16.3.15

Cerimonial de Água às Mãos e Têmpera do Vinho à Mesa Real segundo Costumes de Aragão


Do final do sec XIII em plena época dionisíaca chega-nos com Isabel de Aragão um ritual de bem servir á mesa do rei , nomeadamente quanto ao perigo de envenenamento .
Assim se procedia com cuidado , por parte dos Oficiais de mesa , que era o Copeiro-mor (Pero Pais , no tempo de D.Dinis) , um seu auxiliar ou Copeiro pequeno, o Roupeiro ou manteeiro que trata das toalhas, e o Vedor que com sua maça funciona como mestre sala velando pelo bom ordenamento de tudo.

A copa real era na época uma arca ou pequeno aparador servindo de assento á baixela do Rei e que se encontrava perto da mesa real. As abreviaturas (no texto abaixo) MD e ME significam Mão Direita e Mão Esquerda . O gomil é um jarro e o bacio uma pequena bacia ou vaso(cf. Figura).
A salva é tb um pequena bacia ou bandeja com rebordo e a copa do copeiro pequeno , trata-se de um pequeno copo. O Graal é naturalmente um calice com sua patena ou cobertura.



                                                  CERIMONIAL 


Convém treinar bem e repetidamente isto para que não se troquem as mãos na hora. Parece confuso á primeira , mas depois entra na rotina e torna-se bem simples...
Foi o que fizemos no Recinto dos Cavaleiros do castelo de Tomar durante o 2º semestre do ano de 2006, quando realizávamos  o Prandium ou almoço monastico-militar Templario.




Algo qualitativamente pedagógico sobre a época e que convém ter em atenção por aqueles que olham por defeito e prioridade para o quantitativo …

(Prandium na Galeria da Igreja S.Maria dos Olivais)

8.3.15

I Simposio Internacional de las Órdenes Militares em Monzón



A Templ'Anima esteve presente – por sua iniciativa- no I Simposio Internacional de las Órdenes Militares Protagonistas de la Historia en el Medievo Europeo, em Monzón ,cidade templaria do reino de Aragão (Espanha) ; no ambito do intercambio cultural aliado à Rota Templaria Europeia, e enquanto tal, associada à camara de Tomar, através do Gabinete da Presidencia e Divisão Cultural.


Este encontro científico teve lugar no Salón de Actos de la Casa de la Cultura de Monzón nos dias 26,27 e 28 de Fevereiro e nele interveio um nosso elemento o Dr. Ernesto Jana com a comunicação intitulada “O papel da igreja de Santa Maria do Olival nas Ordens do Templo e de Cristo” com abundantes imagens projetadas sobre a monumentalidade de Tomar. Destaque ainda para as comunicações de Dr.Jose Luis Corral da Univ. de Saragoça, Dr. Carlos Ayala da Univ. de Madrid e Drª Simonetta Cerrini da Univ. de Milão.





No castelo , assistimos a uma recreação histórica por parte do grupo Trottamundos , que nos mostrou a admissão de um cavaleiro na Ordem e a investidura das armas.




Mais tarde assistimos a uma Animação evocatória da presença do futuro rei Jaime I de Aragão ,enquanto menino à guarda do mestre templario, em Monzón ,pelo mesmo grupo de teatro local .





No final deste Simposio fizemos ainda uma visita a outros 2 castelos templarios : Miravet e Tortosa., depois de nos despedirmos e agradecermos á Alcadeza local a boa recepçáo da nossa delegação.




4.1.15

Balanço da Rota Templaria Europeia

 
Reconhecendo a importancia dos itinerarios culturais em materia de cooperação cultural transfronteiriça e o -desenvolvimento de um turismo cultural sustentavel , pugnámos durante varios anos, pelo desenvolvimento de uma rede de cidades europeias de tema templario. Tomamos como modelo nacional o exemplo de Vale de Sousa na sua construção de uma rota do romanico e sua integração na respetiva Rede Internacional , desenvolvendo um Programa de implementação e dinamização turistica-cultural da Rota-( identificar patrimonio, estruturar percursos, plano de acção estrategico).
Foi nesse sentido que establecemos contacto com Troyes- onde começou a Ordem- e se procedeu a um acordo institucional em Outubro entre Tomar e Troyes que prevê um grupo de trabalho para a elaboração do projecto da Carta-(criterios de adesao- plano de comunicação incluindo o logo e de promoção ).
- O modelo europeu prevê tb a existencia de partneriados e ações conjuntas de cooperação, destinados a acrescentar os recursos disponiveis para o turismo cultural na Europa, combinando arte , gastronomia, eventos e celebrações , ligando areas afins.
-Tb em Vale de Sousa- se apostou em candidaturas-programa de valorização, potenciar a oferta de produtos, promover o envolvimento da comunidade, a procura de sinergias.
-:Em novembro , em reuniao na Camara de Tomar - com Ponferrada e Monzon*- apostou-se numa candidatura conjunta ao programa europeu .SUDOE na vertente ambiental ( unica disponivel.!..e se fosse no INTERREG ?) na criação de uma estrategia de construção da rede europeia de cidades templarias,pela afirmação do territorio templario e sua valorizacao turistico-cultural e produtos locais (identificar elementos originais do patrimonio cultural , identificar lugares europeus visitaveis , potenciar o intercambio cultural , establecer contactos com outras cidades no futuro).
*Monzon -é a sede da Domus Templi ou rota catalã-aragonesa no Cinca Medio : um conjunto de 5 comendas templarias em Peniscola, Tortosa, Miravet, Lleida e Monzon , funcionando há mais de uma dezena de anos, quotizando-se anualmente, para efeitos de comunicação e promoção conjunta de eventos em seus territorios.

   

Alguns comentarios francos...quanto a alguns intervenientes convidados ...
  • A Adirn é / tem sido ,antes de mais ,um projecto de Desenvolvimento Rural, nao cultural nem citadino ,muito menos templario...com pouca experiencia de cooperação especifica na area ( como confessa alias a quando da apresentação em Tomar da “Territorium Ordine “ há 2 anos, projecto entretanto falhado segundo informação dos espanhois)...Talvez para complementar essa falha ou para contentar uma certa oposição (que alias primou pela ausencia ,preferindo continuar na ignorancia) ... anexaram-lhe singularmente uma org. neotemplaria que se pretende unica, quando na verdade existem pelo menos 3 ramos (que se reinvindicam do mesmo) todos historicamente derivadas do excentrico Sr. Palaprat inventor de documentos e ascendencias ... no principio do sec XIX !
  • ..O Politecnico com a sua experiencia será concerteza um parceiro de que ha a esperar bastante, sem esquecer o contributo dos historiadores; nós seguimos há muito, há uns bons 20 anos, os Encontros de historia de Palmela , para alem de termos formação em Marketing (Licenciatura) e em Animação Turistica (na Escola de Turismo e Hotelaria do Estoril).
  • Há a acrescentar que o centro desta Rede (em apoio tecnico e outros) nao se situa em Bruxelas ,mas sim numa organização criada para esse efeito e com sede no Luxembugo....e os financiamentos a procurar nao sao SUDOE mas sim INTERREG..... Consulte-se o Guia ECR (European Cultural Routes) 2013.
  • Em suma, ha que procurar o serviço da Ordem (da sua Herança material e imaterial ) e não o inverso (nao a simples busca de qualquer financiamento per si , nem de protagonismos ... Non nobis...
Tb não percebemos porque se inclui desde já uma hipotetica Toulose , (talvez por Larzac ),...convem alias nao esquecer Troyes e sua comendas anexas (Avalleur e Foret du Temple)


    No desenvolvimento de projectos na area do turismo cultural em apoio a sua apresentação , a Rede devera a presentar um programa abrangente, definindo os objectivos, os membros e os campos de acção especificos e uma estrutura organizativa . Tb acções de promoção conjunta e favorecer o intercambio cultural...

 

- A nivel cultural e celebração conjunta , ressaltamos no caso de Monzon-Miravet .. um evento comum a inscrever na agenda de Tomar e Monzón !
.Honra a GUILLELM de MONTRODÓN - mestre templario de Aragao, Catalunha e Provença  e a GOMES RAMIRES - mestre templario português dos 3 reinos (Portugal, Leão e Castela) ambos presentes na celebre batalha de Navas de Tolosa (16-Julho-1212) que foi decisiva para a Reconquista iberica, face aos mouros. Guillelm de Montrodón- heroi catalão celebrado todos os anos em Monzón- teve a seu cargo a educação do futuro rei Jaime I de Aragão, que libertara das maos de Simon Montfort em Carcassone, apos a guerra dos cataros, por sua solicitação ao papa.. Gomes Ramires -heroi portugues -morto no assalto a Ubeda nos dias seguintes à vitoria de Navas e transladado para o panteao de S.Maria dos Olivais em Tomar , onde esta sepulto,conforme epigrafe na parede, do lado oposto à Galeria.  Celebremos pois estes 2 mestres templarios conjuntamente a proposito da vitoria de Navas !
- Tb com respeito ao intercambio cultural , podemos promover exposições de Arte e difusao musical e outras entre os varios territorios templarios europeus...
 

26.11.14

O que tem sido o trabalho da Associação Templ'Anima

        

Acerca das  interrogacoes de alguns sobre a contribuicao da associacao Templ’Anima
para a Rota Templaria Europeia.                                                              

Recem chegados a Camara, alguns vereadores da oposicao, desconhecem certas coisas nomeadamente os
contactos e o empenhamento de varios anos quanto ao trabalho desta Associacao... mas se nao sabem quem somos , bastava indagarem junto de um seu colega partidario, o prof. Luis Graca , que ficavam plenamente a saber quem nos eramos e o que temos feito...

Mas ja que a pergunta saiu publicamente nos jornais, vamos la elucidar o assunto. Efectivamente quanto a nos o criterio de escolha so pode ser o contributo para a causa , diremos  que um convite pontual a quem se
especializou nessa Demanda , para colocar Tomar realmente visivel na Europa.  Muito simples: nos somos os iniciadores dessa  Rota especifica, apresentamos essa ideia desde a nossa fundacao em 2006, esta’  nos
objectivos Estatutarios,  esta’  no nosso Blog (que mostra algum do trabalho feito) e  foi  publicado  o lancamento dessa ideia concreta - a comecar pelo berço (Troyes) da Ordem antiga -  nos jornais de Tomar  em 2oo6. E  mais , ninguem durante muito tempo, varios anos, aflorou o assunto publicamente.

O que fizemos depois:  A  elaboracao de um texto bastante pesquizado para a representacao especifica de
algo efectivamente ligado ao castelo templario: a admissao de um cavaleiro na Ordem ,com base na historiadora Regine Pernoud, (nao uma  representacao  sobre a vida generica passada  em qualquer mosteiro)  ou seja :criamos um texto de animacao teatral de   raiz para representar in su situ, intitulado Didake (Iniciacao)..
Depois elaboramos e publicamos um estudo  sobra a gastronomia da epoca templaria , com base no receituario internacional da epoca e fizemos  uma selecao de pratos devidamente datados ao lado no menu,  que apresentamos  experimentalmente para numerosas pessoas enquanto alimentacao templaria, tanto em espacos do Convento, como ca em baixo, nomeadamente o almoco de obito do Mestre, na galeria da igreja de S,Maria, nunca ai feito, nem antes nem depois,  nos 850 anos de Tomar.

                  

Trouxemos ,desde a Se de Lisboa, a Tomar o relicario e obra de arte - A Mao de S.Gregorio -  trazido por
Gualdim Pais da Terra Santa e que os tomarenses ja nao viam quase ha 2oo anos desde as desamortizacoes
dos conventos.Obra exposta em S.Maria a 13 de 0utubro 2007.

               

Elaboramos e desenhamos a lapide com a lista dos mestres sepultos no Panteao templario de S,Maria e
finalmemte la colocada com o apoio da  Camara  nomeadamente,  em Outubro de 2011. Esta  la na capela
gualdinica,enquanto contribuicao para uma maior visibilidade da natureza daquela igreja;  vao ve-la como
memoria do Templo, ao menos ,,Non nobis,,,

          

Acresce a isso tb a devolucao a Tomar do Hino a Gualdim, feito por Alfredo Keil ha uns 120 anos e que se
perdera  completamente da memoria das bandas da cidade, que encontramos no espolio de Alfredo Keil no
museu da Musica em Lisboa. Trouxemos uma copia do original para ser adaptado aos instrumentos que hoje as bandas usam. Finalmente a banda filarmonica G.Pais editou o hino a partir daquela copia, actualizando-a..Tambem a categorizada Banda sinfonica da GNR em Lisboa  (no seguimento de uma nossa solicitacao a um seu musico) tem pronta uma nova versao, para ser estreada em Tomar .

Entretanto tambem recuperamos a imagem possivel do primitivo selo do Concelho de Thomar , com base na descriçao feita por Pinho Leal , adicionando-lhe um design de epoca, com base em figuras coevas.

           

Em 2012, interessamo-nos por uma exposicao e  Coloquio templario internacional a realizar em Troyes em
Outubro de 2012. Inscrevemos um nosso menbro historiador ,o prof. Ernesto Jana ,nesse  coloquio e fomos a nossas expensas participar no Coloquio em Franca (as Actas, com as intervencoes  dos maiores especialistas mundiais em templarios presentes e visiveis na foto de conjunto em cima com Mr. Adnot , estao publicadas desde o ano passado);  tendo aproveitado os intervalos e refeicoes dos 3 dias do coloquio para expor as nossas ideias quanto a pertinencia de uma rota templaria europeia inexistente e autentico nicho de mercado turistico-cultural devido a atencao constante e universal sobre a mais famosa Ordem medieval.

De ai para ca, fizemos o Inventario de lugares templarios na Europa, nos 6 principais paises templarios da
Europa e selecionamos 10/12 sitios em cada um desses paises com algo ainda de pe para turista ver e
comprender culturalmente. Inventario entregue a ex-Regiao de Turismo dos Templarios. Em termos de Portugal,desenhamos 5 circuitos comentados de sitios templarios de Norte a Sul e ja publicados no nosso Blog, para quem os queira fazer, com base num criterio cientifico (Tese do arq. Nuno Vilamariz)..

Fizemos entretanto varios contactos escritos (mails)  para a presidencia da Camara , no tempo da vereacao
PSD, e  quase nada fizeram para se interessar pelo assunto da Rota templaria. Alias o habito de ao inves serem abordados para rotas disto e daquilo por outros, nomeadamente os espanhois, e’  tao comum...que ate agora ainda alguem intitulou uma noticia sobre a Rota como: " Tomar vai integrar uma Rota templaria europeia" como se fosse algo criado por outros !!!...quando na realidade, Portugal tem agora a iniciativa e a base para criar uma Rota ao inves de andar a reboque dos outros...Pq somos simplesmente quem tem a sede monumental templaria europeia mais completa (Paris perdeu a Igreja redonda, Londres perdeu a envolvente amuralhada)...Tao so isto. .
                                                                                                                                       

Ora e voltando a Troyes , que reconheceu essa importancia : enviaram uma carta a Camara de Tomar,
com copia a nos, que eramos o seu unico contacto de referencia , disponibilizando-se para conjuntamente
montarem a Rota. E ja este ano em 18 marco no dia do  VII centenario da morte do ultimo mestre
templario Jacques de Molay , emitiram e publicaram uma noticia conjunta connosco em que declaravam
publicamente a intencao de criar a Rota..
De realcar tb que ja o ano passado nos tinha visitado uma delegacao de Troyes, que visitou connosco (Templanima) o triangulo templario, Castelo de Tomar, Almorol e Dornes, tendo almocado com o presidente Carrao na estalagem do Mouchao em maio 2113

Naturalmente agora , so poderiam incluir-nos  ( com tais antecedentes) na retribuicao da visita, sendo alias
a unica pessoa da Delegacao  que o Departamento de  L’Aube  conhecia e  que desejavam efectivamente
que estivesse presente .Somos credenciados assim para contribuir para a Rota naturalmente com o
trabalho feito e quem pretende colocar-nos em alternativa com Ordens iniciaticas ou  confessionais nao
faz sentido ou ideia de uma Rota cultural europeia;  vejam as 29 rotas homologadas pelo Instituto Europeu
das Rotas, vejam de que forma sao construidas, que nao tem nada a ver com as redes ja feitas de Ordens
neotemplarias mundiais que nao sao turisticas mas de outra indole.participativa. Claro como em tudo hao-
de aparecer sempre alguns oportunistas a tentar mostrar-se a frente...se e’ que nao apareceram ja’ !
E que fique claro tambem  que nao se trata de uma oportunidade para mais um negocio financiado de desenvolvimento local interior , mas sim trata-se de desenvolvimento cultural ligado a um patrimonio pre-existente, de epoca templaria..e quando dizemos templario nao quer dizer que o e´pq esta na regiao dos antigos  templarios , como folclore ou  qualquer especialidade moderna comestivel, tem a ver sim com o residuo das verdadeiras raizes , tal deve ser a animaçao do lugar e especifica dele sempre quer possivel, nao importada.
Em suma : há que atender aos campos de acção e a metodologia do Instituto das Rotas Europeias com sede no Luxemburgo, para que a Rota seja vallidada.

Finalmente  quanto a contactos  havidos com a Camara : tivemos reunioes , nomeadamente em junho com a
presidente Anabela  e a diretora cultural Ana Soares, para alem de outros telefonicos ao aproximar da data
de partida. E e tudo da nossa parte , o resto e politiquice interna, que a continuar fomentando impasses,
so levara a perda de iniciativa de Tomar e  podera’ ate levar a que  outros, no estrangeiro ,peguem  no conhecimento que tem dos dossiers e facam eles a Rota , sem mais duvidas...




25.11.14

Tomar e Troyes acertam-se para a Rota templaria



Pela primeira vez Portugal tem a INICIATIVA de criar e propor uma ROTA efectivamente INTERNACIONAL , a partir da Tomar Templaria, unindo em rede os lugares daquela famosa Ordem medieval , já inventariados por nós, nos seis principais paises europeus onde ela existiu ! 
Diferentemente do que titulou um jornal nabantino (acostumados que estao a que sempre sejam outros a vir-nos propor aderencia a algo ja existente) : Tomar (nao ) vai "integrar " Rota Europeia de Cidades Templarias...Tomar esta' iniciando essa Rota Templaria (enquanto sede medieva mais completa na Europa) e esta' convidando outros lugares da tradicao templaria europeia a unir-se em rede...
Trata-se de um nicho de oportunidade, uma Rota especifica da Ordem mais famosa medieval, o que foi reconhecido pelos franceses que querem montar a rota connosco enquanto co-fundadores.




Para tratar da Rota Templaria Europeia reunimos na ultima semana de outubro em Troyes (França) com Philippe Adnot, presidente do Conselho Geral de L'Aube , Christelle Taillardat directora do Turismo departamental e Valerie Gilet especialista da ordem templária ,entre outros , com a participação de varios elementos ligados à Camara de Tomar.

Depois de uma apresentaçao informal, no seguimento do nosso trabalho inicial realizado ha precisamente 2 anos, a quando do Coloquio templario em Troyes , seguiu-se uma visita aos lugares emblematicos da região , como a Catedral do concilio que regrou a Ordem, a comenda de Avalleur, o museu de Payns terra do fundador da Ordem e os Arquivos departamentais de L'Aube.




Finalmente realizou-se a reuniao entre as duas delegacões , onde ficou acordado a formaçao de 2 grupos de trabalho , um sobre o Projecto da Carta de sitios e os criterios de adesao, outro sobre Meios de Comunicação o logo universal(proposta da n/cruz redonda, denotando a origem oriental e bizantina da Ordem) , a promoção dos lugares (incluindo a sua animaçao especifica, nao generica ) e a sua comercialização .










26.10.14

III - Afinal,quais são as origens e o que representa Santa Iria ? (Conclusão)

.
3- Acerca da doação do rei Afonso aos pobres de Thomar...
(excertos de O Mestre Templario na Fundação de Portugal
 
Quanto ao rei Afonso,pode agora descansar um pouco, reconhecido o seu reino pela mais alta instância ocidental da época - a Santa Sé- e porque a idade já lhe pesa, faz 
redigir o seu testamento ainda neste ano de 79.
Deixa grandes somas de dinheiro para as obras pias: entre elas, 1.000 marevedis para os pobres de Tomar e outras localidades da Estremadura. Deixa também à Ordem de cavalaria de Evora, 4.000 maravedis para defesa da cidade,além dos  animais e mouros que o rei tinha em Santarém e Lisboa...
Ora a referência à pobreza em Tomar, não se conhecendo grande crise agricola ou climática na época, só pode ser a confirmação do grande acréscimo populacional da região - excesso mesmo de candidatos a povoadores vindos do Norte - nem todos seenquadram facilmente nos sesmos em distribuição, constituindo uma camada marginal à espera de melhor sorte... O desiquilíbrio próximo entre recursos e população, será terreno próprio para propostas messiânicas que hão-de chegar com os “fraticelli” ao Vale Bom e Ceisseira mais tarde. Talvez porque as zonas de arroteia e de sequeiro não fossem suficientemente favoraveis à frutificação, cria-se no termo da vila uma zona de insegurança que vai perdurar. Daí que Gualdim querendo fazer justiça ao povo, agrave na prática as penas para os ladrões no termo de Thomar , cuja existência o segundo foral dado já prenunciava...

 E correndo rumores de maus tratos a viajantes nos caminhos, breve nascerá mais uma estória de martírio nos arredores: Santa Cita (regionalização popular de um culto pregado como exempla, pelos franciscanos e com origem em Luca/Italia, onde esta criada de um tal Fatinelli , foi modelo de virtude e trabalho e depois de morta, padroeira da justiça, segundo Dante). A expressão última dos problemas miticizados na região, talvez se encontre na trova 237 do rei Afonso o Sábio que canta uma mulher que indo no caminho de Santarém para Leiria, é atacada por alguns salteadores que a tomam pelos cabelos, querendo satisfazer seus desejos nela, ao que ela se defende, perante o que a desnudam e degolam e escondem seu corpo sob arbustos. Coincidentemente: a lenda de S. Cita local ou o brazão em quarteis de Tomar, que mostrava uma S. Iria degolada e seu corpo sob uma árvore ... Significativo se atentarmos a que já perto de Leiria, em Reguengo do Fetal aparece uma nova morada de S. Iria, na tradição local... À luz deste último dado, somos levados a pensar que, à semelhança de um distrito de Iria na Galiza, estamos aqui perante uma nova região de Iria: toda a região centro-norte estremenha (de Sant’Iria, al’Iria) que inclui Santarém, Tomar, Cova de Iria, Leiria... com todas as conjunções que isso possa implicar! E voltando , ainda uma vez e última, à estória de Iria : há contudo outras contribuições mais ou menos visíveis ,estas com origem nos tempos da Hespanha moçárabe. Para além do breviário de Évora - contendo a versão fixada em definitivo - ter sido impresso em Sevilha (denotando uma ligação antiga), sabe-se que no final do milénio, os “Povos do Livro” no Andaluz viviam um tempo de coexistência: em que Fátima considerava Maria sua irmã, o monge Recesmundo servia de embaixador de Córdoba em Constantinopla,enquanto esta enviava um Mestre Mosaísta para as obras do califa... Tempo este, em que se forjou também a estória xiita/fatimita do último Imã (o duodécimo ou o oculto)...


(S.Zita: 1212-1272 santa italiana de Lucca/Toscania, padroeira das empregadas domesticas. Logo após sua morte um culto popular cresceu a sua volta e expandiu-se por toda a Europa) 


Vejamos agora os pontos de contacto da versão árabe (referida por Moisés Espirito Santo) com a estória de Iria :


 • No século IX (868)uma rapariga cristã (cativa) da fé de Bizâncio, medita à beira do rio, sobre uma carta-mensagem escrita em grego... Tal como aqui, Iria, freira, medita a palavra de Deus, à beira do rio, no mosteiro godo de influências orientais.
 • O sobrinho do imperador é seu pretendente, mas é rejeitado e desmaia: ela jura não se casar com mais ninguém a não ser o “escolhido”..Aqui,o filho do governador (Britaldo) seu pretendente é também rejeitado e adoece, Iria jura não ser de mais ninguém a não ser o Filho de Deus.
 • Presságio funesto:os idolos e colunas do paço são quebrados, há um declinio da religião existente a favor de outra nascente - o Corão... Aqui,Remígio, o monge godo assediador de Iria, imagem, da degenerescência da igreja goda, finalizando pela invasão dos homens do Corão,que destroem o paço do governador e seus templosarrasando tudo.
 • Na “noite do destino” um véu a cobre, enquanto a poção (beberragem) da união faz o seu efeito, tornando-a grávida do último Imã...Aqui,às matinas - aparecendo como que grávida, por efeito da beberragem de Remígio - Iria une-se a Deus pelo martírio (a mando de Britaldo despeitado)...e é lançada á agua.

 Do exposto,afigura-se-nos a presença de uma certa memória sincrética na fixação da estória de Iria, pois que a Espanha moçárabe estavaaberta á influência do mundo islãmico.. E sem dúvida, memória mais próxima ,do que aquela outra de Tessalónica que afirma Iria exposta em casa de prostituição e depois morta na fogueira, por se recusar a fazer sacrificios aos Deuses pagãos no ano 303, penúltimo de Diocleciano. Este ano serve de “marca” ao início de um novo ciclo de oito anos de perseguição aos cristãos; mas segundo Lactâncio - um cristão coevo - a repressão é moderada, tomando um carácter mais genérico de fecho de igrejas para corrupção dos crentes) e queima de livros sagrados... Aliás esta ligação ao fogo ou água, das duas estórias de Iria, revela porventura uma cristianização de cultos pagãos, mesmo pré-romanos. Efectivamente é conhecida da antiguidade uma estatueta de Eirene com uma criança pela mão: Pluto, Deus das riquezas. Segundo a mitologia, Eirene é filha de Jupiter (origem do raio, logo do fogo) ou Neptuno (Deus das águas).E,tal como Fortuna ,(encontrada no conventus scalabitano)é uma Deusa soberana, protectora da terra: daí as várias Eiren assinaladas em terras da Galecia. Em medalhões, Fortuna é representada tendo a seu lado uma árvore e aras com fogo:A Iria grega é sujeita ao fogo...A Iria lusitana representa-se com uma árvore (em um dos quarteis do selo)... Mais: a Fortuna de Servio Tulio tinha a sua festa em Abril(tal como a Iria grega), enquanto a Fortuna da era de Augusto, tinha sua festa em Outubro (tal como a Iria lusitana)...

 Significativamente a sua associação às águas –no nosso caso, o corpo transportado pelo rio da lenda medieval- acaba por fazer ligar, ao rio de Tomar, o epiteto de Nabão ( Nava de Juncoso ) derivação de Nabiae, a deusa (pré-romana) que mora nos rios e é condutora dos mortos ao mais além, segundo a religião celta... (Coincidência significativa: também na região de Burgos, no vale de Losa, há um rio Nabón ,que segue paralelamente a uma estrada que nos conduz a uma igreja templária , dedicada ao mártir S.Pantaleão,e cuja fachada ostenta uma iconografia ligada á lenda do santo Graal)... Aqui perto, na zona de Pedrogão Pequeno/ Sertã há uma pequena capela nas margens do Zêzere onde existe uma ara á deusa Nabiae e onde durante séculos até recentemente, o povo invocava a Senhora das Águas Feras (revoltas/férteis) para aplacar os excessos das enchentes devastando as culturas marginais ou quando queria atravessar simplesmente o seu curso turbulento. Ali se encontra aliás uma das maiores colecções de estelas funerárias templárias da região central ou do san’Graal... A via romana de Emerita foi fonte de irradiação do culto a Nabiae.


Por outro lado a evidência de certos ritos funerários na chamada Gruta dos Ossos – aqui a duas léguas da cidade, nas margens do rio – tal como o culto guerreiro a Mars ou os Touros Votivos, são também marcas comprovando a presença na região dos cultos pré-romanos. Efectivamente, á entrada dessa gruta/necrópole estão dispostas em forma de crescente lunar(lúnula) uma série de cabeças...significando este culto, descida ás profundezas da terra,uma identificação com a terra-mãe, esperança de fertilidade,eterno retorno, ressureição, como o papel das Horas/ estações , a que Iria pertence. Curiosamente em El Padron, antiga Iria galega, há também uma ara cujo radical sugere Nabiae, o que considerando ser ali junto a Compostela, que passa o rio Tambre (Thamara), será outra coincidência significativa...

 - Adendas sobre a hipotese de cultos Isiacos


(Procissão á deusa Isis - Pintura de Frederick Bridgeman /1902 )

 No antigo Egipto, Isis, a deusa dos mil nomes, a que concedia a cevada e o trigo, era cultuada através de uma procissão de crentes: na frente ia o chantre com o simbolo da música, um livro de hinos teológicos e outro de regras de conduta; seguia-o o horóscopo com o símbolo da astrologia - um ramo de palmeiro- e os quatro livros herméticos sobre os astros; após o que vinha o Escriba sagrado, complumas na cabeça, na mão a régua ,o tinteiro e a cana para a escrita hieroglífica; depois o Estolista com a vara da justiça e a taça das libações;finalmente o profeta com sua túnica, em cujas dobras leva a Urna sagrada exposta. Acompanhando os ministros da classe superior, seguem-se outras classes de fieis, como os pastophoros ou curandeiros e os que levam os pães.
 A propósito dos pães em procissão - é bom lembrar - que a região de Sellium (hoje Tomar) se integrava no tempo dos romanos em plena rota isíaca para Emerita, onde descansavam as legiões; há referências, pelo menos em dois lugares, nessa via a aras votivas dedicadas pelas sacerdotizas romanas de Isis : em Tucei e Cabrei (vide Hubner, CIL II ) . Podemos pois dizer que haveria aqui também um culto isíaco ( a que nao serão estranhos portanto os pães dos Tabuleiros, como nas festas de Isis) ...não será por acaso que quando fizeram o convento da S.Iria conservaram uma lapide com uma vaca (das varias que aqui se encontraram) e a colocaram por baixo da imagem da santa sobre o rio...a vaca simbolo de Isis...lá continua como memoria visivel...(tal como em Braga ,a Sé local era antes um templo a Isis )...

22.10.14

II - Afinal,quais são as origens e o que representa Santa Iria ? (Continuação)



Na imagem acima, Santa Casta, uma das tias de Iria, outra santa bem modernizada agora com um "new look"  (repintada) que esta' na igreja de Almogadel, perto de Tomar...
Interrogamo-nos hoje, na continuação desta estoria, se nao terá  viajado  santa Iria, entre Tomar e Santarém, sim, mas em sentido contrário ao da lenda e pela velha estrada romana, com os cavaleiros do Templo provávelmente...

2- A proposito da descoberta de Thomar, a abandonada...
E descendo os cavaleiros contra poente ali descobrem outras salas com seu pavimento ladrilhado de tijolos e, por uma abertura no terreno abatido, ali vêem umas criptas ou casas subterrâneas abobadadas (vide J. Sousa,1903),talvez sistema de aquecimento de um “balneum” (termas)com paredes espessas e cadinhos de grés...(até porque a norte avistam uma grossa conduta de agua que vem do rio, semelhante á de Conimbriga).
Próximo, viam-se ainda restos de outras casas, em volta de um pátio interior, quadrado, como era comum  nas ricas casas romanas (do Norte de África, Coimbra ou Torres Novas) com fonte ao centro; também na Andaluzia...
Mas a invenção (achamento) mais singular - foi segundo parece - ali a de 2 lajes de pedra mármore com inscrições...
                                                 (INTERMEZO)
-Aqui o 1º Sábio  interroga-se : - Mas que pedras eram aquelas?
Possivelmente, simples aras votivas aos deuses,  junto às termas ou curso de água, como era costume entre os romanos.. há indícios de possíveis templos ou santuários na zona, dedicados  a Marte e Vénus...daí a mosteiros dúplices, só devido a imaginações lácteas, como aquelas que inventaram o Campus Stella... sempre à procura de  “exempla”, para suas pregações!
Perto, encontrou-se também um medalhão (de pedra) em baixo relevo representando um touro votivo igual ao encontrado no verso de moedas de Augusto e Tibério.

2º Sábio-...Embora também pudessem pertencer à cobertura de urnas, com seu resguardo de telhões, à maneira de templo, como também era usual nas famílias ricas : foram encontradas 2  sepulturas cobertas romanas  perto do Forum... possívelmente  alguns Edis sepultados junto ...
E tal  como aconteceu na região de Bezelga,onde se encontraram (além de uma calçada de mosaico romano,com nós de Salomão...) umas 7  dezenas de ossadas da época romana, junto a um cipo,várias “pedras com letras”  e 2 moedas datadas: sendo o achado atribuído aos santos mártires donatistas norte-africanos (sec IV)  do abade Donato (fundador na região de Valência do mosteiro de Servitanum) e seus 70 monges errantes ,pobres e vagabundos, também chamados do “Circumcélio” (neste caso ,talvez por afinidade: Circum Sellium - realmente perto de Sélium!)...aqui mãos piedosas, julgando-se perante santos despojos cristãos, ali resolveram erguer uma espécie de capela funerária de contorno quadrangular, com seus arcos e cúpula redonda (tipo martyrium) sacralizando e aformoseando o lugar... Aliás por todo o País, muitas lápidas de cidadãos romanos deram origem a ermidas ou serviram de pedra de altar de igrejas cristãs posteriores!
E, para reforçar este ambiente “sacro”, foi encontrada ali na margem alcantilada do rio, uma gruta natural, de cujos paredes escorria água, convertendo-se o lugar desde logo em centro de veneração (porque misterioso, como qualquer gruta: muitas vezes santuários femininos) criando fama ali as àguas de serem milagrosas, curadoras de doenças (se já não o eram antes, na memória moçárabe da região)...

3º Sábio:- Mas  voltando às tais lajes - que inscrições conteriam?
A tradição fala-nos de uma Casta e uma Júlia... Na hipótese de ter sido aqui  encontrada (entre outras ) aquela ara votiva a Pietá - abstração divinizada do panteão romano - dedicada por Valério Máximo e suas filhas (depois colocada no Castelo)...seria esse o nome das  filhas de Valerio? ... Culto flâmine também presente junto a Mérida e semelhante ao gesto de Tibério no ano 43 em Roma, dedicando também uma Ara Pietatis Augustae, com seus relevos onde são visíveis cenas  sacrificiais e processionais com carneiros e touros. Aliás a  imagem de um  touro em relevo numa pedra... jaz colocada, como sinal, na casa de Iria sobre o rio!...e a reforçar , existe uma moeda de Cascantum, do tempo de Tibério,com imagem semelhante...encontrada na zona.
Mas ,vejamos os nomes:  por outras pedras encontradas em Bobadela, Oliveira do Hospital, junto à  via romana frequentada por Valério,  sabe-se da existência coeva de uma tal Júlia Modesta , dedicante também de Aras a Pietá (culto familiar?) e com parentesco assinalado aqui na região, em S. Pedro Cast(r)o  : numa lápide que refere uma Antonia Modesta e uma Antonia Máxima... (Coincidência significativa: este epíteto de modesta  é uma variante de casta,entre outros significados,na lingua de Roma!)...
Aliás,se estes nomes aparecidos em vários locais correspondem ás mesmas pessoas,que comprovadamente  se  deslocavam amiúde,  então o rasto de Valério Maximo acaba em Coimbra ,onde se regista (vide Hubner)o seu epitáfio com 80 anos,á volta do final do século (podendo  portanto não ser este o conhecido cronista acompanhante dos feitos romanos)...
 
4º Sábio -Quanto à tradição existente duma  Stª Casta,freira, esta é mais tardia e não coeva.  Trata-se de uma popularização de um culto trazido para aqui pelos franciscanos da Umbria/Italia a Stª Rita de Cassia,mui popular desde sua morte  em 1457. Isso é visível no Almogadel, onde a imagem em hábito daquela patrona,é tratada no local  por santa Casta (popularização  de  Cassia)... Também próximo, temos o loco da Ave Casta ( primo castro romanizado e depois herdamento medievo de clérigo,com seus algares belos e misteriosos) certamente personificação do Paracleto : a pomba branca do Espirito Santo,mais a norte chamada de Stª Comba(de Columba).. aqui talvez memória rural romana de estatutária evocativa de Artemisa,a Casta (também representada por pomba).
Aliás na lenda de S. Iria,impressa e fixada pela primeira vez , nos breviários de Braga (1494) e de Évora (1528), portanto posteriores á morte de Stª Rita, abundam os  derivativos : Cassia, Casta, Castinaldo...
Cassia é omnipresente na região:  como mulher do governador, ou como mulher de funcionário romano na lenda de stª. Cita, pretensamente atribuivel à época imperial - sempre afinal em lugar de destaque - tão importante como foi no seu tempo a 2ª lei Cássia (43 AC) para a promoção dos plebeus a patrícios... o que também pode ser uma das memórias gratas aos municipes com assento no dito!
                 
A bela imagem quatrocentista de Santa Casta de Almogadel ,que "os filhos da terra" em 1983 resolveram  remodelar junto com  sua capela antiga , já que arruinada e fartos da ausencia de  apoiois oficiais ...(para o caso da imagem devem ter-se socorrido de algum pintor local...e talvez uma esteticista...) a culpa nao e' deles, face ao resultado actual ...o new look !

5º Sábio- Noutra hipótese, haveria junto ao rio alguma inscrição pétrea, fazendo referência à construção do espesso muro de cantaria ali erguido pelo acampamento militar romano denominado em latim: Castra Julia, por oposição a Praesidium Julia que significa guarnição ou praça principal (esta sediada em Scalabis O que também é coerente com a memória dos povoadores que referem aqui: uma fortaleza  e coincide com os sinais no terreno: paredes espessas de  dois pés e a assinalada presença de Maximiano, o construtor de muralhas  .  (conforme o miliário).
No Duzentos,quando se dá também a invenção do rio Nabão (antes rio Thomar) afirma-se num manuscrito “ sive Nabão fluvio,qui fluit justa castrum de Thomar”
É provável pois, que este conjunto de circunstâncias locais e temporais, fornecesse assim material para a lenda posterior de S. Iria e de suas “tias” Júlia e Casta .
Não esqueçamos que até Compostela, nasceu da lápide de  um simples cidadão romano! A peça mais jacobeia que existe é afinal uma ara romana (dedicada a Neptuno) onde se começou a dizer , que ali se amarrara a barca do Apóstolo...e que  depois, por isso, serviu de base a altar cristão no sec VI  em Stª Maria de Iria (Padrón)... Enfim, na época quaisquer letras latinas/romanas na pedra,excitavam as imaginações dos clérigos( e não só) medievais... sempre na demanda de santos em terra, monstros ou sereias no mar e dragões no ar! (hoje ainda há contudo  sinais intrigantes a serem considerados (por alguns letrados e não só) de origem extra-terrestre...mas geralmente sem carga divina...
   Coincidentemente... noutra região também de actuação histórica da Ordem do Templo, em Fonte de Arcada /Penafiel do vale de Sousa  - mais própriamente no Monte Mozinho, veio a ser “cristianizada” uma outra construção  tumular, com aras aos deuses do panteão   romano; e por ali serem encontrados muitos pesos de tear, certamente, se  criou a lenda de ser aquele o local da vida e martirio  pelos godos – no Cinquecento -  de uma tecedeira cristã chamada Iria.

6º Sábio- Mas aqui (Tomar), pela proximidade sabida de um mosteiro ou igreja  (de Sélio, de que trataremos adiante) se deu a invenção de uma Santa Iria, freira degolada - na tal gruta milagrosa - e atirada rio abaixo, a que  associaram Casta e Júlia como “tias” também freiras... criando-se assim a fama de ter havido cá um mosteiro dúplice, segundo a literatura legendária das Astúrias, pródiga em fornecer biografias  e nomes dos quais mal se conhece o lugar ou data de existência...
Mais próximo da verdade talvez o rimance popular, que em terras do Templo- como Santarém e Monsanto- canta Iria  levada por um cavaleiro... Efectivamente ao próprio Templo não seria desagradável , já que obrigados a perder Santarém, tão duramente conquistada  (sua sede) e transferidos para aqui de armas e bagagens, terem trazido consigo também o culto famoso da santa, criando aqui outro polo aglutinador de  gentes em torno daquela tradição. Terá  viajado a santa, entre Tomar e Santarém, sim, mas em sentido contrário ao da lenda e pela velha estrada romana, com os cavaleiros do Templo provávelmente!...      Verdadeiros cavaleiros “irénicos” , se atentarmos também naquele outro sentido: de se “entenderem”,  conjunturalmente, com outros povos do Livro...

E disse o 7º Sábio-  O que acho significativo , é que mais tarde com a queda da memoria do Templo , se desse também a “queda” do brasão original do burgo (que contava a estória do martírio de Iria em 4 quarteis) restando só a imagem da santa, certamente por pressão popular, se tivermos em conta, certas discussões camarárias no fim da Idade Média, sobre o Selo da Vila.
Depois deu-se também descaminho às lápides originais, fabricando-se uma nova “lápide conjunta” que explicava serem Casta e Júlia tias de Iria, “justificando-as” assim... Na escrita em pergaminho, costuma-se chamar a isto, um falso...

(selo do concelho de Tomar, no sec XIII, sg. nossa reconstituição, a partir da descrição de Pinho Leal)

-E o 8º sábio rematou :  “Descaminho”  que também aconteceria às próprias sepulturas dos Mestres da Ordem na época do tristemente célebre Frei António  o “nosso” Filipe, o Belo(!)... feitor de autos de fé a vivos e mortos, livros e pedras (!) - cujo irmão (Moniz) andou na fabricação do convento quinhentista  das Clarissas, ali onde era memória de Iria...

(Entretanto Gualdim regressa a seu  primeiro dia tomarense ... prosseguindo pelo carreiro ermo, que ainda vence a vegetação que o rodeia, outrora rua concorrida ,de norte para sul) .
À distância de um tiro de funda ,descobrimos  sinais de presença humana diferente, a avaliar pelas lápides encontradas: de lavor figurativo com desenhos geométricos gravados, cruzes gregas, rosas de seis fólios, palmetas estilizadas, cachos de uvas simbólicos (tal como o vinho se liberta da uva, assim a alma se liberta do corpo... eis a vinha do Senhor)... estávamos  pois agora em zona goda e cristã!
E mais a sul,  entre silvas e urzes, velhas paredes derribadas e uma cruz de ferro. Eis um mosteiro ou abadia cristã!... E senti  uma emoção forte , olhando aquele campo santo. Houvera alí, sem dúvida,uma igreja tipo basilical com seu poço batísmal a sul e  outras construções, certamente humildes, casas quandrangulares, místicas de pedra calcárea e madeira: ainda se viam sinais nas paredes dos encaixes de grossas traves, de carvalho porventura... talvez oficinas, cozinhas ou celeiros e currais, onde os monges guardavam seus carneiros...
Paredes edificadas sobre estruturas /antigas romanas aproveitadas e mais lápides e ossadas paleo-cristãs,tendo junto aneis,colares e até moedas ... tudo,  no chão  que  vai da frente da igreja até ao rio.  E me chamou a atenção uma moeda do imperador  cristão Constantino, com 2 soldados em pé olhando-se  de capacete e lança apoiando-se nos escudos...Ah aquela  universal milícia  que vamos ressuscitar!
 ...E enquanto os nossos  se dessedentam da jornada, num ribeiro de Canas que ali passa junto à igreja a sul  ...entretanto,  medito, imóvel, de pé, a mão  direita no punho da espada, enquanto meus lábios murmuram um Pater pelos irmãos que alí viveram e morreram... Ah,como seria belo aquele tempo, em que o cântico do Kheroubikan se elevava ao céu como “per fumum” (incenso) e os monges rezavam na postura antiga - de pé, braços abertos - enquanto o ostiário avançava para o altar, com os vasos sagrados, sobre um tapete de ramos e flores... Depois, quantas portas estouradas, quantas profanações, cripta devastada, a cruz derribada e substituída pelo crescente...a atestá-lo : uma moeda muçulmana ali encontrada datada do século oitavo e a ceramica escura :púcaros de barro e potes com asas,de bordos com perfis de secção triangular ( datada de á volta do milénio),encontrada nos  arredores
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Segundo as memórias escritas e confirmadas , aqui se localizou, efectivamente, a paróquia de Sélio, no século VI, na continuidade da Sellium romana; denotando ser esta uma urbe desenvolvida à época . Tal o afirma o Paroquial suévico de 565, que descreve a diocese de Coimbra (governada por Lucêncio, do Lorvão) estendendo-se do Douro até Selium (pelo menos até 650) e pertencente à metrópole de Braga.
Naquele tempo foi metropolita de Braga, S. Martinho de Dume o conversor dos suevos arianos em 559 - aquele que escreveu ao rei dos suevos, as chamadas “cartas irénicas” (tal como “Formula Vita Honesta”) ou sejam:  apelos à compreensão e ecumenismo. (á letra: Irénico vem de Iria ou paz em grego). Coincidência significativa: também se encontrou aqui uma moeda de Tessalónica (Grécia)...

Documentalmente, no século XVI,o cronista Pedro Alvares Seco, afirma haver aqui  2 mosteiros criados no ano 640, um de frades beneditinos em S,Maria do Selho e outro de irmãs clarissas ,ali onde era sinal de S.Eyrea,que sofreu martirio em 653...Provavelmente uma data de conveniência,porque assim tinhamos talvez uma monja e menina virgem de 13 anos,ideal para a lenda (segundo o intervalo de tempo que medeia entre as duas datas)...
 Mas essa  afirmação sofre pelo menos de 2 erros ou imprecisões: primeiramente, se foi Martinho de Dume quem os fundou, nunca poderia ter sido nessa data concreta , pois já não era vivo , vivera um século antes!...(S.Martinho chegou à Galiza em meados do sec VI e foi nomeado bispo cerca de 561,data do 1º Concilio de Braga. A sua acção pastoral insere-se numa série rápida de reis suevos,com curtos reinados,demonstrando uma certa instabilidade temporal- vide a Crónica coeva de Joâo Biclarense)... Aliter: não poderia ali ter havido na época, um convento das clarissas, pela simples razão de que S.Clara (que  fundou essa ordem) viveu no século XIII ou  seja ,uns  seis séculos depois!...
Caso aquela estória estivesse  associada  ao tempo de Martinho...podia muito bem ser afinal expressão da luta directa havida entre cristãos e arianos , suevos e godos (recordada pela tradição anterior da Iria tecedeira de Fonte Arcada, morta pelos godos)... Recordemos o tempo de Leogivildo ,o godo, que reune um sínodo ariano em Toledo e devasta o reino suevo em 584,tomando o seu tesouro real,repositório de sua história e tradição; lutas contra Hermenegildo o filho que se rebela em Hispalis/Sevilha por questões religiosas...e a própria perseguição a Joâo Biclarense que se refugia na região de Gerona...

 Mas, segundo outros,tal mosteiro dúplice e familiar (Iria e suas tias) da regra de S.Bento,  teria sido fundado por S.Frutuoso, que de facto viveu na data assinalada, e portanto torna aparentemente, a cronologia mais coerente.
 Só que por outro , S.Frutuoso não aconselhava mosteiros familiares, antes  criticava aqueles que  criavam  por si mesmos mosteiros em suas casas e terras, com seus parentes e servos (conservando a propriedade indivisa)... “onde se levantam discórdias e até perdição de almas”...quanto muito esta estória serviria como exempla ..se atendermos a seu desfecho e ao facto de ter havido,segundo sinais no terreno, um túnel ligando os ditos  mosteiros, ficando,.segundo a estória… a igreja  noutro local, junto ao paço referido!.(em S.Pedro Fins)....
O certo da época, é a realidade debatida em concilios regionais ,acerca da permanência de concepções diversas de monaquismo e crenças não ortodoxas entre cristãos e seus pastores , como o “cassianismo” e a decadência moral , condenados no 2º concilio de Hispalis/Sevilha(619) e a denúncia de residuos de priscilianismo gnóstico, de longa tradição lusitana,  no 3º concilio de Braga (675)... as experiências de coabitação em ascese de S.Paciano...dualismos e tentativas de separação da alma de seu envólucro grosseiro ou sarcófago em vida (curiosa aquela tradição de um sarcófago que se abre no meio do rio, mostrando/libertando seu santo conteúdo)... e outras teses de ligação directa  ao divino sem intermediários ( aqui confessores assediadores,etc)...
– Havia uma tal confusão doutrinal  na sequela do arianismo  acerca da natureza de Deus- que a discussão caira literalmente na rua como se queixa  irónicamente Gregorio de Nissa  evocando “o cambista que , perguntado pelo curso da moeda , responde com uma discussão sobre gerado e não gerado; entra.-se na padaria : o Pai, diz o padeiro, é maior que o Filho, nas termas ,perguntais se o banho está pronto. alegam-vos que o Filho saiu do nada !”...

 - Mendez Pelayo afirmou  que estas doutrinas continuaram subterrâneas na Galiza até à invasão árabe. Nós diríamos que até à Reconquista!... Pois  aquando da conquista de Lisboa  vemos  nas palavras de um  bispo referir Donato e Pelagio como santos varões...
 - O certo também  é que a regra de S.Bento é  só do final do  sec VIII . S.Bento funda a sua comunidade em Aniano no ano de 782....não podendo portanto aquele mosteiro ser observante de tal Regra...aliás a primeira comunidade beneditina no território de Portugal só se assinala no sec XI, segundo A. Matoso!
 E quanto a mosteiros fundados por S.Frutuoso nas  Hespanhas , estão registados apenas o  Peonense, Visuniense, Rupianense, Complutense, Novo, Montélios e ilha de Cádis)...

    A velha estrada que passava frente a S.Maria do Selho :   seguia depois para sul, onde se bifurcava;  uma via seguia a ligar-se a Emérita por Punhete/Abrantes, enquanto a outra descia para o rio Tomar, cruzando-o através de uma ponte em corcova com seus arcos romanos, em direcção a Santarém pela via XVI –o Pio Itinerario...( ponte agora  submersa,junto a S.Lourenco)..

                                 (Continua)