituicao exemplar de uma comenda agricola com todos seus componentes...incluindo uma capela (segundo doc de 1521).
A loge Bazin explora a madeira das florestas e cultiva pedacos de terra com trigo , reservando as pradarias ou relvas a' criacao de gado vacum e lanigero.


A comenda era protegida por muros de terra , fossa e palissadas abrigando as reses do ataque dos animais selvagens. Ali podeis ver ainda acumulados no solo fragmentos de telhas e bocados de ceramica em ligacao com as antigas casas da comenda . Junto a lagoa de Frouasse seriam as habitacoes conventuais, junto a lagoa da Porte os palheiros do gado,junto a lagoa de Viote era onde se julgavam os casos de justica e junto a de Foulon tratava-se a lã...perto assinala-se um moinho pisão!
Nos mapas podeis ver ainda a localizacao dos pelourinhos nas entradas principais do dominio da Ordem , onde era praticada a justica senhorial, contra os ladroes .
Podeis montar sobre os 4 diques ou barreiras de suas lagoas secas e dali do alto imaginar os monges (sargentos?) orando e laborando duramente sobre suas terras, para enriquecer a Ordem e defender a causa dos Estados latinos do oriente, financiando as guerras longinquas e o reforco das Cruzadas...e sentireis provavelmente o peso deste lugar carregado de historia onde a emocao se dissimula lentamente sob as folhas do outono...


Sao ao todo 8 freis (pelo numero de leitos) incluindo o comendador com seus 3 cavalos da Norma (segundo o inventario de 1309).
Se o dia for propicio em visoes...talvez possais espreitar o lugar onde se cozinha assinalado pelo fumo ...e sentir o calor e o odor que se desprende da panela preta de 3 pes (tripe') suspensa por uma cremalheira sobre a lenha acesa na lareira...Prepara-se uma refeicao frugal...e quem sabe...talvez vos facam merce do brodio ou caldo do Caminho... sede bem servidos!

Para que serviam estas lagoas artificiais

  • Para drenar o solo das áreas, para torná-los cultiváveis ​​ , tb para dar de beber aos rebanhos: por exemplo no dique da lagoa Viotte,os textos antigos sugerem uma passagem ziguezaguiante , margeando o lago para promover o acesso do gado. Perto dali,abre um desvio entre 2 elevacoes de terra , conduzindo a un curral.
  • Tambem para viveiro de peixes, pois na Idade Média, a religião impunha muitos dias de jejum (100-200 dias) em que o peixe substituía a carne na dieta... Lembrai-vos que em Alcobaca os cisterciences ate desviaram um braco de rio para passar na cozinha de seu mosteiro ...tinham assim peixe fresco diretamente da agua para a panela !!

Para construir uma lagoa : era feita uma represa ou acude para barrar um riacho onde o solo tinha uma depressão ou vale natural. Um sistema de válvula era inserido na barragem para regular a retenção de água. Com a conformacao de uma raquete , a parte mais baixa do fundo da lagoa, perto da pá, e' onde se pesca . Em todos 2 ou 3 anos, a lagoa e' seca para a cultura e para
enriquecer o seu fundo antes de iniciar um novo ciclo de criação de peixes.

Como encontrar o lugar da loge Bazin

: Partindo de Vendeuvre sur Barse tomai a estrada de la loge aux Chevres (RD79). A 6 km ,apos a bifurcacao a esquerda , tomai uma estrada florestal : o dominio dos templarios, que vos conduzira 2 km adiante a um parking no coracao da floresta . Ai descobrireis a sinaletica dos 11 paineis !


Atraves do mapa (pag.126 ) deixai- vos guiar sobre um percurso balizado com cerca de 5 km. Que vos conduzira ao antigo dique da lagoa de Frouasse, depois sobre o lugar da comenda da Loge Bazin e da lagoa de La Porte apos o cruzamento de um antigo muro de terra. Ganhareis de seguida o dique da lagoa de la Viotte depois de atravessardes o antigo fosso templario. Retorno pela linha do Couvent. Observareis uma nova porcao de muro antes de chegar a lagoa des Foulons no final …


Bom passeio ! Mergulhe no Tempo e no espaco...viva ao vivo a floresta do Templo...sinta-se como um confrade por um dia...

   

Obs: as partes em italico sao anotacoes nossas a' tematica do livro .

12.11.15

Rota Templaria Europeia em marcha

           

Uma delegação de Troyes, cidade francesa onde se realizou o concilio (1128) que deu a Regra a Ordem dos Templários, esteve em Tomar, em reunioes de trabalho , integrando um expert em candidaturas europeias , tendo em vista a criação da Rota Europeia dos Templários (Itinerário Cultural de Lugares Templários).

  



Esta visita de trabalho percorreu a cidade de Tomar , Almourol e Alcobaca , no seguimento da visita realizada o ano passado pelo Município de Tomar ao Departamento de l’Aube, sedeado em Troyes.. contando o primeiro dia com uma recepção no Convento de Cristo, pela sua diretora Andreia Galvao e pelos presidentes das câmaras da Barquinha e de Tomar.







  








Estiveram presentes, alem de elementos das  camaras de Tomar e da Barquinha, elmentos da Templ'Anima .do IPT e  Caminhos de historia.
A equipa francesa chefiada por Christelle Taillardat (Dep. Turismo de L'Aube) com Francois e Valerie Gilet (specialistas dos Templarios) e o Expert tecnico CEE J.M. Puydebat.
Foram apresentados pelo Expert os varios items a preencher conjuntamente no que respeita ao processo de candidatura, segundo o Governance Instrument Form , nomeamente os 5 campos de acao obrigatorios> Cooperacao em Pesquiza pluridisciplinar sobre o tema templarios, Valorizacao da Memoria , Historia e patrimonio, Trocas culturais e educativas para jovens europeus , Intercambio artistico e cultural Contemporaneo e sustentabilidade turistico'cultural /relacao com operadores.
 

  

Em consenso adotou-se como designacao do Itinerario o nome de Rota Templaria Europeia e acolheu-se um logo baseado na cruz patesca templaria (cruz redonda, denotando a origem oriental e bizantina da Ordem).
Analisou-se tb a necessidade de establecer um Comite cientifico e a necessidade de uma estrutura legal operativa com respetivos estatutos a serem aprovados.
Entregamos (nos a Templanima) enquanto colaboracao documental, um Inventario de lugares templarios (com algo de visivel ainda para turista ver) e respetivos contactos oficiais nos 5 paises prioritarios da Europa .

No final o expert conclui pela apresentacao do processo de candidatura ao organismo europeu respectivo EICR ate final de setembro de 2016, incluindo um plano de actividades e seus custos a 3 anos. Devendo-se tambem integrar na candidatura Ponferrada e Monzon do lado espanhol e Perugia por parte de Italia.
 

   


12.10.15

13 de Outubro - Evocação da morte do mestre Gualdim Pais




1195... governando em Roma o Papa Celestino III, este concede ao prior de S.Cruz de Coimbra, o direito : de dar a cruz a peregrinos e a quem quisesse combater os infiéis e de impôr penitências públicas. Este é ano da batalha de Alarcos, perdida por Afonso VIII contra os almoadas e onde morre frei Gonçalo Viegas da cavalaria de Evora .
Finalmente , é o ano da passagem para a glória - do Mestre Gualdim, o cavaleiro ideal, que agora abandona o seu posto, mas para ser levado ao sepulcro. O arauto do Soberano-Rei é chamado para a fruição da eterna Luz !...
Morre um herói aqui, nasce um Santo noutra parte ... pois que, coincidência significativa, este é também o ano em que nasce Fernando de Bolhões, descendente de Godofredo de Bolhões (=Bolonhês) , o primeiro cruzado da Palestina, há um século atrás, onde fora nomeado Protector do santo Sepulcro e seu irmão Balduíno de Bolonha, o primeiro rei Latino de Jerusalém.
Estamos a falar do futuro S. António de Lisboa, discipulo de Assis e evangelizador ecuménico, novo astro rutilante que se anuncia, batendo-se por uma igreja universal. Se Gualdim foi o monge que rezava com a espada, António vai ser aquele que luta com a Palavra...
Este é também ,significativamente, o ano em que morre outro grande cavaleiro: Henrique,o Leão, (casado com Matilde, filha da famosa Aleanor de Aquitânia) e fundador de várias cidades teutónicas, como Munique em 1158 e de castelos como o de Dankwarderode(1173) em Braunschweig, cuja catedral de S.Braz tem pinturas bizantinas ordenadas por Henrique....

Em Outubro... nasceu já o outono, aproxima-se o Advento. 13 de Outubro: é o dia exacto em que morre o Mestre do Templo português, Gualdim Pais; data altamente significativa, porque será também a mesma data (13 Outubro) aquela em que morrerá posteriormente a própria Ordem; mais concretamente o dia em que em França (1307) toda a Ordem será presa e desarticulada, por instigação do tenebroso Filipe o Belo.


Acompanhemos pois , os seus últimos momentos e o ritual do seu passamento.
No seu leito da Torre de Menagem, vestindo simples camisa de linho, agoniza agora o vencedor de Almansor, convivendo com os seus. . Os mais chegados são D. Lopo Fernandes, o seu lugar tenente, que segura uma tocha na mão, e o frei capelão de Sta. Maria, de branca sobrepeliz, com o livro das Encomendações.
E feitas as derradeiras orações, seguidamente o frei capelão, lhe faz o sinal da cruz sobre os olhos e sobre os lábios, oteando-o com os santos óleos, invocando a ajuda de S. Tiago: “Sede Senhor, de vosso povo a santificação e o guardião. Que graças à protecção do vosso apóstolo Santiago, ele vos seja agradável em toda a sua conduta e vos sirva em espírito sereno”.
Cantam-se salmos e recitam-se as jaculatórias, enquanto o preparam. Gualdim, num supremo esforço, ergue-se um pouco, estendendo ao alto a sua mão direita (enluvada de branco) em sinal de menagem ao Senhor, ao que acorrem os cavaleiros a dar-lhe a cruz para beijar.
Refrescam-lhe a fronte com água de rosas…Nesse momento, alimenta já em seu coração ,uma nostalgia dupla : a de seu passado,pela Jerusalém terrestre e…a de seu futuro, na Jerusalém celeste…
Aproxima-se o fim. Cobrem-no com um manto branco da Ordem. Apressa-se a encomendação da alma, redobrando as jaculatórias e orações. Ao “Proficiscere, anima christianna” o frei capelão recolhe o seu último sopro.
A face extática do mestre anuncia já a chegada do Arcanjo em turbilhão de luz pela janela norte para o ajudar a passar transfigurado, à Jerusalém Celeste. Liberto da prisão que é o corpo, ascende já à planicie da verdade, seu espírito. Reune-se assim aos Eleitos, no Vergel do Cordeiro. Enquanto um suave odor inunda a sala...
De imediato, o alcaide manda apregoar o acontecimento num espaço de 5 léguas em redor, enquanto o tangedor de campana vai ao serviço, grave, fazer três sinais, repetidos.
Breve, se encherá a alcáçova de cavaleiros e clérigos.
O tesoureiro recolhe os seus objectos (o selo com bola e a bolsa) que pertencem à Ordem, segundo a Regra, enquanto ordena que adquiram para seu enterramento tudo o que seja necessário, em pano, cera, incenso, pão e vinho.
. Para as honras fúnebres propriamente ditas , ordena uma missa oficiada e as matinas dos mortos e ladainha cantada...
.É decidido sepultá-lo com todas as honras devidas ao cargo, na igreja de Sta. Maria, bailia do Templo.

Organiza-se então a solene procissão do enterro do Mestre. Postos todos em sua ordem - conforme ao cargo e à idade - saiem já a Porta de Santiago, com muitas tochas.
À frente o monge cruciferário a pé, com sua cruz de Limoges levantada. Depois os menestreis tangendo atabales e anafis. Seguem-nos, confrades de S. Maria do Castelo, com suas vestes farpadas, de branco luto, com campanas bem sonantes, louvando ao Senhor, em suas danças e contorsões. Trazem círios, pão alvo e vinho... Logo atrás vem o senescal empunhando a bandeira da Ordem, montado em belo cavalo ajaezado, seguido de várias dezenas de cavaleiros em duas alas.
Magnificos em sua alva túnica com a insígnia do sacrifício, sobre a cota de malha. Trazem botas de couro com esporas reluzentes e vêm montados em soberbos cavalos. A espada descansando na bainha, presa por correia do lado esquerdo do cinto de couro. O manto branco esvoaçante na descida...
Depois quatro Templários, dos mais velhos, levam aos ombros em seu sudário a descoberto, em padiola, Gualdim o Mestre, precedendo a clerezia da Ordem, em sobrepeliz, dispostos segundo sua ordenação, com seus círios de 2.5 palmos na mão e recitando o De Profundis, à saída do castelo.
Descendo a calçada serpenteante chegam à vila de baixo, atravessando a Corredoura, ao cântico do Miserere, onde vilões se juntam fazendo prantos (gestos dolorosos) depenando cabelos e rompendo faces,como é costume.
Atravessada a ponte, marcham para Sta. Maria. O sino de S. Pedro Fins dá cinco golpes. Chegam finalmente ao portal da Bailia, onde a comunidade os recebe em cruz levantada, entoando o Subvenite .

                     

E entram, ordenadamente em procissão, precedendo o turiferário diante da cruz, entre tochas acesas, o caldeirinha e logo o deão de amito, alva e estola e capa pontificial, seus ministros de dalmática, o portador do livro e os demais freires, todos com círios em grande aparato.
Na essa, sobre um estrado baixo em frente ao altar, se depõe o corpo do Mestre em seu sudário - onde se lançam cinzas - em uma urna de pau, forrada a cetim vermelho, com folhas de loureiro.
Os braços sobre o peito e seu manto ostentando a rubra cruz grega, os pés contra o portal: preside ao seu último acto como Mestre Templário.

A seu lado repousa aquela gloriosa espada que tanto fizera pela cristandade. Em redor, quatro grandes círios montados em escabelos, uma cruz de Limoges à cabeçeira, e o estandarte do Templo , pendente de branco dossel. Rezadas as vésperas do dia e dito o Benedicamus Domine continua-se o ofício de defuntos com o salmear ordenado para a ocasião.
Á Antifona “Placebo Domino”... incensam-se os restos mortais... Depois, no altar com seu frontal de chamalote e dois grandes círios acesos, reza-se a missa de Requiem e tange-se de novo a campana três vezes.
O acto aproxima-se de seu término. Sobre a campa (no chão da igeja) que é aspergida, segue-se a Absolvição, com o harmonioso responsório Libera Me... E cerrada a caixa de pau, de fecho mourisco, se benze a cova onde há-de descer, cantando-se a Antífona In Paradisum e outras. Quando a urna desce, lança-se sobre ela água benta dizendo “Hoje seja o teu lugar em paz, e a tua morada a Santa Sião”... Finalmente em torno da sepultura se faz o saimento ou procissão fúnebre , com todos os vizinhos presentes, grandes ou pequenos, de cruz,agua benta, incenso e círios, seguido de colação ou distribuição de alimentos, como costume .
. Na “Mesa do Senhor”, hoje corrigida por uma sobrinha do mestre, D.Estefãnia Pais Gabere , os pobres que aparecem são fartos de carne, vinho e pão em canastras...
Os últimos raios do sol poente descem sobre o local... anoitece... nada mais é visivel a nossos olhos...entra-se no Invisível...
.
Diz quem o viu pela última vez que no seu peito era visivel um sinal perfeitamente definido, que tinha a forma de... uma flor de lys !...Era esse afinal aquele sinal que o acompanhara desde a nascença , como predestinado a grande iniciado na Sabedoria dos Eleitos...

Uma pedra aprontada por canteiro, assinalará pelos séculos, o lugar onde o justo dorme o sono eterno, enquanto o seu espírito é já a caminho dos “resplendores da luz perpétua”... E elevando os olhos lacrimosos Dona Estefânia a sobrinha viu uma pomba voando para o céu...dela se desprendendo uma pena que ficou flutuando entre céu e terra.....porque era leve o coração de Gualdim e grande o seu Conhecimento...


                     

Segundo a Norma, durante 7 dias, todos os freires devem rezar 200 Pai Nossos e os clérigos devem rezar 3 missas cada um, por sua alma. com responso cantado sobre a sepultura, levando os clérigos as sobrepelizes.

E durante o ano , realizam sufrágios temporários por sua alma., com obradas ou ofertas rituais de pão, vinho e cera , segundo o costume.
Anualmente , comemoram os monges o aniversário de seu óbito –com novo saimento e celebração de missas – e em uma cerimónia chamada “salmo e pão” onde os mortos se associam aos vivos em jantar evocativo ou “prato do aniversário”, onde na mesa em seu lugar vago, se coloca a sua ração com tudo o que à refeição se der, de acordo com a sua posição na Ordem, como se estivesse presente...
A sua gesta será gravada na pedra, nos vários castelos por si edificados: Pombal, Almorol, Tomar.

Nós, pela Graça , teu vizinho,
te saudamos e damos esta voz:
Gualdim está vivo! Sempre presente no meio de nós...
Em seu corpo ou fora dele,como diria S.Agostinho!


E em breve, por certo vai reaparecer
E de novo o cerco no burgo romper
E trará o Graal da Vida e do Pão
E aplicará a justiça de Salomão...
Ao 3º dia milenar...o Templo renascerá !
Façamos uma colação solidária, em sua memória:
... NÃO A NÓS, MAS A ELE, A GLÓRIA!


(Extraido do livro O Mestre Templario na Fundacao de Portugal,Ed. Esquilo,2011, cap.XXIV : Passagem)