3.7.12

Atenção: 4ª fª dia 4/julho -ultimo dia de inscrições


Em Tomar. junto á  Porta da Almedina do castelo . Domingo 8 de julho. . 
- 11horas- Evocação do Desfazer do Cerco de 1190. Acesso pela Mata dos 7 Montes.
- 12.30 horas- Colação Templária - refeição ao medieval, sujeita a Inscrições  
 até 4 / julho -quarta-feira á noite em  templ.anima@gmail.com ou Ent.Reg. Turismo (Corredoura) ou CETHOMAR 






Iniciação á  Cozinha Medieval (Conclusão) 


4- O Templo como catedral do convívio gastronómico! 


-Desde sempre a  Mesa é  um lugar de partilha e convivio, reunião ritual- de integração / identificação na comunidade- expressão de solidariedade basica de grupo. Onde se  celebra o prazer da refeição tomada em comum.

Entre comunidades monasticas é celebração da continuidade dos laços entre irmãos e evocaão crística - ou aquando de uma iniciação/recebimento de cavaleiro na Ordem um autentico festim liturgico...

 Estando a ordem repartida por toda a  Europa e Oriente, pretende-se apresentar uma cozinha ecuménica das regiões templárias...para o que buscámos para além do receituário franco já referido, os seguintes do Trezentos : Sent Sovi/Catalunha- Form of Cury/Inglaterra- Guter Spise/Alemanha- Libro di cucina/Italia e ainda ,mais tardios, os nossos “Livro da Infanta D.Maria”  e “ Caderno do Refeitorio” (Alentejo).- além de uma colectânea franca de receitas  de albergarias cruzado-templárias.no Oriente.
Sabendo por outro que a pitança é melhorada em dias de hóspedes ou festivos, comno manda a regra de S.Bento, selecionámos uma data (1286), cerca da qual se terá realizado  a admissão de um cavaleiro (o sobrinho do Mestre João Fernandes ,segundo uma testemiunha de inquirições dionisinas) . Aliter , consideramos também a presença real  D.Dinis  e Isabel ( habitual na região) de modo a elevar ainda mais o nivel da festança e aproveitando  para fazer pedagogia da separação de mesas por categorias sociais na época...

Em conclusão, visamos evocar prazeres ancestrais, viajar em direcção a um  tempo dourado, imergir completamente na época , através de uma ementa recheada de sabores...assaz de iguarias de desvairadas maneiras de manjares...onde tudo se praticará com a devida moderação,de sorte que nem pareça miser nem respladeça prodigalidade fantástica,. tudo cum excelentisimo grau de bondade e perfeição... um vero conclave iniciático na sabedoria templária!...

E escolhemos um determinado momento de evocação no outono dourado da Ordem do Templo .Eclesiásticamente, situamo-nos no temporal entre o papa Martinho IV(1285) e o papa Bonifacio VIII (1303) o que em termos de gostos alimentares pessoais significa  viajarmos das enguias ao Cordeiro.. ou semelhantemente em termos de espaço, peregrinar entre o Pranto de Dornes e a Aleluia de Cem Soldos... tudo no termo de Thomar...
E várias vezes adaptámos o nome dos pratos á nossa região,por terem algo em comum...

Coincidência significativa : sendo  esta parte do comer , a parte festiva habitual de outra ou seja a Didaké ou Iniciação do cavaleiro templario , circa 1286  ...também  “neste  ano de 1286, na Terra Santa ,depois de Nª Sª de Agosto  houve festa da coroaçãpo do rei Henry de   Chipre em Acre, na casa dos hospitalarios  onde representaram a Tavola Redonda e a rainha de Femenie com cavaleiros vestidos como damas e justando entre si ; depois,  freiras com monges, que se abençoavam uns aos outros e  ainda cenas com  Lancelote , Tristan e Palamedes  e muitos outros jogos belos e deleitáveis (Chronique du Templier de Tyr-(Sur)-439-secXIV-in Les Gestes des Chiprois  )
                                                            . . .

        “Explicit coquina  que est optima medicina “       
                         ( Form of Cury) 



        30     Viandas de Carne : para o tempo dito  normal

1- Cordeiro assado  papal   (Registrum coquine- Quatrocento-Italia)

2- Leitão   recheado- (Enseignsments|46|) + Cad. Refeitorio Conventual-Alentejo-Portugal) .

3- Frango assado da Terra Santa- (receita tradicinal-porto de Jaffa)

4- Ragout/guisado de javali/porco com lentilhas-  (receita templaria...cruzada)

  PAISES
  5- Mig-raust com leite de amendoas -Sent Sovi, catalan-trezentos)
  6- Capão de S.Tomás de Cantuaria– (Goce or Capon farced--Quartrocentos-Inglaterra)
  7-Frango com erva-doce/funcho- -(cozido)  Trezentos- Italia)      
  8- Guisado de galinha  . 30. Ein gut spise-Alemanha- Trezentos)
  9- Codornizes  recheadas-    Cailles-  Viandier…)


Segundos pratos / Alternativos

10--Fabata- ( Favas cozidas de  S. Luiz)-(Ménagier.- Cretonnée de féves nouvelles).
11- Legumes monacais  cozidos-    (Buttered Wortes- Harleian MS. 279 |   Inglaterra- Quatrocentos)
12-Omelete  do  Templo -  aliter: La belle allumelle-p.209-Menagier?)                  

13- Tarte da Trindade 192. Flampoyntes.- : England, 14th century  : Forme of Cury |        -                

14Tarte de alho,queijo,passas e especiarias.Libro di cucina- sec XIV –Anon.Toscano-ITALIA-

15- Empanadas de carne- Nola
16- Pasteis de carne- Livro D.Maria

PAISES
17-Tarte de queijo e bacon-.( 44. Ein gut gebackenz  )---ALEMÃO
18- Almondegas  cozidas-.. (LIMONIA/Hummâdîya) : Kitâb al-Tabîkh- Bagdad  -sec XIII.-ANDALUZ
19- Folhas de vide  recheadas de carne-  .... comendas italia e oriente... ITALIA

Sobremesas:

20-Manjar branco  de um capão (ou galinha). Viandier –França-do Trezentos) .
21- Queijadas   -(Almojavenas , do Livro de D. Maria, Portugal)  
22- Fartens – receita de origem árabe , comum no al-Andalus.
23-Cus de lobo- do  Almorol -  ( barquilhos)- in Domingos Rodrigues  -II parte- 4,4)
24-Crepes-Crispellas-Lib.Coquina,-Blaunche-escrepes–Trezento|B.L.Additional32085.Anglo
25-Fruta da Sertã-Nola
26-Doce Verbo –(ou Rolo do  profeta Ezequiel) (Gyngerbrede-Harleian MS.-Quatrocento-Inglaterra.

PAISES
27- Mirrauste de maçãs-   (243. MIRRAUSTE (158)  ?  de  manzanas-pomada?)-   CATALÃ
28 Rissois de  fruta-90-Rysshews of fruyt :  sec XIV - Forme of Cury- INGLÊS
29- Doce de S.Gregorio Nazianzo-     doce Armenio).
30-Postre S.Longinos-leche frita-ESPANHA /-Leite grelhado-roasted milk(47.Ein geriht)-Alemanha





                 30  Viandas das Quaresmas –   banquetes do Purgatório  -   nov-março

Rol de Peixes:

1-Receita do peixe Templário  . (Comenda de  Richerenches –França).
2-Sável  tagano ou  fataça assado na  telha-   Tradicional,regional)-        
3-Fritada de Irós do rio-  Cad.Refeitorio  e Dornes-comenda da Ordem)

4--Ameijoas na caçarola-   - Nola )  
5--Vieira do Caminho-  To make Nowmbyls: England, quatrocento
6--Mexilhões -Menagier
7--Peixe de S.Iria  - Tradicional- Zezere, cozido adaptado)
8-Peixota Franciscana  -(Hespanhas-região de Burgos)-

PAISES
9-Enguia assad(Elus Bakyn-Quatroctº-MS HarleyEngland- - Enguias S.Guilherme de Pavia. Nola.
10-Lucio recheado-.  ( 17. Von geülten hechden)-ALEMANHA
11-Peixe frito com molho agridoce- ( A dauce egre., sec XIVº- Utilis Coquinario- INGLATERRA
12- Lucio com romãs - comenda de Coulommiers- -FRANÇA
13- Dourada  recheada de ameixas de  Damasco- cozinha de albergue templario-CRUZADO)


Segundos pratos/ alternativos

14-Favas andaluzas-  La cocina arábigo-andaluza-
15-Ervilhas-para um dia de peixe -Ménagier (Potages comuns) -  Trezentos  -França.
16-Pasteis nutritivos-. Enseignsments |170|- Por fere pastez norreis -França-Trezentos
17- Empada de peixe-Cad.Refeitorio
18- Panelada de molho branco de alho porro-  Menagier”-França/ 90-Potage de Porrada - Nola).
19- Castanhas- puré castanhas .

PAISES
20-Fritura de ervas com mel-  . ( Forme of Cury-: |  156. Frytour dos erbes- Trezentos- Inglaterra).
21-Puré de Jerusalem.- Ein gut spise- 62. Ein mus – quatrocento- Alemanha.
22-Torta de peixe e frutas-   | Forme of Cury | 175- Tart de Brymlent.  –Inglaterra-trezentos.
23-Pasteis de peixe-.  (Ein gutter spise .15. Von pasteden- Alemanha- Quatrocento)-


Postres/Sobremensas

24-Milharas ou carolos de mel ----Tradicional)
   25- Confeito de marmelada- -  Libre de  confits". cuatrocentista  –catalan
   26- Cidrada conventual-(Cad. refeitorio, do seiscento-Portugal
27- Castanhas em mel - Tradicional)..

 PAISES
28-Fritos de maçã para a  Quaresma -  Libro di cucina-quatrocento- (Anonimo veneziano)-italia).
29-Tarte fresca de leite de amendoa e frutos para a Quaresma-England,Quatrocento-Forme of Cury)
30  -Tarte de noz e maçã-...  61. Einen krapfen- Guter Speisen-Alemanha-do quatrocento.  


  E aqui termina este tratado das viandas , segundo os desvairados usos das nações do Templo...
 Deo gratias!    

Á  Ração !   ...À Ração !    ...Irmãos !  ...                              





2.7.12

Em Tomar. junto á Porta da Almedina do castelo . Domingo 8 de julho. . - 11horas-


                                                 
Em Tomar. junto á  Porta da Almedina do castelo . Domingo 8 de julho. . 
- 11horas- Evocação do Desfazer do Cerco de 1190. Acesso pela Mata dos 7 Montes.
- - 12.30 horas- Colação Templária (refeição ao medieval, sujeita a Inscrições prévias
 até 4 / julho -quarta-feira á noite em  templ.anima@gmail.com 
ou Ent.Reg. Turismo (Corredoura) ou CETHOMAR 

Organizado por  : Templ'Anima-Associação Cultural , de Tomar . 
 Apoios: Ent.Reg. Turismo Lisboa e Vale Tejo.  e CETHOMAR 





Iniciação á  Cozinha Medieval (Continuação) 

3- Onde se fala de um “fogo lento”  experimental...

-  A cozinha evoluiu num tempo lento: Não o dos tachos mas o da história... o tempo longo das estruturas, de que fala  F.Braudel.
-há receitas fixadas há seculos na sua forma e interpretação-   as maneiras de se alimentar inscrevem-se tb nesta teoria da longa duração...
Observa-se que entre os sucessivos  receituários há ligações,encadeamentos,analogias que transcendem as épocas...
 Assim podemos dizer que há uma certa continuidade, na baixa idade Media, concretamente do Duzentos ao Quatrocentos, que é o periodo em que incide esta longa demanda na tentativa de demonstração da cozinha monastico-cruzada e cortês, contemporanea dos cavaleiros templários (à  falta da original e própria)...

Desde o sec XIII, aparecem  livros de cozinha em toda a Europa . Do Trezentos são conhecidos, integrados num codice terapeutico atribuido a Mondeville -físico de Filipe o Belo!(ligado aos templários,pelas piores razôes...)   3  manuscritos  de receitas: Enseingnemenz,/franco,  Tractatus de modo preparandi/monastico e Liber de coquina/toscano, além de um rolo-único sobrevivente no género-pertencente ao bispo de Sion e mais tarde copiado por Taillevent no Viandier...

O receituário é apresentado  em geral sem as proporções dos ingredientes.  Se se pretender fazer uma actualização , há que ter cuidado na interpretação das receitas medievais :  ter em conta a natureza épocal dos  ingredientes, utensilios ,termos empregues para os modos  de cozedura,
Sabores e  aromas são de  reconstrução dificil…principalmente atenção ao paladar-não muito estranho-cozinhado de forma aceitável para a época- (deles e nossa...) um certo equilibrio no doseamento das especiarias, para não causar enjoo, devido a elas serem omnipresentes do primeiro prato á sobremesa... em suma: trata-se de um desafio experimental e histórico em que é preciso provar ,alterar e misturar de novo, até que o palato,o olfacto e a intuição...ditem a obra alquimica comestível...o sucesso requer alguma experimentação!

No que respeita `a composição dos menús, observa-se que há varios serviços. dois,três ou quatro, por refeição, mas dentro de cada um desses serviços, figuram varios pratos justapostos e não sequenciais, dos quais os convivas escolhem um ou dois.

No  serviço franco que estrutura  a refeição gótica , os assados (peças inteiras,recheadas, postas no espeto e finalmente trinchadas á mesa)  situam-se sempre no centro da refeição, sendo precedidos pelos potages(leves ou grossos) e entradas ( charcutaria,frutas frescas) e seguidos pelos entremetz e sobremesas,depois de levantar as toalhas...(vide Menagier)
Mas não se trata de um esquema rígido. Os vários serviços podem afinal ser percorridos por potages/cozidos e patés...tal como pela  mistura salgado-doce...(os sabores doces só são reservados á sobremesa a partir do sec XVII)...

Na sua origem, os entremets (literalmente: as "entre-iguarias") são  servidos entre uma iguaria e outra , enquanto os convivas esperam pelo próximo serviço . Podem ser comestiveis ou um momento  de música ou momos...

Algumas Referências Históricas sobre Menús :

REGIMENTO de 1258- 2 viandas(carne ou peixe) adubadas , sendo uma de 2 guisas(modos)

-A todos os freis-2 pratos de vianda à  escolha- art, 185- Regra  da Ordem do Templo.

- Refeição de S.Luis-1234-Sens-Quaresma --cerejas c/pão trigo branco,2-favas novas cozidas em leite, 3-peixe-enguias em filetes e grelhadas,lagostins ,empadas, requeijão, 4-arroz em leite de amendoa perfumado c/canela=manjar branco, 5-fruta de epoca.

- Abade laguy a seus confrades- -1378
1- entrada - vinho ,   coscorões,  maçã cozida , figos e cerejas
2-prato c/molhos, peixe cozido ou grelhado ,carne assada, caldo cereais
3- conservas/compotas-confeitos bolos/fritos -frutos secos, empadas,
-
Locais templarios :
- Fonte Arcada-1144- visita do bispo porto-3 carneiros ,2 leitoes ,4 cabritos ,4 patos,
12 galinhas, 2 puçais de vinho, 2 onças de pimenta ,alhos, cebolas, pão trigo,
 0.5 alqueire de manteiga e 40 ovos.
-Soure- 1295-o mestre dá aos cónegos visitantes- 1 carneiro esfolado, 16 frangos,50 paes trigo,1 almude de vinho.

D.João I-no Rossio:carne assada,confeitos de erva doce e amendoa,cidrões e cerejas

Menus/rações monasticos :
1- - Cluny-sec XII-costumes de Ulric
2 refeições todos os dias.- com reforço nos dias de festa…
Almoço- 2  pratos de legumes cozidos –1 libra de pão-1 hemina de vinho, mais suplemento ou Pitança- 3º prato de frutos  e legumes
Come-se em silencio, escutando leituras edificantes-comunica-se por sinais..

2- Abadia borgonhesa- dias especiais- refeiçoes extraordinarias como nos palacios…
Sopa de legumes substituida por  pratos de carne  e uma torta com ovos- sec
Vinho temperado com mel.. sec XII
3- Rações  mosteiro de Corbie/França- Em Corbie,  , cada irmão recebia diariamente 1,700 kg de pão, 1,5 litros de vinho), cerca de 100 gramas de queijo, 230 gramas de legumes secos (favas ou lentilhas), 25 gramas de sal, um grama de mel e 30 gramas de gordura animal./toucinho   .  

4-Menu de Pombeiro: - 2 pratos de alimentos guisados (peixe ou carne de aves)…
-1 prato de legumes e /ou frutos (cozidos ou frescos) conforme a época

COZINHA CATARA- FIM DO SEC XIII
  Aves de capoeira-galinhas ,ovos-, gansos, carneiros e ovelhas, flancos de porco salgado ou fumado-  gelatina de trutas, peixe frito em azeite,  - empadão grande para os bispos..


Comendas Templarias  catalãs  -visitações de 1289: Dispensas :
Em  MONZON-250 carneiros para a mesa do castelo.- Em-CORBINS-8 porcos e 2 leitões

Modelo alimentar Nobres-sg Livro de contas da Catalunha-sec XII:
 --Carnes finas-galinha-frango-capões e gansos/criação.
Tb carneiro-porco-cordeiro. Ausencia de produtos de caça

1.7.12

Domingo 8 de julho. - 11horas. Evocação do Desfazer do Cerco de 1190





Em Tomar , junto à  Porta da Almedina do castelo. Domingo 8 de julho. 



- 11horas. Evocação do Desfazer do Cerco de 1190. Acesso pela Mata dos 7 Montes.
- Justa simbólica entre o Bem e o Mal . Lutas a pé , com máscaras .
- Visita à Pedra dos Cavalos e à Cruz da Rosa.
- Tiro aos Filipetos(Filipe o Capeto,etc) . Demonstração com Arco longbow.

- 12.30 horas- Colação Templária (refeição ao medieval, sujeita a Inscrições prévias ,
 obrigatorias até 4 / julho -quarta-feira  em   templ.anima@gmail.com
ou Ent.Reg. Turismo (Corredoura)
ou CETHOMAR

Organizado por Templ'Anima-Associação Cultural ,de Tomar .
Apoios:  Ent.Reg. Turismo Lisboa e Vale Tejo e   CETHOMAR .
Referido na  Newsletter  da Entidade de Turismo  e também na Agenda Cultural da Camara.



                                INICIAÇÃO´ À  COZINHA  MEDIEVAL

1—Natureza externa :  apresenta-se com  uma Identidade
“A  cozinha medieval faz parte do património cultural europeu. Para lá de pequenas diferenças regionais,encontramos  receitas de cozinha comuns a toda a Europa medieval. Os cozinheiros utilizam tecnicas culinárias comuns, as elites europeias gostam de sabores próximos, os médicos tem discursos comuns em matéria de dietética  Encontramos uma base comum que nos permite falar de uma cozinha medieval europeia.” ”-Lilliane Plouvier« Multiculturalité, identité européenne et habitudes alimentaires » (Project CE -DG Education et Culture)2000  

De facto, se observarmos o relato de alguns  banquetes e festas senhoriais encontramos  productos básicos semelhantes, abundância e  variedade de pratos selecionados conforme os temperamentos,um  serviiço  ordenado segundo categorías sociais , presença de músicos e histriões, importância da surpresa ...

Contudo há alguma diversidade dentro desta unidade.. A Natura oferece aos homens alimentos diferentes segundo as regiões e em cada região há opções entre produtos conforme a sua cultura, pensamento ou crença... Há um significado simbolico dos alimentos... manifestação de  particularidades culturais (arabes, judeus,cristãos)....
Diz o Al-Khithab  a propósito das varias nações : “muitos são afeiçoados e inclinados para os alimentos que outros detestam.”..
Assim os cátaros ,no fim do sec XIII, comem flancos de porco salgado ou fumado,mas ignoram o melão e alcachofra, trazidos peloa  árabes no Trezentos  á  Catalunha..(Montaillou)

Observa-se uma diferenciação religiosa e social no consumo., como diz Teresa de Castro in La alimentación castellana e hispanomusulmana bajomedieval ( 1996) : “Os castelhanos são  por própia vontade essencialmente carnívoros, e gostam de carne, de gorduras animais e de outras formas de guisar que não sejam os fritos (os fritos à base de legumes verdes constituem a entrada da Pessah judaica)... Os  muçulmanos  vêem-se a si mesmos  como sóbrios no gasto e  consumo alimentares, e não muito  carnívoros. ..No  Al-Andalus  as frutas e os cereais são os alimentos mais elogiados, e o vinho o mais  criticado...  Estamos perante um paralelismo, não face a  uma convergência alimentar, no mediterrâneo hispânico ”.
Há sem dúvida,uma influência indirecta da cozinha muçulmana na cozinha cristã  como resultado de um longo período de contacto na fronteira em movimento... principalmente quando o Al-Andaluz era um modelo cultural luxuoso a imitar (vide a loucura das especiarias sg F.Braudel)..
.No entanto há que fazer uma análise cuidada do receituário: assim, quando se fala num prato  mourisco  isso pode tão só significar uma côr mais escura de um prato...não uma receita igual...


2- Natureza interna : na  preparação é  uma  arte da  Metamorfose

Desde o mundo classico (greco-romano)- a cozinha é entendida como a  arte de combinar alimentos, meio de correção da natureza e de manter o equilibrio dos humores (elementos que compõem o corpo) com alimentos temperados e equilibrados (recuperando esse equilibrio se doente-sg. o Hipocrates o medico grego) - adicionando alimentos de natureza fria ,quente ,húmida ou  seca e suas combinações,   compensando os humores insuficientes ou corrompidos nas partes doentes do corpo –(vide Tacuinium Sanitatis,sec XIII)

Como afirma J.Flandrin  (in Historia da Alimentação) , a propósito da arte culinaria enquanto arte correctiva dos alimentos: “Assim as virtudes naturais ou qualidades dos alimentos-que são instaveis-podem ser acentuados reduzidos transformados pelas condições do meio e pela pereparação ou tratamento culinario dos alimentos.  Os varios modos  de cozinhar são assim meios para modificar as propriedaes naturais dos aliments e para melhorar a  saúde.     Cozinhar misturar transformar -  eis a suprema  Arte da cozinha : também tornar os alimentos mais agradáveis ao paladar e mesmo á vista” ...  como na  metamorfose ovidiana !
Com  os árabes a cozinha torna-se uma arte do tempero  e de  combinação de ingredientes  que modificam sabores e consistências ( propriedades dos alimentos). As especiarias dão sabor ,salientam o paladar, diferenciam iguarias : se a acidez é excessiva corrige-se com adoçantes ou mosto  - dai o agridoce. A acumulação de ingredientes e especiarias-tem função de correção dos aliments,segundo o mouroRazi ...

Cozinhar-cozer-tem pois como função primeira-tornar alimentos mais digestos . De facto  a  cozinha nasce e convive com o  receituario magico e a farmacopeia-(herbarios)  com sua utilização ritual e simbolica... receitas relacionadas com a saúde- a que Bruno Laurioux chama a “cozinha medicinal” ...No sec XIII surgem obras  manuscritas contendo preceitos de saúde e de cozinha destinados á aristocracia : como o  Régime du corps  de Aldebrandin de Sienne( 1256)  que   recomenda as  especiarias na condimenrtação das carnes para as tornar mais  digestas-  a digestão é uma cozedura corporal…(enquanto os alimentos vegetais são de dificil digestão para estomagos nobres) …
A condimentação tem função de corrigir os vicios dos alimentos…alimentos humidos como a carne de porco levam mais  sal, alimentos secos e delicados como galinhas e  perdizes-levam pouco sal…

Assim através dos condimentos, se aumenta a bondade dos alimentos . Mudando o sabor de um alimento, modificava-se a sua natureza...segundo se julgava na época...
Barthelemy, o Inglês, defende em seu quadro de sabores, que estes ordenados por suas qualidades(quente,temperada,fria ) ... são transmutáveis nos que se lhe seguem, por acção do calor...pela cozedura...
Como exemplos destas transmutações : os frutos verdes de sabor acerbo ou acido adquirem por acção do sol ao amadurecer um sabor doce ou gordo...por sua vez, o mel de sabor doce, toma um sabor amargo ao caramelizar por acção do fogo.

Entende-se na época, que tudo o que alimenta veramente tem em si pelo menos um pouco de sabor doce...portanto moderadamente quente.
As substancias que apenas tinham sabores frios(acerbo,acido) ou quentes(acre,salgado) não podiam servir de alimento,mas apenas de medicamento e/ou condimento. Por isso-uteis para equilibrar o sabor ou temperamento dos alimentos demasiado frios ,demasiado quentes ou insuficientemente doces... cozinhar é também e afinal uma operação de adoçamento...
 Os gostos ou repugnâncias sáo fisiológicos...caracteristicos do temperamento de cada um...Assim, cada um devia comer segundo sua natureza ou humor dominante.
 Daí resultava que  no serviço medievo á mesa colocavam em simultâneo, defronte dos convivas  varias iguarias ,das quais cada um escolhia segundo seu gosto ou temperamento...  (Continua)...

9.6.12

Exposição Templaria em Troyes (França) este verão



Em 2012, Aube en Champagne, berço da Ordem do Templo, convida à descoberta dos primeiros templários através de vários eventos durante seis meses:



Grande Exposição em Troyes (França) : Templários. Uma história, o nosso tesouro 
do dia 16 de junho ao dia 31 de outubro de 2012,

Colóquio internacional, s/Templarios- 24/26 Outubro-Troyes- onde participará a n/Associação Templ'Anima, com o prof. Ernesto Jana.



Templários, uma história nascida em Champagne

A história da Ordem do Templo está estreitamente ligada à história de Champagne e, particularmente à do atual departamento de l’Aube. Fundador e primeiro mestre do Templo, Hugues de Payns nasceu num vilarejo perto de Troyes. E foi no concílio de Troyes, em 1129, que a regra da Ordem foi redigida e adotada sob a égide de Bernard de Clairvaux. A região Champagne reúne grandes figuras da Ordem do Templo e das Cruzadas. Na Idade Média, sob impulso dos condes de Champagne estabelecidos em Troyes e em Provins, esta região é, por excelência, a terra dos aventureiros do Oriente…

Templários, os tesouros de Aube en Champagne

Setecentos anos após a dissolução da Ordem no Concílio de Viena, em 1312, a exposição Templários. Uma história, o nosso tesouro revela a história e a vida da Ordem apoiando-se nas últimas descobertas científicas. O visitante caminhará do imaginário à realidade histórica.

As peças mais importantes serão expostas. Entre elas: o rolo do processo que restitui, sobre mais de 20 metros de pergaminho, os interrogatórios dos templários. Este precioso documento, raro e frágil, constitui um empréstimo, a título excepcional do Arquivo Nacional. O público terá igualmente acesso ao tesouro monetário da comenda de Payns (Aube) –1ª comenda templária do Ocidente – bem como aos tesouros arqueológicos da comenda de Avalleur (Bar-sur-Seine, Aube), expostos pela primeira vez .

Seis meses de acontecimentos para todos

Para completar a exposição… conferências, um colóquio internacional sobre a economia templária, espetáculos e visitas guiadas são propostas a partir da primavera de 2012. Para percorrer a trilha dos templários em Aube, foram igualmente organizadas caminhadas, passeios e caça ao tesouro (na floresta do Oriente), e visitas aos locais emblemáticos: comenda de Avalleur, museu dos Templários-Hugues de Payns, visita guiada à cidade de Troyes em Troyes sobre o tema dos templários, abadia de Clairvaux…



Exposição aberta todos os dias, do dia 16 de junho ao dia 31 de outubro de 2012, entre 9:30 e 19:00. Troyes. Hotel-Dieu-le-Comte. Entrada livre

Museu Hugues de Payns aberto todos os dias, exceto às segundas e terças-feiras

Comenda de Avalleur, Entrada livre, todos os dias entre 14:30 e 18:00

Abadia de Clairvaux- visitas guiadas todos os dias

Veja o site Aube Templiers 2012

26.5.12

Os Tabuleiros em Carregueiros ou outra prova das influências orientais nos cultos da região



                                      
A propósito da procissão dos Tabuleiros que se faz todos os anos na freguesia de Carregueiros(Tomar)   e mais uma vez  hoje  27  Maio. ..Domingo do Espirito Santo: concentram-se os tabuleiros no adro da capela de Santo Amaro sita na rua da Cerca.São da altura das raparigas que os trazem e correspondem tradicionalmente a uma promessa feita ou agradecimento de graça recebida. Tabuleiros com suas fiadas pentaculares(5 canas),cada uma com 6 pães de 400 gramas,enfeitados com flores naturais e espigas de trigo; encimados pela  pomba do Espirito Santo.
Procissão que traduz a antiga oferta das primícias das colheitas,o linho e o pão,sob a forma de fogaça a depositar no altar, como ainda se faz no lugar do Freixo-Alviobeira(por exemplo)onde antes da missa há a recolha dos tabuleiros e oferendas.Também fora do concelho,nas regiões da Batalha e Leiria,as moças desfilam com açafates de pão enfeitados à cabeça.   Raparigas com o traje branco virginal rendado,faixa de seda colorida,sapatos de carneira branca;os mancebos a seu lado de fato domingueiro.
Á frente, alçada a cruz de prata,logo seguida de dois confrades- mordomos com lanternas e o Pendão;segue-se o juiz com a coroa de prata lavrada;ao todo sete confrades do Divino Espirito Santo com suas opas vermelhas; precedendo-os os bombos e gaita de foles.Depois o povo. Segue a procissão até ao outeiro da igreja de S.Miguel - o santo dos lugares altos - já fora da povoação.  Ali há missa cantada e benção do pão; benzem-se os tabuleiros e revezam-se os irmãos.  No regresso a procissão dá a volta às ruas da povoação e segue até casa do juiz,distribuindo-se ali o pão bento. Dantes , até ao sec.XVII, o bodos faziam-se nas igrejas...
Em sua casa,enfeitada com vasos de trigo,feijão e aveia - os quais são semeados 3 semanas antes - crescendo no fundo escuro de uma arca e  pela ausência de sol, nascem uns filamentos amarelados assim como cabeleiras louras. Então o juiz sentando-se na cadeira,entre as cabeleiras,vai impondo sobre a cabeça de quem o desejar, a coroa ,ao mesmo tempo que invoca o Espirito Santo, comunicando as suas graças,a esperança messiãnica na potestade divina,de que a terra sempre dará bons frutos..
.À tarde há baile á frente da casa do juiz,cantando-se ´a desgarrada e bebendo vinho ofertado pelo juiz.
Repare-se no vaso com as cabeleiras ...ao lado do juiz , numa evocação que fizemos o ano passado durante a festa dos tabuleiros em Tomar, junto á albergaria medieval de S,Brãs .

No dia seguinte faz-se a entrega da coroa e do livro de registos da confraria ao novo juiz,depois do almoço ritual de carneiro,com os confrades mais velhos,ficando alguns borrachos.Na sua nova morada faz-se a conferência das alfaias e os juizes dão o beijo da Paz medieval.   Realce para o facto que a coroa de prata da freguesia é uma das mais antigas e preciosas do concelho ,que durante as invasões francesas esteve escondida de baixo de um degrau de pedra na soleira de uma porta da terra....
Estralejam foguetes à compita ostentatória entre velhos e novos mordomos,durante horas!
Actualmente o numero de tabuleiros tem vindo a diminuir,tal como noutras freguesias,devido á raridade das promessas. No rosto dos jovens que os transportam é visivel o cansaço  e não só pela falta de hábito de transportes á cabeça: a questão é que dantes eram todos mesmo romeiros e havia neles uma força interior que os animava,era o "enthousiasmus",a entrada do "sopro de Deus" neles,a fé na promessa...Hoje resta a afirmação de identidade do lugar...que esperamos que continue!
Quanto á origem da festa, costuma dizer-se que se perde na noite dos tempos... curiosamente é da escuridão no fundo da arca, onde germinam as cabeleiras, que vem a luz sobre o assunto.Sem significado ou  relação lógica aparente,neste ritual dos mordomos é possivel afinal descobrir uma espécie de vestigio de arqueologia teológica, tradutor da sua verdadeira origem...
Efectivamente relata-nos Ernest Renan na sua "Missão na Fenicia" que ali encontrou vários vestigios de cultos a favor das chuvas e da regeneração da vegetação,entre os quais o seguinte cerimonial: as mulheres cultivam em suas casas os chamados "jardins de Adónis", formados por vasos domésticos nos quais se semeiam no escuro e no calor das habitações, gramíneas como o trigo e ervilhas;as plantas germinam rápido sob a acção do calor,mas expostas à luz logo murcham,devido à fraqueza de suas raizes,simbolizando o definhamento da vegetação- a morte do trigo pelas ceifas - a existência efémera da divindade.  Também no sul de Espanha,   Franz Cumont, no seu estudo sobre a antiguidade dos cultos sevilhanos , constatou  que nos primeiros séculos da nossa era se compravam vasos e sementes,plantando-se e semeando-se os "jardins de Adónis" por ocasião das festas locais; os quais se levavam em procissão percorrendo os crentes descalços os campos . No final os jardins efémeros eram lançados no abismo ou poços.Ritual segundo ele introduzido nas Hespanhas pelos fenícios e cartagineses,o qual parece, ainda não desapareceu de todo...Também em Monsanto se fazem despenhar potes de flores nas festas locais...

20.5.12

Reconstituição do selo do concelho de Tomar em fins do sec XIII


  

Evocando o primeiro simbolo identitário conhecido do burgo de Tomar, no sec. XIII..

Em resultado do nosso trabalho de pesquisa sobre esse selo -entretanto desaparecido- chegámos à seguinte  reconstituição do que seria a bandeira primitiva do concelho , com vista à valorização da memória das origens ;elaborada com base em figuras de iluminuras medievais, por ser

conhecida apenas descritivamente,


Ponto de partida: a informação do historiador  Pinho Leal, na corografia“Portugal Antigo e Moderno”,1873- que  afirma o seguinte. :

“A bandeira da vila,tal como o selo do concelho era ainda em 1319: de escudo redondo dividido por cruz em 4 partes : no primeiro quartel , o conde Britaldo com ceptro; no segundo Banão com um punhal na mão direita, junto a uma árvore; no terceiro uma torre ou castelo; no quarto Iria degolada , caindo ao rio... com inscrição em redor”.

  Procurámos também  confrontar esta informação ,nomeadamente com   um documento de 1288 na Torre do Tombo com selo do concelho (referido pelo prof.  Armando Castro), mas já nada é perceptível hoje no selo, devido a ser de cera...in gaveta de Documentos da Ordem .

Assim a  composição da  imagem  é obtida  a partir de uma selecção de figuras  de iluminuras coevas, de modo a manter o traço de época.  E o tipo de letras da inscrição em redor , é baseado  na inscrição pétrea primitiva existente no castelo acerca de Gualdim.  

A solução encontrada foi cotejada com a opinião de varios historiadores locais. 


Com base neste  desenho já  foi elaborado  um pendão em pano  com 70 cms de altura. 

Esperemos que possa ser hasteado em próximas cerimonias públicas do concelho.  

 

 

22.4.12

O Segredo de Madalena




                 
Que fazem  Maria Madalena e Gualdim o Mestre templário , no mesmo espaço?

Venha ver para crer…a realidade para além das estórias de Dan Brown, que não conhece os verdadeiros sinais …essa parte do tesouro tal como outras está realmente em Tomar e não  em França…
Ha indicações para aqueles que tem olhos para ver…

 O  codigo de Dan Brown confabula a partir de uma construção eclesial de fins do  sec XIX  (Rennes-le –Chateau/França)   erguida há pouco mais de cem anos pelo padre Sauniére em menagem a S.Maria Madalena ; nas vizinhanças de uma  antiga e modesta comenda  templaria (Aleth les Bains).  Tal deu fama a esse lugar e a muitos outros onde corre a sua estória, incluindo locais ingleses que rápidamente duplicaram o numero de visitantes…que vem em busca dum halo de misterio  …
Porém ,nós  aqui em Tomar,  temos para oferecer outra realidade e bem mais antiga sobre o assunto, mas desconhecida da maioria dos nacionais e dos estrangeiros…
Comecemos pelo principio . Quem era  esta S.Maria Madalena , que a igreja Oriental hoje comemora (  2º   Domingo apos Páscoa)…

               
Natural de Magdala, cidade da  costa ocidental do Mar da Galileia,  Maria Madalena era  uma das discípulas mais  amadas do “rabi” Jesus , segundo as memórias disponiveis da época , acompanhando-o para todo o lado desde que O conheceu. Madalena é a que lhe lava os pés  cansados do Caminho, com um frasco de bálsamo, a que assiste  à  Crucificação, e a 1ª testemunha da Ressureição.   
Depois segundo uma tradição veio de barco para sul de França com familiares , onde acabou seus dias,ajudando a evangelizar a região.

São trazidas da Provença  as ossadas de Madalena para  Vezelay-Borgonha-  onde se ergue igreja com  fabuloso portal ,expoente artistico da época em 1118, o mesmo
ano do inicio da Ordem templaria a Oriente e também  ano do nascimento do nosso Gualdim Pais nos arredores de Braga.

 S.Bernardo- que pregará a 2ª Cruzada deste portal, chama entretranto a cavalaria templaria “ à obediencia de Betania “ o castelo de Maria(Madalena) e Marta(sua irmã) .Ou seja : os freis cavaleiros devem fazer seu serviço cortez a esta "noiva espiritual  " Maria de Betania ...tal como as freiras se entregam a Cristo (ficando suas mães como “sogras de Deus” na curiosa expressao de São  Jerónimo)…
No seculo seguinte a  Legenda Dourada  de  Jacob de Voragine, cronista e arcebispo de Genova  chamará significativamente a  Madalena –iluminata e iluminatrix- (iluminadora) - a que confere a Luz-  portanto iniciada e iniciadora…

E o seu culto expande-se por varias regiões de França. Em 1295 o centro do culto polariza-se em St. Maximin (Dep. de Var) onde foram reconhecidas  ossadas superiores  às  de Vezelay  - ainda hoje há  anualmente uma  procissão da cabeça de Maria Madalena- o crâneo em exibição na basilica local- recoberta com máscara dourada quando sai á rua em Julho…(neste ponto convêm lembrar a célebre acusação do culto às cabeças- atribuido aos templários)… 

 Naqueles tempos a cavalaria tratava a Mulher por igual …o tempo dos romances  de Amadis e Oreana ,  na tradição arturiana de que ainda resta no nosso Quinhentos : a saga de Palmeirim  em Almorol e as medalhas metalicas dos arreios dos cavalos dos freis ,onde se figura a iniciação por uma mulher ( que na linha do que relatamos  da Legenda , bem pode ser Maria Madalena, a iniciadora)… e uma palavra Amor…(iniciático/espiritual).

                      
Depois  sobreveio a morte dos ideais cavaleirescos , com o Renascimento enquanto contrario à ordem antiga  definindo-se pela negação das” trevas” (mas onde contudo havia luz ) onde a mulher perde estatuto -antes poderosa-vindo da antiga tradição céltica  presente na Galia de Chartres  sendo S.Bernardo um dos ultimos avatares dessa época .
Aqui em Tomar , o nosso Filipe o Belo tenebroso  chega  2  séculos depois de França- o frei Antonio Moniz (nome ainda com sucessores) arrasa a tumularia dos mestres cavaleiros templarios …ao mesmo tempo que encerra a cavalaria nova no Convento- de onde contudo alguns ainda resistem –disfarçados de pastores , encontrando-se na Mata dos 7 Montes  (sg conta a Lusitania Transformada) esse pedaço da floresta do Sangral…que cerca o castelo de Tomar…
Aqui talvez como memoria escondida desse periodo aureo o ultimo ” templario” perseguido…talvez o que assinou DP nos frescos dos primeiros claustro conventuais  conseguiu deixar  nesse mesmo sec XVI  ,no Panteão dos Mestres,  a sua  mensagem  secreta nas mãos  de S. Madalena de mãos  postas, significativamente  colocada na capela templaria …Se repararem olhando de baixo mas com sentido elevado verão o sinal: as suas mãos desenham uma fechadura-sinal da chave do misterio…ali colocado disfarçadamente e só visível  de certo angulo -o da Verdade  templaria irénico- ecumenica entre filosofias e géneros (onde tb havia freiras neste seu castelo principal,um dos 3 a Ocidente e hoje único completo)… Afinal Madalena está assim  unida  à  filosofia templaria desde o ano de seu nascimento…e a S.Bernardo como seu mentor… resíduos de uma velha  iniciação matriarcal…a que se seguiu  o banimento oficial das mulheres  co-celebrantes rituais  até hoje..  Alguns até incomodados com a sua presença nessa capela  fazem crer  que ela é  santa Barbara –porque está a olhar para o ar, esquecendo o pote de perfume a seus pés…que a identifica sem margem para dúvidas…






Ah , este lugar é para ver no seu conteúdo total,incluindo a nova listagem lapidar recentemente ali colocada  de todos os mestres do Templo ali sepultos…Porque aqui permanecem secretas vibrações que valem uma visita de muitos… sejam nacionais ou estrangeiros…Passem a Palavra !