21.10.14

Afinal quais as origens e o que representa Santa Iria ?



Vamos traçar um quadro das varias origens possiveis da estoria de Santa Iria nos tempos medievos ate chegar ao ultimo seculo em cujo dealbar apareceu, em pleno Chiado de Lisboa  como uma santa modernizada , e primeiro caso conhecido na igreja, a publicitar um sabonete...como cuidados a ter com a pele ! Isto ha cem anos , na vanguarda da moda!
Este texto e’ constituido por excertos do livro pro-biografico de Gualdim Pais “ O Mestre Templario na fundacao de Portugal” e toma neste assunto a forma de um debate entre sabios...Devido a sua extensao , sera dividido em 3 partes, a sair sucessivamente ...

1 – Reflexao Santarena : A proposito da conquista de Santarem
...Na Ribeira, de ruas estreitas e sinuosas, que o rio amiude invade, fundam os do Templo a igreja de Santiago, onde colocam capelão da  Ordem.
Também  pertencendo  à colegiada de Sta. Maria da Alcaçova, ali se edifica outra capela dedicada a Sta. Iria, sendo seu 1º clérigo: Garcia Mendes. Segundo uma tradição, no areal defronte aparecera um túmulo de mármore com o corpo desta Santa (assediada por um monge e degolada a mando do filho dum conde godo,no ano 653)  e que logo fôra coberto pelas águas do Tejo; mas cuja memória e culto se tinham perpetuado em Scalabis, chegando a mudar-se o nome deste loco para Santarém (de Stª Iria) no tempo do rei Godo Recesvinto, que ali fizera erguer um basílica,junto ao rio...
                                                        (Intermezzo )
A  Assembleia dos 8  Sábios  reunidos na Torre ,  debatem entretanto , esta bela estória digna da Legenda  Aurea...
Diz o 1º sábio – O que sabemos deste  rei - Recesvinto – é que iniciou o seu governo, por coincidência, em Outubro deste ano de 653, por morte de seu pai em 30 de Setembro ... E caso a norma, quanto à coroação entre os reis godos seja um intervalo de três semanas - como aconteceu a seu sucessor - então Recesvinto deve ter sido coroado à volta de 20 de Outubro, o que não deixa de ser uma coincidência singular com a data em que se comemora Stª Iria...
Com Recesvinto atingiu-se o apogeu da Hespanha Goda, celebrando-se ainda nesse ano o 8º concílio de Toledo - na nova igreja de S. Leocádia - onde se fez a revisão do código  visigótico e se tratou dos costumes do clero,em degradação. É também o ano em que se reduzem os limites da Galécia ao rio Douro, afastando-a pois da diocese de Coimbra - a qual vai até Sélio ou Selium (Tomar), uma das suas sete paróquias. Posteriormente  a divisio de Wamba(672/680) confirma-o.
Na época daquele  rei convertido e piedoso - ofertante à Igreja de uma rica coroa votiva em ouro e pedras preciosas - realizaram-se ainda mais dois concílios: o 9º e o 10º (neste participou S.Frutuoso de Braga-em 656) onde se continuou a tratar de matéria disciplinar,com incidência na vida monástica .
Tal como Clovis o rei franco merovingio, convertido ao catolicismo,escolheu como seu atributo a flor de iris ou lirio (abundante nas margens do rio LYS do mesmo nome,junto a Poitiers onde vencera os  arianos em 507.).. também agora provávelmente à sua imagem (principal força  político-religiosa  a Ocidente) tal  fizera este  rei  godo  cristão trinitario  e campeão dos concilios ( 3 em seu reinado) ...Significativo: ..a flor do lirio  representa-se com 3 petalas e um caule–significando a Trindade e os 3 Ps: Pureza,Perfeição e Pharol ou luz do mundo...... Eis assim a  santa Iris de Clovis (o luminar e modelo da igreja da época)...assinalada junto ao rio agora godo-cristão...-...pura,perfeita e luminosa... afinal nem Salomão na sua magnificência se vestia assim..como os lirios .(.dizem as Escrituras )...

2º sábio- Ilustre  colega, ...realmente a haver uma  mártir, à época, o estranho é que tanto o bispo de Coimbra, Sisiberto, como o próprio S.Frutuoso, bispo de Braga, não se lhe referem em nenhum escrito ; embora este último, praticasse anualmente a reunião abacial, e portanto estivesse bem informado...(O que não obsta a que para a mesma época o bispo Ildefonso  refira até os pretensos milagres de Donato,o coevo monge transfuga! Com maioria de razão alguém falaria na época de uma mártir que ia dar nome a uma cidade!)...Ora três séculos depois (sec. X), o calendário místico de Córdoba (expoente da convivência cultural e religiosa, arabe e latina, na Peninsula), onde se anotam as festas dos santos cristãos, continua omisso neste facto. O que a comunidade paleo-cristã e moçárabe venera são antigos mártires da época romana e não goda (!)...como S.Vicente e S.Brás.

3ºsábio- Para nós,se há algo que é “decapitado” efectivamente naquele ano (653) é a paz ou estado de graça entre o Papa e o Imperador; concretamente 653 é a data insólita da prisão, julgamento e exílio(na Crimeia onde morre)  de um Papa de Roma - Martinho I - por um Imperador cristão de Constantinopola - Constante II ...é um  tempo de ruptura,face ao simbolo de Atanasio: “Perfectus Deus,perfectus homo”.
Martinho I acabava de condenar - no sinodo de Latrão-  a doutrina do monotelismo (que afirma ter cristo duas naturezas, uma humana e outra divina, mas uma só vontade) estando em vigor - por parte de Constante II - a proibição de qualquer discussão no império acerca das naturezas e atributos de Cristo, questão que dividia gravemente os cristãos ... e não se pode esquecer que nessa mesma altura, nascia também um novo e perigoso concorrente da Bíblia: O Corão que começava a unificar sólidamente as fileiras dos seus vizinhos infiéis a Oriente, passada à escrita a doutrina oral dos surates (versículos)...enquanto Jerusalém –a Amada- caia em  mãos infiéis...e era governada pelos Omíadas...

4º sábio- O que temos como certo é que, durante o sec. V com a quebra da estrutura civil romana e o desaparecimento da sua organização militar, ao longo nomeadamente, da estrada romana Scalabis - Conimbriga - aliada aos confrontos bárbaros na zona - estas duas cidades se reduzem lentamente a meros aldeamentos de ínfima importância, apenas pontos de referência. E tal como na vizinhança de Conimbriga, nasceu Coimbra assim também - e a geografia árabe refere-o - ao lado da Scalabis romana vai surgindo uma nova povoação crescente de importância, na Ribeira, junto ao Tejo, área de grande fertilidade.
Iacube - ainda no século XII - fará essa distinção, entre os dois locos ...
Ora, segundo a crónica do bispo Idácio de Chaves, esta região é tomada por Sunerico ao serviço dos visigodos, no séc V.(460)
E falando da  origem do nome deste loco- É muito possível que, tal como na Hespanha, a Andaluzia (passando por Vandalícia) procede dos Vândalos que a tomaram aos romanos, assim também a região de que estamos a tratar, tomasse o nome do seu presor - Sunerico - o que na evolução da linguagem terá dado posteriormente a Senerigo  de que nos falam os relatos da conquista em 1147 por Afonso Henriques.
(Ainda no século seguinte constatamos o godo Leogivildo,fundando cidades: Victoriam e Recópolis-esta em homenagem ao filho-junto ao Tejo em Zorita/Guadalajara)... Ora, nesta época , já  se perdera, evidentemente, a memória real da origem daquele nome - oscilando este entre Seterigo, Sesserigo e Senterigo (de onde também senterinis)...
Desta designação é fácil perceber a apropriação árabe: Xanterine, nome que vão dar ao castelo fortificado, que os mouros estabelecem no alto do monte. Por sua vez, os cristãos vindos para sul a quando do avanço de Afonso III de Leão - que elimina Xurumbaqui, o rei dos montes litorais entre Coimbra, Leiria e Santarém em 876 - ou aqueles que vieram com o rei Ordonho no ano 950, julgam-se perante uma tal Sancta Herene (por semelhança de pronúncia com Xanterine)... Aliás esta designação não se fixa, oscilando também, perdida a sua razão “árabe”, dando Eirea, Eyria, Hirena, Iria...é que ao serem introduzidos no português de época os termos árabes eles sofrem adaptações fonéticas e ajustamentos ou deturpações mesmo quanto á forma(morfologia)...

5º sábio- eu  acho que esta confusão é alimentada também pelos arquivos das Astúrias (sede dos cristãos refugiados, aquando da ofensiva árabe) propagando-se aos séculos posteriores: É o caso alí relatado da existência no norte hispânico, de dois calendários religiosos, já no sec. XI : o do mosteiro de Silos que regista em 1052 uma Stª Hirene de Tessalónica e o da Catedral de Leão que regista diversamente uma S. Eirene de Scalabicastro - mas no ano de 1067 - ou seja depois do  cisma de 1054 entre o patriarca Cerulário do Oriente e o Papa Leão IX a Ocidente (os quais se excomungam mútuamente, a propósito de questões litúrgicas como o uso do pão ázimo na missa e quanto à concepção do Espírito Santo, questão do Filioque como ficou conhecida...
Provávelmente ambos os registos daquela Santa, são apenas memórias desfocadas de uma outra realidade - mais espiritual, do que física - que teve seu desenvolvimento peculiar, tal  como a invenção de Compostela...
Concretizando: sabe-se que em meados do séc. VI, a arquidiocese de Braga, abrangendo toda a galiza, foi ocupada  por S. Martinho de Dume - o conversor dos Suevos Arianos e impulsionador do 1º Concilio de Braga - o qual estudou em Constantinopla (na época, capital do império cristão) , aí recebendo toda a influência doutrinal que possuia. S.Martinho traduz nomeadamente os Apoftegmas dos padres do Deserto...
A Oriente vivia-se então a idade de ouro de Justiniano (527-565). Depois de dois séculos de crise, a preocupação central deste imperador bizantino era a harmonia entre o Império e a Igreja, a paz e prosperidade tão necessários à alma e corpo dos súbditos...
Assim, durante o seu reinado, Justiniano edifica ou  reedifica duas igrejas próximas - que podemos considerar pois irmãs no espaço e no tempo - consagrando uma à Divina Sabedoria (em grego : Aya  Sophia) e outra dedicada à Paz Divina (em grego: Aya  Yrine).
A primeira será a igreja do Patriarca e glória da arquitectura, com sua fabulosa cúpula, como que suspensa do céu, em seus mosaicos”ismit”, pintados a verde e azul, qual Jardim do Eden
A outra igreja (S. Herene ou Iria) dedicada pois à Paz Divina, é reconstruida nesta época pela segunda vez após incêndio, sobre um antigo templo pagão. O seu estilo arquitetónico é o de uma comunhão entre a basílica do ocidente e a rotunda oriental, com suas duas cúpulas na ampla nave central e abóbodas várias nas naves laterais, cujas paredes são rasgadas por 3 niveis de janelas de arco ao romano, que assim iluminam profusamente os belos frescos interiores , com motivos celestes.
Esta igreja, onde em 6ª feira Santa  se depositava a Sagrada Lança ,, servira já transi tóriamente, no século anterior, como catedral, no reinado de Teodoro II.
As 2 igrejas tinham nesse  sec VI uma cleresia composta por quase 500 elementos  entre sacerdotes, diaconos,subdiaconos, leitores, cantores  e outros!...
 
(igreja de St. Eyrine ou da Paz Divina em Istambul, frente a S.Sophia ou Divina Sabedoria)

6º sábio-  Ambas as igrejas são portanto de invocação simbólica e não a santas reais, prática aliás, comum na igreja oriental e deveras visível nas companheiras “gregas” de S. Iria nos calendários litúrgicos da época medieval: Stª. Pitis (em grego: Fé). Elpis (Esperança), Ágape (Caridade), Chionia (Pureza), Sofia (Sabedoria) - tais nomes de santas,  não são mais do que alegorias de virtudes cristãs teologais e morais ou frutos e dons do Espiríto Santo, respectivamente!..(cf: P. Miguel de Oliveira,64  e  Mario Girardi,83). 
Circa do ano 1000 foram  personalizadas no 1º teatro edificante cristão conhecido,obra da monja alemã Roswita de Gandsheim,que nos apresenta a mãe Sabedoria e suas 3 filhas virgens e noivas de Cristo,mortas á espada a mando do imperador Adriano... assim, popularizando a velha carta de S.Jeronimo ás mães, exortando-as  a serem  sogras de Deus (sic)!.. entregando-lhe suas filhas, pois “é melhor casarem com um Rei,do que com um simples soldado”.. .Assim, com tantas sogras...Deus tornou-se definitivamente invisível! ... ( gargalhada geral dos Sábios)...

7º sábio- Bem, no séc. XII, já há muito se esquecera o grego em Hespanha, o que explica a tal memória desfocada de que falámos atrás... Ainda recordando a época visigótica: a partir do 3º concílio de Toledo (589)  a corte Goda adopta na peninsula ibérica, hábitos bizantinos, depois de sua conversão pelo também frequentador de Bizâncio, São  Leandro (irmão de S. Isidro de Sevilha) e o próprio rei Recesvinto - a partir do início do seu reinado - vai aprofundar essa ligação ao oriente. São fruto dessa época - tanto a sul (Mértola) como a norte (Lamego) as cruzes gregas que aparecem nas sepulturas cristãs lusitanas.
Adoptamos também o uso , generalizado na liturgia oriental, dos dias da “féria” e não astrológicos. E certamente , não será por acaso, que a maior parte dos nomes de santos das Beiras e Minho, são santos orientais. Aliás a 2ª metade do Seiscentos é marcada pela chegada do 1º papa grego-Sergio- e pela introdução de uma série de cultos orientais a ocidente...E posteriormente acontece até que vários santos com actas apócrifas de martírio passam a receber veneração litúrgica...
Na continuidade, também o rito moçárabe se inspirará no sírio-grego e bizantino...cultuando o seu santoral específico :  Sª Columba, S.Cucufate, S.Mamede e Sª Iria...
Mais, da própria Scalabis, partirá cerca do ano 570, ainda jovem, um tal João Biclarense para Constantinopla,onde estuda durante 7 anos letras latinas e gregas. (compõe uma crónica sobre o reinado de Justino a oriente e Leogivildo a ocidente) e donde regressa em 578, mas sendo perseguido por Leogivildo, no periodo da disputa religiosa  com Hermenegildo, afasta-se para Gerona, onde funda um mosteiro,com sua Regra, segundo a crónica de S. Isidro. Participa no concílio de Toledo de 597. O que exemplifica  uma certa ligação espiritual na época entre Santarém e Constantinopla... (tal como no século anterior da Galécia partira em peregrinação ao oriente -Jerusalém e Constantinopla- uma certa Etérea...com possível ramo familiar em Antioquia, de onde João colige noticias de um curator ,o patrício Etéreo circa 560,em rebelião com Justino)... Mas há mais: tal como Avitus em Braga anteriormente, também agora Libério - em 580 - oficial ao serviço de Bizâncio na Lusitânia e na Bética, para aqui traz naturalmente alguns dos seus cultos particulares... Essa  influência é directa ,até ao ano 621.

E o 8º e último Sábio concluiu: -  É possível, portanto, que em Santarém se tenha dado ao longo dos séculos uma comunhão reforçante e acidental dos dois factos: o nome do presor godo, adulterado pelos árabes e a memória cristã de um culto oriental, já esquecido o seu significado grego...
Clarificando a lenda: por detrás da chegada, pela águas, à ribeira de Scalabis de “Santa Eyria”, esconde-se a chegada do Godo Suneric ao areal, alí fazendo presúria, para além da ligação manifesta do burgo santareno ao Oriente: enquanto  grande porto fluvial do mundo com seu  deposito  de mercancias.
Coincidência significativa : na Grecia existe uma ilha chamada  Santorini e um santuario chamado de Iria em Naxos, lugar de cultos vários , desde a época micénica...
...Aqui, no conventus scalabitano, do tal rei Recesvinto resta-nos como sinal confirmado, uma moeda de seu reinado cunhada em Hispalis/Sevilha e encontrada no caminho entre Tomar e Torres Novas ...

                                               (Continua)


29.3.14

DIDACHÉ - Iniciação do cavaleiro Templário






Onde se trata dos conteúdos que nos propomos  apresentar e representar no castelo templário de Tomar . Primeiramente, trata-se de um texto feito de raiz para este espaço e adequado à sua especificidade . Não fala de algo importado da vida de qualquer outro mosteiro, sim do que se passava intra-muros à luz do que  conhecemos...


PrólogoNaquele tempo, dionisino, existia um Portugal verdadeiro e fundamental, caracterizado pela cooperação e pela fraternidade…hoje uma alma em dormência , nas palavras de Agostinho da Silva.

Efectivamente, a atrofia de memoria cultural, e o endeusamento do efémero, é um traço dominante da 2ª metade do seculo XX . A grande maioria de nós já não é capaz de identificar as passagens centrais da Biblia ou dos clássicos, que foram o alfabeto de nossas leis e instituições...(G. Steiner)
A espessura da memória só será preservada, se dermos importância acrescida ao tempo histórico e á reflexão sobre o mistério das coisas e da vida.... ligando o conhecimento á compreensão deste nosso mundo : este , o vero culto da Sabedoria ...afinal a Idade Media foi o início da Europa de hoje ! (H. Godinho-Un .Nova) .

Urge preservar as raízes de nossa identidade e para tal , a melhor defesa (da tradição , do tempo mítico e do espaço sagrado) é torná-las vivas, fazer a recriação, actualização ,desses valores perenes e do património… (J. Anes- REAA)
Com a perda do sentido da memoria da humanidade, o vazio entrou em nossas vidas e a calma e a luz são-nos quase alheias. Tabucchi, considera como constante premonitoria do ultimo seculo,o dessasossego(mal estar) diagnosticado por F.Pessoa ..desilusão de viver, falta de prosperidade e paz...a inquietação que nos assola.

O reencontro com essa idade de Ouro, é a nossa demanda, aqui e agora, nesta cidade irénica ou da paz espiritual...através de uma acção cultural, entendida como aquele “misterioso elemento que despertando , permite abrir momentâneamente a nossa percepção...possibilitando o encontro com essa verdade , que nós sozinhos dificilmente poderiamos alcançar (Peter Brook) ...ou nas palavras de outro autor cénico : por uma animação teatral “enquanto forma de meditação , que alargará o aparelho sensivel do homem, à visão dos espaços secretos “ (Wilson, 92).

O texto propõe uma construção para a realidade da época templária, desenvolvendo-se como um vero “Jeu” entre o que permanece oculto (enigmas , lacunas documentais) e que é visível ,mostrado, revelado (Phainomenon.) numa aproximação coeva , tanto quanto possível á distância de uma geração ( de 30 anos) no que respeita a nomes, actos ou pensamentos...

Composição fabricada a partir (como soe dizer-se ) das mais desvairadas fontes documentais e justificando-se no pensamento de Poincaré quer afirmou que “as combinações mais ferteis são formadas de elementos retirados dos dominios mais afastados”…
Texto mìstico de prosa e algum verso, espelhando uma época de transição, á imagem da literatura de chantefable como “Aucassin e Nicolette” composto no sec XIII… com partes para serem contadas e outras cantadas…


A acção ritual acontece circa 1286- no castelo templário de Tomar, onde o Mestre da Ordem, D.João Fernandes, inicia um sobrinho em Capitulo, segundo um testemunho, relatado nas inquirições de D.Dinis de 1317.
Evocação histórica, balanceada entre o rigor historico e a necessidade de agradar a um vasto publico, buscando divulgar e explicar , sem se tornar uma tese ou missa pesada para os convivas... mas sempre tendo em conta que o ritual tem um presença considerável na vida social da época : um mundo de gestos, mais do que palavras escritas, como diz o historiador J. LeGoff…onde as figuras serão reanimadas pelos ritos ... como na velha crença egípcia.

A organização do tempo ficcional (contido aristotélicamente em uma única revolução solar) acompanha a estruturação do espaço : 4 actos - cada um em sua mansão...Trata-se de uma encenação “ao medievo” tipo auto da Criação- que se desenrola no Terreiro do castelo ,como Iniciação através dos 4 elementos : Terra- Água–Ar–Fogo,á semelhança do que está figurado nos capiteis da Charola e conforme á doutrina Hermética:“a imagem do que está em cima:é o que está em baixo
Teatro de mistérios- dos menores aos maiores- como uma sucessão de frescos giottescos, desde as antigas Iniciações até aos dias do Templo; representação didáctica em defesa e louvor da Milícia Templaria ...
Efectivamente, baseados na tradição universal ,mas tambem na local e alicerçados na autenticidade da Regra primitiva descrita por Regine Pernoud, tentamos esclarecer as 3 principais acusações feitas aos templarios no seu tempo: o beijo na boca, a vituperação da cruz e a adoração da cabeça "bafometica"... afinal : um ósculo cortez, a evocação da Paixão e o culto das reliquias na época... respectivamente!

Evocando velhos e novos ritos templarios, buscamos tambem encontrar o tronco comum a todas as iniciações (básicamente 3 estados : purificação, comunicação de segredos e visão plena da Realidade ) de forma que seja útil a todas as crenças e filosofias....
Cenográficamente naturalista- já que é o proprio monumento real que nos envolve... com suas muralhas, portas, arcos, frestas, capiteis, abóbada, escadas,arvore ,tanque... em sua função original... mas que não só os mostra, também os anima- dando-lhe vida, alma- expôe emoções/vibrações de época...uma autêntica atmosfera do lugar, tanto no espiritual como no temporal , acercando-nos da vida do sec XIII.
As cenas são como capiteis animados, estátuas que se movem, que exprimem o ser com o gesto e o rosto, duma forma naturalista... como Daniel que sorri e mexe o pé, no Portico da Gloria compostelano!

O objectivo é mostrar o processo da Iniciação, a atitude do candidato ao Templo a caminho da perfeição, através de quadros significativos : a fera que confronta o homem junto á arvore terrestre , a dissolução da forma material no nivel liquido, o ser alado nas escadas , o fogo espiritual na Charola...

Usa visões simbólicas para exteriorizar a angústia e o êxtase : o dragão... a hóstia de luz ; nesse sentido uma representação expressionista : expressa estados de alma, mostra a realidade interna do personagem , a passagem para a luz do candidato, a sua evolução espiritual...através da via probatica e do sacrificio...”no estado de degenerescência, depois da queda, é pela pele (pelas provas,dor espiritual,sacrificio corporal) que se hão-de clarificar/iluminar os espiritos... diz Artaud.
Expôe o conflito da alma, arena de luta, na visão da monja Hildegarda de Bingen
( sec XII) , entre o bem e o mal - numa linguagem visual ,comum a hoje e ontem…

No amplo Terreiro,o registo interpretativo é, como não podia deixar de ser, expressionista,na voz vibrante e no gesto largo; já no interior da Charola,adquire um tom salmódico e comedido,próprio ao cerimonial que aí decorre...
Acção dramática , onde há um percurso iniciatico ,uma progressão/subida ao Terreiro, como Purgatório/ purificação do cavaleiro, na via do espiritual : á imagem do caminho fragoso e difícil de Dante …mas no fim, alegre e deleitoso…como dirá o nosso Camões, ( Lusíadas,9.90) - ao atingir a platónica Planicie da Verdade ou paraíso terreal na Charola, pequeno planalto coroando o Monte sacro , onde reside a cavalaria mística e hiperbórea (a norte do castelo).

Segundo Ricardo de S.Vitor, a ascensão da montanha é o conhecimento de si e o que se passa no cimo, conduz ao conhecimento do Divino.
Percurso alquímico através do qual o homem transmuta sua natureza inferior de chumbo, elevando-se ao estado purificado do Ouro.
Aqui tudo obedece a um simbolismo : se as cores e vestes indicam uma posição social, os objectos ,esses, não são vulgares instrumentos, são meios de fazer pensar e sentir, estimulando a imaginação dos convivas, que meditam e percorrem o caminho da Demanda, ao encontro do Espirito da Luz .
Ritual simbólico com o objectivo de obter uma vida anímica superior, onde , em contacto físico com local marcado pelo transcendente, se recebem ensinamentos e experimentam certas emoções ou estados de alma.
Em suma: uma viagem /peregrinação de aperfeiçoamento e conhecimento : há algo mais , para além do visível , a procurar !
- Tudo em ambiente mágico e real - onde a qualidade é dada pelo rigor á época e seu pensamento...incluindo uma certa " libertas goliardica" , anti-naturalista, para acrescentar o gozo anímico dos participantes…onde se recupera a comunhão do teatro medieval... onde todo são envolvidos e participam em união.

Um teatro de identificação : onde o monge se identifica com Cristo sofredor, percorrendo arfante com a cruz a via sacra ou sendo estigmatizado como S.Francisco; o iniciado se identifica com o carrasco pecador, batendo ,injuriando , negando a Cristo...e chorando de arrependimento...e o público que se identifica com a crença : apedrejando ao vivo os carrascos/saiões na Semana Santa da Valhadolid medieva ...ou vibrando em enthousiasmus (o divino em si) aqui, como na Grecia antiga ... em roda da Arvore simbólica e real , meditando em movimento.

Teatro de exaltação, revelação, decifração e metamorfose... onde os convivas obtêm respostas para si mesmo,renovam suas forças interiores,sua vontade,superam-se a si proprios...tornam-se Outro! ... porque aqui divertir é ver de outra forma, uma nova visão transformadora, elevando a sua consciência do mundo em que vivem e da vida ...favorecendo o Espirito da fraternidade , a que apelava J. Rousseau in carta a D’Alembert (1758) : “ convertam os espectadores em espectáculo, façam-nos actores, façam com que cada um se veja e goste de si proprio, para que desse modo se sintam mais unidos”… Em suma, um teatro edificante, proporcionando uma mudança de atitudes, do individualismo/egoísmo á solidariedade!
À imagem- actualizante- do mistério dominical, a prática deste ritual fará coincidir o presente da acção e o presente da representação ( re-presentar é tornar a ser presente) ; desta guisa , todos serão iniciados, em algum grau, tal como o cavaleiro-iniciado... A prática gestual dos conceitos essenciais, colocá-los-á no coração do misterio imemorial. Na via da Demanda da Perfeição, "em sonho e realidade, que faz a vitoria da condição humana"...segundo o discurso magistral de M.Oliveira,cineasta.


19.3.14

Vers la création d’un itinéraire européen des Templiers

   
                                                     

                          


                                                                                                                                                                                             
Communiqué de Presse        18/03/2014   
                                     
Un projet initié par la commune de Tomar au Portugal 
et le département de l’Aube 
                                                                     
A l’occasion du 700e anniversaire de la mort sur le bûcher de Jacques de Molay, dernier grand maître des Templiers, la région de Tomar au Portugal et le département de l’Aube annoncent leur intention de créer un itinéraire européen des Templiers.



En 2012, l’Aube consacre son année culturelle aux Templiers, dont l’événement central est l’exposition Templiers, une histoire, notre trésor organisée par le Conseil général. Dans ce cadre, des liens se sont tissés avec les représentants du site templier portugais de Tomar.
Deux ans plus tard, le Conseil général de l’Aube, son comité départemental du tourisme d’une part, la commune de Tomar, les associations Templ’Anima* et Civitas** d’autre part, se placent au cœur d’une dynamique internationale en décidant de monter conjointement un itinéraire templier européen . Une belle façon de continuer d’attirer des touristes sur le thème des Templiers.
L’Aube et Tomar Alpha et Omega de l’histoire des Templiers en EuropeL’histoire de l'ordre du Temple est étroitement liée à l’Aube. Fondateur et premier maître du Temple, Hugues de Payns est natif d’un village proche de Troyes. Lors du concile de Troyes de 1129, la règle de l’Ordre est rédigée et adoptée sous l'égide de Bernard de Clairvaux. La Champagne a fourni des figures majeures de l’ordre du Temple et des croisades.
Située au centre du pays, la ville de Tomar est fondée en 1160 comme quartier général des Templiers au Portugal. Elle fut le dernier siège templier provincial d'Europe. Classée par l’Unesco au patrimoine mondial, elle conserve un patrimoine templier en parfait état, notamment le château et le couvent, un complexe architectural d’exception.
Un itinéraire culturel européenL’itinéraire envisagé a pour but de promouvoir les lieux templiers européens auprès du public. Il va permettre de fédérer les acteurs du tourisme et de la culture sur la structuration de circuits locaux. Un travail amorcé dans l’Aube grâce à l’événement Templiers, une histoire, notre trésor.
Très concrètement , le projet devrait permettre l’inventaire des sites encore conservés en Europe, la création d’une charte commune de communication et de signalisation en Europe. Un calendrier commun d’événements pourrait être mis en place, contribuant à plus de visites et de séjours.
Lancement en octobre 2014
Un congrès international sur le thème du tourisme culturel se déroulera en octobre prochain au Portugal. La création d’une association pour la Route templière européenne devrait y être ratifiée.  Le projet sera élargi à d'autres territoires en particulier Pérouse (Italie) et Ponferrada (Espagne) afin de pouvoir être certifié par l’institut européen des routes culturelles (European Institute of Cultural Routes –EICR).                                                                

18.3.14

MORTO O MESTRE... VIVA A SUA OBRA !




Pouco depois da hora de Vésperas a 18 de março 1314 -faz agora 700 anos - os parisienses testemunhavam  um infausto acontecimento  na Ile  aux Juifs  (onde está agora a estátua equestre de Henrique IV ):  a morte na fogueira  de dois templários - Jacques de Molay, o 23º e ultimo Grande Mestre e Geoffry de Charney, o Preceptor da Normandia , sendo vítimas das intrigas do rei  contra o poderio da Ordem, dissolvida pelo papa em 1312. Desceu assim o manto do ocultamento ,sobre esta célebre e valiosa Cavalaria  , com suas ramificações em vários paises da Europa...
Exatamente 7 séculos depois a Arvore do Templo reverdesce... Na ocasião  deste sétimo centenário, anunciamos o lançamento de uma nova rota cultural europeia , muito importante para a memória da Europa. Uma Rota exclusiva de burgos templários, castelos, igrejas e comendas, baseada nas afinidades relacionais, promovendo o desenvolvimento conjunto e  sustentável.

O PROJECTO :
A região de Tomar, lugar templário emblemático de Portugal, classificado pela Unesco como património mundial e que recentemente, em 2010,  comemorou os 850 anos de sua fundação templaria  e  o engajamento , em França, do  departmento  de L' Aube , no prolongamento da operação organizada pelo seu Conselho Geral , “ Aube Templiers 2012”, colocam as duas regiões no centro de uma dinâmica internacional, ao decidir montar este dossier conjuntamente.
Nós constatámos aliás que existem numerosas similitudes em muitos aspectos entre as duas regiões:  laços  entre a região de Troyes , lugar da primeira comenda da Ordem e de seu concilio fundador  e a  cidade templária de Tomar , em Portugal,  última sede templária provincial da Europa com um património ainda hoje completo ( a igreja redonda e o castelo que a envolve ).    Associando-lhe os territórios de Perugia (Italia) e  de Ponferrada (Espanha), os iniciadores do projecto contam assim criar laços turisticos e culturais entre estes quatro “pilares” para dar uma base sólida e concreta a esta Rota Templária europeia, sob a forma de uma federação baseada principalmente no turismo cultural.

Visamos assim  unir os diferentes centros de memória templária europeia , dando mais visibilidade às diferentes partes do conjunto, mostrando ao mesmo tempo, o que existe em comum e o que é particular, forjando um itinerário específico.
O grande interesse pelos templários é uma oportunidade para valorizar o património comum , favorecer a economia e o desenvolvimento do turismo cultural em toda a Europa.  Uma oportunidade cultural/turistica com grande potencial de crescimento europeu...pois há muitos sitios  pouco conhecidos a descobrir e um largo público em busca desses vestígios.
Nós co-herdeiros dum  património eterno  e inspirador, propômo-nos assim valorizar  sob a forma de “marca templária europeia” a criação deste itinerario cultural , como   alavanca do desenvolvimento sustentado das regiões e  valor acrescentado de dimensão europeia.


São objetivos  da Rota:  promover os locais, desenvolver um sentimento de pertença a uma identidade comum  em espirito ecuménico, verdadeiro exercicio de cidadania europeial ; ligar os actores do turismo e da cultura através de circuitos locais, á descoberta dos lugares templarios , estruturando percursos de proximidade.
  • Este projecto desenvolve-se em cada região. Em Portugal a iniciativa pioneira integrando comendas e castelos da Ordem : em Tomar, Cardiga e Almourol. E na região de L’Aube : Troyes,  Payns,  Avalleur  e Floresta do Templo . Um tronco comum, gerador de  eventos e celebrações,  contribuindo para mais visitas e permanências.
  • Inventariados que estão os sitios ainda preservados na Europa ,  segue-se  um Congresso internacional em Outubro próximo. Onde se ratificará a criação da Associação para a Rota Templária Europeia  , se fará  o  alargamento a novos sitios, consolidando  o projecto de forma a ser certificado pelo "European Institute of Cultural Routes" (EICR).
  • O Logo comum de sinalização na Europa será a cruz pátea (designando a origem oriental da Ordem do Templo).

Estamos convictos que esta Rota se concretizará em breve , alargando aos templários- temática bastante popular- a oferta turistica europeia, através de uma vasta rede de locais notáveis.
Dirigida a visitantes interessados na procura de algo mais do que olhar a materialidade dos monumentos:  querem ver a essência dos lugares, portadores de mensagens eternas... fruir o vero espirito dos múltiplos lugares templários existentes  principalmente em 6 paises europeus:  Inglaterra, França, Alemanha, Italia, Espanha e Portugal.
 Preparem-se desde já todos os que querem  atravessar este Umbral ,
 aprenderão a conhecer os mais profundos mistérios da Ordem !

18  de  Março  de  2014  
Le Département de l’Aube(France)- Comité de Tourisme
CIVITAS THOMAR

TEMPL’ANIMA

10.1.14

. Rota Tagana dos Templários






Esta é uma Rota  Templária  seguindo as margens do rio Tejo,   entre  a  região da  Grande Lisboa  e a  zona de Santarém , ou seja o percurso das conquistas aos mouros no sec XII.






Sintra


Começamos em Sintra. Os Templários tiveram umas boas casas em Sintra, desde 1154 ,  proximas do paço real,  com sede nas Murtas, tendo ocupado todo o espaço onde hoje se encontra o Hotel Central e o Café Paris,  e tb no arrabalde ou  Almosquer , tudo integrado na comenda  de Santa Maria de Sintra  .Vide cruzes templarias junto a umas escadarias.  Descendo quatro pisos no Café Paris e uns bons oito metros abaixo do nível do solo, depara-se com uma sala em abóbada de berço suportada por colunas delgadas e ao fundo uma galeria subterrânea que parte em direcção ao Palácio Real…Visite-o e coma depois  a  queijada medieval que servia de pagamento de foros ao Templo no sec XIII … Saia pela IC19.


                                Carnide


Carnide- Veja estelas templarias na igreja de S.Lourenço de Carnide



Odivelas

Odivelas- Veja lapides templarias e arca tumular com jacente de  D.Dinis na igreja local.




                                    Loures


Igreja Matriz de Loures--  de Sta. Maria de Loures)  Séc. XVI, construído sobre as ruínas de uma capela templária do Séc. XIII consagrada a Sta.Maria de Loires,  Frente à porta principal está uma sepultura de um Cavaleiro Templário, provavelmente pessoa de importância dado que na pedra da sepultura aparece um abacus.  Sta. Maria de Loures foi designada a 28ª Comenda da Ordem do Templo



                 Vila Franca de Xira


Comenda de Vila Franca (Passagem). D.Froila Hermiges  viuva e irmã no Templo de Fonte Arcada(Penafiel) doa aos Templarios Vila Franca de  Xira  e terras em redor  em 1228. .  Capital desde 2004 de vilas francas da Europa


                             Alenquer

Alenquer- Colegiada da igreja S.Estevão do sec XII , possivelmente templaria
Vide convento franciscano…de onde irradiou a festa do Espirito Santo Imperador...



                            Rio Maior


Rio Maior- únicas Minas de sal gema –talhos de agua salgada  extraida de um poço na rocha…Desde 1177 a Ordem do  Templo tinha  1/5 da produção de sal . Vide escritura comercial em tabuas de madeira   ao modo medieval . na taberna local , com  sinais inscritos  de - deve e haver- dos copos de vinho dos talhadores…pagos em sal (troca em géneros).




                                       Santarém

Santarem- Vide Igreja de S.Maria da  Alcáçova – antiga sede templaria- onde é visivel uma lapide de 2 mestres templarios anteriores a Gualdim e à sede de  Tomar. Ver   igreja hospitalaria de S.João de Alporão e  o jardim das Portas do Sol rodeado pelas muralhas.



2.1.14

Santos de Luz Patronos dos Cavaleiros Templários



Hoje 2 janeiro dia de  S.Gregorio de Nazianzo





...A princípio era a LUZ...Face às variações astrais os homens - esses Adões desterrados na floresta Primordial - invocam a magia da Natura que os rodeia em diálogo com o sobrenatural... Era  costume dos pagãos para comemorar o dia ...acender luzes em sinal de festa .No século V, o Papa Leão I (o Grande) falou de como a celebração do nascimento de Cristo coincidiu com a posição do sol crescente no céu , em vários sermões sobre a Festa da Natividade. "

Como afirma  José Manuel ANES:  o ciclo natalicio das festividades cristãs integra-se/coincide com as comemorações do Solsticio de inverno….A data do Solsticio é o dia em que o sol atinge o seu grau minimo de luminosidade na Terra;  chamam esse dia de dia do renascimento da luz... Depois do dia 21 de dezembro, começa  um novo ciclo anual... O Ano Litúrgico reproduz a vida de Cristo, a evolução do cosmos e a evolução espiritual do Homem...

                                      
SOLINVICTUS- Mosaico de Cristo como Sol ou Apollo-Helios no Mausoléu M na necrópole cristã (sec III) abaixo de S.Pedro no Vaticano

Ora acontece -em coincidência significativa- que em Tomar há noticia de relicarios de 2 santos , um de oriente outro de ocidente   muito  importantes para os templarios  e cuja festa no calendario liturgico  se evoca neste periodo natalicio, apenas  com um curto intervalo de 5 dias , o primeiro 3 dias antes do fim do ano e o outro ao segundo dia do ano ! 



29 DEZ-   S.Tomás de Cantuária,  patrono da Charola templária..

 ...Tomás Becket nascido em Londres em 1118 (no mesmo ano de Gualdim) foi nomeado arcebispo de Cantuária em 62...no mesmo ano em que Gualdim com seus freires, dá o 1º foral aos moradores em Tomar.
                 
Algum tempo depois, pela artes do diabo -segundo a Legenda - surgiu grande debate, variância, e conflitos, entre o rei e S. Tomás. A discórdia era sobre os direitos e privilégios da Igreja ,que Henrique acha cerceadores de seu poder...
Becket protesta contra esta lei e  então começou a campanha de perseguição contra Tomás ...
Parte secretamente na noite mística de 13 de Outubro, (1164) e exila-se em França,
 As negociações entre Henrique, o papa e o arcebispo arrastam - se durante quatro anos..., .

 Em 1 de Dezembro de 1170, Becket desembarca em Inglaterra. tendo na sua posse, cartas obtidas do Papa para suspensão do arcebispo de York, e os outros prelados que o tinham assistido na coroação de Henrique o jovem herdeiro dorei., sem a autiorização do papa...
 Então ,furioso ,em um momento de raiva,Henrique terá pronunciado estas palavras fatais : "Não haverá ninguém capaz de livrar - me deste turbulento padre?"
E imediatamente 4 cavaleiros inimigos de Deus,se puseram a caminho para cumprir esse designio
 Numa  tarde invernosa, à hora de Vésperas, pelas cinco da tarde do  dia 29 de Dezembro, um crime abalou a Europa: 4 cavaleiros do rei Henrique de Inglaterra assassinaram o arcebispo de Cantuária, a golpes de espada, em sua própria catedral!... no dia seguinte ao aniversario festivo dos santos Inocentes,

                                

 Apenas 3 anos depois da morte , o Arcebispo foi canonizado pelo Papa ,  : .”
  ... Cantuária tornou-se um lugar de peregrinação dos mais visitados a Ocidente ,como relata Chaucer nos Contos de Canterbury :
Surge nas gentes o desejo de peregrinação/e os romeus buscam lugares de remotos santos /
 de mui antiqua veneração / e vêm expressamente ... de todos os recantos!..
. .
S.Tomás torna-se o patrono dos sargentos do Templo, sendo-lhe dedicada por sua irmã uma capela na igreja Rotunda de Londres ,junto à porta do hall .  ... Em 1185  , segundo uma tradição, também o mestre templario Gualdim Pais, se deslocou a Inglaterra , a quando da consagração da nova igreja redonda do templo em Londres, e trouxe para Tomar relíquias (dois ossos da cabeça) de S.Tomás de Cantuária, pelo qual tinha grande admiração;para enriquecimento de sua igreja. Provávelmente foi feito na época um relicário com formato de cabeça para guardar aqueles ossos ( como era costume medievo, os relicários tomarem a forma da parte do corpo,a que pertenciam os ossos do santo)... A cabeça provocava medo nos iniciados ,pois era usada nas admissões da Ordem , como reíiquias a venerar...
Mas depois com a perseguição às cabeças, no tempo do tenebroso Filipe o Belo, esta desapareceu...
 O nosso Infante D.Henrique se refere a seu culto em Tomar,numa petição ao papa Eugenio IV de 1434. E um de seus criados navegadores porá mesmo o nome de S.Tomás a uma das ilhas descobertas no arquipelago dos Açores...


Dia 2 de Janeiro- Dia de S. Gregório Nazianzeno

S.Gregório - um dos 4 doutores da igreja oriental- nasceu em Arianzo, próximo a Nazianzo/ Capadócia no ano 329 DC. ,tendo dedicado a sua vida á meditação e à luta contra a heresia arianista.
Chamado pelo Imperador Teodósio o Grande para a cátedra de Constantinopla (379) , profere 5 discursos sobre a Trindade que lhe dão fama como teólogo! . Em 381 participa no I Concílio de Constantinopla que define a Divindade dogmática do Espírito Santo. Depois renuncia à cátedra, para evitar disputas entre os pastores da igreja e retorna á vida contemplativa em Arianzo onde morre aos 61 anos de idade (390).
Em época posterior , procedeu-se à distribui-ção de suas reliquias, sendo grande a sua veneração.Gualdim trouxe da Terra Santa ,a quando da sua participação nas Cruzadas, um relicario   com 2 dedos da mão direita de S.Gregório Nazianzo.
                                


Famosa obra de arte , enriquecida  com pedrarias no tempo de D.Manuel , esteve por periodos, na Charola e na Igreja de S.Maria , aqui exposta em um pé do altar-mor...encontrando-se hoje depositada no museu (Tesouro) da Sé de Lisboa.